Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

FEITOS & DESFEITAS > THE WASHINGTON POST

Deixando para amanhã as reclamações de hoje

18/12/2007 na edição 464

A ombudsman do Washington Post, Deborah Howell, revelou aos leitores em sua coluna de domingo [16/12/07] que algumas vezes adia a resposta de determinadas reclamações de leitores. Para exemplificar, ela diz não ter tratado de uma briga polêmica há dois meses – e que gerou dezenas de reclamações. Na ocasião, fãs do apresentador conservador Rush Limbaugh se queixaram sobre uma matéria escrita por Neely Tucker, que tratava de uma rixa entre o apresentador e o democrata Harry Reid, líder da maioria do Senado, que culminou com uma carta de Reid sendo leiloada no e-Bay por US$ 4,2 milhões.

Tudo começou com uma declaração de Limbaugh em seu programa de rádio, em que usou a expressão ‘soldados falsos’ para se referir aos militares americanos no Iraque. O contexto da frase: um ouvinte ligou para reclamar que, quando a mídia entrevista algum soldado, não fala com ‘os soldados de verdade, e sim com aqueles que aparecem do nada’ querendo falar com a imprensa. Somente aí, o apresentador disse: ‘os soldados de mentira’. O ouvinte continuou: ‘Se você conversar com um soldado de verdade, ele está orgulhoso de servir à pátria e não vai querer deixar o Iraque agora; ele escolheu se sacrificar pelos EUA’.

Reid criticou Limbaugh publicamente por chamar os militares americanos contrários à guerra no Iraque de ‘soldados de mentira’. O senador também enviou uma carta, com outros senadores, para Mark Mays, executivo-chefe da Clear Channel, rede de rádio onde o apresentador trabalha. O documento exigia que Limbaugh pedisse desculpas. O apresentador, por sua vez, colocou a carta à venda no e-Bay e doou o dinheiro a causas para veteranos de guerra.

Falta de contexto

Os leitores que reclamaram da matéria acharam que Tucker não interpretou corretamente o contexto da expressão de Limbaugh e errou ao não divulgar que naquele mesmo dia, pela manhã, o apresentador havia falado sobre Jesse MacBeth, um homem de Tacoma que apareceu em protestos antiguerra dizendo ser um veterano do conflito no Iraque – e depois teve sua história desmascarada por blogueiros. Limbaugh diz que, ao falar em soldados de mentira, referiu-se a casos como o de MacBeth, que alega falsamente ter participado da guerra.

Deborah demorou a comentar este caso porque se trata de um assunto polêmico – ela afirma que, quando ligou para a assessoria de Limbaugh, não foi bem tratada. Dois telefonemas e dois e-mails recentes também não foram respondidos. Ainda assim, a versão de Limbaugh para a história deveria ter sido publicada, admite a ombudsman.

Outro tema adiado por Deborah foi uma matéria sobre a separação de Donald Graham, chairman da Washington Post Company, de sua esposa, Mary. A notícia estava na seção de economia do diário, na edição do dia 10/11. Deborah nota que Graham é a pessoa mais importante da companhia, porém não tem influência nas decisões editoriais do Post. Ele não é uma celebridade em Washington, mas um executivo e por isso o fato não foi publicado em outra seção. Muito da matéria referia-se à possível transferência de ações para Mary e ao impacto que isto poderia ter no grupo.

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