Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

FEITOS & DESFEITAS > PROPAGANDA DE CERVEJA

Anúncio incentiva violência sexual

Por Fernando Cymbaluk em 07/08/2012 na edição 706
Reproduzido do UOL Notícias, 2/8/2012; título original “Internautas acusam propaganda da Nova Schin de incentivar violência sexual contra mulher”

Depois dapolêmica envolvendo uma peça publicitária da marca de preservativos Prudence– excluída do Facebook após críticas de internautas –, agora é um comercial da cerveja Nova Schin que gerou repercussão negativa nas redes sociais. Os usuários do Twitter, Facebook e Youtube acusam o vídeo “Homem Invisível” de incentivar a violência sexual contra a mulher. 

No Twitter, criou-se a hashtag #NovaSchinIncentivaEstupro. Numa página do Facebook , internautas protestam contra a propaganda, pedem uma retratação da empresa e exigem que o comercial seja retirado do ar. “Tirar a roupa de uma mulher sem o seu consentimento – e em público – é abuso sexual e é crime. Exigimos retratação”, diz campanha, direcionada à cervejaria.

No vídeo, um grupo de amigos reunido num quiosque de praia observa mulheres na areia, até que um deles diz: “Já pensou se a gente fosse invisível?”. Na sequência, duas mulheres que caminham pela praia sentem que são tocadas pelas costas por pessoas ‘invisíveis’. Em outro momento da peça publicitária, algumas mulheres saem de um vestiário, invadido pelos ‘invisíveis’, sem a parte de cima do biquíni. Nessas duas cenas, as mulheres se assustam e fogem.

O trecho em que as mulheres são tocadas pelas costas é o que tem gerado maior polêmica. No Twitter, internautas afirmam que a propaganda da Nova Schin é machista e incentiva a violência sexual. “Nova Schin, sabia que vocês tão colaborando com uma coisinha chamada cultura de estupro?”, diz a internauta identificada como Fernanda Yamazato.

A campanha lançada nas redes sociais por internautas cita o artigo 213 do Código Penal: “Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: (Alterado pela L-012.015-2009); Pena – reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos.”

A blogueira Lola Aronovich, que escreve sobre comerciais acusados de incentivarem a violência sexual contra a mulher em seu blog, diz ser “um absurdo” que o comercial esteja no ar há meses. “O mais perverso é que, mesmo no ‘clima de humor’ do comercial, a expressão no rosto das mulheres é de pavor”, comenta a blogueira em seu site.

O vídeo está no canal da Nova Schin no Youtube desde fevereiro deste ano e já teve cerca de 15 mil visualizações.

Não é a primeira vez que uma peça publicitária da Nova Schin é alvo de polêmicas. No início de 2012, um vídeo veiculado pela marca foi acusado de discriminatório pela ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais).

Outro lado

Em nota, a empresa Schincariol, responsável pela marca Nova Schin, afirma que não houve intenção de ofender qualquer pessoa em seu filme publicitário “Homem Invisível”.

***

[Fernando Cymbaluk, do UOL Notícias]

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