Terça-feira, 19 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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ENTRE ASPAS > QUINTA-FEIRA, 21/8

Em 1 ano, banda larga
cresce 48% no Brasil

Por Luiz Antonio Magalhães (seleção de textos) em 22/08/2008 na edição 499


Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 21 de agosto de 2008


INTERNET
Julio Wiziack


Uso de banda larga cresce 48% em 1 ano


‘Os brasileiros derrubaram todas as previsões dos analistas de mercado. Há cinco anos, estimava-se que o total de conexões à internet rápida (banda larga) não chegaria a 6 milhões. Dois anos depois, a previsão indicava que a saturação ocorreria em 2010, com um total de 10 milhões de conexões. Essa marca foi batida em junho deste ano, quando o país somou 10,04 milhões de conexões, um crescimento de 19,5% sobre o trimestre anterior. Entre junho de 2008 e junho de 2007, o aumento foi de 48,3%.


‘Não existe mais essa história de saturação’, diz Pedro Ripper, presidente da Cisco do Brasil, empresa americana que vende equipamentos para as redes de telefonia e acesso à internet e que faz o levantamento trimestral dos acessos. ‘O Brasil apresenta um resultado espantoso em comparação com outros países emergentes, e nossa estimativa é a de que o total de conexões até 2010 deva atingir 15 milhões. Isso caso as operadoras móveis não lancem produtos pré-pagos de acesso à internet. Com um produto desse tipo, que está em estudo neste momento, o crescimento será muito mais rápido.’


A participação das operadoras de celular, que vendem soluções de acesso remoto à internet por chips específicos acoplados a computadores ou notebooks, foi o motor da expansão da banda larga. Há um ano, as conexões móveis não chegavam a 250 mil, número que saltou para 1,3 milhão em junho deste ano, alta de 464%.


As vendas foram tão boas que houve escassez. Segundo as próprias operadoras, esse mercado foi subestimado. Faltou investimento em rede, e também esgotou-se a oferta dos chips destinados a esse tipo de produto. Analistas de mercado estimam que, nos últimos seis meses (quando começou a escassez), as operadoras tiveram de desembolsar cerca de US$ 1 bilhão no aumento de capacidade de sua rede. Os fabricantes de chips também tiveram de dar mais atenção ao Brasil. Espera-se que, a partir de setembro, as vendas sejam normalizadas.


Esse potencial de consumo dos brasileiros pela rede móvel é tão grande que as operadoras estão preocupadas. Há cerca de um mês, o presidente da Claro, João Cox, cogitou, em fórum do setor de telecomunicações, a possibilidade de uma pane na rede da operadora (e também na de suas concorrentes) por uma explosão do consumo. Segundo ele, todo o setor subestimou esse consumo. Ainda segundo ele, esse é um ‘bom problema’ resolvido com investimentos e até aumento das faixas de freqüência.


Atenta a essa situação, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) estuda formas de reunir faixas de freqüência ociosas no país para que possam ser vendidas futuramente.


Isso porque, nas contas da agência, o crescimento da internet rápida será maior após a aprovação do novo marco regulatório do setor. Nele está prevista a universalização da banda larga pelas operadoras. As estimativas apontam que, em 2015, o Brasil estará em igualdade com países vizinhos, como a Argentina e o Chile que têm, proporcionalmente, mais habitantes conectados.


Outro avanço registrado no país foi o aumento da velocidade das conexões. Apesar de a maior parte dos internautas usar acessos discados (com velocidades baixas), de junho de 2007 a junho de 2008, a participação dos internautas que navegam com mais velocidade (acima de 1 Mbps) subiu 26,6%, passando de 25,9% para 32,8%.’


 


 


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Universalizar banda larga custará R$ 2,4 bi


‘Apenas 62% das cidades brasileiras despertam interesse comercial das operadoras que vendem acesso à internet rápida. É o que revela um estudo feito pela Cisco e que serve de base para a estratégia de expansão da teles e para os programas de governo nessa área.


Com a aprovação do novo marco regulatório do setor (pelo Plano Geral de Outorgas e o Plano Geral de Regulamentação), as companhias serão obrigadas a promover a universalização da banda larga. Na prática, elas terão de construir uma rede de acesso, chamada de ‘backhaul’, que interconectará todas as cidades do país.


Pelos cálculos da Cisco, será preciso investir R$ 1,28 bilhão só na construção dessas ‘estradas’. O número também inclui a manutenção da rede. Para chegar a essa cifra, a empresa coletou todos os dados socioeconômicos das cidades brasileiras e estudou a infra-estrutura de telecomunicação em cada uma delas. ‘Depois disso, projetamos a demanda latente’, diz Pedro Ripper, presidente da Cisco do Brasil. No caso, demanda latente é a previsão de conexões à internet rápida em cada cidade por qualquer das tecnologias disponíveis (rede fixa, rede móvel, satélite ou cabo, entre outras).


