Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > BELÍSSIMA

Daniel Castro

18/10/2005 na edição 351

‘Próxima atração das 21h da Globo, ‘Belíssima’ é a novela das novelas de Sílvio de Abreu, 62, que retorna ao horário nobre depois de quase sete anos. Terá todos os gêneros que deram certo na carreira do autor de ‘Guerra dos Sexos’ (1983) e ‘A Próxima Vítima’ (1995): comédia, drama e policial. E se passará em São Paulo, como todas as suas outras 12 tramas.

Drama e comédia, segundo Abreu, geram emoção, cativam as massas (classes C, D e E) que ajudam a obter os recordes de audiência exigidos pela Globo. Racionais, histórias policiais intrigam telespectadores mais sofisticados, das classes A e B, geram repercussão, fazem a novela ser falada e satisfazem o ego do autor.

‘Talvez ‘Belíssima’ seja a minha novela mais amadurecida, na qual eu vou tentar equalizar melhor razão e emoção. Acho que o grande desafio dos profissionais da televisão é atingir as classes D e E sem baixar o nível do trabalho’, diz.

O tripé de ‘Belíssima’ será uma trama dramática que opõe as personagens de Fernanda Montenegro (a vilã ‘meio louca’ Bia Falcão) e Glória Pires (a heroína Júlia), um núcleo cômico típico (de classe média baixa) e uma ação policial que começa na Grécia, com o assassinato do irmão da mocinha (Pedro/Henri Castelli).

‘Belíssima’, que estréia em 7 de novembro, será um ‘novelão’, jargão televisivo para novela clássica. Terá ricos e pobres e será algo sofisticada. O pano de fundo será a indústria da moda paulistana. Seus personagens desfilarão por edifícios envidraçados, restaurantes caros e boates badaladas. Na trilha sonora, muita MPB de qualidade (a abertura deverá ser assinada por Chico Buarque).

Como ‘novelão’, não pretende defender uma tese nem levantar muitas bandeiras sociais, mas, por ser contemporânea, irá discutir a ditadura da beleza.

Na trama, a avó Bia Falcão irá cobrar de Júlia que a neta não herdara quase nada da beleza de sua mãe, a mítica Belíssima, que fora modelo de sucesso nos anos 60. Bia passará a novela culpando Júlia pela morte prematura de sua filha, num acidente de avião.

A oposição entre o belo e não-belo será o mote de outras tramas, como a de duas irmãs do núcleo pobre, filhas da cômica Cláudia Raia (Safira), que sonham ser modelos. ‘A beleza está em todas as histórias. Vou mostrar que é uma mercadoria’, diz Abreu.

‘Belíssima’ também será marcada por relacionamentos intersociais. A executiva Júlia encontrará seu ‘mito de beleza’ em um operário, André (Marcello Antony). E seu irmão, Pedro, se casará com uma menina de rua, Vitória (Claudia Abreu), com quem irá morar na Grécia -locação dos 20 primeiros capítulos da novela. Na Grécia se desenrolará o ‘merchandising social’ de ‘Belíssima’, o tráfico de mulheres.

É na Grécia que surge Tony Ramos (o grego Nikos). Ele é uma ponta das intricadas relações entre personagens da novela. Nikos é pai de Cemil (Leopoldo Pacheco), que é filho da grega Katina (Irene Ravache), casada com o turco Murat (Lima Duarte), pai de Safira (que, numa síntese de São Paulo, já se casou com um italiano, um judeu, um português e vive com um japonês). Nikos se envolverá com a heroína Júlia.’



***

‘Sílvio de Abreu troca tese pela emoção’, copyright Folha de S. Paulo, 16/10/05

‘Autor de ‘Belíssima’, o paulistano Sílvio de Abreu estreou na TV como ator, embora tenha se formado cenógrafo. Diz que sua ‘mestra’ é Ivani Ribeiro, que escreveu quatro das novelas em que atuou. Gostava mais de ler do que interpretar os capítulos de Ivani.

Seu primeiro texto foi ‘Éramos Seis’ (Tupi, 1977), com Rubens Ewald Filho, que lhe abriu as portas da Globo, onde estreou com ‘Pecado Rasgado’ (1977/78).

Nos anos 80, Abreu emplacou uma bem-sucedida fórmula de comédia pastelão às 19h, com ‘Jogo da Vida’ (1981), ‘Guerra dos Sexos’ (1983) e o megassucesso ‘Cambalacho’ (1986), que dava mais audiência do que a novela das oito (‘Selva de Pedra’). Depois, dedicou-se a lançar novos autores (Carlos Lombardi, Maria Adelaide Amaral, Alcides Nogueira e João Emanuel Carneiro).

A seguir, trechos de entrevista concedida por Sílvio de Abreu.

RAZÃO X EMOÇÃO

A novela tem uma proposta, em primeiro lugar, que é divertir. Acho que, nessa diversão, nesse entretenimento, a gente pode colocar ruídos, alertas, idéias. Mas novela é mais baseada em emoção do que em razão. Quando você baseia uma história muito na razão e esquece a emoção, não consegue cativar o espectador.

A novela está muito mais focada na emoção porque ela atinge a maioria do público, as classes D e E, que é levado muito pela emoção e pouco pela razão. Um bom serviço ocorre quando a novela consegue, através da emoção, despertar a razão.

Não vou escrever uma novela com tese [da ditadura da beleza]. Será uma novela com emoção. Mas há uma mulher, Júlia [Glória Pires], que é pressionada pelo mito da beleza, o mito da sua mãe, que foi uma deusa da beleza, do sexo, de perfeição, que morreu, aparentemente, por culpa dela.

Ela foi criada pela avó, Bia Falcão [Fernanda Montenegro], uma mulher ambiciosa, que queria sair da classe média, casou com um homem medíocre e teve a sorte de ter uma filha linda.

Bia pegou essa filha linda e a moldou, a transformou num mito de beleza. Esse mito da beleza casa com um industrial, funda uma fábrica de lingerie, a Belíssima, e usa o mito para vender lingerie.

Quando essa mulher está no auge, tem uma filha de oito anos e espera outro filho, Pedro [Henri Castelli]. Então acontece um desastre de avião, meio inexplicável. Só sobrevivem a Júlia e o Pedro, que nasce durante o socorro.

