Sábado, 20 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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ENTRE ASPAS >

Cristina Kirchner e a desconcentração da mídia

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 19/03/2009 na edição 529

Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 19 de março de 2009


 


ARGENTINA
Thiago Guimarães


Cristina propõe lei para desconcentrar a mídia


‘Em um ano em que enfrentará um teste eleitoral, o atual governo da Argentina abriu ontem mais uma frente de batalha ao apresentar sua proposta de reforma da Lei de Radiodifusão, que vai regular o futuro das comunicações no país.


Anunciada pelo governo Cristina Kirchner como intento de democratização do setor, a Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual autoriza a entrada das empresas de telefonia no mercado de TV a cabo, habilitando-as a oferecer o serviço de ‘triple play’ (banda larga, TV paga e telefone), que dá seus primeiros passos no país.


No Brasil, a participação de teles nesse mercado é vetada, mas a proibição está sendo rediscutida no Congresso.


A iniciativa também limita o número de licenças de radiodifusão por empresa (24 para 10), cria uma ‘reserva social’ (para entidades sem fins lucrativos) de 33% do espectro de radiofrequência (AM, FM, UHF, VHF), além de definir participação máxima de 35% no mercado de TV a cabo, entre outros pontos.


Por trás da discussão está a queda-de-braço do governo com o maior conglomerado de mídia do país, o grupo Clarín, dono de 50% dos mercados de TV paga e jornais, além de fatias em internet, rádio e TV.


O texto do governo atinge em cheio os interesses do grupo, por limitar sua participação e ampliar a concorrência no setor de TV a cabo -a espanhola Telefônica é um dos atores que negociam sua entrada no ramo.


‘Qual é o problema, Clarín, por que está tão nervoso?’, questionou o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-07) no último dia 10, ao criticar a cobertura política do grupo. A relação entre o casal Kirchner e o Clarín se deteriorou a partir do conflito do governo com o campo, em 2008. Insatisfeito com a cobertura pelo grupo, o governo apressou o debate da lei.


Mas o trato não fora sempre ruim. Foi sob Néstor, em 2007, que o governo aprovou a fusão entre a CableVisión e o Multicanal, as duas empresas líderes de TV a cabo do Clarín. Aprovada nos termos atuais, a lei poderia forçar a reversão da decisão.


‘Pode ser que isso [a nova lei] levante questões ligadas a certos esquemas de negócio, mas a intenção é fortalecer a qualidade institucional da democracia e da opinião pública’, afirmou à Folha Luis Lazzaro, coordenador-geral do Comfer (Comitê Federal de Radiodifusão), órgão que regula o setor no país.


‘Dívida da democracia’


A substituição da Lei de Radiodifusão vigente, editada na ditadura (1976-83), foi o único anúncio concreto de Cristina ao abrir o ano legislativo, no início deste mês. ‘É uma dívida da democracia’, afirmou então. Ontem, ela disse que a lei é ‘para que todos possam pensar por si mesmos e não como indicam uma rádio ou um canal’.


Cristina anunciou a lei no mesmo teatro de La Plata em que se lançou à Presidência. Com Néstor na plateia, disse que o projeto não é pessoal, mas ‘de todos os argentinos’.


Segundo Lazzaro, o texto será submetido a consulta pública por até 90 dias antes de ir ao Congresso. É tempo suficiente para o governo enfrentar uma batalha de cada vez -os Kirchner querem adiantar as eleições legislativas nacionais de outubro para junho.


O governo buscou legitimação social para seu projeto na Coalizão para uma Radiodifusão Democrática, encabeçada por entidades pró-governo, como a ONG Mães da Praça de Maio. ‘As telefônicas querem entrar no sistema de meios [de comunicação]. Sua capacidade econômica é muito maior, e quem já está, como o Clarín, quer evitar que novos entrem’, disse à rádio América Guillermo Mastrini, do grupo.


A reportagem procurou ouvir os grupos Clarín e Telefônica, mas não houve resposta.’


 


 


NOS EUA
Kenneth Maxwell


A visita de Lula


‘ESTA FOI A semana em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva veio a Washington.


A visita havia sido marcada para o dia 17 de março. Mas este é o Dia de São Patrício, no qual os norte-americanos de ascendência irlandesa celebram suas raízes com grandes paradas nas maiores cidades do país, um poderoso incentivo para políticos que não desejam alienar número tão elevado de possíveis eleitores. Por isso a visita de Lula à Casa Branca foi transferida para a manhã de sábado. Como consequência, terminou em larga medida ignorada por boa parte da mídia noticiosa dos EUA.