Cidades que estão mais distantes de outras já conectadas à internet rápida tendem a custar menos para as operadoras. Na Amazônia, essa distância é tão grande que a única tecnologia possível é o satélite.


Última milha


Além dos investimentos na construção dos ‘backhaul’, as operadoras não querem a obrigação de levar o acesso a municípios onde não terão ganhos. Ainda não se sabe qual será o modelo a ser implantado nessas localidades. É possível que seja criado um fundo com recursos destinados pelo Fust, cobrado na conta mensal de cada consumidor dos serviços de telefonia, mas o governo teria de decidir se a banda larga será um serviço público, como são as chamadas telefônicas.


Outro problema é estabelecer a conexão entre o ‘backhaul’ e as empresas, as residências e os órgãos públicos. Essa ponta, conhecida como ‘última milha’, exigirá mais R$ 1,1 bilhão em investimentos. ‘A Anatel precisa regulamentar as regras desse jogo para saber quem fará esse investimento’, afirma Ripper.


O ‘backhaul’ interligará os municípios. A conexão entre os moradores de cada cidade e as centrais de acesso no município poderá ser feita pelas próprias operadoras ou por terceiros. ‘No serviço de voz, as operadoras levam os cabos das ruas para dentro das casa e cobram por esse serviço’, diz Ripper. ‘É possível que outras empresas queiram dividir esses custos com as operadoras para oferecer esse serviço.’


A americana Cisco é uma das empresas que mais se beneficiarão com essa expansão. São dela os equipamentos (roteadores e switches) que estabelecem as conexões entre as centrais de acesso à internet. Em outubro de 2007, a companhia envolveu-se em um escândalo de subfaturamento de preços dos equipamentos e, atualmente, responde a um processo judicial.’


 


Marina Gazzoni


Concorrência deve reduzir preço do serviço


‘A expansão da banda larga deve acirrar a concorrência entre as empresas de telecomunicação, derrubar os preços dos pacotes de serviço e criar novos produtos. Essa é a conclusão de especialistas consultados pela Folha.


Para Manzar Feres, executiva de telecomunicações da IBM, um dos maiores ganhos com o crescimento da banda larga é que o consumidor poderá optar pela forma de acesso. Segundo ela, a disseminação da banda larga deve contribuir para a melhoria de serviços hoje existentes e a criação de novos modelos. Um dos exemplos é o ‘mobile banking’ -dispositivo que permite a realização de transações bancárias pelo celular-, que deve ser aprimorado e disseminado entre os usuários, afirma.


A analista de telecom da consultoria Tendências, Camila Saito, cita a popularização dos pacotes de alta velocidade como uma das mudanças já provocada pela maior concorrência no mercado de banda larga. ‘Os preços caíram e as operadoras deram um ‘up grade’ na velocidade dos serviços para segurar assinantes.’


Para a analista da Brascan, Beatriz Battelli, a expansão do número de computadores e a migração da conexão discada para a banda larga são os fatores que justificam o aumento do número de conexões banda larga.


A estagnação do crescimento da telefonia fixa após o cumprimento das metas estabelecidas no processo de privatização do serviço obrigou as operadoras a investirem em telefonia móvel e em banda larga para crescer, afirma Feres. Segundo ela, as teles investiram pesado em tecnologia para ampliar esse mercado e agora vislumbram novas possibilidades de ganhos com distribuição de conteúdos.


Apesar do crescimento acelerado da banda larga, a expansão deve continuar tanto nas conexões fixas como móveis nos próximos anos, afirmam as analistas.


Segundo elas, a permeabilidade do serviço no população brasileira ainda é baixa, o que permitiria uma disseminação maior da banda larga. Hoje, cerca de 16% das residências do país têm conexão banda larga.’


 


 


TELECOMUNICAÇÕES
Elvira Lobato


Nova investida para adiar portabilidade racha telefônicas


‘Sete empresas de telefonia voltaram a pedir à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) o adiamento da implantação da portabilidade numérica, serviço que permitirá ao usuário mudar de telefone fixo ou móvel sem alterar o número do aparelho.


A implantação está prevista para começar em 1º de setembro. As empresas pediram o adiamento por quatro meses, para 1º de janeiro. A iniciativa rachou o setor. Claro, Intelig, Embratel e GVT se negaram a endossar o pedido.


Dois dos altos executivos que pleitearam o adiamento disseram à Folha que o pedido foi mal recebido pela direção da Anatel, que teria comunicado seu desagrado às teles, por telefone, já na noite de terça-feira.