DITADURA DA BELEZA

Bia Falcão fica com a incumbência de criar duas crianças ricas. Quer fazer de Júlia uma mulher igual à mãe. Só que a Júlia não tem as mesmas qualidades físicas que a mãe teve. Júlia vai para o oposto. Ela é uma mulher muito mais da razão. É inteligente, administra bem a empresa, mas não tem glamour. Foge da comparação com a mãe. O mito da beleza a sufoca.

Júlia vive num mundo de belos. E comanda isso muito bem. Nunca deixa a emoção tomar conta. Até que conhece um homem lindo [Marcello Antony], que ela não sabe que é operário da fábrica dela. Ela se apaixona loucamente por ele. Vai lutar por esse amor para poder provar para a avó que ela conquistou esse homem lindo. Constrói o seu mito da beleza.

FOLHETIM

Isso é o oposto do folhetim. No folhetim, seria assim: ela, operária e ele, o dono da indústria. Fazer o contrário cria situações interessantes. Eles vão casar. Ele não tem dinheiro para comprar terno, e ela paga. É uma situação nova.

MERCHANDISING

Eu faço novela, faço entretenimento. Não tenho nada contra merchandising social, mas desde que contribua para que a história continue sendo interessante.

DESIGUALDADE

Vou falar muito de desnível social. Estou fazendo uma novela sobre São Paulo, onde o desnível é muito grande. Vou mostrar também que beleza é uma mercadoria. É o caso do personagem do Marcello Antony e do Cauã Reymond [que será um michê]. O cara que tem a beleza já tem uma vantagem na vida.

SÃO PAULO

Você tem de escrever sobre aquilo que você conhece bem. Conheço bem não só a cidade de São Paulo, mas principalmente as pessoas que habitam a cidade.

‘Belíssima’ só poderia ser em São Paulo. Vou mostrar que essa cidade acolhe, porque foi feita por imigrantes, é cosmopolita.’



Laura Mattos

‘Desta vez, SP pode ir além do Minhocão’, copyright Folha de S. Paulo, 16/10/05

‘‘Belíssima’, garante o autor paulistano Sílvio de Abreu, mostrará a cidade de São Paulo além das imagens óbvias do Minhocão, Ibirapuera e da avenida Paulista.

Com o Projac (central de estúdios da Globo), a base da teledramaturgia nacional foi deslocada para o Rio (antes, era em SP, em razão de Tupi e Excelsior). Desde então, tornou-se mais caro e complexo deslocar equipes para gravar nas ruas paulistanas. Muitas tramas ‘ambientadas’ em SP acabam restritas a imagens clichês e réplicas na cidade cenográfica.

Principal autor de novelas ‘paulistanas’ da atualidade, Abreu conta que é a primeira vez que a Globo concorda em gravar semanalmente em SP. ‘Antes era mais complicado porque as equipes viajavam só duas vezes por mês. Eu tinha de equacionar bem as cenas para aproveitar ao máximo a oportunidade. Se o tempo mudava, o que é comum, tínhamos de gravar no Rio.’

‘Belíssima’, diz, deverá ter uma equipe fixa em SP. ‘Vai encarecer a produção, mas a Globo aceitou, porque quer a realidade da região. Mais do que qualquer outra novela que eu tenha feito, ‘Belíssima’ vai ter o chão, a cara de SP.’

Segundo Abreu, a capital tem algumas características que dificultam a gravação das novelas: ‘O clima é muito inconstante, e o trânsito é intenso. É bem complicado conseguir fechar uma rua para fazer uma cena. No Rio, todo mundo está mais acostumado’.

Para Maria Adelaide Amaral, autora de minisséries sobre a capital paulista (‘A Muralha’, ‘Um Só Coração’), ‘é muito mais difícil ambientar uma história em São Paulo porque a base de operações da Globo para teledramaturgia é o Rio’. ‘Mas alguns autores, como Sílvio de Abreu, insistem que suas novelas sejam ambientadas em São Paulo, o que é fácil de entender. Nós sabemos como fala, pensa e se comporta o pessoal da Mooca e do Cambuci e não temos a menor idéia de como é a população de Madureira [Rio].’ Maria Adelaide é portuguesa, mas mora em SP desde os 12 anos.

Outro ‘estrangeiro paulistano’, Hector Babenco dirigiu para a Globo neste ano ‘Carandiru – Outras Histórias’. Espécie de complemento de seu longa-metragem, a série se passa no presídio e na periferia paulistanos. Nesse caso, a equipe de produção era independente, a mesma do filme. ‘A cidade é sempre um obstáculo porque é gigante, tem um trânsito infernal. Mas no Rio é tão ruim quanto. São Paulo está ganhando esse espaço na teledramaturgia porque é uma pólo concentrador de riqueza e produção cultural.’

Mercado financeiro

Os investimentos da Globo no principal mercado financeiro do país não crescem só na teledramaturgia. A rede, cuja sede paulistana fica na zona sul, inaugura amanhã um estúdio na avenida Paulista a fim de facilitar o deslocamento de equipes de reportagem. No início do mês, iniciou a construção de um novo edifício, ao lado da sede, que deve ficar pronto até 2007, quando o ‘Domingão do Faustão’ poderá finalmente ser transferido para SP.’



SEXO & MÍDIA
Pedro Doria

‘E a repórter da ‘Sexy’, hein?’, copyright No Mínimo (www.nominimo.com.br), 11/10/05

‘A melhor reportagem de sexo do mês está na página 50 da ‘Sexy’ 310. Chama-se Ninguém é de ninguém, a repórter Lica Fernandes assina. E não adianta buscar no Google uma foto da moça – é pseudônimo. Pudera: ela acolhe um amigo, seguem juntos a um clube de swing paulistano para descrever o que se passa e, no fim, decidem entrar na festa.

Reportagens em clubes de swing não são novidade; Lobão, na capa da ‘Imprensa’ deste mês, dá até uma desancada – ‘swing é uma coisa tão classe média’. É mesmo, mas a repórter contando como é participar da farra ainda não se havia visto. Pôs no chinelo quem trabalha no ramo, cá esta coluna duvida que o reportariado especializado de NoMínimo faça igual. Aliás, igual não basta. Agora tem de cobrir gravação de filme pornô e fazer bico como ator.

Mas a chamada da capa da ‘Sexy’ trapaceia: Lica Fernandes participa assim mais ou menos. Vai andando de quarto em quarto, vendo e descrevendo e aí, num repente, ‘a vontade de transar é indescritível. É quando eu e meu parceiro resolvemos ir para a sala privativa. Lá, sim, transamos efusivamente’. Na sala privativa, com sua excelência o companheiro, não vale.

