Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > QUARTA-FEIRA, 13/2

Estudantes cubanos acusam mídia de distorcer declarações

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 13/02/2008 na edição 472

Leia abaixo a seleção de quarta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008


CUBA
Folha de S. Paulo


Jovens cubanos acusam mídia de manipular vídeo


‘Os universitários cubanos que questionaram medidas do regime em um vídeo que teve ampla difusão fora de Cuba na semana passada -e que circulou de mão em mão na ilha- reapareceram ontem, desta vez em filme oficial, para acusar a imprensa internacional de distorcer suas declarações .


Entre eles está Eliécer Ávila, estudante da Universidade de Ciências Informáticas (UCI), que negou ter sido preso após a divulgação das críticas. No final de semana, houve rumores deste teor em Havana e Miami. Um grupo anticastrista criou até o blog ‘liberdade para Eliécer’.


O contravídeo com entrevistas de Ávila e outros estudantes que estiveram em janeiro em um debate com o presidente do Parlamento cubano, Ricardo Alarcón, foi publicado na página de internet do jornal estatal ‘Granma’. O filme do debate nunca chegou a ser divulgado pela imprensa oficial. Agora, o estudante afirma que se montou, a partir dele, ‘toda uma campanha para tratar de ridicularizar as questões que colocamos neste encontro’.


Sobre os rumores de sua prisão, Ávila contou que deixou Havana para visitar a família e fazer tratamento odontológico e que sua ausência na universidade pode ter levado colegas a imaginar que algo ‘um tanto misterioso’ tinha acontecido.


‘Tudo que estão dizendo é uma mentira total. O que propusemos é para construir um melhor socialismo, não para destrui-lo’, diz ele no vídeo de ontem, ao lado do filho de vice-presidente Carlos Lage, também estudante da UCI.


Outro universitário, Alejandro Hernández, que fez duras críticas ao sistema eleitoral cubano na primeira gravação, diz ter sentido ‘na própria carne’ a manipulação da imprensa.


Em trechos divulgados na internet do debate de janeiro, Ávila diz querer argumentos para poder defender o regime da ilha e questiona Alarcón sobre restrições ao uso da internet, sobre a disparidade entre as duas moedas em circulação na ilha -o peso e o peso conversível, para turismo- e os baixos salários e sobre restrições a freqüentar hotéis ou viajar ao exterior.


Para algumas perguntas, como a sobre internet, o chefe do Parlamentar diz não ter respostas aos estudantes.


Divulgado pela BBC, o vídeo do debate -um raro momento de críticas públicas em Cuba- provocou enunciados na imprensa internacional sobre o ‘desafio dos jovens’ ao regime de Fidel e, no caso da mídia de Miami, programas de debate com especulações sobre a ‘transição’ na ilha e a suposta prisão do estudante.


O episódio reforçou a discussão sobre os limites da abertura ao debate proposta por Raúl Castro, irmão de Fidel no poder desde a doença do ditador. O sistema da ilha, com perseguição a dissidentes e só imprensa estatal, comporta críticas e divergências, mesmo que de apoiadores?


Análises no jornal oficial ‘Juventud Rebelde’ no fim de semana e o contravídeo de ontem parecem mostrar dirigentes da ilha ainda tentando se adaptar à proposta de Raúl.


O ‘Juventud’ fez um tímido mea-culpa sobre a linha editorial da imprensa cubana, que não sabe aprofundar as ‘reflexões permanentes’ sobre o regime. Condena, porém, críticas que possam expor o governo: ‘Que querem? Stripteases políticos como o dos ex-socialistas europeus? Basta de bobagem, senhores. Se o que pretendem é que nos depreciemos em público, não conseguirão.’


Com agências internacionais’


 


CARTÕES DO GOVERNO
Melchiades Filho


Saque por baixo


‘BRASÍLIA – Aos poucos, os ‘spinners’ do Planalto consolidaram três lendas urbanas sobre o uso abusivo e irregular de cartões corporativos pelo governo federal.


A primeira é a de que o presidente merece aplausos por abrir as contas pela internet. Um baita exagero, posto que 90% dos gastos do ano passado não foram divulgados pela Controladoria Geral da União. De 0 a 10, portanto, Lula merece nota 1 em transparência -pouco, a rigor, para cantar vantagem sobre o governo Serra, que, como o de outros Estados, zerou nesse quesito.


A segunda é a de que não há nada a fazer quanto à fatia mais polpuda de despesas: as retiradas em contas do tipo B e na boca do caixa com os cartões (R$ 158 milhões, em 2007).


Surpreendido pelas denúncias nas compras a crédito com os cartões, o governo anunciou a extinção das contas B (só em junho) e fixou novo teto para saques. Mas nada falou sobre os gastos passados nem sobre intensificar a fiscalização.


As prestações de conta da movimentação em dinheiro vivo estão (ou deveriam estar) mofando nos ministérios. Cabe ao Planalto requisitá-las para apurar se há notas frias e indícios de salário indireto.


(O mesmo vale para o TCU, que por enquanto só executou varredura meia-boca nessas despesas.) Quanto ao futuro, o Planalto deveria se comprometer a tornar públicos também os detalhes do uso da boca do caixa, divulgando no Portal da Transparência a razão dos saques e os dados (nome e CNPJ) dos fornecedores contemplados.


A terceira lenda urbana é a de que o caso é irrelevante -ou tem a relevância de uma tapioca. O escândalo dos cartões trata de miudezas também, mas pode ter um efeito graúdo sobre o controle dos gastos públicos. Se há um viés político, paciência. O governo não pode usá-lo como desculpa para a inação. Deixar sem vigilância os saques em dinheiro significa oferecer um salvo-conduto para quem fraudou -e para quem vai fraudar.’


 


Fabiano Maisonnave


Lula defende cartão e sigilo em despesas da Presidência


‘O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que é a favor da divulgação de gastos do Planalto com cartões corporativos na internet, à exceção de despesas com a sua segurança e a de sua família. Segundo o mandatário, esse sistema de pagamento é a forma ‘mais séria e transparente’ de uso do dinheiro público, e uma CPI sobre o assunto não atrapalhará as votações no Congresso.


‘Para mim, só tem um gasto que não deve ser explicitado e detalhado, que é o gasto com segurança. Segurança é uma coisa muito delicada’, disse Lula ontem, no aeroporto de Macapá (AP), depois de uma visita de Estado à Guiana Francesa, onde se reuniu com o presidente Nicolas Sarkozy. ‘E uma boa segurança, os adversários não sabem que ela existe nem como ela existe. Na hora em que ela souber, deixa de ser segurança. Nós vimos agora o que aconteceu no Timor Leste. Um pouco de cuidado não permitiria que um presidente fosse atingido fazendo ginástica de manhã. Quando se trata de segurança, eu acho que é segredo de Estado.’


Ele citou como exemplo seus próprios seguranças. ‘Você não pode dizer onde é a casa dos seguranças do presidente, você não pode dizer onde que ele vai alugar um carro. Porque, se você disser, fica muito fácil, quem quiser fazer a desgraça faz a desgraça por antecipação.’ ‘Não é a Presidência que gasta. Quando eu sair daqui, a Presidência continua. A Presidência é uma instituição que as pessoas precisam aprender a respeitá-la,e não banalizá-la.’


Lula defendeu ainda o sistema de cartões corporativos e disse acreditar que pode ser melhorado. ‘O cartão é a forma mais séria e mais transparente para você cuidar dos gastos públicos. Não tem outra mais séria. O que nós precisamos é, a partir das deficiências, fazer as correções necessárias e continuar colocando na internet para que a sociedade brasileira tenha as informações. Até porque acho que todo mundo tem de mostrar concretamente o que é gasto todo santo dia.’


Questionado sobre a criação de uma CPI para investigar os assuntos, Lula disse acreditar que não atrapalhará as votações no Congresso em torno da reforma tributária. ‘Uma CPI não vai atrapalhar nada, uma CPI vai estudar, vai investigar, vai apresentar o resultado, e o Brasil vai continuar.’