Os dirigentes de Oi, Telefônica, Brasil Telecom, Vivo, TIM, Sercomtel e CTBC haviam feito o pedido da prorrogação de maneira informal anteontem e, ontem, formalizaram o pedido em carta. Argumentaram que não houve tempo suficiente para completar os testes e que podem ocorrer problemas no início da implantação. Em suma, disseram não estar tecnicamente preparadas.


Claro, GVT, Embratel e Intelig discordaram. A intenção das teles era que o pedido de adiamento fosse encaminhado à Anatel pelas entidades da telefonia fixa (Abrafix) e das operadoras móveis (Acel).


Segundo a Folha apurou, não houve consenso nem mesmo entre as empresas que pediram o adiamento. Brasil Telecom, Vivo e TIM achavam que o adiamento por dois meses seria suficiente para a conclusão dos testes e ajustes. Já a Oi e a Telefônica queriam o adiamento por quatro meses, o que acabou prevalecendo.


Com o racha no setor, as entidades não puderam falar em nome de todos os associados, e a carta acabou sendo enviada em nome de sete operadoras.


A Claro registrou sua oposição em carta à Acel anteontem, na qual diz que as dificuldades e os insucessos nos testes não serão resolvidos pelo simples adiamento. ‘‘Se desejamos resolver a situação e implantar a portabilidade, é fundamental saber onde e por que existem problemas. (…) Desconhecida a causa do problema, torna-se logicamente impossível definir sua extensão e, por conseqüência, o tempo necessário para a sua solução’, disse a empresa.


Segundo o presidente da Claro, João Cox, a tele está tecnicamente preparada para iniciar o serviço e não faria sentido para ela, que sempre defendeu publicamente a portabilidade como estímulo à concorrência, pedir o adiamento a dez dias da data de lançamento.


A GVT, por sua vez, afirmou que defende a portabilidade numérica e que a medida está prevista desde a privatização da telefonia, há dez anos. Declarou estar tecnicamente preparada para a mudança no prazo estipulado pela Anatel, mas alertou de que ela depende do desempenho sistêmico registrado por todas as operadoras fixas e móveis.


Anatel


Foi a segunda vez, neste mês, que as teles pediram o adiamento da portabilidade numérica. Na primeira carta, no início de agosto, alegaram que havia problemas técnicos e que o tempo para testes tinha sido insuficiente. Naquela ocasião, o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, descartou a possibilidade de adiamento e disse que as empresas teriam tempo para resolver os problemas, porque a implantação se dará de forma gradual, ao longo de sete meses. ‘‘Não há margem para flexibilizar o prazo (…). É um processo de longa duração, que resulta em benefício para o consumidor e para a concorrência’, afirmou Sardenberg, no início do mês.


Mato Grosso do Sul será o primeiro Estado a ter a portabilidade plenamente estabelecida, em setembro próximo. Em seguida, Espírito Santo e Acre, na primeira semana de novembro. São Paulo e outras capitais maiores terão a implantação concluída no início de 2009.’


 


 


FUTURO DOS IMPRESSOS
Folha de S. Paulo


Papel para jornal pode ficar livre de contribuições


‘A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara aprovou ontem a admissibilidade da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que impede a cobrança de contribuições, como PIS/Pasep e Cofins, sobre livros, jornais, periódicos, cadernos escolares populares e o papel destinado a sua impressão.


Esses produtos já são isentos do pagamento de impostos, mas as empresas pagam 0,65% de PIS/Pasep, 3% de Cofins e 1% de CSLL sobre o faturamento bruto.


O autor da PEC, deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), acrescentou ao artigo 150 da Constituição a vedação à cobrança de contribuições e estendeu o benefício aos cadernos escolares populares. Segundo ele, na Constituinte de 1988 as contribuições tinham arrecadação pouco significativa, mas hoje ‘funcionam em parte como tributos disfarçados e oneram, em demasia, o custo do setor’.


A votação na CCJ é o primeiro passo para a tramitação da emenda. A continuidade da discussão depende agora de a Câmara criar uma comissão especial para tratar do tema. Embora tenha votado a favor do texto, por considerar que a emenda não fere a Constituição, o PT se manifestou contra o mérito.


O diretor de relações governamentais da ANJ (Associação Nacional dos Jornais), Paulo Tonet, disse que a imunidade aos jornais, periódicos, livros e ao papel existe desde 1946 como forma de garantir que nenhum governo utilize a taxação como forma de restringir a liberdade de imprensa.’