A capa da ‘Sexy’ é Sheila Carvalho, do Tchan! e de muitos ensaios nua. A concorrente ‘Playboy’, mordida porque não tinha coisa melhor, decidiu colocar nas bancas um especial com as fotos de Sheila que ainda sobravam na gaveta. Quem já a viu nua uma vez, viu todas. Mais divertidas são as outras, Vanessa Castro, morena meio índia, formada em educação física. No Uruguai. (É ela quem diz.) E Fernanda Corbari, uma lourinha fotografada no carro da família pelo marido.

Pelo marido, pois é. Tem muito sexo nas bancas neste outubro e, curiosamente, muito sexo dentro do casamento, o que há de ser algum tipo de tara, fetiche grave e não documentado. O sexo de casais pode ser às claras, caso da ‘Marie Claire’ 175. Eles convidaram três pares para testar produtos de sex shop. As mulheres são gatinhas e jovens – o topo é 33 anos. Uma gostou muito do rabbit, o vibrador feito famoso pela série ‘Sex and the city’ que penetra, treme e ainda acaricia o clitóris; a segunda preferiu um anel peniano com vibrador, e a terceira não preferiu nada, embora tenha gostado de tudo que experimentou. É que ela e o marido já conheciam todas as possibilidades.

Este último é aquele típico casal ideal de revista feminina, o tipo que tem uma vida sexual que varia muito, que nunca cai na rotina. Mas não é o tipo ideal das revistas de decoração; nestas, sexo é tabu. Basta checar a primeira edição da ‘Decoração de interiores’. Uma revista inteira, cem páginas, dedicada apenas a quartos de casal. Tem dicas excelentes – fazer os banheiros com pia, vaso e chuveiro separados, por exemplo, poupa muita briga; mas tem outras dicas esdrúxulas: ‘além de bonito, o quarto deve proporcionar uma boa noite de sono ao casal’. Sim, como não? Esta é daquelas revistas que vêm fechadas em saco plástico e o coitado tem de comprar para folhear. Cem páginas só de quartos, até colcha de oncinha aparece, fala de sono – mas sexo, qual que nada.

Vai ver, estão certos – sexo no casamento é tara. Veja-se o caso da moça, casada, que anônima produz um texto confessional na ‘Vip’ 246. ‘Para não ficarmos sem nos ver, ele me pediu para que usasse o Messenger. Ensinou-me a relaxar, a me masturbar diante da câmera e até a gozar com ele assistindo a tudo.’ Casadíssima, pois é – e do outro lado do MSN não está, evidentemente, o marido. O texto é quente, melhor que aqueles listados no Fórum da ‘Ele Ela’ 414. Isto mesmo: agora a ‘Ele Ela’, com longa história vinda dos tempos da Bloch nos anos 70, está bem comportada e o Fórum não descreve mais nada com detalhes.

Outubro tem outra característica: é quando as revistas femininas decidem que toda mulher engordou no inverno e começa a se preocupar com o verão. Então todas, rigorosamente todas, ensinam a perder barriga e quetais. Bacana, destas todas, é a ‘Ouse’, edição de número 13. Pega uma foto da moça Daniella Sarahyba e desmonta. Tipo: sabe essa cor? Não é bronzeado, não, é maquiagem. Adiante mostra uma modelo de desfile com celulite e conclui que o jeito é a prezada leitora usar o biquíni de que gosta e deixar os furos de lado.

Só a ‘Ouse’, ora pois, publica na capa uma coisa como ‘51 dicas para você virar uma personal sex’; que ninguém pergunte o que é ‘personal sex’, mas deve ser bom. E aí estão lá os clichês – ‘fuja da rotina’, vide o casal padrão da ‘Marie Claire’ – mas tem outras. ‘Se você nunca tentou sexo anal, pode ser uma boa hora; o ato não dói se a região for levemente massageada.’ Tantos anos tentando convencer tantas moças e o truque era a massagem desde o início. Outra: ‘homem tem fetiche por pés. Aproveite e provoque-o pressionando os dedinhos contra o corpo dele e não se assuste se ele retribuir a carícia com lambidas e massagens.’ O que não dá o trabalho de descolar 51 dicas.

Cabe uma rodada pelo mundo: ‘Men’s Health’ número 25, edição lusa, traz na capa aquilo que as brasileiras não têm coragem de publicar com clareza. ‘Lições grátis de sexo. Com fotos, página 70.’ É claro que as fotos não são, assim, explícitas. O mote da revista é que se o sujeito conhece as fantasias da respectiva, tudo vai. Então ensinam. Mulheres sonham com fardas, então recomenda-se descolar uma farda; sexo com um desconhecido? Cumpre fingir ser desconhecido. ‘Sítios perigosos’, entenda-se, é lugar perigoso, de preferência público. É na ‘Men’s Health’ que aprendemos que muitas portuguesas têm a fantasia de transar com outra mulher e até cogitam a participação do namorado, marido, companheiro ou apenas amigo. Às vezes, brasileiro não tem essas sortes.

Para encerrar numa corrida: ‘Aventuras na História’ 26 conta tudo sobre eunucos, da China, Turquia ou Itália. A ‘Bravo’ 97 dá capa para a exposição de arte erótica que estará no CCBB de Sampa e, de lá, circulará o país. É crítica de arte, portanto acadêmica. ‘O sonho declarado de Chiarelli é que o visitante, ao sair da exposição e se deparar com a Grazi na ‘Playboy’, veja ali as relações com os nus de Visconti.’ Chiarelli, entenda-se, Tadeu Chiarelli, curador; Eliseu Visconti, o pintor. A exposição parece interessante – mesmo.

E a ‘Playboy’ 364, não podíamos esquecer. Legal a Camilla Amaral, ex-assessora da senadora Ideli Salvatti. Brasília está a mil mas, este mês, a ‘Sexy’ levou a parada. O melhor, mesmo, é a promessa da ‘Playboy’ 365: Mariana Kupfer.

Última coisa, da maior importância: breja. Breja, meu santo Deus. Que é breja? Breja não existe fora de Sampa. O nome é cerveja ou chope, pode ser loura gelada, pode até ser cerva – mas breja é como balada, breja é regionalismo. Não se justifica que tanto ‘Sexy’ quanto ‘Vip’ ponham uma gíria local em título de matéria ou de box. O resto do país, da fronteira uruguaia à Guiana mais ao norte, agradece.’



