Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > SEXTA-FEIRA, 13/6

Entidades reagem a ação contra a Folha

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 13/06/2008 na edição 489

Leia abaixo a seleção de sexta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Sexta-feira, 13 de junho de 2008


 


PROPAGANDA ELEITORAL
Folha de S. Paulo


Ameaça de censura


‘A PRETEXTO de coibir abusos nas campanhas para o pleito municipal de outubro, a promotoria de Justiça Eleitoral ofereceu representação contra a Empresa Folha da Manhã S.A., que edita a Folha. Considerou propaganda eleitoral antecipada a publicação, em 4 de junho, de entrevista com Marta Suplicy, pré-candidata do PT à Prefeitura de São Paulo.


A um só tempo, representantes do Ministério Público atropelaram o vernáculo, o direito à informação e, o que é mais grave no caso de promotores, a própria ordem jurídica vigente.


O primeiro e mais fundamental equívoco da promotoria é não distinguir entre os termos ‘propaganda’, a mensagem em geral paga que tem o intuito de convencer, persuadir, e ‘material jornalístico’, que objetiva informar o leitor. A Folha não tem vínculo com nenhum partido político ou candidato.


Deve-se, porém, observar que, se o jornal desejasse apoiar e promover um postulante a cargo eletivo, teria pleno direito de fazê-lo. É verdade que a Lei Eleitoral (nº 9.504/97) e a resolução nº 22.718 do TSE impõem, nos três meses que antecedem o pleito, limitações à divulgação de material jornalístico, mas elas se aplicam ao rádio e à TV, não a publicações impressas.


Existem razões precisas para que o legislador tenha procedido a essa distinção. Rádios e TVs são concessões públicas, pois transmitem suas programações através de ondas eletromagnéticas, que comportam um número determinado de sinais. Permitir que um concessionário promova o candidato de sua preferência valendo-se de um recurso que é de todos poderia configurar uma violação ao princípio da impessoalidade do poder público.


Tal limitação física, entretanto, inexiste para a imprensa. Historicamente, os primeiros jornais surgiram vinculados a grupos e partidos políticos. Isso não impediu as agremiações rivais de também lançarem as suas publicações, acrescentando assim mais engrenagens ao maquinismo da democracia plural.


É digno de nota que o Ministério Público esteja empenhado em coibir os abusos. É fundamental, porém, que o faça em plena conformidade com a lei e com os princípios do direito à informação e da liberdade de imprensa consagrados no texto constitucional, que proíbe toda forma de censura.’


 


 


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Ação contra Folha é equívoco e abuso, afirmam entidades


‘Entidades de imprensa classificaram de um ‘abuso’, um ‘absurdo’ e um ‘equívoco’ a representação oferecida pela Promotoria da Justiça Eleitoral ao juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo contra a Empresa Folha da Manhã S/A, que edita a Folha, por considerar propaganda eleitoral antecipada a entrevista concedida por Marta Suplicy, pré-candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, aos jornalistas Renata Lo Prete (editora do Painel) e Fernando de Barros e Silva (editor de Brasil), publicada no dia 4.


Segundo a ANJ (Associação Nacional dos Jornais), ‘trata-se de um equívoco do Ministério Público’. ‘Não se pode confundir matéria jornalística com propaganda eleitoral. O que a Folha fez foi jornalismo e não cabe punição’, afirma Ricardo Pedreira, assessor da ANJ.


O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), adversário de Marta na disputa eleitoral deste ano, discorda da interpretação dos promotores. ‘Entendo que a Folha não infringiu a legislação. Afinal de contas, a Marta foi prefeita, foi ministra. Foi uma entrevista com uma cidadã. O que a Folha fez foi entrevistar uma eventual postulante ao cargo de prefeita, assim como eu, que fui entrevistado diversas vezes.’


Os representantes do Ministério Público entendem que a entrevista jornalística infringiu os artigos 36 da lei 9.504/97 e 3º da resolução 22.718 do Tribunal Superior Eleitoral. Esses dispositivos estabelecem que a propaganda eleitoral só é permitida após 5 de julho, e fixam multa, em casos de infração, de R$ 21,3 mil a R$ 53,2 mil.


A defesa elaborada pelo advogado Luís Francisco Carvalho Filho, que representa o jornal, afirma que a entrevista é material jornalístico e classifica a ação dos promotores como ‘censura inaceitável’.


Os artigos que embasam a representação proíbem políticos de fazerem campanha antecipada. Em relação aos meios de comunicação, inclusive TV e rádio, as resoluções proíbem a veiculação de propaganda, não de material jornalístico.


O presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), Maurício Azedo, corrobora a defesa da Folha. ‘O fato de uma pessoa ser provável candidato não impede que os meios de comunicação continuem a entrevistá-la, porque isso não constitui propaganda eleitoral antecipada, e sim um exercício da liberdade de expressão.’


Segundo ele, a ação contra o jornal ‘é um abuso, é uma manifestação totalitária que viola as disposições sobre liberdade de imprensa, nos termos assegurados na Constituição, com o pretexto de impedir propaganda eleitoral antecipada’.


Claudio Weber Abramo, diretor-executivo da Transparência Brasil, afirma que ‘material jornalístico não é propaganda. Caso contrário, não deveria sair o nome de nenhum pré-candidato nos jornais até o início oficial da campanha’.


‘Os promotores fizeram uma leitura muito estrita da legislação eleitoral e isso pode inibir a atuação da imprensa. Esse tipo de atitude não é esperada de pessoas que deveriam interpretar a lei com discernimento. É uma atitude descabida’, diz.


