Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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Deu na See desta semana

Por José Alves em 15/08/2006 na edição 394

É cada dia mais assustador ler a revista Veja (que deveria se chamar ‘Veja Que Mentira’). Na edição da semana passada, por exemplo, dedicou três páginas a falar mal da Petrobras e dos seus empregados: ‘Aos petroleiros com carinho’. A mentira começa logo no título, pois não apenas os empregados da Petrobras são petroleiros (os das outras petrolíferas, privadas ou não, todos são). Depois, num discurso claramente privatista, diz que ‘o petrossauro era o exemplo da ineficiência estatal, até a abertura do mercado energético em 1997, que fez sua produção disparar, trazendo a auto-suficiência’.

Primeiro que faz tanto tempo que a Petrobras foi deficitária que ninguém se lembra mais. Depois, ela já era a maior empresa do Brasil antes da abertura do seu capital em 1997 (que atraiu capital estrangeiro e a fez crescer ainda mais) e das privatizações do setor energético. Por fim, medidas bem anteriores a 1997 é que proporcionaram a auto-suficiência brasileira. A prova contundente de que não precisaríamos tê-la privatizado…

O aporte de capital que a Petrobras vai fazer em seu plano de previdência complementar, por sua vez, é o pagamento de uma dívida, de uma obrigação da empresa. E a Petrobras vai pagar este débito não com o dinheiro dos nossos tributos ou dos acionistas, mas com o capital da empresa que dá mais lucro no Brasil. Os acionistas já receberam os rendimentos de suas ações e não podem impedir que a empresa quite dívidas para aumentar seus lucros. E os nossos tributos continuam muito bem investidos, e se multiplicando, na Petrobras.

Escrita em inglês

Isso é, simplesmente, colocar a opinião pública contra a Petrobras e seus empregados! Por outro lado, em vez de prestar um serviço pelo menos aos brasileiros que estão empregados na Petrobras, vai também de encontro a eles. Seus empregados, ativos ou aposentados, não têm culpa de a Petrobras deixar sua dívida para com a Petros se avolumar. Pagam mensalmente (a vida inteira) cerca de 10% do salário para se aposentarem num plano de previdência complementar. Que deve fazer justamente isso: melhorar a ineficiência da aposentadoria do INSS (como outros planos de previdência privada fazem).

Se as regras são desequilibradas e precisam ser revistas é outra historia. Os empregados também não têm culpa, nem devem ser penalizados pelo crescimento de uma dívida que já deveria ter sido quitada! Em vez de atacar a Petrobras e seus empregados, a Veja poderia pelo menos dizer que eles estão sendo forçados a migrar para um novo sistema, sem opção (ou migram ou têm de aceitar um novo cálculo de aposentadoria – ou seja, se ficar o bicho pega, se correr o bicho come), que os novos empregados (a partir de 2002) estão sem o plano de previdência complementar para o qual prestaram um difícil concurso público (muitos já estudando para outros concursos) e que a Petrobras só vai aportar recursos e repactuar se todos aceitarem a retirada dos processos judiciais contra ela.

Enquanto isso, na mesma edição, a revista Veja dedica 90% das suas páginas a valorizar um país estrangeiro, a China. Uma fera econômica que ela mesma ajudou a alimentar, quando apoiou a privatização da Vale do Rio Doce, vendendo barato a maior mineradora do mundo, para hoje sermos dependentes do caro aço e alumínio chineses! Por que a Veja não inverte isso? Faz a edição da próxima semana com 90% de suas páginas falando bem do biodiesel, da gasolina podium e da empresa responsável por grande parte do superávit da balança comercial brasileira. E dedica umas três páginas a falar mal de algum país estrangeiro, que prejudica o Brasil de alguma forma. A Veja é um perigo para o Brasil! Simplesmente porque é contra os próprios brasileiros. Deveria até ser escrita em inglês.

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Gerente, João Pessoa

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