SEXY HOT
Daniel Castro

‘Canal de sexo virou ‘cult’, diz socióloga’, copyright Folha de S. Paulo, 17/10/05

‘Canal que até pouco tempo atrás era discriminado dentro da própria da Globosat (empresa da Globo que o empacota) e que até hoje não tem seu logotipo no site da programadora, o Sexy Hot virou ‘cult’ e foi parar na academia.

No final de setembro, o canal de sexo explícito foi tema de seminário de antropologia do consumo, no Rio. Na ocasião, os sociólogos Bianca Freire-Medeiros e José Augusto Rodrigues, da Universidade do Estado do RJ apresentaram análise sobre o Sexy Hot.

O texto, que será publicado em revista científica, afirma que o Sexy Hot, que tem 180 mil assinantes, virou ‘cult’ porque se tornou ‘capaz de circular na mídia’.

O texto discute ainda o fato de 40% da audiência do canal ser feminina. Segundo os sociólogos, isso se explica pelo marketing e conteúdo do canal, que se adaptou para ser aceito por mulheres.

A equipe do canal, composta majoritariamente por mulheres, usa ‘filtros de gênero’ e persegue ‘cotidianamente essa sintonia fina entre a busca da excitação de uns e os limites do aceitável e do gosto médio das esposas’.

‘O caso do Sexy Hot é interessante. Tem um programa voltado para a mulher, o ‘Boa de Cama’, e não usa termos agressivos, como ‘cachorra’, diz Bianca. Segundo ela, a mulher o consome como ‘preliminar’ do ato sexual com o parceiro e prefere filmes com ‘conteúdo’, que tenham história e não apenas genitálias.

OUTRO CANAL

Janela 1 A TV Cultura vai estrear em dezembro, aos domingos, um programa sobre responsabilidade social, o ‘Balanço Social’. Segundo a emissora, o programa irá mostrar ‘a promoção e o financiamento de ações ligadas ao meio ambiente, educação, saúde, cultura e até gestão _como as empresas se relacionam com seus funcionários, parceiros e fornecedores’.

Janela 2 Para evitar que o programa se transforme num mero divulgador de informações fornecidas por empresas, a Cultura fechou uma parceira com quatro entidades, entre elas o instituto Ethos. Essas entidades criaram critérios de avaliação de ações de responsabilidade social. Só entrarão as aprovadas por elas.

Obsessão Sílvio de Abreu, autor da Globo cujas novelas são todas ambientadas em São Paulo, escreve os capítulos de ‘Belíssima’, próxima atração das 21h, na cobertura de um edifício em que tem ampla vista dos Jardins e região do Ibirapuera. Atrás de sua mesa, há um quadro de Pinky Wainer que reproduz prédios. De São Paulo.

Classificado O SBT ainda não conseguiu montar a equipe de jurados do ‘reality show’ ‘Ídolos’ (versão de ‘American Idol’), que começa a produzir nos próximos dias. O jurado tem de ser formador de opinião, treinador vocal, produtor musical, crítico, cantor ou radialista. Interessados devem escrever para imprensa@sbt.com.br.’



AMÉRICA
Daniel Castro

‘Islene quer voltar a posar nua em revista’, copyright Folha de S. Paulo, 16/10/05

‘Paula Burlamaqui, 38, é atriz desde os 20 anos. ‘América’, em que interpreta a suburbana Islene, é sua décima novela. Mas é a primeira vez que ela faz sucesso. Em agosto, Paula entrou no ranking das cinco atrizes da Globo que mais recebem cartas de fãs, um um território dominado por belos e novos rostos de ‘Malhação’.

‘Recebo umas 15 cartas por semana. Estou pensando em contratar alguém para me ajudar a responder’, diz. Paula recebe cartas principalmente de gente sensibilizada com o drama de Islene, que tem uma filha cega (Flor, Bruna Marquezini). ‘As pessoas gostam da Islene porque ela é carismática, autêntica e popular.’

Os fãs também pedem que Islene desmascare a falsa beata Creuza (Juliana Paes), que lhe roubou Feitosa (Aílton Graça), o que ela deverá conseguir com a ajuda da rival Diva (Neuza Borges).

‘Vamos terminar juntos’, anuncia. Segundo ela, Islene e Feitosa só teriam um caso rápido. ‘Mas a Glória [Perez, autora] não conseguia separar a gente’, conta.

A atriz diz que se afastou das novelas porque ‘não estava satisfeita com os personagens’. Cansou de ‘ser orelha’ dos outros.

Ela afirma que recebeu convite de duas revistas para posar nua (o que não faz desde 1996) e deve decidir sobre isso após ‘América’. ‘Minha ‘Playboy’ foi ótima. Comprei minha casa com ela. E eu sempre tive a imagem de ‘sex symbol’ mesmo’, esnoba.

OUTRO CANAL

Ranking 1 A empresa de pesquisas Synovate (uma das maiores do mundo) entrevistou 1.500 brasileiros para levantar quais são os empresários e as empresas mais admiradas do país.

Ranking 2 Silvio Santos, dono do SBT, encabeça a lista dos empresários, seguido por Antônio Ermírio de Moraes. O publicitário Roberto Justus, apresentador do ‘reality show’ ‘O Aprendiz’, aparece em terceiro lugar. Entre as empresas, de novo a influência da TV. A empresa mais admirada é a Globo.

Não pegou ‘América’ está descendo a ladeira da audiência em Portugal. A produção, que estreou como o programa mais visto do país (por causa do sucesso de sua antecessora, ‘Senhora do Destino’), há dois meses já aparecia em quinto lugar. Em setembro, despencou para a 12ª posição no Marktest (o Ibope lusitano).

Certo O desempenho de ‘América’ é pouco melhor do que o de ‘A Lua me Disse’, que em Portugal é chamada de ‘A Lua Disse-me’.

História Co-autora de ‘JK’, próxima minissérie da Globo, Maria Adelaide Amaral está escrevendo os capítulos em que Juscelino Kubitschek se candidata à Presidência e enfrenta série de impedimentos à sua posse. Está sofrendo. ‘Você não imagina o desafio que é colocar um assunto como esse em linguagem palatável e dramaturgicamente interessante’, desabafa.’

