Sábado, 22 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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FEITOS & DESFEITAS > TRAGÉDIA NA MINA

Famílias cobram explicações sobre falso milagre

04/05/2006 na edição 379

Bill Tucker, inspetor-assistente da Agência de Segurança e Saúde nas Minas dos EUA, confessou em uma audiência pública nesta quarta-feira (3/5) que um pedido de socorro feito por ele no rádio durante o desastre da mina Sago, em janeiro deste ano, pode ter sido o que levou os parentes dos 12 mineiros mortos no acidente a acreditarem que eles haviam sido encontrados vivos. ‘Não me lembro exatamente das palavras que usei. Eu estava apenas pedindo socorro. Acho que posso ter dito ‘Eles estão vivos’’, disse Tucker.


Os parentes e amigos dos mineiros estavam em uma igreja próxima à mina de carvão na Virgínia Ocidental durante a busca e comemoraram a notícia depois de ouvirem por acaso a declaração do inspetor. A partir da comemoração, jornalistas que acompanhavam a espera das famílias transmitiram a feliz informação a canais de televisão a cabo, redes de rádio e jornais da costa leste dos EUA – desta forma, grande parte da imprensa americana noticiou que os mineiros haviam sobrevivido após uma explosão na mina. Três horas depois, a alegria deu lugar à dor, quando os canais de televisão e redes de rádio anunciaram que, na verdade, apenas um mineiro – posteriormente identificado como Randal McCloy Jr. – havia sobrevivido. Para alguns jornais, era tarde demais para mudar a primeira página; apenas seus sítios foram atualizados.


Tucker estava com o time de resgate que localizou os corpos. Os mineiros ficaram presos na mina por 41 horas, em meio a gases tóxicos. McCloy revelou que, no mínimo, quatro máscaras de oxigênio, que deveriam proteger os homens da fumaça e detritos, não funcionaram. A princípio, Tucker pensou que a equipe de socorro havia conseguido resgatar todos com vida. Depois que começou a checar o pulso dos homens, percebeu que apenas McCloy estava vivo. ‘Peguei o rádio e gritei que apenas um estava vivo’, relatou.


Ron Hixson, membro da equipe de resgate, pediu desculpas às famílias pela dor e problemas causados pela falha na comunicação. ‘Não era para ter sido assim’, disse entre lágrimas diante de 50 familiares das vítimas presentes nos dois dias da audiência. Uma das questões que as famílias queriam que fossem respondidas no interrogatório era como havia ocorrido a divulgação da falsa notícia.


Razões para a demora


Na audiência de terça-feira (2/5), durante dez horas, órfãos, viúvas e irmãos das vítimas fizeram perguntas a reguladores e legisladores sobre o desastre. Muitos pressionaram agências federais e estatuais para reforçar as leis de segurança em minas. ‘Não vamos deixar isto ficar esquecido. Se outro acidente ocorrer sem ter tido mudanças na segurança, vocês são responsáveis’, desabafou John Groves, cujo irmão Jerry morreu no acidente.


As famílias indagaram a Ben Hatfield, presidente da International Coal Group, proprietária da mina Sago, por que ele esperou horas para contar que apenas um mineiro havia sobrevivido. Hatfield afirmou que só ficou sabendo da verdade 45 minutos depois, mas que não tinha certeza se a informação estava certa. ‘Não sabíamos o que dizer às famílias’, justificou-se. Também foi questionado por que a Agência de Saúde e Segurança das Minas levou 11 horas para iniciar a busca e quais os motivos que levaram à demora na construção de uma saída de ar no local onde se especulava que os mineiros estavam. Informações da Editor & Publisher [3/5/06].

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