 


 


MÍDIA & POLÍTICA
Carlos Heitor Cony


Programa eleitoral


‘RIO DE JANEIRO – Começou o horário político gratuito no rádio e na televisão -o tradicional desfile de caras e bocas, com algumas idéias no meio, na necessária função de esclarecer o eleitorado.


O clichê obriga todo mundo a detestar o programa e, de cambulhada, os candidatos que nele se apresentam.


Mais uma vez, e seguindo o indesejável DNA que me formou, remo contra a maré. Gosto do programa e aprecio todos os cidadãos de ambos os sexos que dão o seu recado, falam de suas vidas e realizações, prometem o que é possível prometer e até um pouco mais, de acordo com a garra de cada um.


O pouco tempo e a lengalenga do conteúdo revelam-se contraproducentes, irritando o espectador que potencialmente é também um eleitor. Mesmo assim, tivemos o caso do Enéas, que dispunha de alguns segundos para dar o seu recado e mal tinha tempo para declarar que o nome dele era Enéas. Com a barba nazarena, a calva e os óculos fundo de garrafa, conseguiu se eleger e eleger alguns companheiros de seu fantasmagórico partido.


Digo e repito que aprecio o desfile eleitoral, não para me aperfeiçoar civicamente, mas para me distrair. A programação das TVs, em geral, são também de lascar e, além do mais, repetitivas. Os chamados shows de realidade, tipo ‘Big Brother’, são excessivamente produzidos para dar audiência. No caso dos candidatos, a finalidade é dar votos -o que é problemático.


Lembro um candidato a vereador aqui no Rio que chegou a ser cassado não do mandato que não obteve, mas do direito de continuar candidato. Ele prometeu que, eleito, providenciaria uma bomba atômica para acabar com a poluição e os engarrafamentos do tráfego, destruindo a cidade para nela criar outra. Respeitaria apenas o Pão de Açúcar e o Corcovado.’


 


MÍDIA & DIREITO
Fábio Ulhoa Coelho


Sabe aquilo que chamávamos privacidade?


‘A PRIVACIDADE acabou. Câmaras de vídeo estão espalhadas por estacionamentos, lojas, bancos, edifícios, ruas, por todos os lugares. Sofisticados apetrechos eletrônicos gravam conversas à distância, dispensando a implantação de microfones no ambiente monitorado.


Telefonemas e mensagens transmitidas pela internet são interceptados sem dificuldade. Já se organizam gigantescos bancos de dados reunindo simplesmente todas as informações existentes sobre todos nós.


Nem mesmo nossos pensamentos e desejos íntimos parecem estar a salvo. Está em fase de finalização para lançamento no mercado a Epoc, uma máquina que lê pensamentos. Ainda é um tanto rude e sua eficácia depende, às vezes, de movimentos ‘interpretativos’ dos braços. Será inicialmente usada para entretenimento em jogos eletrônicos, mas, logo mais, virão o aperfeiçoamento e outros usos; nem meditando teremos sossego.


A tecnologia acabou com a privacidade e vai acabar com o direito à privacidade. Por algum tempo, legisladores e juízes ainda vão fingir que o protegem, mas esse direito, como tantos outros, não resistirá ao cerco da tecnologia. O constitucionalista norte-americano Lawrence Lessig insiste, há quase duas décadas, que a lei não é mais feita pelos legisladores, e sim pelos programadores de informática. O software (‘code’) é a lei. Ou, de modo mais geral, a tecnologia é a lei.


Dou dois exemplos de morte de direitos consagrados na ordem jurídica, mas que deixaram de existir porque os tribunais simplesmente não conseguem deter a avassaladora evolução tecnológica.


O primeiro é o direito de autor e conexos relacionados à obra musical.


Músicos, cantores, compositores, arranjadores e produtores não têm mais, hoje em dia, como impedir a reprodução pirateada de suas obras e interpretações pela internet. Evaporou-se em poucos anos a chance de ganho desses criadores com a venda de CDs. A lei continua a garantir o direito deles, mas, como tornar esse direito efetivo se, para tanto, seria necessário identificar e processar milhões de usuários de programas de compartilhamento?


O segundo exemplo busco na declaração de advogado da Microsoft, feita em julho de 2007, de que a empresa tinha decidido não promover ações judiciais contra o desrespeito a mais de duas centenas de suas patentes por vários programas de código livre, incluindo o Linux, em razão dos custos.


Se a poderosíssima Microsoft não vê mais vantagem econômica em acionar o aparato judicial para tentar defender suas patentes, então não existe de fato o direito que a lei teoricamente lhe concede.