O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro do STF Carlos Ayres Britto, afirmou ontem que a Justiça Eleitoral deve analisar caso a caso entrevistas ou reportagens publicadas na imprensa que sejam contestadas por suposta propaganda eleitoral.


Questionado especificamente sobre a entrevista publicada na Folha, Britto preferiu não comentar, já que o assunto poderá chegar ao TSE.


Colaborou a Sucursal de Brasília’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Lá e cá, Obama


‘Na BBC Brasil, ‘Brasileiro confia mais em Barack Obama do que em John McCain’. Era a pesquisa Pew, de 24 mil pessoas em 24 países. Em 23, o democrata venceu. Só perdeu em ‘confiança’ nos EUA.


Mas a pesquisa que repercutiu, ontem nos EUA e pelo mundo, foi da NBC com o ‘Wall Street Journal’. Nela, ‘Obama larga na frente’ entre os americanos. Mas os seis pontos são vistos como diferença baixa, dada a impopularidade do Partido Republicano.


OUTRO LADO


Em resposta a Rush Limbaugh, Bill O’Reilly e outros, a campanha de Obama lançou site contra as ‘sujeiras’, em inglês, ‘smears’. Na estréia, a negação de que ele seja muçulmano ou a mulher tenha falado ‘whitey’, branquelo


A CERVEJA É NOSSA


Foi manchete dos sites Drudge Report e Huffington Post. Mas a linha de frente na cobertura neonacionalista da oferta de compra da americana Anheuser, pela ‘gigante belgo-brasileira’ InBev, é do ‘WSJ’ -que deu manchete de papel e passou o dia, ontem, postando textos com enunciados como ‘O caminho da InBev para a dominação global’ e questionando os executivos brasileiros.


No fim do dia, uma reportagem ressaltou a negociação da cervejaria americana com o Grupo Modelo, do México, como saída para evitar uma aquisição da Budweiser pela InBev.


‘COMEÇOU A SEDUÇÃO’


Curiosamente, a cobertura do ‘St. Louis Post-Dispatch’, jornal de Missouri, Estado que sedia a Anheuser, dá cobertura mais distanciada do que ‘WSJ’ ou os sites nacionais dos EUA.


Foi manchete de papel, ontem, com detalhes do encontro de August Busch IV, presidente da cervejaria, com os ‘bilionários brasileiros da cerveja Jorge Paulo Lehmann e Marcel Telles’, uma semana e meia atrás.


Na manchete do site, depois, deu longamente os argumentos do presidente da InBev, Carlos Brito. O brasileiro diz que todos saem ganhando, financeiramente, ‘inclusive St. Louis’.


INBUD? BUDBEV?


O nome da empresa resultante, que seria a maior cervejaria do mundo, levou o ‘Post-Dispach’ a pedir sugestões e brincar com InBud ou BudBev. Mas as respostas foram mais apelos contra a venda. De todo modo, afirma o ‘WSJ’, os executivos brasileiros já prometeram manter Anheuser-Busch.


QUINZENAL


Na manchete desta semana do ‘Advertising Age’, que cobre publicidade nos EUA, a derrocada do setor de revistas no país (acima), que é marcada pela decisão da ‘U.S. News & World Report’, terceira maior revista americana, de virar quinzenal, não mais semanal.


O anúncio veio dias depois da aposta lançada pelo colunista de mídia da ‘Vanity Fair’, com ampla repercussão, de que a ‘Newsweek’ não vai sobreviver mais cinco anos.


POR OUTRO LADO


A britânica ‘The Economist’ só faz crescer em circulação nos EUA, segundo o site MarketWatch. Na nova edição, ‘a melhor revista do mundo’, como chega a ser descrita por admiradores, saúda na capa que o ‘Iraque começa a se arrumar’’


 


 


TELES
Valdo Cruz e Luciana Otoni


Anatel abre caminho para acordo BrT-Oi


‘Após pressões do governo, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) superou ontem o impasse entre seus conselheiros e aprovou proposta de mudança no PGO (Plano Geral de Outorgas), que será submetida a consulta pública e é o primeiro passo para a aprovação oficial da fusão entre a Brasil Telecom e a Oi.


A decisão foi tomada ontem, por unanimidade, em reunião com os quatro conselheiros da agência, que estavam divididos sobre o tema. O texto aprovado passará por consulta pública para receber sugestões, a partir das quais a Anatel irá redigir a proposta final que será encaminhada ao presidente Lula.


Embora todos os diretores fossem favoráveis às mudanças no PGO, que vão permitir que uma telefônica compre outra fora de sua região, acabando com a proibição legal para a fusão das duas empresas, dois deles impunham restrições.


Pedro Jaime Ziller e Plínio Aguiar Júnior, ex-sindicalistas, defendiam que a proposta de mudança do PGO fixasse que as empresas do setor deveriam se dividir em duas: uma de telefonia fixa e outra de banda larga. Com essa medida, acreditavam que evitariam corte de empregos no setor.


Segundo a Folha apurou, os dois foram convencidos a deixar essa discussão para outra etapa, provavelmente na definição do PGA-T (Plano Geral para Atualização da Regulamentação das Telecomunicações). Ziller, ao final da reunião, admitiu que esse tema fica para o ‘futuro’. Aguiar Júnior fez questão de destacar que ontem a agência tomou decisão apenas sobre as concessões das companhias telefônicas e que o setor de banda larga será discutido separadamente.


A mudança de posição dos diretores ocorreu após o Planalto cogitar indicar um conselheiro substituto para acabar com o impasse na Anatel.


O governo começou a discutir essa solução, prevista na legislação, após a ex-diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) Denise Abreu ter acusado a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) de fazer pressões para aprovar a venda da Varig para a VarigLog, em junho de 2006.


