Segunda-feira, 19 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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FEITOS & DESFEITAS >

Economista processada por difamação no MT

Por Paulo Ronan em 23/12/2008 na edição 517

Uma das mais respeitadas instituições do país, o Ipea (Instituto de Pesquisas e Economia Aplicada), foi fundada em 1968 pelo ex-ministro Planejamento João Paulo dos Reis Veloso e tinha como objetivo o estudo e a pesquisa econômica e sua disseminação. Eram respeitadas suas publicações regulares e seus seminários esmiuçando a conjuntura brasileira e as bases para o planejamento estatal. É sabido ter saído dali a consistência macroeconômica para a concepção do II PND, Programa Nacional de Desenvolvimento do governo Geisel.

Apesar de originário de um governo complicado, é umas das mais sofisticadas intervenções estatais no destino do Brasil. É daí que temos hoje nossa independência em relação ao plástico, com a implantação de nosso parque petroquímico. A revolução do cerrado e a produção de grãos a que hoje assistimos foi gestada neste plano. É daí também nosso avanço na química fina, base da nossa indústria farmacêutica, inexistente vinte anos atrás, e nossa quase auto-suficiência em petróleo.

Foi o Ipea, durante a ditadura, refúgio de idéias contrárias ao regime. Lembro que os textos dali saídos eram sempre recorridos na Faculdade de Economia que freqüentei, aqui na gloriosa UFMT – eram isentos e, quando elogiosos ao governo, traziam sinceridade e nunca alinhamento ou o popular puxa-saquismo. Isto é coisa do passado. O governo do Nosso Guia, o homem que acabou com a fome no Brasil, o aparelhou, transformando-o em uma instância contínua à máquina de propaganda do governo.

‘Faltam ferramentas aos sociólogos’

O aparelhamento é uma doença de governos fortes e/ou populistas. O governo vem fazendo isso e agora entende-se a defesa do Estado grande. Para se ter mais cargos, para nomear. Neste governo, todas as estatais se encontram aparelhadas. A gloriosa Petrobrás, a empresa do povo brasileiro e dos seus engenheiros, que trabalham no centro do Rio e ganham periculosidade, está totalmente a serviço do governo. Seu apoio a projetos sociais é um roteiro político. Licença, mas não tem como não falar de um risco eminente que correm estes engenheiros citados aí atrás e aí, sim, merecem a tal periculosidade. É de irem ali pertinho da sede da companhia e encherem a tampa com aquele chopp maravilhoso do Amarelinho na Cinelândia e morrerem de tanto beber. Uma tentação.

Nem os Correios, estatal respeitada até pelos milicos, ficaram de fora do pacote – aliás, foi onde começou o mensalão. Dois anos atrás, em uma das instituições do governo federal que promove um prêmio de pesquisa, diante de um bando de pesquisas honestas e acadêmicas, ganhou uma biografia de José Genoíno que, apesar do respeito pela sua carreira parlamentar, não vejo como teria este trabalho motivo para estar ali concorrendo.

No Ipea, a coisa vem acontecendo e culminou com o último concurso, feito semana que passou, para contratar economistas para seu time de pesquisadores. As provas nivelaram por baixo e, ao contrário das anteriores, as questões eram todas com viés ideológico. Para se ter idéia, um dos textos da prova de conhecimento especifico foi do sociólogo Chico de Oliveira. Aí lembro a economista petista, Maria Conceição Tavares: ‘Faltam ferramentas aos sociólogos para entenderem economia.’ Verdade pura.

O silêncio é um barulhão

Anteriormente, o governo havia dispensado os serviços de Fabio Giambiagi e Regis Bonelli juntamente com outros dois economistas, há tempos no Ipea. Este último é referência para umas três gerações de economistas na área de contas nacionais. O primeiro é autor do livro-texto de finanças públicas aplicado em todas as faculdades de Economia do país.

Mas o engraçado de tudo isso, e aqui que começa o artigo, é que o Sindicato dos Economistas do Rio de Janeiro ficou do lado do governo e apoiou em nota oficial o afastamento dos economistas – ou seja, o sindicato também está aparelhado. Deve ser pela primeira vez na história do sindicalismo mundial que tal fato acontece: ficar do lado do patrão. Mais um ineditismo deste governo.