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ENTRE ASPAS > BELÍSSIMA

Daniel Castro

18/10/2005 na edição 351

‘Próxima atração das 21h da Globo, ‘Belíssima’ é a novela das novelas de Sílvio de Abreu, 62, que retorna ao horário nobre depois de quase sete anos. Terá todos os gêneros que deram certo na carreira do autor de ‘Guerra dos Sexos’ (1983) e ‘A Próxima Vítima’ (1995): comédia, drama e policial. E se passará em São Paulo, como todas as suas outras 12 tramas.

Drama e comédia, segundo Abreu, geram emoção, cativam as massas (classes C, D e E) que ajudam a obter os recordes de audiência exigidos pela Globo. Racionais, histórias policiais intrigam telespectadores mais sofisticados, das classes A e B, geram repercussão, fazem a novela ser falada e satisfazem o ego do autor.

‘Talvez ‘Belíssima’ seja a minha novela mais amadurecida, na qual eu vou tentar equalizar melhor razão e emoção. Acho que o grande desafio dos profissionais da televisão é atingir as classes D e E sem baixar o nível do trabalho’, diz.

O tripé de ‘Belíssima’ será uma trama dramática que opõe as personagens de Fernanda Montenegro (a vilã ‘meio louca’ Bia Falcão) e Glória Pires (a heroína Júlia), um núcleo cômico típico (de classe média baixa) e uma ação policial que começa na Grécia, com o assassinato do irmão da mocinha (Pedro/Henri Castelli).

‘Belíssima’, que estréia em 7 de novembro, será um ‘novelão’, jargão televisivo para novela clássica. Terá ricos e pobres e será algo sofisticada. O pano de fundo será a indústria da moda paulistana. Seus personagens desfilarão por edifícios envidraçados, restaurantes caros e boates badaladas. Na trilha sonora, muita MPB de qualidade (a abertura deverá ser assinada por Chico Buarque).

Como ‘novelão’, não pretende defender uma tese nem levantar muitas bandeiras sociais, mas, por ser contemporânea, irá discutir a ditadura da beleza.

Na trama, a avó Bia Falcão irá cobrar de Júlia que a neta não herdara quase nada da beleza de sua mãe, a mítica Belíssima, que fora modelo de sucesso nos anos 60. Bia passará a novela culpando Júlia pela morte prematura de sua filha, num acidente de avião.

A oposição entre o belo e não-belo será o mote de outras tramas, como a de duas irmãs do núcleo pobre, filhas da cômica Cláudia Raia (Safira), que sonham ser modelos. ‘A beleza está em todas as histórias. Vou mostrar que é uma mercadoria’, diz Abreu.

‘Belíssima’ também será marcada por relacionamentos intersociais. A executiva Júlia encontrará seu ‘mito de beleza’ em um operário, André (Marcello Antony). E seu irmão, Pedro, se casará com uma menina de rua, Vitória (Claudia Abreu), com quem irá morar na Grécia -locação dos 20 primeiros capítulos da novela. Na Grécia se desenrolará o ‘merchandising social’ de ‘Belíssima’, o tráfico de mulheres.

É na Grécia que surge Tony Ramos (o grego Nikos). Ele é uma ponta das intricadas relações entre personagens da novela. Nikos é pai de Cemil (Leopoldo Pacheco), que é filho da grega Katina (Irene Ravache), casada com o turco Murat (Lima Duarte), pai de Safira (que, numa síntese de São Paulo, já se casou com um italiano, um judeu, um português e vive com um japonês). Nikos se envolverá com a heroína Júlia.’



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‘Sílvio de Abreu troca tese pela emoção’, copyright Folha de S. Paulo, 16/10/05

‘Autor de ‘Belíssima’, o paulistano Sílvio de Abreu estreou na TV como ator, embora tenha se formado cenógrafo. Diz que sua ‘mestra’ é Ivani Ribeiro, que escreveu quatro das novelas em que atuou. Gostava mais de ler do que interpretar os capítulos de Ivani.

Seu primeiro texto foi ‘Éramos Seis’ (Tupi, 1977), com Rubens Ewald Filho, que lhe abriu as portas da Globo, onde estreou com ‘Pecado Rasgado’ (1977/78).

Nos anos 80, Abreu emplacou uma bem-sucedida fórmula de comédia pastelão às 19h, com ‘Jogo da Vida’ (1981), ‘Guerra dos Sexos’ (1983) e o megassucesso ‘Cambalacho’ (1986), que dava mais audiência do que a novela das oito (‘Selva de Pedra’). Depois, dedicou-se a lançar novos autores (Carlos Lombardi, Maria Adelaide Amaral, Alcides Nogueira e João Emanuel Carneiro).

A seguir, trechos de entrevista concedida por Sílvio de Abreu.

RAZÃO X EMOÇÃO

A novela tem uma proposta, em primeiro lugar, que é divertir. Acho que, nessa diversão, nesse entretenimento, a gente pode colocar ruídos, alertas, idéias. Mas novela é mais baseada em emoção do que em razão. Quando você baseia uma história muito na razão e esquece a emoção, não consegue cativar o espectador.

A novela está muito mais focada na emoção porque ela atinge a maioria do público, as classes D e E, que é levado muito pela emoção e pouco pela razão. Um bom serviço ocorre quando a novela consegue, através da emoção, despertar a razão.

Não vou escrever uma novela com tese [da ditadura da beleza]. Será uma novela com emoção. Mas há uma mulher, Júlia [Glória Pires], que é pressionada pelo mito da beleza, o mito da sua mãe, que foi uma deusa da beleza, do sexo, de perfeição, que morreu, aparentemente, por culpa dela.

Ela foi criada pela avó, Bia Falcão [Fernanda Montenegro], uma mulher ambiciosa, que queria sair da classe média, casou com um homem medíocre e teve a sorte de ter uma filha linda.

Bia pegou essa filha linda e a moldou, a transformou num mito de beleza. Esse mito da beleza casa com um industrial, funda uma fábrica de lingerie, a Belíssima, e usa o mito para vender lingerie.

Quando essa mulher está no auge, tem uma filha de oito anos e espera outro filho, Pedro [Henri Castelli]. Então acontece um desastre de avião, meio inexplicável. Só sobrevivem a Júlia e o Pedro, que nasce durante o socorro.

