Segunda-feira, 22 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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Folha de S. Paulo

22/01/2008 na edição 469

CARNAVAL
Ruy Castro

O grande abraço democrático

‘RIO DE JANEIRO – A esta hora, hoje, Jota Efegê, Eneida de Moraes e Albino Pinheiro, inesquecíveis foliões e cronistas do Carnaval, já estariam de confete até na alma. É o início oficial do Carnaval carioca, com a cidade saindo atrás dos primeiros blocos e bandas. Como estamos a apenas duas semanas do propriamente dito, numa falseta que o calendário aprontou contra a festa, vamos ter de prolongá-la até meados de fevereiro.

Efegê (1902-87), Eneida (1904-71) e Albino (1934-99) eram milionários de bailes, desfiles, corsos, batalhas de flores e banhos de mar a fantasia. Juntando os Carnavais que viveram e os que não viveram (porque não eram nascidos, mas estudaram a fundo), deviam compor o maior arquivo vivo da folia, em escala mundial. Duvido que em Nice, Veneza e Nova Orleans alguém lhes chegasse aos pés em informação.

Conheci os três e nunca os ouvi falar, nem de raspão, em ‘decadência do Carnaval’. Como viam o Carnaval como um processo -o de 1780 não se parecia com o de 1830; este ainda não era o de 1906; e o de 1930 já seria outra coisa-, nenhum deles dizia preferir o Carnaval de antigamente.

Mesmo porque qual seria o melhor Carnaval? O dos corsos da juventude de Efegê? O dos bailes de pierrôs, comandados por Eneida? Ou o da Banda de Ipanema, criada por Albino? A resposta é todos. O Carnaval das marchinhas (para muitos, o ‘verdadeiro’ Carnaval) foi apenas o de 1930 a 1960. E, a partir de 1970, as escolas de samba de fato tomaram conta.

Mas essa cena também já mudou. Há anos, no Rio, os blocos e bandas é que estão com tudo. É a volta do Carnaval de rua -sem cordas, sem mortalhas, sem trio elétrico, e grátis- e até das velhas e novas marchinhas. A alegria no pé e no gogó da multidão, num grande abraço democrático, como deve ser.’

 

MULTA
Dimitri do Valle

Juiz multa Requião por utilizar TV

‘O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), foi multado em R$ 50 mil por descumprir decisão judicial que o proibia de usar a TV Educativa para criticar adversários, imprensa, juízes e membros do Ministério Público.

A sentença é do juiz federal Edgard Lippmann Júnior, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre. Lippmann Júnior, um dos atingidos pelas críticas, foi o autor da ordem que barrava as declarações polêmicas de Requião na emissora estatal.

Por causa disso, o juiz foi acusado pelo governador na mesma emissora de restabelecer a censura prévia no país.

Lippmann Júnior atendeu a recurso do Ministério Público Federal e também determinou que a TV Educativa veicule no próximo dia 22, a cada 15 minutos, a nota de desagravo emitida em apoio a ele pela Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), que acusou Requião de ‘debochar’ de decisões judiciais e ‘maltratar o regime democrático’.

Na sentença, o presidente da TV Educativa, Marcos Batista, foi advertido pelo juiz de que o desrespeito da ordem de veiculação da nota poderá ser caracterizado ‘na prática como crime de desobediência’.

A assessoria do governo do Paraná informou que Roberto Requião vai recorrer.

Na decisão, Lippmann Júnior disse que a manifestação organizada por Requião na terça-feira passada no programa ‘Escola de Governo’, da TV Educativa, não teve o resultado esperado. Para protestar contra o juiz, Requião mandou cortar o áudio da transmissão e sob sua imagem era exibido o carimbo de ‘censurado’ em associação ao nome do juiz federal.

‘Na prática, ao que parece, o resultado lhe foi sensivelmente desfavorável, vide neste sentido o editorial dos maiores jornais do Paraná, e matérias veiculadas pela grande mídia nacional’, afirmou o juiz.

Lippmann Júnior alegou que a prática da autocensura teve ‘nítido caráter vexatório ao Poder Judiciário’ e a seu nome. O juiz classificou de ‘desastrado’ outro episódio do protesto, a transmissão sem cortes de som do protesto de Requião na emissora Rede Mercosul Canal 21, de Curitiba, de propriedade do secretário especial de Governo, Luiz Mussi.’

