Segunda-feira, 19 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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Defesa pede anulação e imprensa silencia

Por Ubiratan Pires Ramos em 18/11/2008 na edição 512

‘No pedido, o advogado de Dantas, Nélio Machado, alega que a participação ‘estranha, indevida, abusiva e descabida’ da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na investigação ‘imprestabiliza’ o processo.’

O doutor Nélio Machado não tem feito, juridicamente, nada em defesa dos interesses do seu cliente. Quem, realmente, está fazendo a defesa do Daniel Dantas, sob a batuta dele, é claro, é o ministro Gilmar Mendes, e de forma tal que ofusca completamente a figura do ilustre causídico. Ele, doutor Nélio, tem se revelado um simples assessor de imprensa do ‘deus’pelo que tem recebido os altíssimos honorários que recebe. Acreditamos que, não por brio, mas por orgulho, encontra-se desconfortável vendo que seu cliente tem se livrado de constrangimentos sem que para tanto sua atuação intelectual tenha sido necessária. Entende-se, pois, que ele queira justificar perante seu cliente a paga, muito bem paga, que vem recebendo.

Admitir-se-ia até que, para a preservação dessa fonte, ou melhor, dessa cachoeira de renda, na ânsia de mostrar serviço, ele argüisse fatos inverossímeis. Mas pretender anular o procedimento policial investigativo sob a alegação de que houve participação ‘estranha, indevida, abusiva e descabida’ da Abin, certamente, por isso, não convencerá seu cliente – se é o Daniel Dantas inteligente o quanto imaginamos ser – de que ele está fazendo jus aos gordos honorários. A argüição de fatos cristalinamente inconcebíveis pode surtir efeito contrário (o ‘deus-chefe’ pode considerar ‘burrice’).

‘Deixa com o ministro’

Perguntamos: onde está a ilegalidade da participação da Abin na investigação? Por que a Abin não auxiliar a PF, ou vice-versa, no desempenho de seu munus? Onde está a proibição? A PF e a Abin são instituições remuneradas pelo povo brasileiro para a defesa de seus direitos e interesses (mediatos e imediatos, feridos ou ameaçados). Ora, se se concebe a intervenção de um organismo internacional, como a Interpol (International Criminal Police Organization – ICPO) na investigação e prisão de bandidos procurados pela polícia brasileira – para o doutor Nélio, o Daniel Dantas não é bandido; bandidos foram Ulysses Guimarães, Leonel Brizola, Madre Tereza de Calcutá… –, por que não se admitir que instituições nacionais não mantenham intercâmbio no combate à criminalidade no nosso território?

O que nos causa espanto é a comunidade jurídica e a imprensa brasileira assistirem a essas aberrações que o doutor Nélio divulga e nenhuma manifestação contrária esboçarem. Ficam os menos esclarecidos crentes de que a PF e Abin são os verdadeiros vilões.

Doutor Nélio, abuse da nossa indolência, mas não subestime nossa inteligência.

Vai um conselho para o doutor Nélio: continue como assessor de imprensa, relações públicas, de Daniel Dantas. ‘Deixa, que o ministro Gilmar Mendes toma conta da garrafa.’ Dinheiro, para Daniel Dantas, sobeja; não vais perder teus honorários.

******

Advogado, Salvador, BA

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