Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > MIANMAR

Emissora dribla repressão em nome da democracia

Por Leticia Nunes (edição), com Larriza Thurler em 02/10/2007 na edição 453

Com material secreto contrabandeado de Mianmar, a emissora de rádio e TV Voz Democrática da Birmânia, com sede em Oslo, na Noruega, tem papel essencial como fonte de informação sobre a repressão do governo aos maiores protestos vistos no país nos últimos 20 anos.

Enquanto manifestantes enfrentam tropas militares no território sem mídia independente, jornalistas exilados transmitindo de um escritório na capital norueguesa esperam que seu trabalho ajude a acabar com o regime militar em seu país natal. Repórteres locais, disfarçados, filmam e apuram informações secretamente, arriscando ser presos e torturados. O material é levado para fora de Mianmar por passageiros de avião, diplomatas, ou, quando possível, enviado por e-mail.

Com o aumento dos protestos, na semana passada, a estação se viu com a função de fornecer às grandes emissoras de todo o mundo imagens do conflito. ‘Nossa estação é peça chave no processo de fazer a diferença’, diz Khin Maung Win, 42 anos, veterano dos protestos de 1988, que terminaram em um banho de sangue com a repressão militar. ‘Em 1988, a Birmânia era um país completamente fechado. Não havia cobertura midiática. Agora, todos estão assistindo’, lembra.

Mais trabalho, mais gastos

A estação, com 100 funcionários, é financiada pelos governos da Noruega, Suécia, Dinamarca, EUA e Holanda. Seu conteúdo é transmitido por ondas curtas de rádio e, na TV, por satélite, durante várias horas ao dia. Desde o início dos protestos liderados por monges budistas, no início de setembro, grande parte da equipe passou a dobrar suas horas de trabalho.

Antes dos protestos, os programas da rádio atingiam, estima-se, 13 milhões dos 56 milhões de habitantes do país; acredita-se que a TV por satélite chegasse a 10 milhões de telespectadores. Ainda que o governo de Mianmar tenha bloqueado, na semana passada, o acesso à internet, as pessoas ainda conseguem falar com a estação por telefone celular. Nesta única semana, foram gastos cerca de US$ 100 mil em comunicações – com ligações por celular e telefones por satélite. Normalmente, este valor corresponde aos gastos de um ano inteiro.

Medo e esperança

Como trabalhar para a estação é considerado crime em Mianmar, a equipe se preocupa com a segurança de seus colegas e familiares. Alguns dos profissionais baseados em Oslo evitam se comunicar com suas famílias por medo de prejudicá-las.

Em uma Mianmar livre, diz Win, a Voz Democrática da Birmânia também teria seu papel. ‘No passado éramos propaganda para o movimento pró-democracia. Hoje, tentamos ser objetivos para que possamos nos tornar a mídia independente [de um país livre]’, conclui. Informações de Peter Apps [Reuters, 30/9/07].

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