‘[A CPI] não pode atrapalhar porque a reforma tributária é uma necessidade brasileira. Eu tenho dito aos líderes, eu tenho dito aos empresários, eu tenho dito aos governadores, aos prefeitos que, desde que eu me conheço por gente, as pessoas falam na necessidade de fazermos uma reforma tributária. E toda vez que nós mandamos um projeto para a Câmara, vocês estão lembrados que nós mandamos um projeto em abril de 2003, não acontece porque um ou outro tem divergência. O que eu quero é fique explícito quem quer e quem não quer a política tributária.’ Após conceder cinco minutos de entrevista, Lula voou para Brasília.


Os jornalistas FABIANO MAISONNAVE e BRUNO MIRANDA viajoaram entre Oiapoque (AP) e Macapá em avião da Força Aérea Brasileira’


 


MÍDIA & POLÍTICA
José Dirceu


Os sonhos estão mais vivos do que nunca


‘A MENTIRA é um recurso inesgotável na política, desde que seus autores tenham acesso aos meios de comunicação para disseminá-la como fato. O célebre mantra do propagandista-chefe do nazismo, Joseph Goebbels, segundo o qual uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade, continua a fazer escola. Fiz a constatação ao ler o artigo com o título ‘Vão-se os sonhos, ficam os anéis’, publicado neste espaço, no último dia 24, assinado por Eduardo Graeff, secretário-Geral da Presidência no governo tucano do presidente Fernando Henrique Cardoso.


No artigo, Graeff recorre a trecho de reportagem a meu respeito publicada na revista ‘Piauí’, na qual erroneamente é associada ao filho do presidente da República, Fábio Luiz da Silva, critica minha a um jornalista por conta do acompanhamento estapafúrdio que fazia sobre o governo em seu trabalho jornalístico. Evidentemente, ao falar de reportagens erradas, com declarações atribuídas a mim e ao presidente sem que as tivéssemos prestado, eu não poderia estar me referindo a Fábio Luiz, que não é e nunca foi jornalista.


Na reportagem, a revista registra um fato não ocorrido: uma reclamação minha ao presidente da República sobre negócios entre a empresa de seu filho, Gamecorp, e a Telemar. Desmenti isso à revista e em nota pública. O que fiz foi protestar, em diversos momentos, contra o tratamento leviano que vários meios de comunicação deram ao negócio absolutamente legal entre essas companhias, com o objetivo único de desgastar o chefe de Estado.


Mas Graeff, em seu artigo, não se contentou em lançar mão de informação desmentida por mim. Ao fazê-lo, inventou episódios que nem sequer estão presentes na reportagem, ressaltando que eu teria mencionado ‘uma conversa com Lula sobre os milhões investidos pela Telemar na firma de videogames do filho do presidente’. Essa mentira vulgar serve de escada para conclusão pré-fabricada pelo ex-secretário-geral da Presidência, de que trocamos, o presidente e eu, nossos compromissos de esquerda pelo ‘mundo dos negócios’. Seu mote, para tanto, é o processo de aquisição da Brasil Telecom pela Telemar, que pode ser chancelado pelo governo nos próximos dias, especulando que tal decisão seria moeda de troca pela publicidade desta companhia na Gamecorp.


A hipocrisia tucana não conhece limites. Quer dizer que a intervenção do governo na reestruturação da economia e dos monopólios, quando ocorre, é por motivação escusa? O que se deve concluir, então, das privatizações feitas pela administração FHC? Devemos procurar nas contas de ex-ministros e antigos auxiliares os motivos para o governo tucano ter dilapidado patrimônio público, desorganizado o Estado e travado o desenvolvimento do país? Bom assunto para a polícia, o Ministério Público e o Poder Judiciário. Além do mais, o crime de lesa-pátria, cometido pela coalizão PSDB-DEM ao vender empresas estatais na bacia das almas, é o mais hediondo de todos, porque atenta contra os direitos do povo e ameaça a soberania nacional. Em outras circunstâncias históricas, seria razão suficiente para os responsáveis por esses atentados contra os brasileiros estarem respondendo por suas malfeitorias na Justiça.


O governo Lula, repito, recebeu uma herança maldita. Faz parte desse inventário macabro a abertura descontrolada de nossa economia e do sistema de telecomunicação ao capital internacional, a quem os tucanos revelaram inédita submissão. Não está em pauta, evidentemente, a recuperação do controle estatal sobre companhias privatizadas, mas é obrigação do governo intervir para bloquear e reverter a desnacionalização de setores fundamentais da economia. O desastre patrocinado pelo tucanato foi tão grave que, cinco anos após a posse inaugural do presidente Lula, ainda são muitas as minas deixadas no caminho pela fatídica gestão anterior. Esse é o pano de fundo que mobiliza a administração federal na discussão da compra da Brasil Telecom pela Telemar.


No mais, como pode o senhor Graeff questionar meu direito de trabalhar para viver? Banido da vida institucional no curso da escalada patrocinada pelas forças conservadoras para derrubar o governo Lula, tenho que encontrar meu sustento profissionalmente. Esta é minha obrigação como pai e cidadão. Porque não me afasto das trincheiras e compromissos de toda a minha vida, gente como Graeff talvez preferisse que até esse direito me fosse arrancado, obrigando-me a um novo exílio ou à clandestinidade.


Minhas contas foram devastadas pela Receita Federal: tenho como patrimônio a casa onde moro e somente sobrevivo se trabalhar, e muito. Ao contrário de tantos tucanos, os petistas não fazem, ao sair do governo, a impressionante mutação de professores e funcionários em banqueiros, financistas e plutocratas. Exatamente porque mantemos nossos compromissos históricos, nossa moral socialista e nossa missão no combate do povo brasileiro por sua libertação.


JOSÉ DIRCEU, 61, advogado, é ex-ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República. Teve seu mandato de deputado federal pelo PT-SP cassado em 2005.’


 


ELEIÇÕES NOS EUA
Elio Gaspari


Uma novidade com Obama: Samantha Power


‘HÁ UMA NOVIDADE na política externa americana. Chama-se Samantha Power, tem 37 anos e uma esplêndida carreira. Formou-se no circuito Yale-Harvard e, aos 32 anos, ganhou o Prêmio Pulitzer com o livro ‘Genocídio – A Retórica Americana em Questão’ (publicado também no Brasil). Foi uma jovem correspondente de guerra das revistas ‘Economist’ e ‘New Republic’ na Iugoslávia, no Sudão, em Ruanda e no Timor. Em 1999, ela fundou o Centro Carr de Direitos Humanos da Escola Kennedy de Administração Publica, em Harvard. Desde o ano passado, Samantha Power é uma das principais assessoras de Barack Obama para assuntos de política internacional.


Alta e ruiva, veste terninhos básicos nas palestras e seda para a revista ‘Vogue’. Ela acaba de publicar uma biografia do brasileiro Sérgio Vieira de Mello, o Alto Comissário das Nações Unidas assassinado em Bagdá, em 2006. (‘Chasing the Flame’, talvez ‘Perseguindo a Chama’, sairá por aqui em agosto.) Quem leu gostou do livro e, como sempre, gostou do personagem, ‘uma mistura de Robert Kennedy com James Bond’ na definição de um repórter. A professora conheceu Vieira de Mello na Bósnia.


Os candidatos e os presidentes dos Estados Unidos têm uma queda por xamãs de grandes universidades. À diferença de seus antecessores, Samantha Power sujou os pés na lama das trincheiras e chegou à equipe do candidato com um Pulitzer na bolsa.


A importância do seu livro esteve na demonstração de que o descaso fatalista com que a política externa americana tratou os genocídios das últimas décadas repetiu os desastres ocorridos durante o Holocausto, a matança dos armênios e o extermínio comunista no Camboja. Oitocentas mil pessoas foram massacradas em Ruanda e 200 mil na Bósnia. Saddam Hussein liquidou 100 mil curdos. Doenças e massacres mataram 200 mil pessoas no Sudão.