 

TRIBUNAL
Folha de S. Paulo

Fiéis da Universal entram na Justiça contra a Folha

‘Desde o início desta semana, 28 fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) entraram na Justiça com ações individuais contra a Empresa Folha da Manhã S.A., que edita a Folha.

Apesar de os processos serem independentes -cada um tramita numa determinada cidade ou Estado-, todos os fiéis alegaram judicialmente terem se sentido ofendidos pela reportagem ‘Universal chega aos 30 anos com império empresarial’, publicada pela Folha em de 15 de dezembro.

Procurada pela reportagem desde anteontem, a Igreja Universal do Reino de Deus não se pronunciou. A reportagem telefonou nos dois dias e enviou e-mail com perguntas para o departamento jurídico da igreja, conforme indicação da assessora de imprensa.

A reportagem é da jornalista Elvira Lobato, que também foi citada nas ações de indenização por danos morais.

No texto, a repórter relatou que, em 30 anos de existência, a Igreja Universal construiu um conglomerado empresarial em torno do grupo. Lobato informou que uma das empresas da Iurd, a Unimetro, está ligada à Cableinvest, registrada no paraíso fiscal da ilha de Jersey, no canal da Mancha.

‘O elo aparece nos registros da empresa na Junta Comercial de São Paulo. Uma hipótese é que os dízimos dos fiéis sejam esquentados em paraísos fiscais’, informou a repórter.

Semelhanças

Nos processos, os 28 fiéis sustentaram que a reportagem ‘insinuou’ que os membros da igreja são pessoas inidôneas e que o dízimo pago por eles é produto de crime.

Todos os textos são muito parecidos, com parágrafos e citações bíblicas idênticas.

Por exemplo, o processo movido pelo pastor Nalcimar Estevam Araújo, de Jaguarão (RS), por meio da advogada Maristela Carvalho de Freitas, tem 23 parágrafos idênticos ao iniciado por Ailton Cantuário da Silva, de Catolé do Rocha (PB), que é defendido pela advogada Kaline Gomes Barreto.

Até mesmo o dano narrado pelas partes é idêntico:

‘O autor [da ação] passou a ser apontado por seus semelhantes com adjetivos desqualificantes e de baixo calão, além de ser abordado com dizeres do tipo: ‘Viu só! Você que é trouxa de dar dinheiro para essa igreja!’ ‘Esse é o povo da sua igreja! Tudo safado!!’ ‘Como é que você continua nessa igreja? Você não lê jornal, não?’ ‘É. Crente é tudo tonto, mesmo.’

Em todos os demais processos, cada um dos fiéis também diz ter ouvido exatamente as mesmas frases provocativas.

Na grande maioria, as ações foram abertas em cidades pequenas, como Santa Luzia (PB), Cajazeiras (PB), Bom Jesus da Lapa (BA), Canavieiras (BA), Bataguassu (MS), Alegre (ES) e Barra de São Francisco (ES).

‘Nenhum dos autores foi mencionado na reportagem e não há referência negativa nem aos fiéis da religião nem à Igreja Universal. Não houve nenhum abuso do direito de informação. Sei que sairemos vencedores nessa discussão’, afirmou a advogada Taís Gasparian, que representa a Folha.

Os e-mails enviados à Iurd não foram respondidos até o fechamento desta edição. No fim da tarde de ontem, a assessoria disse que ‘achava’ que a igreja não se manifestaria.’

 

TELEVISÃO
Lúcio Ribeiro

Jack Bauer volta à Globo barbudão

‘Se você é fã da série ‘24 Horas’, mas não baixa os episódios na internet assim que passam na televisão americana, não recorre à pirataria na semana seguinte, não acompanha pela TV paga alguns meses depois nem compra o DVD mais alguns meses adiante, então sua hora chegou.

A Globo bota as famosas cenas explícitas de tortura, ataques terroristas e intriga internacional generalizada ao alcance da TV aberta a partir da próxima segunda-feira, depois de seu último telejornal noturno.

A sexta temporada de ‘24 Horas’, talvez o mais polêmico ano da série, começa com seu herói, o agente Jack Bauer (Kiefer Sutherland), voltando aos Estados Unidos destroçado, depois de uma temporada em masmorras chinesas.

