Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

FEITOS & DESFEITAS > INTERNET & ACADEMIA

Eu plagio, tu plagias, nós plagiamos…

Por Tamyris Torres em 22/03/2011 na edição 634

Seria inadmissível pensar que discentes de cursos superiores começam e terminam as suas vidas acadêmicas plagiando trabalhos alheios certo?


Mas não é bem isso que acontece entre, sem generalizações, os letrados e/ou pseudo-intelectuais de nível superior. Recentemente, a Capes – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – divulgou suas orientações de combate ao plágio: ‘(…) recomenda com base em orientações do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que as instituições de ensino públicas e privadas brasileiras adotem políticas de conscientização e informação sobre a propriedade intelectual, adotando procedimentos específicos que visem coibir a prática do plágio quando da redação de tese, monografias, artigos, e outros textos por parte de alunos e outros membros de suas comunidades’.


Tendo isto em vista, acredito que instituições de ensino superior de todo o país precisarão encontrar maneiras de combater este perigo iminente tão sofrível às mesmas. Quem passou por uma universidade sabe que oportunidades e facilidades não faltam para comprar monografias e, mesmo em simples trabalhos de classe, não é difícil encontrar aquele aluno ‘mais esperto’ que dá o famoso Crtl C + Crlt V em artigos publicados na internet em livros e revistas científicas, entre outros.


Ética e profissionalismo


Um docente mais atento – a propósito, que esteja fazendo bem o seu trabalho – analisa o perfil de cada discente, se familiariza com o seu estilo de escrita, além de sua bagagem de leitura sobre os assuntos tratados em aula e, por conseguinte, pode perceber quando determinado trabalho foi copiado, quando o aluno não quis pesquisar e escrever por si próprio. O que acontece é que o ‘mais esperto’ acaba perdendo uma coisinha que nem por muitas vezes é exigido em sala: consciência crítico-reflexiva. Não obstante e para deixar ratificado, a mesma é tão essencial ao acadêmico de qualquer curso de nível superior quanto ar em nossos pulmões. Se fosse por isto, continuaríamos a prestar serviços na sociedade tecnocrata.


As orientações da Capes atentam para o fato de a internet ser um meio possibilitador de N acessos a bancos de dados, textos, teses, entre outros, que podem facilitar ao usuário mal intencionado copiar e colar as informações que achar pertinentes. É importante salientar que essa prática é crime e está passível de punições. ‘(…) as ferramentas tecnológicas e o advento da internet proporcionam acesso irrestrito a muitos bancos de dados oficiais e particulares e que algumas distorções advindas desta facilidade de acesso eletrônico têm gerado preocupações no sentido da prática nociva de copiar e colar textos (…)’, dizem as orientações. Veja na íntegra (abaixo).


As únicas perguntas que me faço são:


** Para que se busca estudar, se prefere manter sempre no nível de receptor (copy-paste) das mensagens, e nunca criador?


** Por que se faz 4, 5, 6 anos de faculdade se você, na hora de provar suas habilidades, copia e cola de outrem?


Eu tinha um professor na faculdade que falava que a universidade não é para todos. Vendo e vivificando o meio acadêmico como já fiz, concluo que mais uma vez ele estava certo.


À Capes, meus singelos parabéns pela iniciativa. Espero veementemente que as instituições de ensino superior honrem o que têm nas mãos e saibam que estão formando o futuro da nação. Práticas de plágio devem ser punidas com dor e restrição. Parece que saber que é crime é mais eficiente do que ter em mente que antes de tudo se trata de ética e de profissionalismo.

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Jornalista, webwriter, redatora, analista de mídias sociais da @UCBRJ, colunista do @midia8 e do @pontomarketing

Todos os comentários

  1. Comentou em 23/03/2011 Camila Tribess

    Tamyris, não se esqueça que grandes nomes da acadêmica brasileira, como reitora e professores da USP, se viram recentemente respondendo à acusação de plágio. É fácil dizer que os ‘estudantes’ fazem isso ou aquilo, mas os professores, excelentíssimos doutores, não estão isentos também.

    Sem falar na estrutura de nossas universidades, com avaliações duvidosas, que acabam favorecendo aqueles que são mais ‘espertinhos’ e dificultando o real processo de avaliação da aprendizagem.

    Além disso, no que diz respeito aos professores, a própria CAPES vem cobrando de forma irresponsável uma produtividade absurda, que acaba sendo adubo pras picaretagens acadêmcias.

    Não justifica, mas explica, eu acho.

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