O direito à privacidade terá o mesmo fim. A disseminação dos meios tecnológicos de invasão da esfera privada de nossa vida será de tal ordem que pouco ou nada poderão fazer os legisladores e juízes no mundo todo. Para muitos, um mundo sem privacidade é algo a lamentar. Os que mais reclamam do novo cenário evidentemente são os que cometem crimes, traem ou fazem algo errado.


Mas, talvez, não seja o caso de nutrir tanto pessimismo. Por paradoxal que possa parecer, um mundo sem privacidade pode ser mais seguro e tolerante.


Privacidade e segurança estão relacionadas de modo complexo. O sigilo bancário deve ser resguardado para a segurança das pessoas contra seqüestro, por exemplo. Mas não faz o menor sentido protegê-lo para dificultar a identificação e a punição de corruptos, corruptores, sonegadores de impostos ou lavadores de dinheiro.


Em termos gerais, no entanto, todos conseguem perceber que o aumento da segurança implica certa restrição à privacidade, e as câmaras instaladas nos elevadores dos prédios onde moramos e trabalhamos nos provam isso.


Além de mais seguro, o mundo sem privacidade pode ser também mais tolerante. Deixando de lado os que desejam encobrir crimes, traições ou deslizes morais, quem mais zela por sua privacidade são as vítimas de preconceito. Elas o fazem de modo legítimo. Mas, quanto menos barreiras separarem as pessoas, mais elas irão se conhecer. Quanto mais íntimos forem umas das outras, crescem as chances de se compreenderem e se aceitarem. O excessivo apego à privacidade pode nos conduzir a uma sociedade de falsos, patéticos avatares.


O fim da privacidade e do direito à privacidade talvez não seja, enfim, uma má notícia.


FÁBIO ULHOA COELHO , advogado, doutor em direito, é professor titular de filosofia do direito, direito comercial e empresarial da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Nem contra nem a favor


‘De São Gonçalo do Amarante para as agências, Lula se declarou ontem ‘nem contra nem a favor’ (not against or in favor) da nova estatal para o pré-sal. ‘A única coisa que disse até agora é que o petróleo é da União e que precisamos usar esse potencial extraordinário para acabar com a pobreza.’


Mas o debate que vaza de petistas e peemedebistas já leva desalento ao exterior. Ontem, texto no ‘Financial Times’ dizia que a queda nos preços é ‘trégua na tempestade’ e nada mudou. Por exemplo, ‘as grandes companhias de petróleo parecem incapazes de assegurar acesso às poucas descobertas que estão sendo feitas em áreas como o Brasil’.


PARA TERÇA-FEIRA


Em meio à indefinição, ‘Lula, ministros e toda a diretoria da Petrobras’, segundo a britânica Reuters, citando ‘fonte próxima à Presidência’, estarão na plataforma P-34 na próxima terça para ‘extrair o primeiro óleo da camada pré-sal brasileira’.


ASSUNTOS PROIBIDOS


Mas outras fontes estão em campo para alertar, à mesma agência, que ‘equipamentos podem limitar o novo plano estratégico’ para 2008-2012. Segundo a Reuters, o plano é ‘assunto tão proibido na Petrobras como declarações em torno’ da Petro-sal.


‘GUERRA FRIA’


Sites como Drudge abriram o dia com o acordo para os EUA instalarem mísseis na Polônia. No título, ‘Tome isso, Putin’ (Take that, Vladimir). Mas Putin reagiu e, no fim do dia, os mesmos sites já traziam enunciados falando que a Rússia ‘pagou para ver’ (showdown), ameaçando ir ‘além da diplomacia’, como postou o site da chancelaria russa e ecoaram as agências.


Pior, o presidente sírio foi a Moscou, assinou tratado e deu entrevista ao russo ‘Kommersant’, que publicou sob o título ‘Assad: Aceitamos os mísseis russos na Síria’. Repercutiu do ‘FT’ ao israelense ‘Haaretz’, notando a sombra crescente de ‘guerra fria’.


OXI!!!


O blog de Marta parece, de fato, escrito pela própria jogadora. Sobre a vitória diante da Alemanha: ‘Oxi!!! Finalmente ganhamos dessas biligudas alemãs!’. Alguém traduziu que é ‘gíria usada no Nordeste para se referir a qualquer pessoa, desde amigo a inimigo’. Em relação ao jogo de hoje, reclamou do ‘dia cansativo’ de ontem, quando falou ‘com Deus e o mundo na coletiva de imprensa’. Mas ‘será a final de nossas vidas’.


EUA VS. BRASIL


Mais do que por aqui, espalha-se nos EUA a expectativa pela final, com colunistas da ‘Sports Illustrated’ à ESPN temendo o ‘ataque explosivo do Brasil’, mas com esperança de ver ‘o maior feito’ dos EUA. Com uma única estrela, a goleira Hope Solo, ‘Washington Post’ e ‘Chicago Tribune’ avisam que não é a seleção americana de antes. Agora é ‘mais luta que arte’.