Houve uma exceção: o jornal ‘Washington Post’ publicou um grande artigo. Mas o texto se concentrava no caso de Sean Goldman, o menino norte-americano que está no Brasil e cuja situação vem causando grande agitação entre os políticos dos Estados Unidos. Na Câmara dos Deputados, 418 dos 432 legisladores votaram por seu retorno, e a secretária de Estado Hillary Clinton mencionou a questão em seu encontro com o ministro Celso Amorim.


O caso é uma disputa de guarda que parece destinada a se tornar mais um ‘caso Elián’. Elián González era um menino cubano que se viu envolvido em uma disputa de guarda em Miami. Os governos dos Estados Unidos e de Cuba terminaram por colaborar para repatriá-lo a Havana, apesar dos imensos protestos dos norte-americanos de ascendência cubana.


Em 2 de abril, acontece em Londres a conferência de cúpula do Grupo dos 20 (G20), entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento. O primeiro-ministro britânico Gordon Brown disse que a conferência de cúpula de Londres precisa lidar com as ‘raízes’ da recessão econômica mundial e ‘reformular a regulamentação financeira em todo o mundo’. Depois, de 17 a 19 de abril, em Trinidad e Tobago, acontece a 5ª Cúpula das Américas. O Brasil terá posição crucial em ambas as reuniões.


Depois de seu encontro com Barack Obama na Casa Branca, Lula declarou que os Estados Unidos e o Brasil coordenariam sua abordagem em Londres. Obama confirmou sua participação na cúpula de Trinidad e Tobago, e indicou Jeffrey Davidow para coordenar os preparativos da reunião na Casa Branca.


Antigo embaixador norte-americano no México e na Venezuela, Davidow era até recentemente presidente do Instituto das Américas, em San Diego. Trata-se de um diplomata habilidoso que ocasionalmente pode ser refrescantemente franco -bem mais do que muitos mexicanos gostariam, durante sua passagem por lá como embaixador. Mas ele precisará exercitar toda a sua habilidade para tornar a Cúpula das Américas relevante.’


 


 


BRIGA
Painel do Leitor


Record


‘‘Em reportagem editorial exibida pela Rede Record na manhã de ontem, uma longa série de meias verdades foi exposta na defesa da emissora contra uma suposta campanha da Folha contra ela. A emissora pinçou algumas informações da coluna ‘Outro Canal’, de Daniel Castro, para rebater e, assim, julgar-se defendida perante seu público. Chegaram até ao absurdo da ilação entre a parceria que o Grupo Folha mantém no jornal ‘Valor’ para ‘justificar’ esta suposta série de ataques do jornal. Alegaram também ‘preconceito religioso’, manobra diversionista para desviar a atenção para algo inexistente em contraposição a algo que realmente deve existir e deve ser escondido.


Quem acompanha a coluna pode perceber a isenção com a qual todas as emissoras são tratadas. Não por acaso a coluna é uma das mais dotadas de prestígio nos meios publicitários e entre os executivos de televisão. A Record, ao jogar seu público contra a Folha, repete a estratégia usada pela Iurd, que incentivava seus fiéis a processarem a Folha em função da reportagem da jornalista Elvira Lobato em 2007.’


FERNANDO DE LIMA MILLER (São Paulo, SP)


‘Há mais de 30 anos assino e leio a Folha, mas as recentes notas e a aparente manipulação de dados e informações contra a Rede Record em comparação com a Rede Globo têm me deixado extremamente preocupada. Informações que beneficiam a imagem da Globo -a mesma Globo que monopoliza e manipula horários de transmissões esportivas de grande audiência em detrimento dos interesses dos telespectadores, a mesma Globo que dentro das notícias omite informações por trás da maquiagem da Fátima Bernardes, a mesma Globo que se empenhou em eleger Fernando Collor de Mello! Acho que está na hora de ler outro jornal.’


ROSANA ZEPPELINI NASCIMENTO (Rio Claro, SP)’


 


 


Folha de S. Paulo


Record volta a atacar a Folha em telejornal


‘Pelo segundo dia consecutivo, o ‘Jornal da Record’ atacou a Folha, acusando-a de não corrigir supostos erros e de ‘comprometer sua qualidade editorial’. Anteontem, a emissora acusou o jornal de publicar notícias ‘caluniosas’ na coluna ‘Outro Canal’, de Daniel Castro.


