Sexta-feira, 26 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1034
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FEITOS & DESFEITAS >

De traidores e morenas sensacionais

Por Jorge L. M. Lima em 10/10/2006 na edição 312

Nos anos 70 o sambista Luiz Ayrão fazia sucesso com um samba chamado Bola dividida. A música me veio à lembrança a propósito dos acontecimentos da reta final das eleições. Se minha memória está funcionando corretamente, a letra do samba dizia assim:

“Será que essa gente percebeu

Que essa morena desse amigo meu

Tá me dando bola tão descontraída

Só que eu não vou em bola dividida

Pois se eu ganho a moça eu tenho meu castigo

Se ela faz com ele, vai fazer comigo

E vai fazer comigo exatamente igual

Ela é uma morena sensacional

Digna de um crime passional

E eu não quero ser manchete de jornal…”

“Se ela faz com ele, vai fazer comigo” é um daqueles versos que acertam na veia. A gente ouve e fica pensando na simplicidade do conceito. Quem trai uma vez, trai sempre. Não importam os motivos da traição. Importa é o fato de que ela é um traço essencial da personalidade do traidor. Então, como o sambista, é bom acautelar-se contra traidores, mesmo que sejam morenas sensacionais. Ou, se a morena for sensacional mesmo, deixar de ouvir Luiz Ayrão.

Conceitos relativos

Mas tudo isso é pretexto para fazer um comentário sobre o vazamento das fotos. Segundo o que divulgaram alguns órgãos de imprensa, uma das hipóteses para a entrega delas aos jornalistas era a obtenção de vantagens funcionais em caso de o grupo interessado vencer as eleições presidenciais. Se é verdade, é uma aposta de alto risco. Vai que eles, assim como eu e alguns milhões de brasileiros com mais de 40 anos, sejam apreciadores de samba e, por conseqüência, de Luiz Ayrão?

Bom, aí, como diria um apreciador de metáforas futebolísticas, “deu na trave”. Acho que o risco é pequeno. Olhando para eles, tenho a impressão de que devem apreciar música clássica. Principalmente Wagner, em composições como A cavalgada das valquírias e Assim falou Zaratustra.

Voltando ao samba, todos os conceitos são relativos. Até aqueles que inspiram cautela. Tudo depende das circunstâncias e do que estiver envolvido. E se a morena fosse a Catherine Zeta-Jones? Acho que vou começar a ouvir mais Martinho da Vila.

******

Policial civil, São Pedro do Sul, RS

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