Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

FEITOS & DESFEITAS > COBERTURA DA COPA

‘Elogio’ vira ‘vergonha’ em tradução capenga

Por André Luiz Diniz em 06/07/2010 na edição 597

Nas edições impressa e online de quinta-feira (1/7), O Globo publicou com destaque uma matéria intitulada ‘Johann Cruyff diz que não pagaria ingresso para ver seleção brasileira’ onde são apresentados trechos de entrevista do ex-jogador e craque holandês, na qual ele critica a forma de jogar da seleção brasileira.

O que me chamou atenção foi um trecho da entrevista onde, segundo O Globo, ele diz: ‘Eles têm jogadores talentosos, mas atuam de uma forma que é mais defensiva e menos empolgante. É uma vergonha para os torcedores e o torneio (…).’ Desconfiado da tradução, fui procurar o trecho original em inglês, que encontrei em diversos sites, entre eles a rede de notícias holandesa RNW.

Originalmente, Cruyff disse: ‘They’ve got talented players, but their football is defensive and uninteresting’ e ‘It’s a shame for the fans and a disgrace to the championship. Brazil is normally a team that people really want to see.’

‘Botar lenha na fogueira?’

A palavra shame, neste contexto, não quer dizer ‘vergonha’, mas sim ‘pena’. Ou seja, o ex-jogador está lamentando o fato de o time jogar defensivamente, dado os talentos que tem, e acrescenta que isso é um aspecto ruim (‘uma desgraça’) para o torneio. Será que isso é realmente uma crítica desdenhosa ao Brasil, a ponto de ser qualificada na matéria de O Globo como ‘vergonha’?

Não penso como tal. O texto é, sim, uma crítica ao Dunga, mas em relação ao Brasil, considero até um elogio. E será que sua crítica difere tanto das que fazemos aqui no Brasil? Todos não fomos entusiasticamente a favor de Ganso e Neymar na seleção, para que ela jogasse ofensivamente?

Não sei até que ponto o jornalista de fato se equivocou na tradução ou se ele apenas quis ‘botar lenha na fogueira’ para motivar ainda mais a comissão técnica e jogadores. De uma forma ou de outra, é algo que altera totalmente a mensagem original da entrevista, e que deveria ser evitado pela imprensa. Imaginem como esse telefone sem fio vai chegar na Argentina…

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Engenheiro e professor de estatística

Todos os comentários

  1. Comentou em 06/07/2010 Carlos N Mendes

    A velha técnica da descontextualização… Senhores, esse é nosso jornalismo. Poderia ser como o rei Midas, transformando o que toca em ouro, mas na maior parte do tempo aje como o seu oposto, o rei Sadim, que transforma tudo em m…

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