Adeptos da Igreja Universal, fundada pelo bispo Edir Macedo, proprietário da Record, ajuizaram 107 ações na Justiça contra a Folha e outros jornais após a publicação, em 2007, da reportagem ‘Universal chega aos 30 anos com império empresarial’ -saíram 66 sentenças, todas favoráveis ao jornal.’


 


 


POLÍTICA
Folha de S. Paulo


Sem lideranças na TV, PMDB renega ‘culto à personalidade’


‘As propagandas institucionais que o PMDB exibe desde a última semana na TV não contam com a participação de senadores, deputados, governadores ou estrelas partidárias porque o partido não quer culto à personalidade, de acordo com os publicitários responsáveis pela campanha e lideranças do partido.


Eles dizem ainda que a principal intenção é ‘fortalecer a marca’. O programa fala de ‘ontem, hoje e sempre’.


Ao citar a ditadura, um dos atores diz: ‘Só quem viveu aqueles tempos duros sabe quanto o MDB foi importante para mudar o país. E mudou’. Outro personagem cita a participação do partido na Constituinte e na Constituição. Foram utilizados cerca de 20 atores e 40 figurantes.


No filme principal, de 10 minutos, e nas cinco inserções aprovadas, ficaram de fora os presidentes da Câmara, Michel Temer (SP), e do Senado, José Sarney (AP); os líderes do partido nas duas Casas, Henrique Eduardo Alves (RN) e Renan Calheiros (AL); governadores, como Sergio Cabral (RJ), e ministros, como Geddel Vieira Lima (Integração Nacional).


‘Não tem culto a personagens. A tentativa é mostrar que o todo é maior que o indivíduo, ou seja, o partido é mais importante que possíveis lideranças, que são momentâneas, circunstanciais. O partido, em tese, tende à eternidade’, defende o deputado federal Eliseu Padilha, presidente da Fundação Ulisses Guimarães.


A campanha (que não teve seu valor revelado) foi realizada pela agência Pública Comunicação, dos publicitários Elsinho Mouco e Antonio Melo. Eles fizeram no ano passado a campanha de Amazonino Mendes (PTB) em Manaus e do general reformado paraguaio Lino Oviedo, preso acusado de tentativa de golpe em 1996.


Também comandaram a campanha de Edson Vidigal (PSB) no Maranhão. Apesar de derrotado, Vidigal ajudou a dividir o eleitorado, tirando a vitória de Roseana Sarney (PMDB) no primeiro turno. Jackson Lago (PDT) foi eleito governador no segundo turno.


A Folha apurou que a Pública já negocia trabalhar com Roseana, que deve assumir o governo maranhense com a cassação de Lago no Tribunal Superior Eleitoral.


Segundo Antonio Melo, a ideia da campanha do PMDB é reforçar a marca do partido. Ele diz que, normalmente, as propagandas são ‘monopolizadas’ por figuras políticas.


‘O PMDB estava sob um ataque à sua marca muito sério. Fez-se uma reconstituição da história e falamos do futuro, que é uma cobrança ao partido’, afirma o publicitário.


Ele disse ainda que a decisão de não colocar deputados, senadores e outros líderes partidários foi de Michel Temer, presidente do partido.’


 


 


INTERFERÊNCIA
Folha de S. Paulo


PF apreende equipamentos conectados a satélites dos EUA


‘A Polícia Federal realizou em dez cidades de seis Estados uma operação para apreender equipamentos conectados clandestinamente às frequências de dois satélites coordenados pelo Departamento de Defesa do governo dos Estados Unidos, pelos quais eram mantidas comunicações de áudio. Uma pessoa foi presa em Unaí (MG).


A operação, batizada de Satélite, atendeu a pedido dos EUA, que indicou os pontos em que as interferências estavam ocorrendo na comunicação dos satélites Fleet SAT-8 e UFO.


A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e a PF fizeram as coordenadas geográficas a partir dos pontos indicados pelos EUA e apreenderam em várias casas transmissores, rádios, antenas e acessórios usados para as comunicações clandestinas, segundo a PF.


Foram expedidos pela Justiça Federal em Santa Catarina 20 mandados de busca e apreensão. O nome do preso não foi informado. A PF suspeita que a pessoa seja a fornecedora dos equipamentos.


