Quarta-feira, 24 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1010
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FEITOS & DESFEITAS >

Falta agenda própria a jornalismo internacional

Por Olívia Freitas em 02/10/2012 na edição 714

A jornalista Cláudia Antunes se opõe ao fato da impressa brasileira não ter uma agenda definida. Para ela, os jornais nacionais se baseiam muito no que é manchete fora do país nos grandes do impresso, como El País e The New York Times. “Não temos uma agenda verdadeiramente brasileira”, critica a editora, que há dois meses está à frente da revista piauí.

Enquanto muitos questionam as agências por falhas de cobertura, Cláudia sai em defesa. “Isso não é culpa das agências, e sim, de quem está fazendo o negócio aqui”, considera. Para ela, os brasileiros têm uma imensa dificuldade de criar uma agenda internacional sem se basear nos grandes jornais do mundo. “Falta nuance em geral na cobertura do jornalismo internacional”, diz a jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e que exerce a profissão há 30 anos.

Outro ponto que ela aponta é a falta de ousadia dos jornalistas em determinadas coberturas. Para ilustrar o fato, Cláudia se lembra de quando estava à frente da editoria Mundo, da Folha de S.Paulo, em 2008. A Colômbia atacou o acampamento das Farc do Equador e Cláudia teve certeza que essa seria a manchete da segunda-feira, enquanto seus companheiros de redação ficaram receosos. O fato ainda não tinha ganhado as manchetes dos grandes periódicos. A opção pela publicação da notícia acertou em cheio: a operação da Colômbia resultou na morte do poderoso Raúl Reyes, comandante das Farc, e na libertação de 15 reféns.

Mas Cláudia pondera até onde essa ousadia deve ir. “No caso do Tim Lopes, os meios de comunicação nunca fizeram uma crítica suficiente do ‘Por que ele estava ali?’ Foi uma coisa meio fútil para dar audiência ao Fantástico”, opina. Para ela ousadia é querer estar no local e na hora em que a notícia está acontecendo. “Situação de risco que eu falo é o cara sair da favela quando o tiroteio começar. O cara da luz sobe, o cara da loja sobe então, o jornalista também sobe [o morro]”, afirma.

***

[Olívia Freitas é estudante de Jornalismo, Guarulhos, SP]

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