Power vê o mundo com a cabeça de quem se educou depois da Guerra Fria. Chega aos genocídios pela crítica à tolerância diante das violações dos direitos humanos. Ela condena a desastrosa ocupação americana do Iraque, mas acredita num neo-intervencionismo de tintas civilizadoras que ainda não passou pelo teste da sinceridade. Power percebeu essa chama no trabalho e nas agruras de Sérgio Vieira de Mello. Algumas idéias da professora ecoam a agenda de Jimmy Carter nos anos 70, à qual muito deveu a redemocratização brasileira. Naquela época o estandarte dos direitos humanos era um subproduto da estratégia de encurralamento da União Soviética. Hoje, mesmo involuntariamente, encurralaria a China e é aí que mora o perigo. Tudo o que Beijing não quer ouvir, sobretudo pelo apoio que dá à ditadura de Burma, é o que a professora escreve: ‘Aquilo que é verdadeiro na economia, também é verdadeiro em relação aos direitos humanos: não existe uma coisa que possa ser chamada de puro ‘assunto interno’.’


Não se pode saber se Obama derrotará Hillary Clinton, muito menos se Samantha Power terá influência num eventual governo democrata. Ela desestimula as tentativas de apresentá-la como dona do urso, mas a menção às palavras ‘genocídio’ e ‘tortura’ no discurso de Obama depois da Superterça indica que as idéias da professora pularam das páginas das reportagens e das palestras de Harvard para a agenda de mudanças propostas pelo candidato.’


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Armas, armas


‘Na cobertura francesa de ‘Le Monde’, ‘Libération’, só temas domésticos sobre Nicholas Sarkozy. O ‘Le Figaro’ até apelou à americana Associated Press para abordar indústria militar. E a britânica Reuters destacou que o presidente francês disse a Lula estar ‘pronto’ para transferir tecnologia. Nada fechado, ainda.


Mas o site de ‘estratégia’ Eurasia Monitor, da fundação Jamestown de Dick Cheney e outros, deu ontem com estardalhaço que ‘Moscou perde negócio de submarino do Brasil para Paris’. Na longa reportagem, sinais de que Moscou pode até perder, mas ainda tem chance, na verdade. De todo modo, encerra o site, ‘outra vez, o maior derrotado parecem ser os EUA’.


BUFFETT E O BRASIL


O bilionário investidor Warren Buffett fez as manchetes de ‘Wall Street Journal’, ‘Financial Times’ e outros com a ‘oferta de socorro’ a títulos americanos sob risco, levando as bolsas a subir. Um dia antes, o mesmo Buffett surgiu em sites do Canadá, onde ‘dividiu seus pensamentos sobre crise de crédito, Brasil e, claro, onde investir’.


Ele ‘há anos’ abandonou o dólar e os EUA por causa do déficit comercial e ganhou muito, apostando no exterior. Agora teria deixado apostas externas de lado, ‘salvo uma, o real brasileiro’. Ele segue vendo ‘algum valor’ por aqui.


AO RESGATE


O site do ‘WSJ’ se perguntou, a certa altura, se ‘esta é uma alta Buffett ou uma alta GM’. É que a General Motors divulgou resultados ‘mais fortes que o esperado’. Perdeu nos EUA, segue mal na Europa, ‘mas registrou ganho na Ásia e lucros crescentes na América Latina’. Foram os emergentes ao resgate -em especial, no caso, o Brasil.


SEM EFEITO


Mais do site do ‘WSJ’. Repercutiu ontem entrevista do presidente do BNDES, Luciano Coutinho, em que ele relatou que ‘os investimentos não foram afetados pela tensão econômica internacional’, enunciado da reportagem. A demanda das empresas por capital junto ao banco continua aquecida, sem um ‘efeito perceptível’ da crise.


NOTÍCIAS E O PREÇO


Saiu no inglês ‘FT’ anteontem e ecoou o dia inteiro a rejeição da oferta de compra da anglo-suíça Xstrata pela Vale. Mas diz a Dow Jones que analistas ainda vêem forte possibilidade. E coluna no ‘WSJ’ afirmou que é negócio de ‘fazer a Terra tremer’, mais do que Yahoo/Microsoft.


Fim do dia e o ‘FT’ admitiu no blog Alphaville que o vaivém no caso envolveria ‘preço e estrutura financeira’. Ou seja, quanto os controladores da Xstrata vão controlar da nova empresa e quanto o Estado brasileiro vai manter.


MENOS PROTEÇÃO


A inflação global da comida, noticia o ‘WSJ’, ‘está fazendo em pedaços as tarifas agrícolas que os governos usam para controlar o comércio’. Alguns, como a China, até elevam tarifas de exportação para segurar seus alimentos.


A SAÍDA ÓBVIA


‘Não existe biocombustível sustentável’ foi o título da coluna de George Monbiot, no ‘Guardian’. Não deixou de fora nem o álcool do Brasil. A ‘saída óbvia’ que os governos recusam, diz ele, é a redução no consumo de combustíveis.


DOIS MUNDOS


Enquanto ‘Jornal Nacional’, Globo News e o G1 seguem por um caminho, em toda cobertura, como ontem, ‘Jornal da Record’, Record News e o Mundo Record vão por outro. Com o acréscimo agora do Mundo Record News


TELE VS. TELE VS. TELE


‘O Estado de S. Paulo’, ecoando por Bloomberg e outras no exterior, noticiou que, junto com a eventual criação da gigante brasileira Oi/BrT, pode ser permitida formalmente a entrada da Telmex na Net e da Telefônica na TVA.


DE ELITE


O crítico do ‘Variety’ Jay Weissberg, que questionou ‘Tropa de Elite’, foi alvo de mensagens descontroladas de brasileiros. Entre comentários removidos, um escapou. Foi enviado do endereço I-eat-jews@hotmail.com.’


 


EUA
Folha de S. Paulo


Senado aprova proteção a telefônica que fizer escuta


‘DO ‘NEW YORK TIMES’ – Mais de um ano depois de um intenso debate político, o Senado americano deu ontem uma importante vitória à Casa Branca ao votar projeto que abrange os poderes de espionagem do Executivo e dá proteção legal a empresas telefônicas que cooperem com o programa doméstico de escutas do governo George W. Bush, implementado após o 11 de Setembro.


O Senado rejeitou uma série de emendas que restringiriam os poderes de espionagem e eliminariam a imunidade das companhias de telefonia e aprovou, por 69 votos a favor e 29 contra, o fim dos debates. Estava prevista ainda para a tarde de ontem a votação final da medida. Sua aprovação era tida como certa. Há hoje contra telefônicas cerca de 40 processos que consideram ilegal as escutas.’


 


DINAMARCA


Folha de S. Paulo


Complô mataria autor de charge de Maomé


‘DA ASSOCIATED PRESS – A polícia dinamarquesa anunciou ontem ter prendido três pessoas que planejavam assassinar o cartunista que em 2005 publicou caricaturas do profeta Maomé.


As pessoas presas, dois tunisianos e um dinamarquês de origem marroquina, não tiveram sua identidade revelada. Eles foram interceptados em Aarhus, a oeste do país.


A polícia não indicou o cartunista que o grupo pretendia matar. Mas o jornal ‘Jyllands-Posten’ disse se tratar de Kurt Westergaard, 73.’


 


INTERNET


Folha de S. Paulo


Yahoo! compra plataforma de vídeo on-line por US$ 160 milhões


‘O Yahoo! anunciou ontem a compra da plataforma de vídeo on-line Maven Networks por cerca de US$ 160 milhões. O conselho de administração da empresa rejeitou na segunda-feira a oferta de aquisição por US$ 44,6 bilhões apresentada pela líder mundial de softwares, Microsoft, por considerar baixo o valor oferecido. Concretizado, o negócio seria o segundo maior envolvendo empresas da internet.’