Mas o MacGyver-Bond dos tempos modernos está longe de se sentir aliviado. Ele foi resgatado pelo governo americano das mãos dos chineses para servir de escambo humano com terroristas árabes.

E a montanha-russa de explosões, reviravoltas e tiroteios da sexta temporada vai começar mesmo quando Bauer recorrer a uma tática do conde Drácula para deixar de ser a caça e virar o caçador.

Série narrada em ‘tempo real’, que inovou ao colocar um reloginho digital na tela para acompanhar quase minuto a minuto as várias situações de um dia ‘daqueles’ da vida do agente especial antiterrorista, ‘24 Horas’ extrapolou a TV e chegou a ser discutida no Congresso americano, em escolas e em revistas como a ‘New Yorker’. Tudo por causa de sua ‘sugestão’ de campo de concentração para muçulmanos em plena Los Angeles e de seus interrogatórios para obter a ‘verdade’ dos terroristas sob qualquer custo, já que vale tudo para salvar a pátria.

Audiência

O escritor Stephen King, fã de Jack Bauer, chegou a escrever um artigo sobre a ‘mensagem subliminar’ que ‘24 Horas’ parecia passar ao telespectador: ‘Em situações extremas, está liberado torturar qualquer um que quisermos. Na verdade, nós temos a obrigação de torturar na hora de proteger o país’.

Dois detalhes: a série ‘24 Horas’ é campeã de audiência na hora de lazer dos soldados americanos que estão servindo à pátria no Iraque. Quando essa sexta temporada começou a ir ao ar nos Estados Unidos, em janeiro de 2007, os quatro primeiros episódios, exibidos especialmente em dois dias consecutivos para ‘prender’ logo no começo o público na poltrona, foram vistos por 33 milhões de pessoas.’

 

MODA
Nina Lemos

Westwood faz protesto contra consumo

‘‘O que importa não é o que você veste, mas se você é ou não uma pessoa legal.’ A estilista Vivienne Westwood, no Brasil a convite da Melissa, foi aplaudida com entusiasmo após falar essa frase para a platéia que lotou ontem o auditório do MAM, durante a SPFW.

Motivo: assistir ao ‘manifesto’ Resistência Ativa a Propaganda, escrito pela estilista. Trata-se de um texto de 22 páginas que mistura Aristóteles com personagens como Alice e Pinóquio proferindo máximas sobre arte, moda e consumo.

O texto foi lido (em inglês, claro) pela própria Vivienne e por fashionistas como Supla (o pirata) e o ‘stylist’ Maurício Ianês (o chapeleiro maluco) para uma platéia atenta por 1h30.

O público resistiu bravamente e ouviu até o fim uma espécie de leitura de peça de teatro, com frases como ‘a arte é ilimitada ao infinito, no começo não poderia haver progresso’.

O clima ficou mais animado no final, quando a estilista se propôs a responder perguntas e disparou frases (aplaudidas histericamente) como ‘vocês não precisam de tantas roupas novas’ para um público de freqüentadores VIP do evento -a maior parte da imprensa foi barrada, a pedido da estilista, que explicou que preferia falar com interessados no assunto.

O fato de uma estilista de sucesso falar contra o consumo foi motivo de piada. ‘Acho maravilhoso que ela venda a marca dela por milhões e depois faça manifesto anticonsumo. Isso é que é ser punk de butique’, ironizava o estilista Fábio Gurjão.

Alguns ‘manifestos’ espontâneos foram ouvidos na platéia assim que Vivienne entrou. ‘Venda suas roupas mais barato’, gritou um. ‘Se é contra o consumo, porque gastou tanto papel?’, era outra piada corrente, já que o longo manifesto, no original e traduzido, foi distribuído para a platéia.

Realizada na semana de moda que mais movimenta dinheiro no Brasil, a peça-manifesto antipropaganda de Vivienne fez sucesso. ‘Ela disse que a gente deve se vestir do jeito que quer. Disse para ela que já passei com louvor em seu curso’, ria o estilista Dudu Bertholini, um de seus ‘atores’.’

 

 

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O Estado de S. Paulo – 2

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