Terça-feira, 18 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1004
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FEITOS & DESFEITAS > TV VIA INTERNET

Google prepara entrada em televisão

Por Scott Canon em 28/02/2012 na edição 683
Reproduzido do Estado de S.Paulo, 24/2/2012 ; tradução de Augusto Calil; intertítulo do OI

O Google dá sinais cada vez mais claros de que pode lançar um serviço de TV no mercado. A Google Fiber, subsidiária da empresa, apresentou recentemente a papelada necessária para operar um serviço de vídeo nos estados de Missouri e Kansas. A apresentação dos documentos é o indício mais forte até o momento de que, além de levar à cidade de Kansas City o serviço de internet mais rápido dos EUA, o gigante das buscas pretende também concorrer com as empresas de TV a cabo no setor da programação televisiva. Mas, por enquanto, tudo não passa de indícios. “Ainda estamos explorando os produtos que possivelmente estarão disponíveis quando lançarmos a Google Fiber”, disse por e-mail Jenna Wandres, porta-voz do Google.

No primeiro semestre do ano passado, o Google escolheu Kansas City entre 1.100 outras comunidades para testar na cidade seu primeiro projeto de internet ultrarrápida. A extensão do projeto para a porção da cidade localizada no estado de Missouri foi anunciada um mês e meio depois. O Google tem mantido a discrição em se tratando daquilo que pode vir associado ao seu serviço de internet, que promete velocidades de 1 gigabit por segundo (Gbps). O lançamento em algum bairro de Kansas City deve acontecer perto do fim do semestre.

Os registros mostram que, na sexta feira (24/02), o Google apresentou à Comissão de Serviços Públicos do Missouri e à Comissão Corporativa do Kansas os documentos necessários para a operação de um serviço de TV. Nos documentos apresentados no Kansas, o Google disse que “vai utilizar instalações nacionais e regionais de captação e retransmissão de vídeo” – essencialmente, programando pontos de coleta – “para o envio de sinal de IPTV” – uma tecnologia de TV via internet como a que é utilizada no serviço Uverse, da AT&T – “por meio de uma rede privada (de protocolo de acesso restrito) até os assinantes”.

“TV na nuvem”

De acordo com os analistas, a chave agora está em saber se o Google conseguirá trazer ao seu serviço uma programação de qualidade para atrair os consumidores. Mas os vários documentos apresentados pela empresa às autoridades reguladoras estaduais e federais começam a sugerir que um conjunto de serviços poderá ser oferecido com os planos de acesso à internet. Além disso, algumas reportagens publicadas no ano passado sugeriram que o Google poderia estar envolvido em negociações com Disney, Time Warner e Discovery com o objetivo de distribuir o conteúdo produzido por estas empresas. A Disney é dona das emissoras ABC e ESPN, as mais populares entre os serviços de TV a cabo.

Em dezembro, o Google apresentou documentos à Comissão Federal das Comunicações (FCC) com o objetivo de fabricar antenas de satélite comerciais numa instalação em Council Bluffs, Iowa. Isso poderia servir como uma espécie de “fazenda de antenas”, usada pelas empresas de TV a cabo para capturar sinais de vídeo e transformá-los em canais para o consumo dos espectadores. A empresa está também envolvida no teste de transmissores Wi-Fi para o lar que seriam capazes de transportar informações a velocidades comparáveis às redes de fibra óptica – sugerindo um sistema holístico para estender aos lares americanos um serviço de internet com velocidade de 100 a mil vezes superior à média americana atual.

Council Bluffs abriga também um grande data center do Google, também chamado de “fazenda de servidores”, onde são armazenadas grandes quantidades de dados e a partir de onde imensos volumes de informações são transmitidos, alimentando serviços que vão das buscas aos vídeos postados no YouTube (O popular site de vídeos pertence ao Google).

Uma análise recente feita pela Bernstein Research especulou que o Google poderia estar se preparando para a “TV na nuvem”, algo que tornaria obsoletos gravadores de vídeo digital como o TiVo. Em vez de gravar programas num aparelho doméstico, o relatório sugeria que o Google poderia armazenar uma quantidade aparentemente ilimitada de vídeos nos seus data centers.

***

[Scott Canon, da Mcclatchy Newspapers]

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