 


Gustavo Villas Boas


Yahoo! coloca no ar ‘BBB’ de anônimos


‘Um anônimo que, por meio de uma câmera, tem sua vida transmitida para o mundo. A fórmula, que deu certo nos reality shows, é sucesso também na internet.


E o Yahoo! embarcou nela na semana passada. O Y!Live (li ve.yahoo.com) coloca qualquer pessoa, com webcam e uma conta do portal, ao vivo na internet.


É tudo rápido -caso não haja um problema no caminho. Depois de cadastrado, o internauta tem que criar um canal. O nome do canal vai ser também usado no endereço eletrônico dele, portanto é indicado ter cuidado.


Depois, clique em ‘Go Live’ -que fica no canto esquerdo inferior da página do canal. É preciso autorizar o sistema a acessar a câmera e o microfone.


Para isso, marque a caixinha ‘Allow’ (permitir); as opções aparecem em uma janela que se abre quando o internauta tenta ir ao ar.


Caso você tenha deixado passar essa janelinha, pressione o botão direito do mouse sobre a tela do seu canal e escolha ‘Settings’, que as opções aparecem. É possível transmitir vídeo com som também.


Durante os testes da Folha, que conseguiu iniciar a transmissão sem problemas, alguns usuários do site, em bate-papo, diziam não conseguir conectar a câmera.


Os internautas têm a opção de levar seu canal -ou de outra pessoa- a um blog, por exemplo, por meio de um código que fica logo abaixo do da telinha do vídeo.


Clique em Embed Video, copie o conteúdo da janela que abre e cole na área para códigos HTML de sua página, como se fosse um vídeo do YouTube.


Nos testes, assim como na transmissão do canal no próprio Yahoo!, os vídeos ao vivo estavam com um atraso um pouco maior do que o que acontece em sites semelhantes ou em mensageiros instantâneos.


Interação


Quem não quiser aparecer, ou não tiver uma webcam, pode assistir aos canais, que são públicos -e interagir com a celebridade e com o resto da audiência por meio de um bate-papo comum.


Também dá para aparecer, ou escolher quem aparece, nos canais alheios. Quem tem uma webcam conectada fica com o nome na cor verde na lista de participantes. É só arrastar o nome de alguém nessa condição a um dos quatro espaços para vídeos que ficam embaixo das conversas.


Por enquanto, são poucas as opções de canais, e a audiência não é muito grande -mais de 30 pessoas já podem levar você ao topo do Ibope virtual. O idioma inglês domina as conversas.’


 


***


Clipe repulsivo faz sucesso no YouTube


‘Não está no YouTube, e nem poderia estar, mas é sucesso no site.


Os espectadores do vídeo de escatologia pornográfica ‘2 Girls and 1 Cup’ (duas garotas e uma xícara), desde cerca de outubro do ano passado, se filmam assistindo pela primeira vez ao clipe, que possui os três ingredientes do título e um roteiro irreproduzível, e colocam as reações no YouTube.


Para isso, eles normalmente usam a ferramenta do site que permite capturar para o site direto da webcam.


As reações ao vídeo vão de risos incontroláveis a vômito, e alguns usuários gravam, inadvertidamente, até membros da família para assistir ao show de horrores -que é atribuído a um brasileiro e tem verbete na Wikipédia.


O sucesso é demonstrado em números: são mais de 10 mil vídeos encontrados ao buscar pelas palavras que dão nome à obra, e oito deles têm mais de 1 milhão de visualizações.


O mais visto, uma montagem com reações de diversas pessoas, conseguiu mais de 8 milhões de espectadores em três meses no ar.’


 


TELECOMUNICAÇÕES


Folha de S. Paulo


Teles fixas pedem para transmitir conteúdo


‘Em documento encaminhado à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), as concessionárias de telefonia fixa pedem liberdade para transmissão de conteúdo audiovisual, o fim do impedimento de que uma mesma empresa atue em áreas diferentes do país e propõem antecipar a revisão dos contratos de concessão.


A carta foi enviada pela Abrafix (Associação Brasileira das Concessionárias de Telefonia Fixa Comutada), da qual são sócias, entre outras, Oi, Brasil Telecom e Telefônica.


Apesar do documento, o presidente da entidade, José Fernandes Pauletti, negou ontem que esteja em curso um ‘acordão’ entre o governo e o setor para viabilizar a compra da BrT (Brasil Telecom) pelo grupo Oi/Telemar. O ‘acordão’ seria o atendimento a pleitos de outras grandes empresas para reduzir resistências à criação da chamada ‘supertele nacional’.


No documento, as teles ponderam que o PGO (Plano Geral de Outorgas), que divide o país em áreas, está superado. ‘Nos dias atuais, os mercados de atuação das empresas de telecomunicações transcendem as fronteiras dos países e devem ser olhados em contexto mais amplo. Daí ser hoje desnecessário e inconveniente o agrupamento ou desmembramento do país nas regiões do PGO.’


Segundo a Abrafix, ‘a revisão do PGO pode permitir que, eventualmente, um mesmo acionista, isolado ou em grupo, possa deter participação no controle de mais de uma concessionária, atuante em distintas regiões, obviamente que observadas as premissas de defesa da concorrência’.


Sempre usando o argumento de que a evolução tecnológica propicia a convergência de serviços, as teles pedem liberdade para atuar na transmissão de conteúdo. ‘A evolução tecnológica oferece a possibilidade de os prestadores de STFC [concessionárias de telefonia fixa] ofertarem aos seus usuários serviços mais amplos.’


Segundo o texto, é relevante a ‘supressão de restrições à possibilidade de transmissão de conteúdo audiovisual pelos grupos empresariais que detenham concessões de STFC’.


Embora a Abrafix represente as operadoras de telefonia fixa, há sugestões também para o mercado de telefonia móvel, com objetivo de permitir a consolidação das empresas. Segundo o texto, uma mudança no PGO poderia levar a modificações no PGA (Plano Geral da Autorizações, que define as áreas de ação da telefonia móvel). ‘Uma revisão do PGO teria também a função de provocar mudanças no PGA-SMP, de modo a permitir consolidação de diferentes operadoras necessárias à prestação eficiente de múltiplos serviços.’


Há duas semanas, o ministro Hélio Costa (Comunicações) disse que seriam solucionados gargalos regulatórios do setor. Costa citou a impossibilidade de a Embratel (controlada pela mexicana Telmex) assumir o controle da Net- maior operadora de TV a cabo do país-, porque a lei exige que as operadoras tenham maioria de capital nacional. Citou também a dificuldade de a Telefônica adquirir a TIM no Brasil. O grupo espanhol Telefónica é acionista da italiana Telecom Italia (que controla a TIM Brasil) e da Vivo, mas as duas operações têm de permanecer separadas no Brasil, por força da legislação.’


 


CINEMA
Silvana Arantes


‘Tropa’ gera mais ódios que amores em Berlim


‘O concorrente brasileiro ao Urso de Ouro no Festival de Berlim, ‘Tropa de Elite’, de José Padilha, exibido anteontem, teve uma recepção da crítica dividida entre amores e ódios. Mais ódios do que amores.


A revista norte-americana ‘Variety’, que recentemente incluiu Padilha numa restrita lista de dez diretores em quem se deve prestar atenção, foi especialmente dura com o filme.


Em resenha assinada por Jay Weissberg, a ‘Variety’ atribui a ‘Tropa de Elite’ um ‘estilo Rambo’ e sustenta que ele faz ‘uma monótona celebração da violência gratuita que funciona como um filme de recrutamento de seguidores fascistas’.


Weissberg afirma ainda que, segundo o filme, ‘só o Bope pode salvar a cidade [do Rio], mas isso requer, antes, a remoção cirúrgica de qualquer coisa que se pareça com um coração’.


Leitores brasileiros da versão online da revista escreveram no site mensagens de protesto e atacaram o autor da crítica.


A ‘Hollywood Reporter’ publicou entrevista e reportagem sobre o filme, com destaque em sua capa da edição de ontem, mas chamou-o de ‘um filme constrangedor sobre policiais assassinos’.


