Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

FEITOS & DESFEITAS > PAQUISTÃO

Emissoras de TV driblam bloqueio do governo

07/11/2007 na edição 458

Canais de TV paquistaneses, bloqueados pelo governo, recorrem à internet para informar ao público sobre o estado de emergência decretado pelo presidente Pervez Musharraf no último fim de semana. Na noite de sábado (3/11), autoridades tiraram emissoras a cabo do ar quando elas começavam a reportar que o presidente militar iria, em breve, impor as restrições ao país – o que de fato aconteceu minutos depois. Musharraf suspendeu a Constituição e impôs censura à imprensa, alegando que as medidas são ‘essenciais’ para a manutenção da unidade nacional.


Diante do bloqueio, sobrou aos paquistaneses telas brancas e noticiários brandos transmitidos pela TV estatal. As emissoras independentes, por sua vez, contra-atacaram pela internet e transmissão por satélite. ‘Agora, notícias são um item de contrabando no Paquistão, e estão sendo vendidas no mercado negro’, resume Imran Aslam, presidente da Geo Television, emissora a cabo mais assistido no país.


Caminho alternativo


No início da semana, a Geo enviou mensagens SMS a usuários de telefone celular indicando que eles entrassem no sítio Geo.tv para ter acesso a transmissões ao vivo. O canal Ary One enviou mensagens similares, convidando à página Arydigital.tv. ‘A tecnologia evoluiu além do que o governo poderia imaginar. Nós acreditamos que este é o melhor momento para colocar esta nova mídia em funcionamento’, diz Aslam. Hoje, há entre três e cinco milhões de internautas entre a população de 160 milhões de habitantes do Paquistão. Em 2001, os usuários da rede não chegavam nem a um milhão.


‘Os jornalistas encontram maneiras de dizer a verdade ao público’, afirma Azhar Abbas, diretor de notícias do Dawn TV, primeiro canal paquistanês em língua inglesa. ‘Nós já estamos transmitindo ao vivo de nosso sítio, e estamos procurando outras maneiras de manter o foco no Paquistão’. Os canais também podem ser acessados via satélite, e a venda de antenas cresceu no país desde o fim de semana. ‘Eu costumava vender uma ou duas destas antenas por semana, mas apenas hoje recebi 30 pedidos’, diz Mohammad Hadi, que vende equipamento de satélite na cidade de Multan.


Da paz aos conflitos


É irônica a situação atual no país, já que Musharraf – que assumiu o poder depois de um golpe militar em 1999 – e a mídia gozavam de uma relação amistosa. Foi o presidente quem liberou a concessão de canais de televisão, em 2003, estimulando a criação dos mais variados tipos de emissoras.


A paz terminou no início deste ano, quando Musharraf não gostou nada ao ser duramente criticado pela imprensa ao tentar suspender o juiz da Suprema Corte Iftijar Mohamed Chaudhry sob vagas alegações de abuso de autoridade. Pouco tempo depois do episódio, o escritório do Geo em Islamabad foi depredado por policiais – posteriormente, o presidente se desculpou pelo incidente.


Desta forma, não foi uma grande surpresa quando Musharraf determinou, no sábado, ‘novas regras’ para a imprensa paquistanesa. Foi proibida a publicação de qualquer informação que o difame ou ridicularize, assim como a membros do Exército ou do governo, sob pena de três anos de cadeia ou multa equivalente a pouco mais de US$ 160 mil. Informações da AFP [6/11/07].


 

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