A PF disse que vai investigar qual tipo de comunicação era estabelecida e com quais objetivos. Nenhum detalhe técnico sobre as alegadas interferências foi dado pela PF. A Folha pediu dados à Anatel, como o tipo de interferência que as comunicações clandestinas podem causar. Até a conclusão desta edição não houve resposta. Os mandados foram cumpridos em MG, TO, GO, MT, MS e SC.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


O desespero


‘A China andou questionando os títulos do Tesouro americano ela que detém grande parte deles, agora. E ontem, nas manchetes on-line de ‘Wall Street Journal’, ‘New York Times’ e ‘Financial Times’, o banco central americano anunciou que vai comprar US$ 300 bilhões em títulos do Tesouro e investir outros US$ 750 bilhões em seu programa hipotecário. Foi ‘agressivo’, avaliou o ‘WSJ’, e economistas saudaram como ‘um grande passo’. Fez ‘tremer os mercados’.


No enunciado do ‘NYT’, ‘o Fed aumentou dramaticamente a proporção de dinheiro que vai criar do ar fraco’, thin air, de lugar nenhum. Vai imprimir dólar sem lastro. O ‘FT’ ressaltou uma avaliação de que a medida ‘poderia ser tomada como um sinal de desespero’, mas também ‘confirma que Ben Bernanke, presidente do Fed, vai fazer tudo o que for necessário para controlar o problema’.


A IRA


O clamor americano contra os bônus milionários concedidos aos executivos da AIG, estatizada e que vem consumindo bilhões, prosseguiu ontem nas manchetes de jornais e dos sites políticos dos EUA, agora transformada em caça às bruxas. O ‘New York Post’ deu nomes e a manchete ‘Não tão rápido, seus canalhas vorazes’ acima e que ecoou por todo lado. Huffington Post e Drudge Report traziam fotos dos políticos mais visados, democratas todos, a começar do secretário do Tesouro, Tim Geithner. No primeiro, a própria ‘publisher’ Arianna Huffington escreveu o post de sua manchete ‘Quem foi?’, Whodunit à caça do parlamentar ou administrador que retirou da legislação a cláusula que impedia bônus.


À CAÇA


O mais visado após Geithner, ao longo do dia, foi o senador democrata Chris Dodd, tido por representante de Wall St. _e cuja campanha arrecadou doações de diretores da AIG que receberam bônus agora, um deles na foto à esq. De DC Examiner a Gawker, os blogs caíram em cima de Dodd, mas o ‘NYT’, primeiro a levantar a história, isentou.


DEPOIS DE TRÊS MESES


O ministro do Trabalho adiantou anteontem, mas ninguém ouviu e foi manchete só no portal iG, com os empregos criados em fevereiro.


Já ontem, das manchetes de Agência Brasil e Folha Online à escalada do ‘Jornal Nacional’, ‘Emprego volta a crescer depois de três meses de queda’. Ecoou também no exterior, por Associated Press, Bloomberg e outras, mas como ganho ‘modesto’.


ANTICÍCLICA


Em destaque na BBC Brasil, a Organização Internacional do Trabalho, da ONU, avaliou em Paris que a Bolsa Família estimula consumo e pode ‘amortecer o impacto da crise’


LULA & OBAMA


Do Radar, ontem, ‘Obama ligou há pouco para Maurício Funes, eleito em El Salvador’, e mostrou ‘uma novidade: referências a Lula’. Falou que Lula ‘garantiu que Funes venceria e era de confiança’. Agências registram que Chávez ligou antes.


LULA VS. MORALES


No topo das buscas de Brasil no Yahoo News, despacho da AP informou que o país agora busca ‘independência da Bolívia’, ao abrir terminal de gás no Rio. Ressaltou a frase de Lula de não querer mais depender do ‘bom humor’ de Evo Morales.


OBAMA VS. CHÁVEZ


O ‘NYT’ destacou os esforços de Barack Obama para ‘desenhar um plano de energia’ e restringir a dependência externa. A pressão pela perfuração no mar prossegue e ‘lugares como o Brasil’ mostram que pode haver petróleo ‘considerável’.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Projeto dobra propaganda partidária na TV


‘As TVs estão em campanha nos bastidores contra projeto de lei que aumenta em 115% o tempo para propaganda partidária. O projeto, apresentado em 2007 pelo senador Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, está na fila para ser votado pelo plenário do Senado.