A crítica afirma que ‘o pressuposto básico do roteiro escrito por Padilha, Rodrigo Pimentel e Bráulio Mantovani é que todo mundo no Rio é corrupto, especialmente as autoridades’.


A revista inglesa ‘Screen’, por sua vez, deu ao filme a nota máxima -quatro estrelas, correspondente a ‘excelente’- , numa crítica farta de elogios.


‘A montagem corajosa, a incansável câmera na mão e essa espécie de tom quente e realista conhecido desde ‘Cidade de Deus’ e ‘Amores Brutos’ produzem uma mistura que é mais funcional do que inovadora, embora seja eficiente’.


A crítica do jornal francês ‘Le Monde’, publicada no blog de cinema do diário, acusa o filme de fazer apologia da tortura: ‘Tropa de Elite’ é feito segundo a receita do neoconservadorismo hollywoodiano -montagem frenética, câmera epiléptica, narrativa que não deixa nenhum espaço à ambivalência. Não é preciso ser hipersensível para ver no filme uma apologia da tortura e das execuções extrajudiciais’, afirma o crítico Thomas Sotinel.


A reação da imprensa alemã foi desigual. O jornal ‘Berliner Zeitung’ avaliou o filme como ‘excitante e original’, disse que ele apresenta ‘os diversos lados da questão’ e o faz com bom ‘equilíbrio entre os aspectos ficcional e documental’.


Já o ‘Der Tagesspiegel’ disse que, no retrato do ‘mundo pavoroso e sem lei’ que o filme faz, ‘não há zonas brancas e negras; tudo é escuro’. Os dois jornais, no entanto, ressaltaram que ‘Tropa de Elite’ não é fascista. ‘E nisso [fascismo], como você sabe, somos especialistas’, comentou o jornalista alemão.


Padilha acredita que os críticos estrangeiros que atribuíram ao filme um caráter fascista foram influenciados por colegas brasileiros que reprovam ‘Tropa de Elite’ desde a sua estréia no Brasil.


Sobre as resenhas publicadas ontem, o diretor afirmou: ‘Uns nos acharam inteligentes, outros fascistas. Na verdade, não me preocupo com isso’.’


 


Folha de S. Paulo


Herdeiros de J.R.R. Tolkien cobram estúdio


‘O estúdio responsável pela trilogia ‘O Senhor dos Anéis’ está sendo processado em US$ 150 milhões (cerca de R$ 264 milhõ) pelos responsáveis pelo espólio de J.R.R. Tolkien, sob a alegação de não ter pago royalties. O New Line Cinema teria pago só um adiantamento de US$ 62,5 mil (cerca de R$ 110 mil) pelos filmes, que faturaram US$ 6 bilhões (cerca de R$ 10,5 bi). A instituição The Tolkien Trust também pede compensações.’


 


***


Governo chinês proíbe filmagem no país


‘O governo chinês não permitiu que ‘Shangai’, estrelado por John Cusack e ambientado durante a ocupação de Shangai pelos japoneses na Segunda Guerra, filmasse algumas cenas no país. O filme é sobre um norte-americano que investiga a morte de um amigo na cidade chinesa. O japonês Ken Watanabe e a chinesa Gong Li também estão no elenco.’


 


TELEVISÃO
Laura Mattos


Mocinho cinqüentão


‘Ele será mocinho de novo na novela, mas, na vida real, Edson Celulari neste ano se torna um cinqüentão e completa três décadas de televisão.


A partir da próxima segunda, seus famosos olhos azuis serão de Guilherme Medeiros, engenheiro mulherengo, mas romântico, protagonista de ‘Beleza Pura’, novela das sete da Globo. À Folha, o ator fala sobre o novo papel, a vida aos 50, a opção por peças menos comerciais e o sonho de ter um espaço para reciclar atores.


FOLHA – Em 50 anos de vida e 30 de TV, qual foi o maior mico que já pagou, seu melhor e pior momento?


EDSON CELULARI – O mico foi a primeira e única peça que escrevi. Tinha 16 anos e precisava convencer meu pai a me deixar fazer a EAD [Escola de Artes Dramáticas da USP]. Escrevi um monólogo, dirigi e atuei.


Era horrível, mas convenceu meu pai. Penso que ele me amava muito. E já foram alguns [melhores] papéis e momentos também: Calígula, ‘Asa Branca’, ‘Don Juan’, Vadinho, Ciccilo Matarazzo, ‘Don Quixote’, ‘Inocência’, ‘Decadência’, ‘Ópera do Malandro’. Do pior, já não me lembro, tenho memória seletiva.


FOLHA – Seu nome não costuma estar vinculado a questões políticas. Por que prefere não se envolver?


CELULARI – Arte e política se atraem, mas não combinam, são água e óleo. O melhor para o artista é crer nas suas utopias.


FOLHA – Aos 50, o assédio das mulheres é maior que aos 20, 30 e 40?


CELULARI – Diferente, ainda bem. Porque 50 anos com tudo igual seria monótono. As mulheres estão mais ousadas, com mais atitude. O assédio é mais consistente, os personagens ganham mais visibilidade. É igual Mega-Sena: tem a acumulada.


FOLHA – Você e a Cláudia [Raia] discutem sobre como lidar com o jornalismo de celebridades, se devem ou não ir a festa, ilha de ‘Caras’?


CELULARI – Recebemos muitos convites para esse ou aquele evento, essa ou aquela ilha. Nunca fomos. Nosso tempo é usado para o nosso ofício e nossa família. Nada contra. Quem sabe, um dia, vamos poder estar de pernas para o ar num desses paraísos e cercados por camarões por todos os lados.


FOLHA – Você é metrossexual?


CELULARI – Não tenho pudor em dizer que tento me cuidar, mas confesso que me falta disciplina e paciência. Vivo da minha imagem, preciso ter a capacidade de mutação até do meu ‘visual’. Mudo a cor do meu cabelo há muitos anos e nunca escondi isso. Quero poder exercitar o camaleônico, todo ator gosta disso e precisa ter fôlego para suportar tanta exposição.


FOLHA – Lamenta o fato de Manoel Carlos não ter levado adiante a idéia de tornar Silvio, seu personagem em ‘Páginas da Vida’, em bissexual? Não seria enriquecedor para um currículo dominado por mocinhos?


CELULARI – O que enriquece um ator é um bom personagem. Não vejo meus personagens como arquétipos simples: esse é romântico, esse é vilão cômico. Seria muito sem graça. A novela do Manoel Carlos foi mais uma experiência. Será que o fato do Silvio ser ou não gay mudaria a minha carreira? Acho que não.


FOLHA – Guilherme, seu personagem de ‘Beleza Pura’, vai ‘bombar’ como tio Glauco de ‘América’?


CELULARI – Guilherme Medeiros é um cara muito bem sucedido, atrapalhado, desligado, muito ego centrado. É aquele cara que não se permite errar, solteirão, mulherengo, meio mal-humorado, encrenqueiro, de pavio curto, impaciente, machão. E tudo isso faz dele um homem muito divertido, um sujeito moderno e infantil muitas vezes. O personagem é maravilhoso. Agora, se vai ou não ‘bombar’, o público vai definir.


FOLHA – Você costuma optar por um teatro menos convencional e, curiosamente, Cláudia tem a imagem ligada a musicais da Broadway.


CELULARI – No teatro, posso ter meus projetos artísticos realizados. Na TV e no cinema, sou contratado, recebo convites.


No teatro, arrisco, quero outras linguagens. Quero ir além do meu público de TV. O teatro no Brasil vive um momento de reconhecimento. Tem coisas novas, como os musicais chegando, com grande força comercial e competência, e tem esse outro teatro das tais ‘palavras’, do pensar, que fica com um espaço cada vez mais específico.


O teatro independente vai sobreviver a espaços cada vez mais raros, infinitos meio-ingressos, violência, flanelinhas?


Temos hoje uma platéia cada vez mais definida para o teatro entretenimento. Isso é ruim?