DITADURA DA BELEZA

Bia Falcão fica com a incumbência de criar duas crianças ricas. Quer fazer de Júlia uma mulher igual à mãe. Só que a Júlia não tem as mesmas qualidades físicas que a mãe teve. Júlia vai para o oposto. Ela é uma mulher muito mais da razão. É inteligente, administra bem a empresa, mas não tem glamour. Foge da comparação com a mãe. O mito da beleza a sufoca.

Júlia vive num mundo de belos. E comanda isso muito bem. Nunca deixa a emoção tomar conta. Até que conhece um homem lindo [Marcello Antony], que ela não sabe que é operário da fábrica dela. Ela se apaixona loucamente por ele. Vai lutar por esse amor para poder provar para a avó que ela conquistou esse homem lindo. Constrói o seu mito da beleza.

FOLHETIM

Isso é o oposto do folhetim. No folhetim, seria assim: ela, operária e ele, o dono da indústria. Fazer o contrário cria situações interessantes. Eles vão casar. Ele não tem dinheiro para comprar terno, e ela paga. É uma situação nova.

MERCHANDISING

Eu faço novela, faço entretenimento. Não tenho nada contra merchandising social, mas desde que contribua para que a história continue sendo interessante.

DESIGUALDADE

Vou falar muito de desnível social. Estou fazendo uma novela sobre São Paulo, onde o desnível é muito grande. Vou mostrar também que beleza é uma mercadoria. É o caso do personagem do Marcello Antony e do Cauã Reymond [que será um michê]. O cara que tem a beleza já tem uma vantagem na vida.

SÃO PAULO

Você tem de escrever sobre aquilo que você conhece bem. Conheço bem não só a cidade de São Paulo, mas principalmente as pessoas que habitam a cidade.

‘Belíssima’ só poderia ser em São Paulo. Vou mostrar que essa cidade acolhe, porque foi feita por imigrantes, é cosmopolita.’



Laura Mattos

‘Desta vez, SP pode ir além do Minhocão’, copyright Folha de S. Paulo, 16/10/05

‘‘Belíssima’, garante o autor paulistano Sílvio de Abreu, mostrará a cidade de São Paulo além das imagens óbvias do Minhocão, Ibirapuera e da avenida Paulista.

Com o Projac (central de estúdios da Globo), a base da teledramaturgia nacional foi deslocada para o Rio (antes, era em SP, em razão de Tupi e Excelsior). Desde então, tornou-se mais caro e complexo deslocar equipes para gravar nas ruas paulistanas. Muitas tramas ‘ambientadas’ em SP acabam restritas a imagens clichês e réplicas na cidade cenográfica.

Principal autor de novelas ‘paulistanas’ da atualidade, Abreu conta que é a primeira vez que a Globo concorda em gravar semanalmente em SP. ‘Antes era mais complicado porque as equipes viajavam só duas vezes por mês. Eu tinha de equacionar bem as cenas para aproveitar ao máximo a oportunidade. Se o tempo mudava, o que é comum, tínhamos de gravar no Rio.’

‘Belíssima’, diz, deverá ter uma equipe fixa em SP. ‘Vai encarecer a produção, mas a Globo aceitou, porque quer a realidade da região. Mais do que qualquer outra novela que eu tenha feito, ‘Belíssima’ vai ter o chão, a cara de SP.’

Segundo Abreu, a capital tem algumas características que dificultam a gravação das novelas: ‘O clima é muito inconstante, e o trânsito é intenso. É bem complicado conseguir fechar uma rua para fazer uma cena. No Rio, todo mundo está mais acostumado’.

Para Maria Adelaide Amaral, autora de minisséries sobre a capital paulista (‘A Muralha’, ‘Um Só Coração’), ‘é muito mais difícil ambientar uma história em São Paulo porque a base de operações da Globo para teledramaturgia é o Rio’. ‘Mas alguns autores, como Sílvio de Abreu, insistem que suas novelas sejam ambientadas em São Paulo, o que é fácil de entender. Nós sabemos como fala, pensa e se comporta o pessoal da Mooca e do Cambuci e não temos a menor idéia de como é a população de Madureira [Rio].’ Maria Adelaide é portuguesa, mas mora em SP desde os 12 anos.

Outro ‘estrangeiro paulistano’, Hector Babenco dirigiu para a Globo neste ano ‘Carandiru – Outras Histórias’. Espécie de complemento de seu longa-metragem, a série se passa no presídio e na periferia paulistanos. Nesse caso, a equipe de produção era independente, a mesma do filme. ‘A cidade é sempre um obstáculo porque é gigante, tem um trânsito infernal. Mas no Rio é tão ruim quanto. São Paulo está ganhando esse espaço na teledramaturgia porque é uma pólo concentrador de riqueza e produção cultural.’

Mercado financeiro

Os investimentos da Globo no principal mercado financeiro do país não crescem só na teledramaturgia. A rede, cuja sede paulistana fica na zona sul, inaugura amanhã um estúdio na avenida Paulista a fim de facilitar o deslocamento de equipes de reportagem. No início do mês, iniciou a construção de um novo edifício, ao lado da sede, que deve ficar pronto até 2007, quando o ‘Domingão do Faustão’ poderá finalmente ser transferido para SP.’



SEXO & MÍDIA
Pedro Doria

‘E a repórter da ‘Sexy’, hein?’, copyright No Mínimo (www.nominimo.com.br), 11/10/05

‘A melhor reportagem de sexo do mês está na página 50 da ‘Sexy’ 310. Chama-se Ninguém é de ninguém, a repórter Lica Fernandes assina. E não adianta buscar no Google uma foto da moça – é pseudônimo. Pudera: ela acolhe um amigo, seguem juntos a um clube de swing paulistano para descrever o que se passa e, no fim, decidem entrar na festa.

Reportagens em clubes de swing não são novidade; Lobão, na capa da ‘Imprensa’ deste mês, dá até uma desancada – ‘swing é uma coisa tão classe média’. É mesmo, mas a repórter contando como é participar da farra ainda não se havia visto. Pôs no chinelo quem trabalha no ramo, cá esta coluna duvida que o reportariado especializado de NoMínimo faça igual. Aliás, igual não basta. Agora tem de cobrir gravação de filme pornô e fazer bico como ator.

Mas a chamada da capa da ‘Sexy’ trapaceia: Lica Fernandes participa assim mais ou menos. Vai andando de quarto em quarto, vendo e descrevendo e aí, num repente, ‘a vontade de transar é indescritível. É quando eu e meu parceiro resolvemos ir para a sala privativa. Lá, sim, transamos efusivamente’. Na sala privativa, com sua excelência o companheiro, não vale.

