Domingo, 20 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº987
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FEITOS & DESFEITAS > JORNAIS EM CRISE

Dona do Los Angeles Times pede concordata

Por O Estado de S.Paulo em 09/12/2008 na edição 515

A companhia de mídia Tribune, controladora de vários jornais e canais de televisão nos Estados Unidos, acumula dívidas de quase US$ 13 bi


A companhia de mídia americana Tribune Co., proprietária dos jornais Los Angeles Times e Chicago Tribune, pressionada por uma dívida de quase US$ 13 bilhões, entrou ontem com pedido de concordata. A empresa, que também é dona de outros jornais, como o Baltimore Sun, e da equipe de beisebol Chicago Cubs, apresentou o pedido a um tribunal federal de falências no Estado de Delaware.

A companhia informou em comunicado que continuará operando normalmente durante o período de reestruturação da dívida e que seguirá publicando seus jornais e administrando seus canais de televisão e outras propriedades, sem interrupção. A Tribune insistiu em dizer que tem ‘dinheiro suficiente’ para garantir a continuidade de suas operações.

‘A queda acelerada da receita e o difícil ambiente econômico se somou à crise de créditos, o que tornou extremamente difícil pagar nossa dívida’, disse Sam Zell, o magnata do setor imobiliário proprietário do grupo. ‘Todas as nossas receitas com propaganda foram afetadas de forma dramática.’ A Tribune foi adquirida por Zell em dezembro de 2007, numa transação de US$ 8,2 bilhões.

No domingo, o Chicago Tribune informou que a empresa matriz havia contratado assessores para dar andamento ao pedido — o banco de investimentos Lazard e o escritório de advocacia Sidley Austin —, enquanto analisava suas opções financeiras. ‘O ambiente atual é incerto e difícil’, disse o porta-voz da Tribune, Gary Weitman, em artigo publicado no domingo na página do jornal na internet. O The Wall Street Journal, citando fontes familiarizadas com o assunto, já tinha informado que o fluxo de caixa da Tribune poderia não ser suficiente para pagar quase US$ 1 bilhão de juros da dívida este ano.

De acordo com informações da companhia, entre os credores estão o banco JP Morgan, com US$ 8,57 bilhões a receber, e o banco Merrill Lynch, com crédito de US$ 1,6 bilhão. O pedido de concordata não inclui o Chicago Cubs ou o estádio Wrigley Field, onde o time joga. A Tribune, no entanto, já vem tentando vender esses dois ativos.

Inicialmente, a empresa esperava que seus lucros, com os periódicos e a televisão permitiriam cobrir os pagamentos dos juros e da dívida, mas a queda abrupta das receitas obtidas com anúncios, na maioria dos jornais do conglomerado, obrigou-a a fazer cortes, inclusive de pessoal, e vender bens para conseguir receita.

Entre as vendas feitas pelo grupo estão a do jornal Newsday, de Nova York, para a Cablevision Systems Corp. No terceiro trimestre, a Tribune também vendeu uma participação de 10% no site de empregos CareerBuilder, para o grupo Gannett, por US$ 135 milhões.

Para analistas, não há dúvidas de que a Tribune está sob muita pressão. ‘As condições financeiras da Tribune são uma mostra da doença que se alastrou sobre essa indústria’, disse Jerome Reisman, advogado especializado em falências.

Além dos jornais, o grupo Tribune também é dono de 23 estações de televisão, e a expectativa para essas unidades é serem atingidas pelo declínio na publicidade que sempre se segue após as eleições. ‘Isso tem sido, para dizer o mínimo, a tempestade perfeita’, disse Zell.


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 New York Times hipoteca sede


A New York Times Co., que edita o jornal The New York Times, anunciou ontem [8/12] que vai levantar um empréstimo de US$ 225 milhões, pelo qual cederá a nova sede do grupo como garantia, em forma de hipoteca. Com o empréstimo, a companhia espera sair de uma crise de liquidez causada por um ajuste do mercado de crédito que levou a uma redução de seus lucros.


O grupo possui 58% de uma torre de 52 andares na Oitava Avenida, concebida pelo arquiteto Renzo Piano e concluída no ano passado. O restante da propriedade pertence à Forest City Ratner. A parte do jornal não havia sido hipotecada até agora.


O grupo encarregou a empresa imobiliária Cushman & Wakefield de se ocupar do financiamento, de acordo com informações do próprio New York Times, citando seu diretor-financeiro, James Follo. No decorrer deste ano, as ações da empresa proprietária do jornal perderam mais da metade de seu valor. (Agence France Presse)

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