Sexta-feira, 24 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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Enchentes no Nordeste e o descaso da mídia

Por Romulo Viana em 12/05/2009 na edição 537

Lembro com tristeza das imagens e das centenas de reportagens sobre a catástrofe que ocorreu em Santa Catarina. Vi, no entanto, como o brasileiro pode ser solidário com os irmãos. Logo, inúmeras iniciativas de ajuda apareceram com grandes campanhas na mídia de todo o Brasil, e, como não podia deixar de ser, milhares de pessoas ajudaram como puderam. Lembro de ter visto sair de Fortaleza caminhão carregado de roupas e alimentos para socorrer os atingidos pelas enchentes catarinenses.

Hoje vejo problema semelhante acontecer no meu Nordeste. Cidades inteiras debaixo d´água, famílias que já sofriam o ano inteiro com a falta de amparo secular. Por que não vemos o Brasil se mobilizar para socorrer o Nordeste pobre e sofrido que hoje está debaixo d´água? Por que as campanhas na mídia pelos ‘cabeças-chatas’ não invadiram nossa programação? Será que nossa cota anual de solidariedade foi toda gasta com Santa Catarina, que sem dúvida alguma mereceu? Será que para a grande mídia existe diferença no sofrimento de nordestinos e sulistas? Será que o Nordeste, tão acostumado ao sofrimento, pode enfrentar este sem ajuda.

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A grande mídia dá mais uma demonstração de parcialidade diante do poder econômico, ao conferir tratamento totalmente distinto em relação ao assunto em tela. Quando o infortúnio caiu sobre o rico estado de Santa Catarina, a nação inteira foi convocada pela mídia para socorrer os catarinenses. Hebe, Ana Maria Braga, Faustão, Gugu, Sílvio, Globo, Record, SBT, Band, bancos, formaram uma corrente nacional. E agora, quando o Norte e Nordeste agonizam na tragédia, onde estão eles? Infelizmente sou forçado a concluir que até na desgraça a água só corre para o rio, conforme o dito popular. (José Evandro Franca de Carvalho , bancário, Caruaru, PE)

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Alguém viu mobilização nacional para ajudar os desabrigados do Pará, do Maranhão e do Piauí, como no caso de Santa Catarina? Será que os mais pobres não podem ter a mesma atenção e cuidado que os mais ricos tiveram? Vocês aí, bem pensantes do Sudeste, me deem uma resposta. (João Alfredo Beltrão Vieira de Melo Filho, advogado e professor, Caruaru, PE)

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Como o jornalista francês Jean-Pierre Langellier, do Le Monde, consegue escrever sobre a farra das passagens aéreas no Congresso Nacional melhor que qualquer um dos nossos profissionais? Será que adianta questionar e discutir por que isso acontece? (José Renato Almeida, engenheiro, Salvador, BA)

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A revogação da Lei de Imprensa criada pela ditadura militar com o objetivo de calar a voz dos jornalistas era uma necessidade. Mas a lacuna criada deve deixar os profissionais de imprensa preocupados. Até porque, antes, em caso de algum ‘delito’ cometido pelo jornalista, as empresas é que respondiam (na maioria dos casos) pelo processo. Agora, caso alguém se julgue ofendido por algum órgão de comunicação, recorrerá ao Código Penal contra o profissional. Ou seja, nós jornalistas seremos enquadrados na mesma lei que julga e condena criminosos.

Escrevo isso com conhecimento de causa já que, como assessor de imprensa de uma entidade sindical, respondo a três processos onde o reclamante inseriu, inclusive, artigos da famigerada lei criada durante a ditadura militar, buscando reparação moral e, em outras duas ações, pedido de indenização.

Achei oportuna a decisão, mas é necessária a elaboração de uma nova legislação especifica para nós jornalistas, assim como as existentes em outras profissões (médicos, advogados, engenheiros, etc), onde se julgue os exageros cometidos por alguns profissionais que se intitulam ‘semi-deuses’ da comunicação, mas também impeça que sejamos jogados no limbo da criminalidade. Uma lei que seja democrática e compatível com o Estado Democrático de Direito e não uma forma de cercear a liberdade de pensamento e expressão de toda uma categoria. (Marcos Senhorães, jornalista, Santos, SP)

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Por que não podemos nos acomodar? Resposta rápida: porque tem gente grande acomodada demais, em instâncias oficiais.

Na capital federal, que já tem fama de ser uma cidade seca e abafada, abafar tornou-se mesmo palavra de ordem. Imperativo. Diretriz. Premissa básica. E o que é pior: nos Três Poderes. Pior ainda: simultaneamente.

Nas casas legislativas, a farra das passagens aéreas chegou às primeiras páginas com grande estrondo, como um avião em pleno pouso, ou como um caça que rompe a barreira do som. Houve muito bate-boca, muita choradeira e muito marido ‘exemplar’ resmungando iminente crise conjugal pela ausência da esposa.

Constrangimento generalizado, justificativas enviesadas, até Michel Temer dar a canetada mágica, pacificadora e apassivadora, prometendo mais rigor na liberação de passagens. Rompeu-se a barreira do som para erguer-se a do silêncio, posto que os abusos cometidos até agora ficarão irremediavelmente impunes.

Mesma complacência de que se vale agora o Senado, pela canetada mágica de José Sarney. Percebe-se um monumental e conveniente desinteresse em se apurar as denúncias de corrupção na Casa, feitas pelo casal Zoghbi. A delegação de tal tarefa à Polícia Legislativa, subordinada aos próprios senadores, é claro indício de que, por ali, abafar é realmente preciso.

No Executivo Federal, Lula vê tudo o que acontece por perto como tempestade em copo d´água. Realiza publicamente um desagravo aos congressistas, taxando determinadas críticas como se fossem rasgos de hipocrisia. Pela incontinência verborrágica, diz, por exemplo, que, quando deputado, distribuiu passagem aérea a sindicalistas… e acha tudo normal.

A tríplice silenciosa termina justamente na Suprema Corte. Até hoje, não sabemos absolutamente nada sobre capangas, sobre atos de destruição da justiça brasileira e coisas afins. A estátua que representa a Justiça, além de vendada, parece amordaçada.

Enquanto líderes e representantes de todos os poderes convenientemente se amordaçam e buscam recorrentemente a tática do ‘abafa o caso’, quem acaba abafado somos todos nós, que, como sempre, permaneceremos condenados à eterna benevolência do corporativismo oficial. (Heitor Diniz, jornalista, Belo Horizonte, MG)

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Estou cansada de presenciar todos os anos o saldo dessa Virada ‘Cultural’ no Centro de São Paulo, onde moro: calçadas e ruas se transformam em montanhas de lixo, fezes, urina, bêbados e drogados. Acrescente-se a baderna, a poluição sonora, o vandalismo, a violência.

No centro não há somente comércio, mas também residências, pessoas que trabalham (e não são camelôs), que precisam dormir e acordar cedo. Pelo que sei, até ontem não havia garis suficientes, pois foram ‘remanejados’! É de lascar.

Sugiro que as próximas Viradas aconteçam para os lados de Higienópolis e na região dos Jardins. (Emily Rodrigues Cardoso, São Paulo, SP)

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Analista de qualidade, Fortaleza, CE

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