É A ECONOMIA, DE NOVO


Barack Obama surgiu cinco pontos atrás, ontem, porque os eleitores vêem em John McCain ‘um comandante mais forte’ para a economia.


Antes, a campanha democrata já estava em campo com novo comercial, dizendo que McCain não se importa com os problemas econômicos do americano médio. E à noite o ‘NYT’ adiantou a longa reportagem de capa da sua revista de domingo (acima), sobre como Obama ‘concilia as visões conflitantes de economia’ dos democratas, à esquerda e à direita.’


 


 


 OLIMPÍADAS DE PEQUIM
Clóvis Rossi


Quem matou Ronaldinho?


‘MADRI – Os argentinos cunharam uma frase absolutamente notável sobre Carlos Gardel: ‘Cada dia canta mejor’. Gardel morreu faz 73 anos.


Houve um tempo em que milhões de apaixonados por futebol acreditavam que Ronaldinho Gaúcho era o Gardel do futebol: cada dia jogava melhor. Durou pouco. Há dois anos e meio, Ronaldinho chegou à Alemanha como melhor jogador do mundo, pronto para atingir uma altura ao menos parecida com a de Pelé (era a previsão de Tostão, que é o meu farol nesses assuntos, porque jogou com os melhores e é capaz de análises frias).


Ronaldinho Gaúcho, a rigor, morreu anteontem, aos 28 anos.


Não sei se a Folha publicou a foto do argentino Messi abraçando seu ex-companheiro do Barça após derrotá-lo por 3 a 0. O brasileiro está de olhos fechados, cabeça baixa pendendo do ombro do pequeno artista argentino. Parece velório, o velório dele próprio.


Luis Martín, comentarista do jornal ‘El País’, escreve que Ronaldinho deu pena. Comenta ainda que o jogador levou mais de três horas para conseguir urinar para o exame antidoping. Fecha assim o epitáfio: ‘Quis jogar e não pôde.


Quis urinar e não pôde’.


O que me intriga -é uma pauta que me proponho incessantemente e não tenho coragem de propô-la ao jornal- é a causa da morte prematura. A Maradona, mataram-lhe as drogas, todo mundo sabe. Ronaldo, o ‘Fenômeno’, também teve morte prematura, mas sua agonia foi praticamente pública, feita de muita gandaia, algum sobrepeso e contusões graves seguidas.


Ronaldinho só muito recentemente passou a ser criticado, em Barcelona, por noitadas supostamente desregradas. Machucou-se pouco, engordou pouco. O jornalismo deve ao público contar quem matou (ou o que matou) esse Gardel da bola, que já não canta melhor. Nem canta, aliás.’


 


 


ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS
Denise Menchen


ABL faz eleição hoje com recorde de candidatos


‘Com 19 candidatos inscritos, será realizada hoje a mais disputada eleição da história da Academia Brasileira de Letras.


Os acadêmicos não arriscam prognósticos para o favorito à vaga deixada após a morte de Zélia Gattai, em maio, e temem até que a votação, marcada para as 16h, termine sem vencedor. Em jogo, estão o prestígio de assumir a cadeira que já foi de Machado de Assis e o salário de R$ 15 mil mensais, acrescido do jeton de R$ 1.500 por presença a cada reunião semanal.


Para ser eleito, o novo integrante precisará do apoio de pelo menos 20 dos atuais 39 imortais. No total, podem ser realizados até quatro escrutínios. Se ao final nenhum conquistar a maioria, a eleição é encerrada e tem início nova fase de inscrições. Segundo acadêmicos ouvidos pela Folha, os votos estão divididos entre cinco candidatos: Antônio Torres, Luiz Paulo Horta, Isabel Lustosa, Ziraldo e Fábio Lucas.


‘A Academia não marchou para um candidato único. Há pelo menos cinco com votos. É possível até mesmo que nenhum obtenha maioria’, afirma Lêdo Ivo, que ocupa a cadeira de número 10. Antônio Olinto, da cadeira 8, também prevê uma votação difícil. ‘A concorrência está tão forte que até candidatos que mereciam estar na Academia abriram mão de concorrer, como foi o caso do [Reynaldo] Valinho Alvarez’, diz. Além do poeta, desistiram da disputa Ricardo Cravo Albin, Cleonice Berardinelli e Jeff Thomas.


Para Alberto da Costa e Silva, da cadeira 9, o número recorde de inscritos é explicado pelo longo período sem eleições. ‘Havia uma demanda reprimida’, diz. Desde 20 de junho de 2006 as portas do Petit Trianon carioca estavam fechadas para novos sócios.