A capa da ‘Sexy’ é Sheila Carvalho, do Tchan! e de muitos ensaios nua. A concorrente ‘Playboy’, mordida porque não tinha coisa melhor, decidiu colocar nas bancas um especial com as fotos de Sheila que ainda sobravam na gaveta. Quem já a viu nua uma vez, viu todas. Mais divertidas são as outras, Vanessa Castro, morena meio índia, formada em educação física. No Uruguai. (É ela quem diz.) E Fernanda Corbari, uma lourinha fotografada no carro da família pelo marido.

Pelo marido, pois é. Tem muito sexo nas bancas neste outubro e, curiosamente, muito sexo dentro do casamento, o que há de ser algum tipo de tara, fetiche grave e não documentado. O sexo de casais pode ser às claras, caso da ‘Marie Claire’ 175. Eles convidaram três pares para testar produtos de sex shop. As mulheres são gatinhas e jovens – o topo é 33 anos. Uma gostou muito do rabbit, o vibrador feito famoso pela série ‘Sex and the city’ que penetra, treme e ainda acaricia o clitóris; a segunda preferiu um anel peniano com vibrador, e a terceira não preferiu nada, embora tenha gostado de tudo que experimentou. É que ela e o marido já conheciam todas as possibilidades.

Este último é aquele típico casal ideal de revista feminina, o tipo que tem uma vida sexual que varia muito, que nunca cai na rotina. Mas não é o tipo ideal das revistas de decoração; nestas, sexo é tabu. Basta checar a primeira edição da ‘Decoração de interiores’. Uma revista inteira, cem páginas, dedicada apenas a quartos de casal. Tem dicas excelentes – fazer os banheiros com pia, vaso e chuveiro separados, por exemplo, poupa muita briga; mas tem outras dicas esdrúxulas: ‘além de bonito, o quarto deve proporcionar uma boa noite de sono ao casal’. Sim, como não? Esta é daquelas revistas que vêm fechadas em saco plástico e o coitado tem de comprar para folhear. Cem páginas só de quartos, até colcha de oncinha aparece, fala de sono – mas sexo, qual que nada.

Vai ver, estão certos – sexo no casamento é tara. Veja-se o caso da moça, casada, que anônima produz um texto confessional na ‘Vip’ 246. ‘Para não ficarmos sem nos ver, ele me pediu para que usasse o Messenger. Ensinou-me a relaxar, a me masturbar diante da câmera e até a gozar com ele assistindo a tudo.’ Casadíssima, pois é – e do outro lado do MSN não está, evidentemente, o marido. O texto é quente, melhor que aqueles listados no Fórum da ‘Ele Ela’ 414. Isto mesmo: agora a ‘Ele Ela’, com longa história vinda dos tempos da Bloch nos anos 70, está bem comportada e o Fórum não descreve mais nada com detalhes.

Outubro tem outra característica: é quando as revistas femininas decidem que toda mulher engordou no inverno e começa a se preocupar com o verão. Então todas, rigorosamente todas, ensinam a perder barriga e quetais. Bacana, destas todas, é a ‘Ouse’, edição de número 13. Pega uma foto da moça Daniella Sarahyba e desmonta. Tipo: sabe essa cor? Não é bronzeado, não, é maquiagem. Adiante mostra uma modelo de desfile com celulite e conclui que o jeito é a prezada leitora usar o biquíni de que gosta e deixar os furos de lado.

Só a ‘Ouse’, ora pois, publica na capa uma coisa como ‘51 dicas para você virar uma personal sex’; que ninguém pergunte o que é ‘personal sex’, mas deve ser bom. E aí estão lá os clichês – ‘fuja da rotina’, vide o casal padrão da ‘Marie Claire’ – mas tem outras. ‘Se você nunca tentou sexo anal, pode ser uma boa hora; o ato não dói se a região for levemente massageada.’ Tantos anos tentando convencer tantas moças e o truque era a massagem desde o início. Outra: ‘homem tem fetiche por pés. Aproveite e provoque-o pressionando os dedinhos contra o corpo dele e não se assuste se ele retribuir a carícia com lambidas e massagens.’ O que não dá o trabalho de descolar 51 dicas.

Cabe uma rodada pelo mundo: ‘Men’s Health’ número 25, edição lusa, traz na capa aquilo que as brasileiras não têm coragem de publicar com clareza. ‘Lições grátis de sexo. Com fotos, página 70.’ É claro que as fotos não são, assim, explícitas. O mote da revista é que se o sujeito conhece as fantasias da respectiva, tudo vai. Então ensinam. Mulheres sonham com fardas, então recomenda-se descolar uma farda; sexo com um desconhecido? Cumpre fingir ser desconhecido. ‘Sítios perigosos’, entenda-se, é lugar perigoso, de preferência público. É na ‘Men’s Health’ que aprendemos que muitas portuguesas têm a fantasia de transar com outra mulher e até cogitam a participação do namorado, marido, companheiro ou apenas amigo. Às vezes, brasileiro não tem essas sortes.

Para encerrar numa corrida: ‘Aventuras na História’ 26 conta tudo sobre eunucos, da China, Turquia ou Itália. A ‘Bravo’ 97 dá capa para a exposição de arte erótica que estará no CCBB de Sampa e, de lá, circulará o país. É crítica de arte, portanto acadêmica. ‘O sonho declarado de Chiarelli é que o visitante, ao sair da exposição e se deparar com a Grazi na ‘Playboy’, veja ali as relações com os nus de Visconti.’ Chiarelli, entenda-se, Tadeu Chiarelli, curador; Eliseu Visconti, o pintor. A exposição parece interessante – mesmo.

E a ‘Playboy’ 364, não podíamos esquecer. Legal a Camilla Amaral, ex-assessora da senadora Ideli Salvatti. Brasília está a mil mas, este mês, a ‘Sexy’ levou a parada. O melhor, mesmo, é a promessa da ‘Playboy’ 365: Mariana Kupfer.

Última coisa, da maior importância: breja. Breja, meu santo Deus. Que é breja? Breja não existe fora de Sampa. O nome é cerveja ou chope, pode ser loura gelada, pode até ser cerva – mas breja é como balada, breja é regionalismo. Não se justifica que tanto ‘Sexy’ quanto ‘Vip’ ponham uma gíria local em título de matéria ou de box. O resto do país, da fronteira uruguaia à Guiana mais ao norte, agradece.’