O governo evitou o caminho da pressão explícita para não ser acusado de repetir o estilo adotado na Anac. E a estratégia escolhida foi ameaçar lançar mão de manobra regimental com a indicação de um conselheiro substituto, cuja nomeação não precisa de aprovação do Senado.


Ziller e Aguiar Júnior avaliaram que, com a indicação desse conselheiro, perderiam importância na agência e ficariam em desvantagem na hora de fazer negociações futuras nas mudanças das regras do setor.


Ziller tem ainda um interesse particular -renovar seu mandato na agência, que acaba em novembro. Ele nega estar fazendo essa negociação, mas assessores de Lula afirmaram que, se ele mantivesse sua posição contrária, perderia a chance de permanecer na Anatel.


A agência fez questão de destacar que a proposta fechada ontem vale para todas as empresas do setor e não é direcionada só à Brasil Telecom e à Oi. Com isso, a Telefônica estará liberada para, no futuro, adquirir a nova tele nacional, cuja operação foi concluída em abril por R$ 5,863 bilhões.


Mas, nas negociações para a formação da nova empresa, que será financiada pelo BNDES, o governo Lula estabeleceu uma condição: que o banco terá o direito de vetar a venda da companhia.


A medida visa evitar que a Oi, depois de comprar a BrT, negocie a nova tele com a espanhola Telefônica ou a mexicana Telmex. Desde o início, o governo justificou sua decisão de apoiar a operação sob a alegação de que o país precisa ter uma empresa nacional forte no setor.


Ao final da reunião de ontem, o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, insistiu na importância de o Planalto indicar o conselheiro definitivo para a vaga que está aberta desde novembro. Ele teme que a ausência do quinto conselheiro provoque novos impasses nas etapas seguintes do processo de modificação do PGO.


Além dessas mudanças propostas pela Anatel, a partir de sugestão do Ministério das Comunicações, o Congresso também discute alterações na Lei do Cabo, que trata da transmissão de conteúdo audiovisual. As operadoras de telefonia querem usar sua rede de infra-estrutura (fios instalados) para ofertar TV por assinatura. Hoje, as teles só podem oferecer TV paga por satélite (DTH) ou microondas (MMDS).’


 


 


INTERNET
Folha de S. Paulo


Yahoo! cessa conversa com Microsoft e se alia ao Google


‘O Yahoo! afirmou ontem que encerrou as negociações com a Microsoft e anunciou uma parceria com o Google que envolve publicidade relacionada com buscas na internet, mercado que hoje é dominado pela empresa criada por Larry Page e Sergey Brin.


Pelo acordo com o Google, o Yahoo! disse que vai poder usar nos resultados do seu sistema de buscas publicidade fornecida pelo rival, por terceiros e pelo seu próprio programa. Segundo o Yahoo!, o negócio deve gerar uma receita anual de US$ 800 milhões, está limitado a EUA e Canadá, não envolve exclusividade e deve durar pelo menos quatro anos. O negócio, no entanto, ainda deve ter que passar pelas autoridades regulatórias americanas.


‘Nós acreditamos que a convergência de busca e display é o próximo grande desenvolvimento na evolução nas aceleradas mudanças na indústria de publicidade on-line. Nossas estratégias foram elaboradas especificamente para capitalizar com essa convergência -e esse acordo nos ajuda a avançarmos de maneira significativa. Ele também representa um importante passo na nossa estratégia, aproveitando os progressos que já fizemos e avançando para um mercado mais aberto’, afirmou o presidente-executivo do Yahoo!, Jerry Yang.


O negócio foi anunciado pouco depois do fechamento das Bolsas americanas, em um dia que as ações do Yahoo! caíram mais de 10% depois do anúncio, na manhã de ontem, do fim das negociações com a Microsoft.


A empresa de Bill Gates já tinha retirado no início do mês passado a oferta de mais de US$ 40 bilhões pela concorrente, mas elas continuavam a negociar a venda do sistema de buscas do Yahoo!. Para a companhia de Yang, o negócio a deixaria sem um sistema de buscas independente, ‘o que consideramos muito importante para o nosso futuro estratégico’.


As ações da Microsoft subiram 4,13% ontem, e as do Google tiveram alta de 1,42%.’


 


 


Folha de S. Paulo


Cicarelli ganha processo contra o YouTube


‘O Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu ontem ganho de causa à apresentadora Daniella Cicarelli e ao empresário Tato Malzoni em processo contra o site YouTube, do Google.


Por três votos a zero, os desembargadores confirmaram o veto à exibição de vídeo em que Cicarelli e Malzoni aparecem em cenas íntimas em uma praia da Espanha.


Segundo o advogado da apresentadora, Rubens Decoussau Tilkian, o próximo passo do processo é coletar documentos que mostrem que o site e outros meios de comunicação descumpriram o embargo ao vídeo. A exibição fez com que o YouTube ficasse indisponível no país.


As empresas, que estão sujeitas a uma multa diária de R$ 250 mil se exibirem as imagens, ainda podem recorrer ao Superior Tribunal de Justiça.


Procurados, representantes do Google não foram encontrados. Cicarelli não se pronunciou.


A exibição do filme já estava proibida desde junho de 2007.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Band rompe com empresa de filho de Lula


‘Inicialmente prevista para durar dez anos, a parceria entre o Grupo Bandeirantes e a PlayTV acaba em julho, com apenas dois anos e dois meses.


Insatisfeita com os resultados do negócio, a Band decidiu não renovar o contrato com a PlayTV e voltará, em agosto, a investir na Rede 21, marca que antes ocupava o canal 21 (UHF) da Grande São Paulo.