Outro fator importante é o peso da cadeira, que adquire ainda mais charme no ano em que se comemora o centenário da morte de Machado de Assis. Além dos cinco favoritos, outros 14 sonham em assumir a cadeira 23. São pessoas como o aposentado paranaense Paulo Hirano, 72, que neste ano preencheu sua nona ficha de inscrição. ‘Tudo que consegui na vida foi através da persistência. Não vou desistir.’


Para mostrar serviço, ele diz enviar à ABL cópias de cartas e artigos de sua autoria publicados na imprensa. Também mandou um exemplar de seu único livro publicado, ‘Extroversão’, de 1979, assim como impressões caseiras dos outros 47 títulos que estão na gaveta.


Felisbelo Silva, 77, que diz ter 400 livros publicados e outros 60 à espera de editora, é outro integrante dos ‘azarões’. Na quinta candidatura, diz esperar que os acadêmicos reconheçam sua ‘bagagem literária’. ‘Tem candidato que não tem nem dez livros. Eu já tenho 460 e pretendo chegar aos 500’, afirma. O maior sucesso, segundo ele, é ‘Como Redigir Procurações, Contratos, Distratos, Requerimentos, Atestados’. ‘Já está na praça há mais de 30 anos’, orgulha-se.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Autor da Globo palpita na novela dos outros


‘A Globo implantou um novo mecanismo de criação artística que promete gerar programas melhores, mas também um pouco de intriga. Seus autores e diretores mais experientes agora atuam como consultores artísticos e opinam nos projetos de novelas e séries dos colegas.


Desde que Manoel Martins assumiu a área de entretenimento da emissora, substituindo Mário Lúcio Vaz, considerado um expert em teledramaturgia, autores e diretores do primeiro time recebem sinopses, roteiros de capítulos e até episódios prontos para análise. Emitem parecer em que opinam até na escalação de atores.


A idéia é ter uma maior qualidade artística, buscar inovação e avaliar o potencial de interesse do público pelo projeto.


Busca-se também evitar semelhanças entre as tramas que estão no ar (exemplos hipotéticos: todas as mocinhas de novelas se chamam Maria ou todas as novelas no ar têm a palavra ‘mulheres’ no título) e atores fazendo sempre os mesmos personagens (como Deborah Secco, de ‘sofredora’ sexy, e Cauã Reymond, de gigolô).


O processo já está em andamento, mas, por enquanto, apenas projetos de programas e novelas para 2009 estão sob o exame de autores como Silvio de Abreu e Gilberto Braga.


Recentemente, na Record, Lauro César Muniz e Tiago Santiago se estranharam porque o segundo opinou contrariamente a um mocinho dúbio.


BOXE


A Globo entrou na disputa com a Record pela transmissão de um dos shows da Madonna no Brasil, em dezembro. E a Record já sonha com uma participação da pop star em ‘Ídolos’.


CANTORIA


‘Ídolos’ reestreou anteontem na Record com média de 11,2 pontos. Foi vice no Ibope. O programa é muito bem produzido e editado, tecnicamente superior ao do SBT, mas os jurados não têm graça.


MIGNON


Marcos Mion será o host do Video Music Brasil, da MTV, neste ano.


HILÁRIO


A Band está exibindo, ao final dos horários eleitorais, esquetes do ‘CQC’ em que humoristas se passam por candidatos.


VERDE-AMARELO


A Globo, sempre ufanista, relatou no ‘Jornal Nacional’ de anteontem que o desfile do nadador César Cielo em carro aberto por São Paulo ‘parou’ a cidade. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego, o trânsito no horário foi normal.


TUDO SE COPIA


O programa ‘Hoje em Dia’, da Record, prepara um novo quadro em que irá reformar e redecorar casas, idéia já copiada do ‘Caldeirão do Huck’ (Globo) pelo ‘Domingo Legal’ (SBT). Anteontem, concorrendo com a Olimpíada, o programa registrou 3,7 pontos, sua menor audiência desde 2007.


FAÍSCA


Silvio Santos anda se estressando nos bastidores do SBT. A última vítima foi um roteirista que chegou atrasado.’


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 21 de agosto de 2008


 INTERNET
Renato Cruz


Dez milhões de brasileiros já usam internet de banda larga


‘O total de assinantes de internet rápida no Brasil chegou 10,04 milhões em junho, segundo o estudo Barômetro Cisco de Banda Larga, da consultoria IDC. Houve um crescimento de 48% em relação ao primeiro semestre de 2007. O destaque foi para a banda larga móvel (via rede celular), que chegou a 1,314 milhão de assinantes, avanço de 464% sobre junho de 2006. O número não inclui aparelhos celulares de terceira geração (3G) que acessam a rede mundial.