SEXY HOT
Daniel Castro

‘Canal de sexo virou ‘cult’, diz socióloga’, copyright Folha de S. Paulo, 17/10/05

‘Canal que até pouco tempo atrás era discriminado dentro da própria da Globosat (empresa da Globo que o empacota) e que até hoje não tem seu logotipo no site da programadora, o Sexy Hot virou ‘cult’ e foi parar na academia.

No final de setembro, o canal de sexo explícito foi tema de seminário de antropologia do consumo, no Rio. Na ocasião, os sociólogos Bianca Freire-Medeiros e José Augusto Rodrigues, da Universidade do Estado do RJ apresentaram análise sobre o Sexy Hot.

O texto, que será publicado em revista científica, afirma que o Sexy Hot, que tem 180 mil assinantes, virou ‘cult’ porque se tornou ‘capaz de circular na mídia’.

O texto discute ainda o fato de 40% da audiência do canal ser feminina. Segundo os sociólogos, isso se explica pelo marketing e conteúdo do canal, que se adaptou para ser aceito por mulheres.

A equipe do canal, composta majoritariamente por mulheres, usa ‘filtros de gênero’ e persegue ‘cotidianamente essa sintonia fina entre a busca da excitação de uns e os limites do aceitável e do gosto médio das esposas’.

‘O caso do Sexy Hot é interessante. Tem um programa voltado para a mulher, o ‘Boa de Cama’, e não usa termos agressivos, como ‘cachorra’, diz Bianca. Segundo ela, a mulher o consome como ‘preliminar’ do ato sexual com o parceiro e prefere filmes com ‘conteúdo’, que tenham história e não apenas genitálias.

OUTRO CANAL

Janela 1 A TV Cultura vai estrear em dezembro, aos domingos, um programa sobre responsabilidade social, o ‘Balanço Social’. Segundo a emissora, o programa irá mostrar ‘a promoção e o financiamento de ações ligadas ao meio ambiente, educação, saúde, cultura e até gestão _como as empresas se relacionam com seus funcionários, parceiros e fornecedores’.

Janela 2 Para evitar que o programa se transforme num mero divulgador de informações fornecidas por empresas, a Cultura fechou uma parceira com quatro entidades, entre elas o instituto Ethos. Essas entidades criaram critérios de avaliação de ações de responsabilidade social. Só entrarão as aprovadas por elas.

Obsessão Sílvio de Abreu, autor da Globo cujas novelas são todas ambientadas em São Paulo, escreve os capítulos de ‘Belíssima’, próxima atração das 21h, na cobertura de um edifício em que tem ampla vista dos Jardins e região do Ibirapuera. Atrás de sua mesa, há um quadro de Pinky Wainer que reproduz prédios. De São Paulo.

Classificado O SBT ainda não conseguiu montar a equipe de jurados do ‘reality show’ ‘Ídolos’ (versão de ‘American Idol’), que começa a produzir nos próximos dias. O jurado tem de ser formador de opinião, treinador vocal, produtor musical, crítico, cantor ou radialista. Interessados devem escrever para imprensa@sbt.com.br.’



AMÉRICA
Daniel Castro

‘Islene quer voltar a posar nua em revista’, copyright Folha de S. Paulo, 16/10/05

‘Paula Burlamaqui, 38, é atriz desde os 20 anos. ‘América’, em que interpreta a suburbana Islene, é sua décima novela. Mas é a primeira vez que ela faz sucesso. Em agosto, Paula entrou no ranking das cinco atrizes da Globo que mais recebem cartas de fãs, um um território dominado por belos e novos rostos de ‘Malhação’.

‘Recebo umas 15 cartas por semana. Estou pensando em contratar alguém para me ajudar a responder’, diz. Paula recebe cartas principalmente de gente sensibilizada com o drama de Islene, que tem uma filha cega (Flor, Bruna Marquezini). ‘As pessoas gostam da Islene porque ela é carismática, autêntica e popular.’

Os fãs também pedem que Islene desmascare a falsa beata Creuza (Juliana Paes), que lhe roubou Feitosa (Aílton Graça), o que ela deverá conseguir com a ajuda da rival Diva (Neuza Borges).

‘Vamos terminar juntos’, anuncia. Segundo ela, Islene e Feitosa só teriam um caso rápido. ‘Mas a Glória [Perez, autora] não conseguia separar a gente’, conta.

A atriz diz que se afastou das novelas porque ‘não estava satisfeita com os personagens’. Cansou de ‘ser orelha’ dos outros.

Ela afirma que recebeu convite de duas revistas para posar nua (o que não faz desde 1996) e deve decidir sobre isso após ‘América’. ‘Minha ‘Playboy’ foi ótima. Comprei minha casa com ela. E eu sempre tive a imagem de ‘sex symbol’ mesmo’, esnoba.

OUTRO CANAL

Ranking 1 A empresa de pesquisas Synovate (uma das maiores do mundo) entrevistou 1.500 brasileiros para levantar quais são os empresários e as empresas mais admiradas do país.

Ranking 2 Silvio Santos, dono do SBT, encabeça a lista dos empresários, seguido por Antônio Ermírio de Moraes. O publicitário Roberto Justus, apresentador do ‘reality show’ ‘O Aprendiz’, aparece em terceiro lugar. Entre as empresas, de novo a influência da TV. A empresa mais admirada é a Globo.

Não pegou ‘América’ está descendo a ladeira da audiência em Portugal. A produção, que estreou como o programa mais visto do país (por causa do sucesso de sua antecessora, ‘Senhora do Destino’), há dois meses já aparecia em quinto lugar. Em setembro, despencou para a 12ª posição no Marktest (o Ibope lusitano).

Certo O desempenho de ‘América’ é pouco melhor do que o de ‘A Lua me Disse’, que em Portugal é chamada de ‘A Lua Disse-me’.

História Co-autora de ‘JK’, próxima minissérie da Globo, Maria Adelaide Amaral está escrevendo os capítulos em que Juscelino Kubitschek se candidata à Presidência e enfrenta série de impedimentos à sua posse. Está sofrendo. ‘Você não imagina o desafio que é colocar um assunto como esse em linguagem palatável e dramaturgicamente interessante’, desabafa.’

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