A PlayTV pertence à Gamecorp, empresa que tem entre seus sócios a operadora de telefonia Oi (ex-Telemar) e Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula. Originalmente, a Gamecorp era produtora de games e conteúdos para celular.


Em 2006, quando a Band fechou acordo com a Gamecorp, havia a expectativa de que a PlayTV se tornaria um bom negócio com a convergência entre games e TV digital, algo que ainda não ocorreu. A Folha apurou que a parceria foi desfeita, em reunião no início desta semana, porque a PlayTV não alavancou a audiência nem as receitas do canal 21.


A PlayTV aumentaria gradativamente seu espaço na grade do canal 21, mas, com sua programação jovem, não conseguiu ultrapassar a faixa das 17h às 23h30 _o restante é ocupado por igrejas e empresas.


A assessoria de imprensa da PlayTV nega o rompimento do contrato com a Band e atribui a informação a ‘vice-presidentes [do Grupo Bandeirantes] que não gostam do canal’. A Band não comentou o assunto.


NEGÓCIO 1 Próxima novela das seis da Globo, ‘Negócio da China’, de Miguel Falabella, terá quatro atores portugueses e, provavelmente, cenas gravadas em Portugal. A emissora acaba de renovar contrato com a SIC, sua tradicional parceira lusitana.


NEGÓCIO 2 O ponto de partida da novela é um golpista que, pela internet, desvia dinheiro da máfia chinesa para uma conta na Suíça e grava os dados num pen drive. Perseguido, joga o pen drive na bolsa de uma moça que está embarcando para o Brasil.


ATRÁS DO Q A Record contratou um profissional que fala cinco línguas para padronizar as pronúncias dos nomes dos jogadores que disputam a Eurocopa, em exibição pela emissora.


O TEMPO PASSA Em seu blog, Zeca Camargo escreveu sobre sua atração por ‘A Favorita’ e repulsa a ‘Os Mutantes’. Diz que zapeou pela novela da Record, a achou uma ‘aberração’ e que ficou ‘meio perplexo de ver que era isso que estava conquistando uma fatia do público’.


ARMORIAL Embalada pela Copa do Brasil, ‘A Favorita’ finalmente passou dos 35 pontos. Anteontem, deu 36,8. Sport x Corinthians marcou 38,2 na Globo e 7,6 na Band, novo recorde do ano. ‘Os Mutantes’ (17,3), ‘Amor e Intrigas’ (14,7) e ‘Pantanal’ (6,4) caíram.


FALTOU Q O controle de qualidade da Globo falhou. O último ‘Toma Lá, Dá Cá’ era sobre o Dia das Mães _não dos Namorados.’


 


 


Heloisa Lupinacci


Documentário analisa o mito Dior


‘‘Tinha a sensação de que o senhor rechonchudo que sou não se parecia aos garotos de calendário que são a imagem de todo estilista. Entre a imagem que deveria ter e eu, a brecha era profunda demais’, diz o narrador que faz a voz de Christian Dior em documentário exibido pelo Eurochannel.


O mito Dior é grande demais e, talvez por isso, até os aspectos mais corriqueiros da personalidade do estilista acabam por ter um tom mítico.


Mas isso não atrapalha tanto.


Ao espiar a rotina da maison Dior à época, esquadrinhar a construção dos vestidos e assistir ao surgimento do modelo de grife com investimento de capital de financistas, planos de exportação e pioneiros contratos de licenciamento, o programa mostra que a importância de Dior se deve a muito mais do que vestidos.


Não que os vestidos não tenham importância, eles são o centro de tudo. Diz o narrador-Dior: ‘Tudo em minha existência se converte em vestido’.


Solene, o programa é quase melancólico. Apropriado para o momento em que o mundo da moda se despede de outro ícone, Yves Saint Laurent, que, por sua vez, lá estava, no ateliê da avenida Montaigne no dia da morte de Dior. Mas essa é outra história.


CHRISTIAN DIOR – O HOMEM POR TRÁS DO MITO


Quando: estréia hoje, às 20h30 (o canal não forneceu a classificação indicativa)


Onde: Eurochannel’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Sexta-feira, 13 de junho de 2008


 


PROPAGANDA POLÍTICA
Gabriel Manzano Filho


Para ABI, ação contra jornal é ‘totalitária’


‘A decisão do promotor Eduardo Rheingantz, do Ministério Público Eleitoral em São Paulo, de representar contra o jornal Folha de S. Paulo por ter publicado uma entrevista com a ex-ministra Marta Suplicy – pré-candidata do PT à prefeitura – foi ontem considerada ‘uma manifestação totalitária’ pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e ‘um lamentável equívoco’ pela Associação Nacional de Jornais (ANJ).


‘Não se pode confundir matéria jornalística com propaganda eleitoral’, disse em nome da ANJ o assessor da diretoria, Ricardo Pedreira. ‘O que a Folha fez foi jornalismo e não cabe punição’, acrescentou.


Pela ABI, o presidente, Maurício Azedo, afirmou que a iniciativa ‘atenta contra as liberdades e garantias asseguradas pelo art. 220 da Constituição’. Além disso, segundo Azedo, trata-se de ‘um exercício de adivinhação’ da parte do promotor Eduardo Rheingantz, autor da ação. ‘Esse promotor se atribui poderes mediúnicos’, reagiu o presidente da ABI. ‘Pois Marta Suplicy nem candidata é ainda, a convenção só se realiza no dia 5. Até lá pode acontecer muita coisa.’ Em sua avaliação, a idéia de que tal entrevista constitui propaganda antecipada de uma candidatura ‘é uma forma de censura prévia, uma coerção do direito e da liberdade de expressão, que merece ampla condenação de toda a sociedade brasileira’.