Segundo cálculos, o tempo ocupado pelos partidos em cada emissora de São Paulo subiria de 1.188 minutos, em 2008, para mais de 2.400 minutos por ano. Esse é o tempo ocupado apenas com os programas exibidos, simultaneamente por todas as redes, às quintas-feiras, às 20h30, e por inserções de 30 segundos. O projeto não altera a propaganda eleitoral gratuita, veiculada quando há eleições.


Nesta semana, começou a circular e-mail que alerta sobre a iminência de aprovação do projeto pelo Senado (ele tem de passar pela Câmara ainda). Diz o e-mail, apócrifo, que o aumento de tempo é ‘uma violência contra o direito de escolha do cidadão-telespectador’. A carta pede envio de protestos a senadores e deputados.


A assessoria de Sérgio Guerra informa que o projeto é consenso entre partidos e que está sendo discutido com as TVs, para chegar a ‘um entendimento’. O projeto, a rigor, restabelece aos partidos patamar de tempo que havia até 2006. Ele distribui o tempo conforme a representatividade. Grandes teriam dois programas de 20 minutos por ano e o dobro desse tempo em inserções.


CRAQUE


Emissários do jornalismo esportivo da Globo andaram sondando o ex-jogador Neto, comentarista de futebol da Band e do Band Sports.


EXTRA 1


Até sua final, em 7 de abril, a nona edição de ‘Big Brother Brasil’ ainda terá dois paredões extras. As eliminações acontecerão em dois domingos, 29 de março e 5 de abril. Na final, haverá apenas três competidores.


EXTRA 2


Até lá, o diretor de ‘BBB’, J.B. de Oliveira, o Boninho, poderá voltar a usar o quarto branco, que foi acusado pelo Ministério Público de ser ‘instrumento de tortura’ e serviu para eliminar o participante Léo, com claustrofobia. Mas, desta vez, Boninho pensa em uma utilização mais ‘light’.


TENDÊNCIA


Regina Casé terá uma nova série no ‘Fantástico’, intitulada ‘Vem com Tudo’. O quadro mostrará tendências de comportamento e de consumo, ou seja, o que está na moda. Como em ‘Central da Periferia’, terá uma abordagem ‘antropológica’. Regina fará entrevistas e cenas de ficção nas ruas.


FRANCÊS


Agora sob o comando de Jayme Monjardim, Renato Aragão fará um segundo seriado neste ano. A produção terá gravações, ainda neste semestre, em Paris.


VITAMINA


A Record usará ‘Promessas de Amor’, a terceira parte de ‘Os Mutantes’, para tentar emplacar o vencedor do reality show ‘Ídolos’. O tema de abertura da novela será interpretado por Rafael Barreto.’


 


 


Fernanda Ezabella


VH1 aborda a infância bizarra de Britney


‘Quem, afinal, tirou a virgindade de Britney Spears? O mistério é latente no programa sobre sua infância que o canal pago VH1 exibe hoje. Afinal, a cantora americana foi vendida ao mercado fonográfico pelos próprios pais como uma lolita virgem do interior dos EUA.


O programa foi ao ar em 2006, por isso chega mais que defasado aos fãs brasileiros. Não diz nem que Britney se separou de Kevin Federline, faz uma breve menção a seu segundo filho e nem imagina que ela rasparia a cabeça em 2007.


Ainda assim, os entrevistados e os fãs já parecem chocados com as loucuretes da garota sulista e conservadora, que se casou em Las Vegas em 2004 com um amigo de infância (durou apenas 55 horas) e pouco depois engravidou de Federline, um dançarino encrenqueiro e cheio de problemas.


Para entrar na ‘psique’ de Britney, muito é falado sobre seus pais, que aparentemente usaram a filha para ‘sair do buraco’. O pai era um homem fracassado, cheio de dívidas; a mãe colocou a filha para ter aulas de dança aos 2 anos.


O primeiro namorado de Britney conta que foi a mãe dela que arranjou um encontro entre os dois, ela com 14 anos na época. Depois, quando veio o sucesso, ele foi ligeiramente deixado de lado.