Lembrei de tudo isso porque sinto que nesta briga de Adriana Vandoni com um membro de segundo escalão do governo Lula, o silêncio ensurdecedor de jornalistas [de Mato Grosso] está sugerindo que estão doidos para ficarem contra o pólo ligado à própria. O silêncio já é um barulhão a favor do outro lado.

***

Em defesa da honra

Adriana Vandoni (*)

O diretor geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes – Dnit, Luiz Antonio Pagot, resolveu me processar criminalmente por algo que ele acha que escrevi. Repare: ele ‘acha’ que escrevi. Uma audiência que estava marcada para o dia 17/12, quarta-feira, não aconteceu porque intrigantemente o oficial de Justiça não encontrou meu endereço, logo não me intimou como manda a Lei. Um novo oficial foi designado. Torço para que este me encontre e me notifique, pois estou aguardando ansiosamente. Não vejo a hora de poder explicar ao sr. Pagot tudo que ele e seu advogado não conseguiram entender.

Outro dia, Pagot divulgou em alguns sites de Mato Grosso um artigo chamado ‘Em defesa da honra’. Apesar dele se referir a mim como ‘a inominada’, hahahaha, foi um belo texto, uma escrita tão jovial quanto de um mancebo recém-iniciado nos encantadores termos jurídicos. Nesse texto, que Pagot disse ter escrito em defesa de sua honra, ele afirmou que processará a mim e ao senador Arthur Virgílio. Eu, por supostamente ter escrito algo que não o agradou; Arthur Virgílio, por ter me defendido e denunciado, da tribuna do Senado, que se trata de uma chula tentativa de intimidação. Tudo, segundo seu artigo, em defesa de sua honra.

Está certo o Pagot! Eu também defendo a minha honra com unhas afiadas. E se acho que estou com a razão, vou até as últimas conseqüências que a Lei e a civilidade me permitem.

Como a primeira de sua lista de ‘processados’, terei em breve uma audiência que, repito, aguardo com ansiedade o momento de esclarecer tudo aquilo que ele, não conseguindo entender, constituiu um advogado que resolveu por bem pedir a minha ajuda para que ambos entendessem. Gostaria muito de explicar tudo, nos mínimos detalhes, cara a cara, olhando nos olhos de Pagot.

Mas, infelizmente, apenas uma coisa obrigaria o diretor do Dnit a comparecer na audiência. Exatamente aquilo que ele diz defender: a honra.

Raça, bravura e coragem

Defender a honra não é uma coisa simples. É preciso ter coragem, é preciso ser bravo, valente e, antes de tudo, ser convicto de que existe honra a defender, claro.

Espero chegar à audiência, seja o dia que for, e encontrar o sr. Pagot lá sentado bem em frente a mim. Ele pergunta, eu respondo. Ele não entende, eu explico.

Espero que aquele bravo Pagot, alardeado como feitor de coisas tão edificantes, que diz já ter sido um exímio marinheiro, aquele que certo dia relatou ter participado, na década de 70, de uma missão no Xingu onde capturou garimpeiros ilegais, expulsando-os do território nacional, aquele bradado trator, enfim, espero que aspirante a homem público não abandone o front e esteja lá, sentado na minha frente para escutar as explicações que tanto deseja e assim, se possível for, defender a sua honra.

Para certas pessoas, há temas que são indefensáveis. Mas para mim, não. Eu vou comparecer à audiência porque tenho absoluta convicção da honra que defendo, por isso estou absolutamente tranqüila. Sei que não é fácil defender a honra, afinal não dá para chegar e pronto, contratar uma equipe de segurança privada para guardá-la, ou um escritório de advocacia para defendê-la. A honra é defendida na raça, na bravura, na coragem.

Portanto, meu caro ‘nominado’ Luiz Pagot, espero te encontrar na audiência para que cara a cara, olho no olho, possamos defender cada um a sua honra.

Feliz Natal e um doce ano novo.

(*) Economista, pós-graduada em administração pública pela FGV/RJ e articulista política

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Economista, Cuiabá, MT

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