A entrevista foi publicada no último dia 4. Segundo o representante do Ministério Público, ela desobedece ao art. 36 da Lei 9.504 e ao art. 3º da resolução 22.718 do Tribunal Superior Eleitoral. Esses textos determinam que a propaganda eleitoral só é permitida após 5 de julho, quando começa a campanha eleitoral.


Para o diretor jurídico do jornal, Orlando Molina, essa ação deve ser arquivada, pois não tem fundamento. ‘A Folha nada mais fez do que o exercer seu dever de informar’, disse ele ao Estado. ‘Qualquer tentativa de impedir ou embaraçar essa atividade é censura.’


O advogado do Estado Manuel Alceu Ferreira considera a representação ‘um absurdo’, pois ‘no momento, Marta Suplicy sequer é candidata. Ela é, no máximo, uma ex-ministra’.


Idêntica reação teve o advogado Ricardo Penteado, que atua como representante jurídico do candidato do DEM, o prefeito Gilberto Kassab. ‘Não tem cabimento proibir tais entrevistas’, afirmou ele.


Para Penteado, ‘a própria instrução sobre propaganda eleitoral permite entrevistas com pré-candidatos, e até no rádio e na TV’. A propaganda, diz ele, ‘é constituída de juízos de valor e nada tem a ver com a divulgação de informações pela imprensa.’’


 


 


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‘Estado’ reage a norma do TSE


‘Um mandado de segurança foi impetrado pelo Estado e pela Agência Estado, no Tribunal Superior Eleitoral, contra ato desse tribunal que equipara empresas do comunicação, no que diz respeito à forma de divulgar notícias sobre eleições em sites na internet, nas mesmas obrigações de emissoras de rádio e televisão.


A resolução do TSE ordena que se apliquem ‘às páginas mantidas pelas empresas de comunicação social na internet’ as normas coibitivas e restritivas detalhadas em seu art. 21.’


Apresentado no dia 30 de maio, o mandado foi indeferido. O advogado do Estado, Manuel Alceu Affonso Ferreira, entrou com agravo regimental, por entender que o argumento central do juiz – de que se tratava de uma ‘lei em tese’ – não se sustentava. O agravo está na secretaria do TSE e pode ser julgado a qualquer momento.


Segundo Manuel Alceu, ‘as impetrantes não são, e nunca foram, emissoras de rádio e televisão. São empresas de comunicação social que mantêm sítios na internet, neles prestando informações e opiniões.’’


 


 


ELEIÇÕES NOS EUA
O Estado de S. Paulo


Obama lança site dedicado a esclarecer boatos


‘A equipe do democrata Barack Obama, candidato à presidência dos EUA, pôs no ar um site dedicado exclusivamente a desmentir rumores polêmicos surgidos durante a campanha presidencial e atribuídos aos adversários republicanos. O boato mais recente – negado pela campanha democrata – foi o de que a mulher de Obama, Michelle, teria usado a palavra ‘branquelo’ num discurso no púlpito da igreja que freqüenta. O rumor circulou em blogs conservadores republicanos e foi divulgado também pelo programa de Rush Limbaugh, um conhecido apresentador de rádio nos EUA.


No site – intitulado ‘Fight the smears’ (Combata a campanha suja) -, a equipe de Obama responde ainda aos boatos de que ele é muçulmano. A polêmica começou com a divulgação, atribuída a assessores de Hillary Clinton, de uma foto do senador em trajes típicos durante uma viagem ao Quênia.


Outro boato negado pelo site é o de que o candidato democrata não teria nascido nos EUA. A dúvida havia sido disseminada pelo analista político conservador Jim Geraghty, que também vinha dizendo que o verdadeiro nome do senador seria ‘Barry’, alterado posteriormente para Barack em razão de uma ‘crise de identidade’.


Para não deixar dúvida, a campanha de Obama postou uma cópia da certidão de nascimento do senador, mostrando que ele nasceu em Honolulu, no Havaí.


PESQUISAS


Três pesquisas mostraram ontem uma ligeira vantagem de Obama sobre o republicano John McCain. A sondagem da CNN pôs o democrata liderando por 48% a 43%. Na do instituto Rasmussen, Obama tem 50% e McCain, 44%. O Gallup aponta o democrata com 48% e o republicano com 42%.


Diferentes pesquisas realizadas em vários Estados – e divulgadas ontem – também mostram Obama na frente de seu adversário em Iowa (vantagem de 7 pontos), Washington (vantagem de 18), Wisconsin (13 pontos na frente), New Jersey (vantagem de 6) e Massachusetts (vantagem de 23). Na Carolina do Norte, onde os republicanos não perdem desde 1980, a diferença é pequena, mas em favor de McCain: 45% a 43%.


Ainda ontem, o congressista texano Ron Paul, que reuniu apenas 35 delegados nas prévias republicanas, desistiu oficialmente da corrida à presidência. Seu comitê afirmou que ele não endossará McCain e se concentrará em ajudar a eleger ‘republicanos libertários’ para cargos públicos.’


 


 


TELES
Gerusa Marques


Anatel abre caminho à fusão Oi/BrT


‘O primeiro passo para permitir a compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi foi dado ontem pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que aprovou por unanimidade a proposta de reformulação do Plano Geral de Outorgas (PGO), tão esperada pelo mercado e pelo governo. A agência seguiu a recomendação do Ministério das Comunicações e eliminou a proibição de uma concessionária atuar em mais de uma área, o que tornava a compra ilegal. Com isso, ficou aberto o caminho para a fusão entre as telefônicas. A mudança, porém, ainda não está valendo. Ela será colocada em consulta pública por 30 dias a partir da próxima terça-feira e, se não for alterada, entrará em vigor provavelmente em agosto.