A INFÂNCIA SECRETA DE BRITNEY SPEARS


Quando: hoje, às 23h


Onde: VH1


Classificação: livre’


 


 


EL SALVADOR
Mônica Bergamo


Pé na areia


‘O novo presidente de El Salvador, Maurício Funes, e sua mulher, a brasileira Vanda Pignato, visitarão o Brasil antes de sua posse, para alguns dias de descanso na Bahia. Será hóspede do jornalista João Santana, que coordenou o marketing da campanha presidencial.’


 


 


PUBLICIDADE
Mônica Bergamo


Hall da fama


‘O Brasil é o país com mais nomes indicados para o hall da fama do Festival Iberoamericano de Publicidade, que selecionou 40 publicitários, agências e campanhas em comemoração aos 40 anos do evento. São 13 brasileiros na lista, entre eles Washington Olivetto (o mais premiado, com a inclusão de seu nome e de quatro trabalhos na galeria), Fábio Fernandes, João Daniel Tikhomiroff, Marcello Serpa e Nizan Guanaes, além da DPZ.’


 


 


EDUCAÇÃO
Juliana Coissi


Gestão Serra vai ‘remendar’ livros escolares com erro


‘A gestão José Serra (PSDB) vai ‘remendar’ as 17 apostilas distribuídas para estudantes de 5ª a 7ª série do ensino fundamental e do ensino médio que tiveram erros constatados.


Diferentemente dos 500 mil livros de alunos da 6ª série que tinham um mapa que trazia dois Paraguais e serão recolhidos, o Estado dará aos alunos uma folha com as correções de todas as disciplinas de sua série em que há falhas. Caberá ao aluno fazer a correção.


A Secretaria de Estado da Educação afirma que são 18 erros (incluindo o do mapa com dois Paraguais) e que foram causados por pequenas falhas de digitação.


A lista de erratas foi detectada pela Folha no próprio site da secretaria. Pelo levantamento, há 26 páginas com as correções já feitas -algumas tinham mais de um erro- em nove disciplinas. São mapas trocados, expressões em inglês incorretas, erros de grafia de nomes e frases que foram alteradas.’



 


ARLINDO PIVA (1931-2009)
Estêvão Bertoni


Um jornalista caótico e excêntrico


‘Arlindo Piva tinha um ouvido raro. Para a consternação dos amigos, dizia escutar notas desafinadas na voz de Frank Sinatra. ‘Pelo amor de Deus, Arlindo, se o Sinatra é um cantor fraco, quem é que canta bem?’, questionavam-lhe os mais indignados.


Aficionado por jazz, preferia os músicos negros. Os ouvidos, implacáveis, até em Miles Davis, seu ídolo, encontravam notas erradas: ‘Ele pode’, justificava-se.


Arlindo, que era branco, não deve ter escapado de desafinar também: além de jornalista, dedilhava o violão muito bem, lembra o jornalista Fernando Morgado.


Entre 1969 e 1987, trabalhou nesta Folha, escrevendo para o caderno de Turismo. Excêntrico, elaborava uma lista de amigos que estariam prestes a morrer.


‘A gente dizia: ‘E aí, Arlindo, em que posição estou?’ E ele: ‘Ah, você está em 17º’, lembra o jornalista e professor Wladyr Nader. Vez ou outra, cochichava: ‘O Marcão de hoje não passa’. Errava sempre, para a sorte geral.


Caótico e hiperativo, conta o amigo Ailton Santos, vivia nos bares, desafiando adversários no crepe, um jogo com dados. Morava num quartinho com gatos nos fundos da casa de uma irmã.


Como sumiu por um tempo, os amigos desconfiaram e só souberam de sua morte, ocorrida em 17 de fevereiro, na última semana. Dizia ter planejado viver até 55, mas morreu aos 77, de falência de órgãos -alguns foram doados. Não teve filhos.’


 


 


LUTO
Carlos Heitor Cony


Clodovil


‘RIO DE JANEIRO – Cultivo abominável admiração por personagens polêmicos, desde que inofensivos. Clodovil Hernandes estava entre eles. Não entendo de política e muito menos de moda, mas acompanhei a sua vida profissional com interesse, achando que ele sabia fazer um gênero que lhe causou críticas e insultos, mas lhe deu a popularidade responsável pela exuberante votação que obteve para a Câmara de Deputados.


Apesar de admirá-lo, só estive com ele pessoalmente por ocasião da pesquisa que realizava para produzir a novela ‘Dona Beja’, na Rede Manchete, da qual era superintendente da teledramaturgia. Clodovil havia participado de um programa sobre a vida da heroína mineira. Herval Rossano, que seria o diretor, apresentou-nos e fiquei deslumbrado com o conhecimento que ele tinha sobre a personagem.


