Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

FEITOS & DESFEITAS > PAPEL SOCIAL DO JORNALISTA

Está tudo escrito,
falta a prática

Por Clayton Ramos em 05/04/2005 na edição 323

A imprensa está caindo em descrédito, sem pára-quedas e sem ninguém que a segure. Isso se deve à perda do papel social do jornalista. O papel social do jornalista, hoje, é aquele que ficou para trás já há algum tempo, ou seja, o de informar o público-leitor. Isso não acontece mais hoje devido a uma coisa chamada interesses particulares. O jornalista deixa de desempenhar sua função social e até profissional por motivo de semicensura.


Semicensura não pelo fato de ser uma quase censura, e sim porque o que leva o ‘jornalista’ a se autocensurar são motivos, na maioria das vezes, promocionais à sua carreira, deixando em segundo ou terceiro planos seu dever social. Este papel hoje é como se fosse um hobby: só é praticado de vez em quando. O cara faz para se sentir bem, visando seu bem-estar pessoal acima de tudo. Mas deixa-se clara uma coisa: dizer que o papel social do jornalismo acabou não é, e nem será jamais, dizer que o jornalista não tem poder social. Isso ele tem e até demais.


Basta o informante social dar um ângulo à matéria para passar a idéia de serviço comunitário e pronto, virou herói do povo. Jornalistas como estes deveriam prestar um verdadeiro serviço social e procurar um emprego a sua altura, ou laia. A profissão de deputado viria bem a calhar, visto que, depois dessas severinices que estão acontecendo na Câmara, este ‘profissional de jornalismo’ poderia ao menos divulgar o nome dos deputados favoráveis ao projeto ridículo de Severino Cavalcanti, fazendo um belo trabalho social de caráter até mesmo filantrópico.


Busca dos meios


Nos Estados Unidos foi feita uma campanha contra a Nike, que mantém empregados em situação de semi-escravidão na Ásia. Resultado: protestos contra a empresa, Michael Jordan recusou um contrato de mais de 20 milhões por pressão dos fãs e a empresa se comprometeu a rever seus conceitos quanto aos empregados.


Mas, volto a dizer, não viaje, isso não é nada que uma boa campanha publicitária, com um bom assessor e uma empresa de marketing, não possa apagar.


O que podemos fazer é saber de que meios precisamos para que as pessoas tenham acesso às informações verídicas. O papel do jornalista é informar seu público-leitor, fiscalizar o poder e buscar informações verídicas. Isso está escrito, falta colocar em prática.

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Estudante de Jornalismo

Todos os comentários

  1. Comentou em 03/04/2009 Áurea Fortes

    Querido Alberto Dines, gostaria de indicar que vc desse uma olhada na matéria que está no portal Imprensa, sobre a censura que o jornal Regional News vem sofrente na cidade de Tubiacanga – digo, Caieiras (SP)! Saiu uma entrevista com minha editora, Celina Peres. Um abração!

  2. Comentou em 12/04/2005 Cristina Bedendo e Myrian Bucharles

    Na teoria é esse mesmo o verdadeiro papel do jornalista: ‘informar seu público leitor, fiscalizar o poder e buscar informações veridicas’. Porém, na prática, cada empresa de comunicação tem sua própria ideologia, fazendo com que os seus jornalistas sigam essa linha. Os problemas estão nos veículos que trabalham por interesses economicos, ao invés de prestar um serviço ético à sociedade.

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