A votação foi cercada de polêmica e chegou a ser adiada por três vezes. Embora os conselheiros concordassem, em sua maioria, em alterar a regra para permitir a compra da BrT pela Oi, eles estavam divididos em outros pontos. Uma regra relativa a serviços de banda larga deixou o colegiado dividido em dois a dois e levou a um impasse. Para solucioná-lo, o governo cogitou indicar um conselheiro-substituto para dar o voto de desempate.Porém, a solução foi descartada porque o governo temia que ela fosse interpretada como uma interferência na agência reguladora. Ontem, esse impasse foi superado.


Para permitir a fusão, a Anatel propõe uma série de condicionantes com o objetivo de ampliar o acesso da população aos serviços de telefonia e de banda larga. Nesse sentido, a empresa que comprar uma segunda concessão terá de atuar em todo o País. Isso significa que, na prática, a companhia que resultará da união da Oi e da BrT terá que operar também no mercado paulista. Segundo o conselheiro Pedro Jaime Ziller, relator do processo, essa medida foi tomada para incentivar a competição, que acabou não acontecendo naturalmente no setor.


Para evitar o monopólio, a Anatel estabeleceu em sua proposta de PGO que a companhia que já tiver adquirido duas concessionárias não poderá efetuar uma terceira compra de um concorrente. Dessa forma, a Oi/BrT não poderia, por exemplo, comprar as operações da Telefônica. ‘Essa medida impede a criação de um monopólio privado. Hoje temos quatro regiões e um mesmo grupo só pode ter duas’, disse Ziller.


Também foi determinado que uma companhia, se vender uma concessão, terá de se desfazer de toda a operação, incluindo as empresas coligadas, como as de operação da telefonia celular. Ou seja, a futura tele não poderá, depois da fusão, vender somente a área da BrT ou da Oi. Pela proposta, todas as concessionárias são obrigadas a construir uma estrutura de banda larga.


Ziller esclareceu que eventuais contrapartidas para a união da Oi e da BrT serão estudadas pela Anatel quando analisar o negócio, pois o PGO é uma medida mais ampla, para todas as concessionárias.


No impasse que atrasou a votação, ficou decidido que as concessionárias de telefonia terão de criar uma empresa específica para administrar as redes de banda larga. Assim, prevaleceu a posição de Ziller, que era acompanhada pelo conselheiro Plínio de Aguiar Júnior, contra a posição do presidente da agência, Ronaldo Sardenberg, e do conselheiro Antonio Bedran, que queriam as estruturas de banda larga e de telefonia fixa juntas na mesma empresa.


Ficou decidido que 180 dias após a edição do novo PGO a agência editará um regulamento específico para definir como o processo de separação será feito. Como o texto de ontem ainda poderá ser modificado, técnicos ainda consideram a possibilidade de reverter essa questão.


O conselheiro Ziller negou que as divergências tivessem se transformado em impasse. ‘O conselho diretor (da Anatel) em nenhum momento esteve em conflito. O conselho esteve em discussão, preocupado em que o que saísse daqui fosse o melhor para o País e para as telecomunicações’, disse Ziller.’


 


 


INTERNET
O Estado de S. Paulo


Yahoo anuncia acordo comercial com o Google


‘Os esforços do Yahoo de retomar as negociações com a Microsoft chegaram ao fim, sem sucesso, abrindo espaço para a empresa de internet fechar uma parceria com o concorrente Google. A notícia fez com que os papéis do Yahoo caíssem ontem 10,1% na bolsa eletrônica Nasdaq, no momento em que os investidores abandonaram a esperança de que os esforços da Microsoft para comprar o Yahoo, que se arrastaram por quase cinco meses, teriam um resultado favorável.


O Yahoo e o Google anunciaram um acordo não-exclusivo em publicidade para buscas, que pode gerar até US$ 800 milhões em receitas anuais. A parceria prevê que o Yahoo poderá veicular anúncios fornecidos pelo Google ao lado de seus próprios resultados de busca e em alguns de seus sites nos Estados Unidos e no Canadá. O Yahoo decidirá que anúncios vendidos pelo Google irá mostrar e ao lado de que termos de busca.O acordo tem quatro anos de duração, com opção de renovação por um período de até 10 anos.


A reação dos investidores ao fim das negociações com a Microsoft vem num momento ruim para o Yahoo e seu conselho. A empresa tenta combater um motim de investidores liderado pelo bilionário Carl Icahn, que quer destituir o conselho por causa da maneira como foram conduzidas as negociações com a Microsoft.


O destino do conselho do Yahoo será decidido na reunião anual marcada para 1º de agosto. A empresa de internet tentou convencer a Microsoft a retomar sua oferta de US$ 47,5 bilhões, ou US$ 33 por ação, mas a empresa de software não quis oferecer uma quantia tão alta novamente, segundo comunicados das duas empresas.


O presidente da Microsoft, Steve Ballmer, retirou uma oferta oral de US$ 33 por ação depois de o presidente do Yahoo, Jerry Yang, ter pedido US$ 37 por ação em um encontro em 3 de maio, no aeroporto de Seattle. Logo depois disso, a Microsoft tentou convencer o Yahoo a vender somente sua operação de buscas. Mas o Yahoo concluiu que seu mecanismo de busca – o segundo mais popular, depois do Google – era muito importante para ser vendido separadamente.