Até então, baseara-me em dois livros sobre o assunto, o de Thomas Leonardos e o de Agripa de Vasconcelos, este último autor de clássicos sobre os grandes mitos de Minas Gerais, como Chico Rei e outros.


Clodovil revelou cultura não apenas sobre a vida de Dona Beja, mas sobre a virada do século 18 para o 19, incluindo a tentativa da criação do Estado do Triângulo Mineiro, que colocou aquela Província em litígio com a corte de dom João 6º.


Deu informações sobre cenários, vestuários e a intriga em si, inclu- sive a cena em que Dona Beja, vivida por Maitê Proença, dá uma de Lady Godiva, passeando nua em cima de um cavalo na noite mágica de Araxá.


Como deputado, criou alguns casos próprios de seu temperamento, mas deixou projetos interessantes, obrigando empresas a financiar exames precoces de câncer nos empregados acima de certa idade, e um outro tratando da adoção de crianças. Para o tipo que foi, dou-lhe nota dez.’


 


 


Paulo Sampaio


Enterro de Clodovil tem ‘solo’ de Timóteo e briga partidária


‘Cerca de cem pessoas acompanharam ontem o enterro do costureiro Clodovil Hernandes no cemitério do Morumbi. A maioria eram curiosos que diziam em voz alta frases como: ‘A verdade é algo que dói, mas ele nunca teve medo dela’.


Clodovil morreu na terça-feira, depois de sofrer um AVC (acidente vascular cerebral). O velório, na Assembleia Legislativa de São Paulo, começou por volta de meio-dia de ontem e reuniu poucos amigos, a maioria assessores, e políticos.


O vereador Agnaldo Timóteo (PR) cantou ‘Noites Traiçoeiras’, do padre Marcelo, e foi-se; já o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB), disse que ‘Clodovil era polêmico, mas a polêmica faz parte da democracia’; Silvio Santos, Yara Baumgart e os filtros Europa mandaram coroas.


De repente, gritaria nas proximidades do caixão. ‘Ele que não ouse chegar perto!’, diz a advogada de Clodovil, Maria Hebe Pereira de Queiroz, na direção do deputado Ciro Moura.


Vice-presidente nacional do PTC (Partido Trabalhista Cristão), pelo qual Clodovil se elegeu, Moura foi apontado por Maria Hebe como o articulador do processo de cassação contra o deputado, quando ele decidiu mudar de partido.


Clodovil foi o terceiro deputado federal mais votado na última eleição, com 493.951 mil votos -mas trocou o PTC pelo PR. Absolvido pelo TSE, mesmo assim passou momentos de estresse que, segundo os amigos, o teriam levado ao AVC.


‘Quem entra na vaga do Clodovil é alguém do PTC. Então, ele [Moura] está aqui prestando condolências mas, à noite, vai estar comemorando a posse de um colega de partido’, acredita o amigo João Toledo.


‘Nunca vi esse careca!’, rebate Moura.


Quem se dizia amigo de Clodovil podia se aproximar do caixão, isolado da imprensa e do público pela polícia. ‘Aqui está cheio de mosca [aspirante a celebridade que se aproveita de velório de famoso para aparecer]’, diz um cinegrafista.’


 


 


ACIDENTE
Folha de S. Paulo


Morre aos 45 a atriz Natasha Richardson


‘A atriz inglesa Natasha Richardson, filha da também atriz Vanessa Redgrave e mulher do ator Liam Neeson, morreu ontem, em um hospital de Nova York. Ela tinha 45 anos.


A atriz sofreu uma lesão na cabeça enquanto esquiava em Mont-Tremblant, no Canadá, na última segunda. No dia seguinte, ela foi transferida de um hospital de Montréal para o Lenox Hill, em Nova York, onde morreu.


Atriz de filmes como ‘O Sequestro de Patty Hearst’ (1988) e ‘Nell’ (1994), Richardson ganhou o Prêmio Tony, em 1998, por sua atuação no musical ‘Cabaret’.


‘Liam Neeson, seus filhos e toda a família estão arrasados com a trágica morte de sua amada Natasha’, diz a nota divulgada pela família.’


