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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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FEITOS & DESFEITAS > MÍDIA & MERCADO

Google já vale mais que Microsoft

Por Richard Water em 09/10/2012 na edição 715
Reproduzido do Valor Econômico, 2/10/2012

O valor de mercado do Google ultrapassou o da concorrente de longa data Microsoft pela primeira vez ontem (1/10), coroando a luta de uma década pela hegemonia entre as líderes das eras do computador pessoal e da computação da era da internet.

Na primeira avalanche de otimismo que se seguiu à sua Oferta Pública Inicial (IPO, nas iniciais em inglês), os investidores quase puxaram o valor do Google para níveis superiores aos da Microsoft, em 2007. No entanto, o papel recuou diante das preocupações de Wall Street de que a empresa estaria injetando dinheiro em empreendimentos deficitários, como o site de vídeo YouTube e o sistema operacional para aparelhos móveis Android, na vã tentativa de fugir aos efeitos da desaceleração do crescimento dos anúncios vinculados a buscas.

Uma nova geração de equipamentos híbridos

“Há, finalmente, a percepção, por parte dos investidores, de que esses [empreendimentos] não são bissextos”, disse Yousseff Squali, analista de internet da Cantor Fitzgerald. Em vez disso, o Google deverá superar o Facebook este ano, tornando-se a maior empresa on-line de banners de publicidade, não vinculados a pesquisas, com receitas que poderão superar US$ 6 bilhões, segundo Mark Mahaney, analista de internet do Citigroup. A empresa também assumiu a liderança precoce em banners de publicidade para aparelhos móveis e responde por mais de 50% desse mercado. O renascimento da confiança elevou as ações do Google em mais de 30% nos últimos três meses.

A troca da guarda em termos de valor de mercado também reflete a inquietação dos investidores em torno do lançamento, previsto para o fim do mês, do sistema operacional Windows 8, da Microsoft. O evento, segundo a descrição de Steve Ballmer, o principal executivo da empresa, será uma aposta da companhia em relação ao ciclo do produto.

A Microsoft está contando com a mais recente versão do Windows para estimular uma nova geração de equipamentos híbridos, com tela sensível ao toque, que reconduzirá os computadores pessoais à berlinda. No entanto, a maioria dos clientes empresariais espera um ano ou mais até fazer a atualização de suas máquinas e os investidores estão cautelosos quanto à probabilidade de a Microsoft reconquistar consumidores que migraram para aparelhos da Apple.

Agências antitruste estão concluindo investigações

Embora tenha caído ligeiramente no início da tarde de ontem em Nova York, os papéis do Google subiram na pré-abertura da bolsa e atribuíram à empresa o valor de US$ 249,2 bilhões. No fechamento da bolsa, o valor atingiu US$ 249,9 bilhões, US$ 2,7 bilhões à frente da Microsoft. Entre preocupações de ordem técnica, a alta deixou o Google apenas atrás da Apple, cujo valor de mercado ficou em US$ 618,1 bilhões.

Em outra mudança, a IBM, cuja primeira fortuna em computadores de grande porte foi ofuscada pela Microsoft, recuperou-se também recentemente e ultrapassou a Microsoft em valor de mercado. Desde então, recuou e estava sendo avaliada ontem em US$ 241 bilhões.

Embora o Google tenha conquistado um relutante voto de confiança em Wall Street, a empresa atraiu uma atenção não tão bem-vinda da parte dos órgãos reguladores. Agências antitruste de Washington e Bruxelas deram indicações de que estariam se aproximando da conclusão de investigações sobre a companhia e de que decisões deverão sair até o fim deste ano, mais de uma década depois de processos semelhantes contra a Microsoft terem chegado ao ponto crítico.

***

[Richard Water, do Financial Times, de San Francisco]

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