O Yahoo informou que a Microsoft se recusou a comprar toda a empresa em um encontro no domingo. Sem explicar a lógica, a Microsoft informou acreditar que um acordo envolvendo o mecanismo de busca do Yahoo traria mais valor à empresa de internet.’


 


 


FUTEBOL
Luiz Zanin Oricchio


Com brasileiro não há quem possa


‘1958 foi um ano muito especial. Tudo parecia acontecer ao mesmo tempo – bossa nova, Éder Jofre, Maria Ester Bueno. Um presidente, também ‘bossa nova’, Juscelino Kubitschek, mais conhecido pela sigla JK, que prometia 50 anos de progresso em cinco de mandato. Havia Brasília, a ‘novacap’, em construção. E, no meio do ano, chegou o grande presente para o País – a primeira vitória numa Copa do Mundo, essa cobiçada conquista simbólica na qual o Brasil havia falhado em várias ocasiões: em 1938 quando, com Leônidas, formou sua primeira seleção competitiva. Em 1950, quando perdeu a decisão, no palco de um Maracanã lotado com 200 mil torcedores, para o raçudo Uruguai. Em 1954, quando caiu diante do incrível time húngaro.


Essas derrotas, em especial a de 1950, teriam inoculado no povo brasileiro o vírus daquilo que Nelson Rodrigues, genialmente, chamava de ‘complexo de vira-latas’, um proverbial e incurável complexo de inferioridade, uma paralisia aguda diante de desafios, que se expressava diretamente no futebol. Pois bem, a seleção, que mais uma vez saiu desacreditada do Brasil, deu a volta por cima e encantou o mundo na Suécia. Venceu com um futebol de sonho, alegre, belo e eficaz, que fluía dos pés de Didi, Pelé, Garrincha & cia. A conquista da Taça Jules Rimet em Estocolmo representou, segundo o mesmo Nelson Rodrigues, a redenção de todo um povo. Mais prosaicamente, funcionou como cartão de visita da nação brasileira diante da comunidade internacional. Essa é a saga apresentada no documentário 1958 – O Ano Em Que o Mundo Descobriu o Brasil, de José Carlos Asbeg. O filme chega exatamente 50 anos após essa conquista histórica – o primeiro dos cinco títulos mundiais brasileiros.


Em conversa com o Estado, Asbeg disse que gosta muito de futebol e que, como todo brasileiro de sua geração (nasceu em 1950), tem aqueles jogadores na conta de heróis, de ídolos de pés sólidos. ‘Confesso que me aproximava deles com a emoção de uma criança, e que ia esticando as entrevistas pelo puro prazer de conviver com meus ídolos de infância’, diz. Daquele grupo, muitos já se foram – Mauro, Vavá, Joel, Dida, Garrincha, Didi, entre eles. Mas, felizmente, muitos continuam vivos e foram entrevistados pelo diretor: Djalma Santos, Nilton Santos, Dino Sani, Zito, Moacir, Mazzola, Zagallo. Um deles, no entanto, chama a atenção pela ausência. Justamente ele, o Rei, não dá seu depoimento no documentário. ‘Não consegui uma brecha na agenda de Pelé’, diz o diretor. ‘Mas espero ter dado a ele o lugar que merece no filme’, acrescenta.


De fato: Pelé tem amplo destaque no documentário. E nem poderia ser de outra forma. Afinal, aquele garoto de 17 anos se tornou um dos protagonistas daquela Copa depois de entrar no time na terceira partida, contra a União Soviética, e começar a encantar o mundo, juntamente com Garrincha. Pelé havia viajado contundido e não fora escalado nos dois primeiros jogos. Nem Garrincha. Mas o empate diante da Inglaterra por 0 a 0 convenceu a Comissão Técnica de que era melhor reforçar o ataque. E os dois entraram no time, para não mais sair. Juntos, incendiaram a seleção – e iluminaram a copa sueca. Os três primeiros minutos iniciais contra a União Soviética foram definidos por um jornalista como ‘os mais eletrizantes da história do futebol’.


Outra figura valorizadíssima é Didi, o grande meia, o cérebro do time, considerado o melhor jogador da Copa de 1958. Didi, que morreu em 2001, é lembrado como o inventor da ‘folha seca’, tipo de chute no qual a bola ganha altura e cai de repente, enganando o goleiro. Quem inventou o nome para a jogada foi o jornalista Luiz Mendes, que conta a história no filme. Didi é visto também naquela que talvez seja a seqüência mais famosa de sua vida. Na final contra a Suécia, o Brasil toma o primeiro gol. Os jogadores, apavorados, querem reiniciar logo a partida. Mas Didi retém a bola e caminha com ela lentamente até o meio de campo. Sereno como o ‘príncipe etíope’ que ele era, na definição de Nelson Rodrigues.


Vários jogadores testemunham que essa calma, infundida no time por Didi, foi fundamental para que o Brasil virasse o jogo e goleasse o time da casa por 5 a 2, conquistando a Copa. Aliás, tudo o que de mais importante se diz no filme vem pela boca dos boleiros. Não existe uma narração em off, onisciente, que diria a ‘verdade’ sobre os fatos. Interessa a versão de quem os viveu. ‘Esse filme é uma homenagem aos nossos heróis; queria que fossem eles a contar a história’, diz Asbeg.


Esse caráter testemunhal se estende àquele que talvez seja o aspecto mais instigante do filme – os depoimentos dos jogadores de todos os países que enfrentaram o Brasil durante a campanha de 1958. Como foi jogar contra aquela seleção? Austríacos, ingleses, soviéticos, franceses, galeses e suecos contam suas experiências. Talvez o relato mais divertido seja o de um soviético contando que, depois do jogo, atirou a chuteira contra a parede do vestiário e gritou: ‘Não jogo mais; isso que nós jogamos não é futebol. Futebol é o que eles jogam!’ Naquele ano, o Brasil se apresentava ao mundo. Nada melhor do que saber a opinião daqueles que receberam esse primeiro cartão de visitas.


