Terça-feira, 25 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1043
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Dante Alighieri e a guerra no Iraque

Por Fabio de Oliveira Ribeiro em 19/05/2009 na edição 538

‘Unaquaeque res eo facilius et perfectius ad habitum et ad operationem disponitur, quo minus in ea est de contrarietate ad talem dispositionem: unde facilius et perfectius veniunt ad habitum philosophicae veritatis, qui nihil unquam audiverunt, quam qui audiverunt per tempora, et falsis opinionibus umbuit sunt.’ (Dante Alighieri, De monarchia, liber primus, XIII)

‘Cada coisa tanto mais fácil e perfeitamente se dispõe para a ação, quando menos nela há obstáculo para tal disposição: por isso, mais facilmente e mais perfeitamente adquirem o hábito da verdade filosófica os que nada sabem, do que os que sabem algo e estão imbuídos de falsas opiniões.’ (Dante Alighieri, Da monarquia, livro primeiro, XIII)

Dante Alighieri discorreu sobre o exercício do poder em uma monarquia. Os americanos gostam de dizer que vivem em uma democracia.

Em uma monarquia o poder se origina na força bruta ou no direito divino. Em uma democracia o poder só pode decorrer do voto. Na monarquia o soberano é o rei, na democracia o povo é que reina.

Segundo Dante, em uma monarquia só o rei pode decidir quando uma guerra começa e termina. Mutatis mutantis, em democracia só o povo deveria ter o poder de declarar guerra ou celebrar a paz.

Não é isto que está acontecendo. As guerras norte-americanas têm começado quando alguns poucos desejam e terminado quando os tais estão satisfeitos com os lucros políticos ou econômicos que ganharam em razão da carnificina. Os norte-americanos não têm verdadeiramente poder de decidir os destinos dos EUA, portanto, vivem em uma democracia em que o povo não reina (nesse sentido os EUA se parecem muito com as tiranias do Oriente Médio).

Atrocidades diárias

A decisão de começar a guerra do Iraque e seu apoio popular nos EUA foi sem dúvida alguma fruto de ‘falsas opiniões’. Originalmente, a guerra foi declarada por causa das armas de destruição em massa de Saddam Hussein. George W. Bush, Dick Cheney, Donald Rumsfeld, Condoleezza Rice e outros mentiram descaradamente para a ONU e para os norte-americanos, com a inestimável ajuda da mídia. Hoje, todos sabemos que Saddam Hussein não tinha e não poderia ter armas de destruição em massa.

As ‘falsas opiniões’ ainda sustentam esta guerra injusta. Atualmente a ocupação do Iraque tem sido embasada e apoiada no combate ao terrorismo islâmico. Entretanto, existe 1 bilhão de islâmicos no planeta e a esmagadora maioria deles é composta por gente decente e trabalhadora que está e quer ficar distante dos fanáticos da al-Qaeda. A permanência de um estado de guerra, com ocupação, vítimas civis, torturas e atrocidades diárias apenas fornece matéria-prima para a al-Qaeda. Os soldados norte-americanos não estão combatendo o terrorismo, estão apenas ajudando os terroristas a recrutarem mais gente.

Não chegou o momento de os norte-americanos decidirem diretamente o fim da guerra? Não deveriam também eles se livrarem das ‘falsas opiniões’?

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Advogado, Osasco, SP

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