Quarta-feira, 18 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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Centenário do Pravda

Por Luís Olímpio Ferraz Melo em 08/05/2012 na edição 693

O jornal russo Pravda – “verdade”, em russo – completou na semana passada 100 anos da sua fundação. O Pravda surgiu em São Petersburgo, teve sua primeira edição em 5 de maio de 1912, e era tido como jornal de oposição e contra o abuso das autoridades, mas sua linha editorial mudou consideravelmente por ocasião da revolução bolchevique, em 1917, pois tornou-se o porta-voz do Partido Comunista Soviético e principal meio de divulgação e de propaganda das ideias de Lênin e do comunismo.

Após a queda do muro de Berlim, na Alemanha, em 9 de novembro de 1989, o comunismo entrou em declínio no mundo e o Pravda foi “expulso”, em 1991, da então Rússia de Boris Yeltsin. Porém, após breve estadia na Grécia, o Pravda retornou à Rússia em 1997 e com o mesmo discurso partidário da linha editorial inaugural: pedindo união de todos os trabalhadores – confirmando a hipótese de Hegel e de Marx de que a História sempre se repete…

A crítica imparcial que se faz ao Pravda é que seus arquivos são seletivos, ou seja, há eventos de importância histórica ocorridos na União Soviética stalinista e na China comunista que não foram registrados pelo Pravda. Exemplo: até 1980, era tabu na Rússia falar sobre a “Grande Fome” programada, ocorrida na Ucrânia entre 1932-33, quando 6 milhões de ucranianos morreram de inanição. Tida como a “primeira fome programada” da História, foi utilizada pelos comunistas como instrumento de controle, dominação e guerra.

Outro evento de relevância: durante a “fome política” do Grande Salto Adiante comunista de 1959-61, ocorrida no Gulag maoísta, o Laogai, na China, 20 milhões de chineses morreram famintos e é tida como a maior fome da História, mas não há nos arquivos do Pravda esses registros. A ocultação desses e de outros eventos históricos relevantes mancha a imagem do comunismo no mundo, porém coloca também em xeque a credibilidade do Pravda e o nome – verdade – pode soar como uma ironia.

Outras fontes

Os jornais têm sido para os historiadores uma fonte preciosa na investigação histórica, mas há restrições de alguns para citações por conta da falta de imparcialidade na publicação dos fatos, como parece ser o caso do Pravda, que renasceu numa Rússia diferente da de 1912, quando os russos viviam no regime imperial mas não havia qualquer registro de Gulags e de atrocidades nesta época.

Os fatos desfavoráveis ao comunismo e omitidos pelo Pravda somente foram descobertas graças a outras fontes e a pesquisas de campo que visavam a buscar somente a verdade…

***

[Luís Olímpio Ferraz Melo é advogado e psicanalista, Fortaleza, CE]

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