Sim, se não existirem as outras tantas possibilidades que o teatro, como meio de modificação social, pode oferecer. Quero poder provar de tudo um pouco. O que não posso fazer na TV, como linguagem, faço no teatro. Já a Cláudia tem como história os musicais. Começou cedo e faz com muito talento e alegria. É uma das poucas brasileiras que fazem bem o dançar, cantar e interpretar. Comediante, faz graça com competência e sem pudor, e trabalha com disciplina. Quem sabe um dia, ela queira fazer seu primeiro clássico e eu meu primeiro musical? Se formos tentar fazer sem preconceito, teremos chances de nos divertir.


FOLHA – Tem daqueles sonhos de escrever livro, construir um barco?


CELULARI – Adoraria ter um estúdio para exercícios, ensaios, experiências. Um espaço para a reciclagem, pré-produção do ator. É assim que me vejo até o fim: ator. Que não esperem de mim esse negócio de livro, árvore, morar longe, isolado. Preciso de pessoas, cúmplice, audiência. Meu trabalho é coletivo. Se sobrar um tempinho, construo um barco. Pode ser um teatro flutuante que pararia em cada porto por esse Brasil afora. Tudo é possível, principalmente quando você também se interessa pelos gigantes, além dos moinhos.’


 


Daniel Castro


Record News só não perde para Rede Vida


‘Inaugurada com alarde em setembro, a Record News, primeira emissora aberta de jornalismo, ainda não saiu do traço no Ibope da Grande São Paulo. O canal de notícias vem marcando média diária (das 7h à meia-noite) de 0,2 ponto, o equivalente a pouco mais de 11 mil domicílios, audiência que não sustenta nem rádio FM.


No ranking das emissoras UHF, a Record News empata na média diária com a Play TV e com a Mix TV, canais que, na maior parte do tempo, fazem televendas. Nesse segmento, a líder é a MTV, com 0,3 ponto.


No horário nobre (18h/24h), quando Mix (grupo Objetivo) e Play TV (Band/Gamecorp) têm conteúdo jovem e ‘saltam’ para até 0,4 ponto, a Record News, com 0,2, só ganha da católica Rede Vida, que não passa do 0,1, e da Rede Gospel (Igreja Renascer), traço absoluto (0,0). O melhor momento da Record News é à tarde (12h/18h), quando sua média é de 0,3.


A Record se diz satisfeita com seu canal de notícias. Lembra que ele tem menos de seis meses no ar e já empata com emissoras que estão há anos no mercado. Além disso, a Rede Mulher, que ocupava seu canal (o 42), não passava de 0,1.


Segundo a Record, embora haja empate em 0,2 ponto na média diária de audiência, a Record News leva vantagem sobre a Play TV em ‘share’ -tem 0,5% de participação sobre o total de televisores ligados, contra 0,4% da ‘concorrente’.


MONEY, MONEY O publicitário Roberto Justus embarca hoje para Atenas, onde gravará material para o primeiro episódio da quinta temporada de ‘O Aprendiz’, da Record, no ar em 6 de maio. Na Grécia, Justus falará sobre negócios e cultura.


BANCADA Luiz Bacci (repórter que durante três dias apresentou o ‘Fantasia’) e Joyce Ribeiro serão os âncoras do novo ‘Aqui Agora’, previsto para estrear em 3 de março no SBT.


RODADA Presidente da Record, Alexandre Raposo terá hoje reunião com dirigentes do Clube dos 13. Mas ainda não deve formalizar proposta (de mais de R$ 500 milhões) para tentar tirar o Campeonato Brasileiro da Globo, em 2009.


TESOURA 1 Para evitar uma eventual reclassificação de ‘Duas Caras’ para as 22h, a Globo mudou até o jeito de Gislaine (Juliana Alves) andar. Ela abandonou o rebolado de ‘cachorra’. Numa seqüência em um motel, entre Rodrigo Hilbert e Betty Lago, foram cortadas as expressões ‘vagabunda’ e ‘piranha’.


TESOURA 2 A ordem para que ‘Duas Caras’ sofra ‘amenizações’ partiu da direção-geral da Globo. O Ministério da Justiça diz que não há risco de reclassificação.


MUNDO ESTRANHO O episódio de ‘Ugly Betty’ exibido semana passada pelo Sony parecia reprise, mas não era. É que o canal segue a ordem de exibição dos EUA. Lá, o quarto episódio (aqui mostrado na semana passada) virou 11º.’


 


Cristina Fibe


Reality com lésbicas e série estréiam hoje


‘Um reality show com seis amigas lésbicas e uma série americana baseada em uma telenovela alemã estréiam em seqüência hoje, no Multishow.


Às 22h45, a série ‘Monarch Cove’, produzida nos EUA em 2006, conta a história de Bianca (Virginia Williams), condenada injustamente pelo assassinato de seu pai. Depois de passar seis anos na cadeia, ela volta à sua cidade, Monarch Cove, onde reencontra uma família despedaçada, apesar de a mais rica da região.


Nesta temporada única, de 14 episódios, Bianca é obrigada a lidar com um irmão que de fato entra para o crime, uma avó doente e uma irmã interesseira. Entre os poucos nomes conhecidos no elenco está o ator Simon Rex, de ‘Jack & Jill’.


Às 23h15, o canal estréia um reality show que acompanha um grupo de seis amigas apaixonadas por surfe e por outras meninas, em Los Angeles.


‘Curl Girls’ tem o mérito de tratar o assunto com a naturalidade que lhe é devida, ao menos no início desta temporada. É claro que, como qualquer reality cuja intenção é meramente escancarar a vida de estranhos, não falta exposição de corpos e de relacionamentos.


Duas das meninas começam o programa juntas e, logo no primeiro episódio, já se vê que os altos e baixos da relação serão um dos atrativos da série.


MONARCH COVE E CURL GIRLS


Quando: hoje, às 22h45 e às 23h15, respectivamente


Onde: no Multishow’


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008


CUBA
O Estado de S. Paulo


Cubanos retificam-se em vídeo


‘A imprensa oficial cubana divulgou ontem vídeos nos quais universitários cubanos denunciam a ‘manipulação’ de uma gravação na qual eles fazem críticas às políticas do governo. ‘Nossas sugestões tinham o objetivo de melhorar o socialismo, não destruí-lo’, diz o estudante Eliécer Ávila. Nas últimas semanas a gravação dos universitários tornou-se um sucesso na ilha, onde ela é vendida no mercado negro. No vídeo, os estudantes fazem ao presidente do Parlamento, Ricardo Alarcón, perguntas como: Por que os cubanos não podem entrar em hotéis ou viajar? Por que eles têm de trabalhar por três semanas para comprar um tubo de creme dental?’


 


IRAQUE
O Estado de S. Paulo


Jornalistas da CBS são seqüestrados em Basra


‘A rede de TV americana CBS confirmou ontem que dois de seus jornalistas desapareceram em Basra, sul do Iraque. A CBS não divulgou nomes, mas o jornal londrino Guardian afirmou que um deles é o britânico Hisham Hamdan. Desde 2004, pelo menos 51 jornalistas foram seqüestrados no Iraque, sendo que 12 foram mortos.’


 


INTERNET
Gilberto Amendola


Rodinhas de laptop em vez do velho violão


‘O segundo andar do prédio da Bienal, no Ibirapuera, virou acampamento de aficionados por tecnologia. Esqueça o mato, a fogueira e o violãozinho. Para os ‘campuseiros’ da primeira edição nacional da Campus Party (encontro de interessados em internet, robótica, games etc., que teve sua primeira edição na Espanha, em 1997), a natureza deveria ter dotado as árvores de tomadas.


São cerca de 1.800 pessoas em 900 barracas. Apesar de padronizadas por um dos patrocinadores, as tendas foram customizadas – principalmente com camisas de times de futebol e bandeiras do MST.