‘Na primeira edição do estudo, em 2006, definimos como meta atingir 10 milhões de assinantes em 2010’, afirmou Pedro Ripper, presidente da Cisco do Brasil, fabricante de equipamentos de comunicação de dados que encomendou a pesquisa. ‘Muitos consideraram a meta ambiciosa demais.’ Como a meta já foi alcançada, a nova previsão para 2010 é de 15 milhões.


A performance do mercado de banda larga móvel foi muito diferente entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano. No primeiro trimestre, as operadoras tinham acabado de lançar o serviço 3G e colocaram no mercado promoções agressivas, que chegavam a oferecer o serviço por uma mensalidade de R$ 20, sem a necessidade de provedor de acesso.


Foram conquistados 497 mil clientes de banda larga móvel no trimestre, mas as operadoras, que não estavam preparadas para a demanda, tiveram problemas. Houve falta de modems (equipamento que permite conectar o computador à internet) e gargalos de infra-estrutura.


Em conseqüência, as empresas tiraram as promoções do mercado e, no segundo trimestre, foram 215 mil assinantes novos. ‘Todas as operadoras fizeram compras emergenciais’, contou Ripper. ‘Uma delas construiu uma rede com capacidade 10 vezes maior do que já tinha, equivalente à internet inteira do Brasil há dois anos.’ A expectativa do executivo é que o total de assinantes de banda larga no Brasil fique próximo de 12 milhões este ano.’


 


 


TELEVISÃO
Etienne Jacintho


Sony exibirá 90210


‘A Sony define a entrada das séries Private Practice e 90210 para seu fall season, em outubro ou novembro deste ano. Private Practice estava engavetado no canal desde o ano passado e é o spinoff (série originada a partir de outra série) de Grey?s Anatomy, também criado por Shonda Rhimes. No enredo, Kate Walsh, a dra. Addison, troca Seattle por Los Angeles e trabalha numa clínica de fertilização.


A série começou muito bem nos EUA, no ano passado, pouco antes da greve dos roteiristas, e foi considerada a atração ‘mais quente’ da temporada por lá, já que foi líder de audiência nos primeiros episódios.


Já 90210 é a releitura de Beverly Hills 90210, conhecido por aqui como Barrados no Baile, sucesso dos anos 90. O remake tem participação especial de duas atrizes da primeira versão: Shannen Doherty, a Brenda Walsh – que sempre é expulsa de seus trabalhos por ter um relacionamento difícil com seus colegas – e Jennie Garth, a Kelly Taylor.


O canal também colocou na grade de seu fall season a 2ª temporada de Ugly Betty, que foi ao ar há tempos nos EUA e deve ganhar DVD em breve no Brasil. Na TV aberta, Ugly Betty está no SBT.


O retorno


Fábio Assunção faz pose para esperar por Grazi Massafera: é tudo cena para Negócio da China, novela das 6 prevista para outubro na Globo. A emissora deu boas-vindas ao retorno do ator. Há mais de um ano fora do ar, ele era a primeira opção para viver Dodi, papel que ficou com Murilo Benício em A Favorita.


Entre-linhas


O sucesso de Rakelli em Beleza Pura está rendendo para Isis Valverde. A atriz abocanhou três novas campanhas publicitárias este mês.


Mais um ano em casa. Foi esse o tempo pedido por Fernanda Lima à Globo antes de entrar em qualquer novela da emissora. A modelo/atriz deu à luz dois gêmeos em abril.


Chris Nicklas, ex-MTV e ex-GNT, estréia hoje na Globo como repórter do Mais Você.


Assessora de Carmo Dalla Vechia, Camila Lamoglia rebate nota publicada neste espaço para dizer que o ator é extremamente solícito com a imprensa. E que ela só sugere entrevistas por e-mail aos interessados em ouvir o Zé Bob da novela A Favorita para agilizar o processo, visto que o moço grava até tarde.


Era Carlos Araújo , diretor-geral da novela Ciranda de Pedra, e não o cabeleireiro Tiago Parente, quem aparecia na foto publicada ontem nesta coluna, ao lado da atriz Tammy Di Calafiori. Nossas desculpas pelo tropeço.


Claudete Troiano tem estréia prevista para dia 1º no SBT – embora a emissora não confirme a data. Vai comandar o programa Olha Você, de segunda a sexta, das 17h às 18h.


Por erro de programação do canal People + Arts, a nova temporada de Project Runway estréia hoje, às 21h, uma semana antes do previsto. The Tudors não sofre mudanças e entra no ar dia 28, às 22 horas.’


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