 


 


 


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Comunique-se


Quinta-feira, 19 de março de 2009


 


MUDANÇA
Comunique-se


O Globo inicia venda de espaço publicitário na primeira página


‘O Globo traz em sua edição desta quarta-feira um anúncio ocupando todo o rodapé da primeira página. Desde a reforma gráfica de 1995, é a primeira vez que isso acontece. Até então, o espaço destinado à publicidade era limitado a uma coluna, que chamava para mensagem maior no corpo do jornal.


‘O alto índice de leitura da primeira página dos jornais sempre despertou o interesse dos anunciantes. Da mesma forma, este é o local nobre para as notícias mais importantes do dia. A nossa expectativa é de que ocuparão este espaço campanhas que possuam um conteúdo que mereçam uma ‘primeira página’, explica Mario Rigon, diretor-executivo de Mercado Anunciante.


A medida já é adotada por outros jornais brasileiros, mas ganhou destaque na mídia no início deste ano, após o New York Times quebrar uma tradição de 158 anos e iniciar a venda de publicidade na primeira página. A decisão do diário americano foi tomada para aumentar as receitas e enfrentar a difícil situação financeira que a empresa atravessa.


Em nota publicada na página dois da edição de hoje, O Globo justifica a medida como uma forma de garantir ‘a existência de jornais independentes’, mas nada fala de problemas financeiros. Entretanto, a Infoglobo, controladora do jornal, anunciou recentemente um plano para reduzir o impacto da crise econômica em seus negócios.’


 


 


BRIGA
Sérgio Matsuura


Record declara guerra contra a Folha


‘Em matéria de quase sete minutos veiculada em telejornal na noite desta terça-feira (17/03), a Record declarou guerra contra a Folha de S. Paulo. A emissora acusou o jornal de publicar ‘notícias caluniosas’ e anunciou que irá ‘responder em sua programação a qualquer novo ataque (…) e recorrer à Justiça em todos os casos em que a honra da empresa for atingida’.


Com base em dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC), a Record afirma que nos últimos dez anos a circulação média diária da Folha de S. Paulo caiu 41%. A emissora questiona se ‘a diminuição do faturamento do Grupo Folha está refletindo em sua qualidade editorial’.


‘A Folha enfrenta uma grave crise de credibilidade, o que pode se tornar um triste capítulo na história da imprensa brasileira’, diz a matéria.


‘Matérias mentirosas’


Segundo a reportagem, nos últimos meses a Folha vem realizando ‘uma campanha difamatória e agressiva’ contra a Record. Várias matérias publicadas pelo jornalista Daniel Castro, da coluna Outro Canal, foram contestadas e chamadas de mentirosas. Numa delas, sobre problemas nos bastidores do RecNov – central de telenovelas da emissora -, o repórter questiona: ‘Qual é a fonte da notícia?’


Noutra, afirma que os números apresentados pelo colunista sobre a audiência da Record News são ‘tendenciosos’, já que o jornal não observou que o canal de notícias está presente em apenas 20% do universo das TVs por assinatura. Segundo a emissora, o próprio Ibope teria ‘acusado o erro’ e solicitado a correção dos dados.


Procurado pelo C-se, o Ibope confirmou que ‘não foi a fonte das informações publicadas (pela Folha) e que não foi consultado pelo jornalista responsável para a validação dos dados’.


A gota d´água foi a notícia publicada na terça-feira (17/03) sobre um racha na cúpula da Igreja Universal do Reino de Deus e um suposto problema de saúde do líder da Igreja e dono da Record, Edir Macedo. O repórter, por telefone, conversou com o bispo, que desmentiu as informações.


‘Eu estou ótimo, estou excelente. (…) Não há divisão. Todas as vezes que há divisão, os elementos divisores saem fora porque não suportam. É a água e o óleo que não se misturam’, afirmou Macedo, da África do Sul.


Na edição de hoje, a Folha não se defendeu das acusações feitas pela emissora. Apenas publicou matéria relatando o caso e lembrou dos processos movidos por fiéis da IURD contra o jornal após a publicação da reportagem ‘Universal chega aos 30 anos com império empresarial’, vencedora do Prêmio Esso de Jornalismo 2008. Na coluna Outro Canal, o jornal voltou a falar sobre o suposto racha da direção da Record, o que pode gerar nova resposta.


O colunista Daniel Castro informou que, no momento, não pode se manifestar.’


 


 


 


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