Os aventureiros tecnológicos acampam até domingo. Muitos vieram de outros Estados e países para assistir a palestras e conferir os avanços da computação. ‘Tem roqueiro, punk, nerd e todas as outras tribos’, diz Rafael Bispo, de 24 anos, que veio de Sergipe. ‘Nunca acampei no mato. Prefiro esse prédio.’


A reportagem procurou as mais festejadas no ambiente, as mulheres. ‘É, não tem muita menina, não. Mas os meninos estão se comportando. Acho que têm até um pouco de medo’, diz a cearense Michelle de Lima, de 18. ‘Meu namorado está no Ceará.’


Mas não deve demorar para que os nerds consigam se dar bem. Corre o boato – espalhado pelos blogs – de que vai ter um casamento no acampamento. O problema vai ser organizar a festa: bebidas alcoólicas e cigarros estão proibidos, mas a rapaziada tem dado um jeito de fumar escondido.


A primeira noite rendeu reclamações. As garotas acharam os banheiros ‘abertos demais’ e as duchas, fracas. Mas a reclamação mais comum foi outra: ‘O chão do prédio da Bienal é frio e duro. Fica difícil dormir’, diz Ericles Rodrigues Souza, de 21, que veio de Tocantins. ‘Até as 4 h, tinha gente acordada. Rodinhas se formaram em torno de laptops, o pessoal mostrava blogs, vídeos e músicas’. O único ponto negativo: ‘Todas as meninas já estavam acompanhadas’.


A Campus Party promove debates sobre inserção tecnológica, software livre, criação e desenvolvimento de ferramentas para internet. Mas o que mais chama a atenção são os jogos. O mais poderoso é um de luta chamado Kung Fu Kick Ass. Os participantes têm seus movimentos filmados e transferidos para o jogo. As viúvas do Counter Strike, recentemente proibido, têm se divertido com similares como Unreal Tournament 3 e o Call of Duty. O tiroteio está rolando solto na Bienal.


GLOSSÁRIO


Casemod: modificação do formato do gabinete onde as peças estão instaladas


Noob ou N00b: programador iniciante, que não tem familiaridade com linguagens para produzir softwares de computador


Lol: abreviação de ?laughing out loud? (rindo muito alto), utilizado quando alguém escreve algo que acha engraçado’


 


FUTEBOL
Daniel Piza


Três tipos de comentaristas


‘Sempre leio e ouço os comentaristas se queixando do baixo nível do futebol nacional, mas será que o nível dos comentários sobre o futebol nacional é tão melhor? A impressão não é essa. Como é chato, por exemplo, suportar horas de mesas-redondas sobre se Miranda fez pênalti no jogo entre São Paulo e Santos! Aí, na hora de falar de coisas boas, como os gols mais bonitos da rodada, os critérios usados pouco têm a ver com futebol; seguem apenas a sensação visual ou a agenda nacionalista, e ninguém pára para esmiuçar a fineza técnica do terceiro gol de Thiago Neves contra o Flamengo. Vejamos três tipos de comentaristas:


Comentarista que queria ser treinador – É um tipo em ascensão. Dá valor distorcido a táticas e estatísticas. Confunde dizer ‘O Santos não ganha do São Paulo no Morumbi desde o primeiro semestre de 2006’ com ‘O Santos tem menos chance de ganhar hoje’ – o que era fato, mas apenas pelo elenco inferior… E costuma esquecer que há aspectos emocionais e imponderáveis no futebol que não se explicam por posicionamento. A entrada de Carlos Alberto naquele jogo levou o São Paulo a perder a marcação de meio-campo, mas ele acertou o gol com ajuda do zagueiro Domingos, ao contrário de Kléber Pereira, que desperdiçou chances mais claras. O divertido do futebol é transcender ‘scouts’.


Outra mania dessa turma é medir conhecimento futebolístico pela memorização de nomes e datas. Se o sujeito lembra o nome do lateral esquerdo do Juventus em 1967, é saudado como alguém que ‘entende de futebol’…


Comentarista que queria ser jogador – É um tipo mais comum do que se pensa. Em geral, olhando para eles, a sensação é a de que nunca chutaram uma bola na vida. Mas a besteira está em avaliar desempenhos e situações de jogo pela óptica do ‘eu faria’ ou ‘não faria’. Daí sua admiração excessiva por alguns jogadores com características peculiares, que logo vão sendo tratados como craques ou gênios. Aí é preciso chegar um técnico mal-humorado como Muricy Ramalho e, apesar de se referir a um jogador importante de seu próprio time, expor a obviedade de que Adriano não é craque, mas um goleador que cabeceia bem e chuta forte com a esquerda. Não é craque porque tem um defeito sério: só pensa no que vai fazer com a bola depois que a recebe no pé; não antevê as jogadas. Logo, abusa de seus dois únicos recursos.


Adriano é também um ‘bad boy’, figura que alguns comentaristas adoram. Assim como Romário. No episódio recente entre ele e Eurico Miranda, foi triste ver tantas frases em favor do jogador, que bem poderia mudar o apelido para Eurico Jr., já que o considera ‘um pai dentro do futebol’. Quem sai aos seus…


Comentarista que não passa de torcedor – De longe o tipo mais comum. É aquele que vê tudo, do lance mais duvidoso de uma partida a toda uma história de conspirações, pelo ponto de vista do seu clube. Muitas vezes, basta que um dos times seja da sua cidade – e então o adversário só venceu porque jogou feio, etc. E há aquele que tem certeza de que em seu tempo só se jogava o futebol-arte, sem violência, sem juiz ruim, sem ‘professores’ no banco… Em vez de usar o que testemunharam como experiência para examinar novidades, se limitam apenas a exaltar o passado ou comparar tudo com ele.


O resultado dessa tipologia é uma visão de futebol polarizada, razão x emoção, tática x teatro. Não espanta que tenham errado tanto em tempos recentes, como nas Copa de 2002 e 2006. Como têm uma noção restritiva do que é o futebol, vivem sendo enganados pelo pique da bola.’


 


TELEVISÃO
Roberta Pennafort


Novela sem vilão


‘A Globo informou ontem que ainda não tem um substituto para Fábio Assunção, que estava escalado para a próxima novela das 8, Juízo Final, mas pediu para ser dispensado na última sexta-feira. O ator viveria um vilão na trama, que estreará em maio. Segundo a Assessoria de Imprensa de Assunção, ele vive um ‘momento dele’ e não tem qualquer trabalho em vista.


O galã teve de prestar depoimento à Polícia Federal no mês passado, por estar num flat, em São Paulo, na companhia de um traficante de drogas, preso com cocaína. Conforme nota enviada por assessores, sua requisição de sair do elenco de Juízo Final ‘foi prontamente atendida e apoiada pelas classes artísticas e executiva da Rede Globo’.


Assunção chegou a fazer leituras do roteiro da trama de João Emanuel Carneiro, com Claudia Raia e Mariana Ximenes, além do diretor Ricardo Waddington. Carneiro lamentou a baixa, mas disse que a substituição não lhe trará problemas. ‘Como, ao compor personagens, não costumo pensar em ninguém especificamente, a trama seguirá seu curso natural’, afirmou, por meio da Assessoria da Globo.’


 


DOWNLOAD
João Luiz Sampaio


E os clássicos descobrem a internet


‘Demorou, mas os selos clássicos começaram a entrar na onda tecnológica. Dois exemplos recentes confirmam a tendência. A soprano Barbara Hendricks acaba de lançar um CD dedicado a Handel e Purcell, Endless Pleasure – você só o encontra na internet e paga o valor que achar justo pelo download. E a Deutsche Gramophon, a mais tradicional das gravadoras, colocou todo seu acervo, cerca de 2.450 álbuns, em seu site – e a prática vale também para os lançamentos: o novo álbum do tenor Rolando Villazón, seu primeiro com o selo, chega às lojas em março, mas poderá ser baixado no site da gravadora.


