Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

FEITOS & DESFEITAS > CASO VALERIE PLAME

Ex-secretário acusa Bush de enganar população

27/11/2007 na edição 461

O ex-secretário de imprensa da Casa Branca, Scott McClellan, colocou no presidente George W. Bush e no vice-presidente Dick Cheney a culpa pelos esforços para enganar o público sobre o papel dos funcionários da Casa Branca no vazamento da identidade da ex-agente da CIA Valerie Plame. Em um trecho do livro What Happened (O que aconteceu, tradução livre), que será lançado em abril, McClellan lembra que, em uma coletiva em 2003, informou aos repórteres que o estrategista político Karl Rove e o chefe de gabinete de Cheney, Lewis ‘Scooter’ Libby, não estavam envolvidos no vazamento.

‘Só tinha um problema. Esta afirmação era falsa’, diz. ‘Eu passei, sem saber, uma informação falsa. E cinco pessoas da alta administração estão envolvidas nisto [na situação de mentir aos repórteres]: Rove, Libby, o vice-presidente, o chefe do gabinete do presidente e o próprio presidente’. Na época, o chefe do gabinete de Bush era Andrew Card.

O trecho do livro foi postado no sítio da editora Public Affairs e traz à tona questões sobre o quanto Bush e Cheney sabiam sobre o vazamento. A nova secretária de imprensa da Casa Branca, Dana Perino, afirmou não estar claro o que McClellan quis dizer no livro. ‘O presidente não pediu e nem pediria a seu porta-voz para passar adiante informações falsas’, defende ela.

Já Valerie Plame divulgou uma declaração afirmando o oposto. ‘Estou ultrajada em saber que o ex-secretário de imprensa da Casa Branca, Scott McClellan, confirma que foi instruído a mentir para a mídia. Ainda mais chocante, McClellan confirma que não apenas Rove e Libby lhe pediram para mentir, como também o vice-presidente Cheney, o chefe do gabinete presidencial Andrew Card e o presidente Bush’. Valerie insiste que a Casa Branca informou, de maneira sorrateira, a sua identidade à mídia.

Retaliação

A ex-agente da CIA e seu marido, o ex-embaixador Joseph Wilson, alegam que o vazamento foi uma retaliação do governo à crítica pública feita por ele à Guerra do Iraque. Valerie e Wilson entraram com uma ação contra Cheney, Libby e Rove, acusando-os de uma conspiração para destruir a carreira política do diplomata. Rove foi uma das fontes originais para o colunista sindicalizado Robert Novak identificar Valerie em artigo no New York Times, em julho de 2003, poucas semanas após a publicação de um texto de Wilson que questionava a alegação de que Saddam Hussein estaria comprando urânio enriquecido do Níger para ser usado em armas nucleares.

Libby, que também teria falado com repórteres sobre a agente, foi o único indiciado pelo promotor que investigava o vazamento. Ele foi condenado a 30 meses de prisão por acusações de perjúrio e obstrução à justiça. Já Rove deixou o cargo na Casa Branca em agosto. Informações de Matt Apuzzo [AP, 21/11/07].

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