Dois Campeões Do Mundo


DINO SANI – ‘O jogo mais difícil foi contra o País de Gales, que ganhamos por 1 a 0. Gol de Pelé. Naquele tempo a gente não conhecia os jogadores como hoje. Ninguém sabia direito quem era esse Pelé. Quer dizer, se ele estava lá, é que era bom. Mas só quando começou a jogar é que vimos que iria longe. Mas ninguém imaginava que iria tão longe assim. Foi o maior de todos. Naquele tempo o futebol era diferente. É difícil comparar duas épocas, mas hoje o futebol é mais velocidade, força, pouca inteligência, pouca habilidade. Um ou outro jogador que sobressai, mas é mais empurrão, cotovelada…É uma guerra. Está virando um esporte violento.’’


 


 


***


Filme faz uma aposta total na emoção do futebol


‘Como em geral acontece com os filmes de futebol, também 1958: O Ano Em Que o Mundo Conheceu o Brasil aposta muito na emoção. Poderia ser diferente? Quem sabe. Mas a importância simbólica de uma grande conquista talvez tenha repercussões pouco captáveis pelo puro intelecto, ou pelo distanciamento mais ortodoxo.


Em especial se o assunto é futebol e se o país é o Brasil, onde esse esporte é praticado com paixão e seguido como uma seita. O culto cerimonial à seleção brasileira talvez hoje tenha esfriado um bocado, por uma série de razões que não cabe aqui discutir. Mas, até pelo menos os anos 1970, 1980, a seleção era uma febre, um fanatismo popular, uma religião laica à qual a nação toda se entregava.


Esse clima é evocado no filme. A contextualização é leve, como o próprio diretor diz ter desejado. Mas, delicada que seja, deixa entrever o país que o Brasil era naquele final de década. Um país jovem, cheio de promessas e aspirações, tão inspirado quanto inseguro de suas forças. Não à toa, Asbeg invoca a figura de Nelson Rodrigues, esse oráculo das colunas esportivas que tentava arrancar, pela via do futebol, um país inteiro da sua sina de vira-latas. Nelson, citado através de seus textos prodigiosos, e encenado por um ator enquanto batia suas laudas à máquina, funciona às vezes como um doce corifeu, enunciando os perigos e as esperanças que rondavam os protagonistas da façanha histórica.


Há um centro duro no filme, uma linha que serve de eixo e direção – os lances e gols da partida final, os 5 a 2 na Suécia. E, entre todos os lances, um, que se repete diversas vezes, porque é como a chave de ouro do soneto, o desfecho perfeito do drama. A bola é alçada para dentro da área sueca. Vemos quando ela parte do lado esquerdo. Acompanhamos a bola subindo e descendo de outro ângulo. Dois jogadores sobem para disputá-la e um terceiro – o goleiro sueco, Svensson – se adianta para interceptá-la . O jogador negro sobe mais alto e cabeceia para cima, encobrindo o goleiro. A bola entra mansamente no canto e o garoto de 17 anos, Pelé, cai desmaiado em campo. Fim do ato.


Todos os acontecimentos anteriores, da preparação aos jogos, confluem para essa mágica partida final, o cair do pano da Copa de 1958. Mas é claro que a grande sacada, o diferencial, são os depoimentos dos oponentes do Brasil. Esse país que até hoje tanto necessita da aprovação externa, olha-se através dos olhos dos outros. E esse olhar não é sempre de aprovação. Não falta a dissonância, com os franceses acusando Vavá de ter provocado uma fratura no zagueiro Jonquet, obrigando-os a jogar com dez pelo resto da partida.


Se procurarmos problemas no filme, os encontraremos sem dificuldade. Mas seria pura mesquinharia, diante de tantas coisas boas que ele evoca. Seria como mergulhar na piscina sem ver o azul da água, como disse o tão citado Nelson Rodrigues a um crítico que só se sentia feliz ao ver defeito em tudo.


Serviço


1958 – O Ano Em Que o Mundo Descobriu o Brasil (Brasil/2008, 88 min.) – Documentário. Direção José Carlos Asbeg. Livre. Cotação: Bom’


 


 


TELEVISÃO
Keila Jimenez


CQC faz manifesto


‘Expulsos do Congresso em rede nacional, a turma do CQC, da Band, resolveu incomodar mais. Já conseguiu, até a tarde de ontem, mais de 70 mil assinaturas em um manifesto na web, em que pede o apoio da população para ‘exercer a liberdade de expressão’ e voltar a realizar reportagens nas dependências da Câmara e do Senado.


O texto, postado na segunda-feira no www.cqcnocongresso.com.br, fala sobre a lei que regula a liberdade de manifestação e informação e pergunta como a própria Câmara pode assegurar um direito que ela própria cassa?


A alegação da Câmara para vetar a entrada dos rapazes do CQC é que eles não são programa jornalístico, fato que eles rebatem, garantindo que quase todos os integrantes são, sim, jornalistas.


Para quem perdeu, no blog Danilo Gentili (http://danilogentili.zip.net), há imagens de sua expulsão da Câmara.


A trupe quer reunir o maior número de assinaturas e encaminhar o manifesto ao Congresso.


Vale lembrar que o CQC só vem crescendo em audiência e já está entre os cinco maiores ibopes da Band, com média de 4,5 pontos.’


 


 


 


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