Barbara Hendricks teve, durante décadas, contrato de exclusividade com a EMI Classics, encerrado em 2004. No ano passado, resolveu criar seu próprio selo, o Arte Verum (www.arteverum.com), pelo qual vai lançar seus próximos álbuns. Comprar é fácil. Você digita o valor que acha justo – e, se pagar mais de 7, tem direito a fazer o download de faixas de outros dois álbuns da soprano. É a primeira artista do mundo clássico a seguir a prática, que ficou célebre no ano passado quando a banda Radiohead lançou o disco In Rainbows no mesmo esquema, vendendo cerca de 1,2 milhão de cópias em pouco mais de 24 horas, com um preço médio de US$ 8.


Foi essa crença que fez com que a Deutsche Grammophon disponibilizasse seu acervo: no comunicado divulgado no fim do ano passado, a empresa disse acreditar que, a preços justos, o consumidor vai preferir fazer o download legal em vez de buscar faixas piratas pela internet. Mais do que isso – com a prática, cerca de 600 álbuns esgotados voltam agora, como em um passe de mágica, ao catálogo. Há ainda uma série, DG Concerts, com a gravação ao vivo que chegam ao site pouco depois da apresentação. O selo, no entanto, não correu riscos – você pode baixar todo o álbum ou algumas faixas, mas o valor é fixo, cerca de US$ 12 pelo total ou U$ 3 pela faixa, dependendo, claro, da duração.


Mas, vamos aos discos. Em Endless Pleasure, Barbara Hendricks gravou algumas das mais famosas árias de Handel, de óperas como Giulio Cesare e Semele, além de trechos de Purcell, em especial ‘Ah! Belinda and When I Am Laid in Earth’, de Dido and Aeneas. Já Villazon optou por um programa de árias italianas: Cielo e Mar tem criações de Ponchielli, Cilea, Mercadante, Boito e do brasileiro Carlos Gomes, ‘Intenditi con Dio’, da ópera Fosca. O tenor está atualmente em estúdio gravando uma nova La Bohème com Anna Netrebko, soprano sensação do momento – que também será comercializada pela internet a partir de maio, em homenagem aos 150 anos do compositor Giacomo Puccini. Em tempo, o site da DG: www.deutschegrammophon.com.D’


 


HOLLYWOOD
O Estado de S. Paulo


Greve causa perdas de mais de US$ 2 bi


‘A greve dos roteiristas, que terminou depois de mais de três meses, provocou perdas de mais de US$ 2 bilhões à economia de Los Angeles, segundo um estudo publicado anteontem. A última grande paralisação que afetou a indústria do entretenimento, em 1988, gerou perdas de US$ 500 milhões, quatro vezes menos que a atual, apesar de ter durado seis semanas a mais. Segundo a Corporação de Desenvolvimento Econômico de Los Angeles, cerca de US$ 733 milhões foram perdidos em despesas de produção, além de US$ 1,3 bilhão destinados a alimentação, floristas, motoristas, hotelaria, garçons, e costureiros.’


 


CARTÕES DO GOVERNO
Eugênia Lopes


Acordo racha oposição, que ameaça obstruir Senado por cargo em CPI


‘Os partidos de oposição no Senado passaram o dia de ontem insistindo em indicar o presidente da futura Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que será criada para investigar o mau uso dos cartões corporativos. A oposição decidiu pleitear um dos cargos de comando – a relatoria ficará com um deputado do PT – para não ser acusada de patrocinar uma ‘CPI chapa-branca’. Caso o governo não aceite compartilhar os postos-chave da comissão, o DEM e o PSDB ameaçam obstruir todas as votações no Senado.


‘Não é com faca no pescoço, não é com imposição que vamos chegar a um entendimento’, ponderou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Em conversas reservadas, ele defendeu um acordo em torno da chefia dos trabalhos. Sua proposta conta com o aval do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN). ‘Sou favorável a que se dê um cargo para a oposição. Acho que a CPI só vai funcionar assim’, disse Garibaldi. ‘Os desentendimentos sobre a CPI não vão parar o Senado. Isso eu garanto a vocês.’


Se o governo concordar com que a oposição fique com a presidência, o cargo será ocupado por um senador tucano. Um dos nomes cotados é o da senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), considerada uma parlamentar ‘equilibrada’. ‘O entendimento é o melhor sistema para todos. Há chances de a oposição ficar com um cargo. Mas não pode ser ninguém espalhafatoso para presidir a CPI. Tem de ser uma pessoa equilibrada’, frisou o líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES).


As dificuldades para chegar ao consenso, porém, eram grandes. O governo não concorda em abrir mão do comando total da comissão, principalmente o PT e o PMDB do Senado. Os dois partidos se posicionaram radicalmente contra a possibilidade de ceder a presidência para a oposição. E, com a relatoria assegurada, os petistas já tratavam ontem de alavancar o nome de seu ex-líder na Câmara Luiz Sérgio (RJ) para ocupar o posto.


‘Não abro mão de indicar o presidente da CPI. O PMDB do Senado abriu mão de várias coisas antes, como a presidência da Comissão de Constituição e Justiça e da Comissão de Assuntos Econômicos’, alegou o líder do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), que indicou logo pela manhã o senador Neuto de Conto (SC) para o posto. ‘Não temos de ser bonzinhos. Temos de ser regimentais. O justo é que o cargo fique com o PMDB’, assinalou o senador Tião Viana (PT-AC).


‘O PSDB e o DEM cobram respeito ao que representam numericamente nesta Casa’, argumentou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), ao insistir que a presidência da CPI fique com a oposição. A alegação é de que os dois partidos formam um bloco com 28 senadores (15 do DEM e 13 do PSDB), ante os 19 do PMDB.


‘Aceitamos uma investigação que começa agora e termina em 1998. Fazemos isso até para não dar pretexto para melar essa CPI. Não queremos nada que cheire a pizza’, afirmou Virgílio. A oposição, aliás, passou o dia todo tentando negar um acordo com o governo para instalar uma comissão que não investigasse nem os gastos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem os do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com os cartões.


‘Se não chegarmos a um entendimento, a decisão é obstruir as votações’, destacou o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).


A obstrução não tem data marcada para começar. Em reunião ontem no fim da manhã entre governistas e oposicionistas ficou acertada a votação, à tarde, de três projetos de lei. ‘Cedemos em votar hoje (ontem) três propostas. Amanhã será outro dia’, observou Maia.


A expectativa é de que o recolhimento de assinaturas para a CPI só termine na próxima semana. O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), estaria recomendado aos governistas não assinar o pedido. Jucá foi convocado às pressas para um almoço no Palácio do Planalto com o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro (PTB-PE), e os líderes aliados da Câmara para explicar o porquê da CPI.’


 


Escândalo veio à tona há 1 mês


‘O caso dos cartões eclodiu em 13 de janeiro, com a revelação de que a fatura bateu recorde no governo Lula – R$ 75,6 milhões em 2007, 129% a mais em relação a 2006. O Estado mostrou que a ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, liderou despesas no primeiro escalão – R$ 171,5 mil em gastos de viagens, R$ 121,9 mil só com aluguéis de carros.


A informação de que R$ 58,7 milhões haviam sido sacados em dinheiro aumentou a cobrança. Em 25 de janeiro, o Ministério Público decidiu apurar o caso. No dia 28, a Comissão de Ética Pública pediu que a Controladoria-Geral da União apurasse o uso do cartão por Matilde em restaurantes e free shop, à véspera do Natal.


O Tribunal de Contas da União decidiu esmiuçar os dados e o Ministério Público decidiu investigar gastos de três ministros: Matilde, Altemir Gregolin (Pesca) e Orlando Silva (Esporte). Sob pressão, o governo baixou um pacote, em 31 de janeiro – reduziu saques e vetou uso do cartão para alugar carro, salvo caso excepcional.


No dia seguinte, 1º de fevereiro, Matilde se demitiu. Um dia depois, o titular dos Esportes anunciou a devolução de R$ 30 mil. Por fim, vieram à tona gastos de seguranças e da filha de Lula, Lurian, esquentando o escândalo.’


 


 


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