Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 15 E 16/09

Folha de S. Paulo

19/09/2007 na edição 451

MÍDIA & POLÍTICA
Clóvis Rossi

Lula foge de jornalistas de trem, faz visita a Toledo e almoça com Zapatero

‘O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fugiu (de trem) ontem pela manhã dos jornalistas que acompanham sua visita à Espanha. Em um jogo de esconde-esconde, o Itamaraty distribuiu programa da visita que só previa, para ontem, almoço informal com o primeiro-ministro espanhol, José Luís Rodríguez Zapatero, em Quintos de Mora, nas imediações de Toledo (a 88 km de Madri).

Por volta de 10h30 (5h30 em Brasília), Lula desceu da suíte no Hotel Palace de blusão branco com o emblema da República, sem gravata, de mãos dadas com a mulher, Marisa, de terninho verde.

Enquanto cinco jornalistas faziam plantão ali, fotógrafos e cinegrafistas já haviam sido levados a Toledo pelo ônibus alugado pelo Itamaraty -que foi direto a Quintos de Mora.

Lula deixou o hotel, não em direção a Toledo de carro, como é a praxe. Foi a Atocha, a estação de trem, e embarcou para Toledo, longe das vistas de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas, salvo o fotógrafo oficial, Ricardo Stuckert.

Mais tarde, em Madri, Lula justificou: ‘Por mais que seja um homem público, ao menos num sábado tenho direito a uma viagem privada’. Amanhã há uma reunião formal com Zapatero.’

MÍDIA & POLÍTICA / ITÁLIA
Fábio Chiossi

Comediante assusta políticos na Itália

‘O comediante italiano Beppe Grillo tem deixado de cabelo em pé boa parte dos políticos italianos, estejam eles ligados à União, a coalizão do governo de centro-esquerda de Romano Prodi, ou à Casa da Liberdade, a forte oposição de direita que tem no ex-premiê Silvio Berlusconi figura de peso.

Tendo feito sucesso com suas sátiras, Grillo, 59, especializou-se em criticar a corrupção -principalmente a política e a empresarial- na Itália.

Além de fazer shows com casa cheia pelo país, o comediante tem colhido assinaturas para um projeto de três pontos: a inelegibilidade de qualquer cidadão que tenha sido condenado por algum crime; a proibição da candidatura dos que já tiverem cumprido dois mandatos na Casa; e a instituição do voto nos nomes dos candidatos, em vez de na lista partidária.

Com essa plataforma, divulgada em seus shows e no seu blog (www.beppegrillo.it), Beppe Grillo conseguiu reunir cerca de 50 mil pessoas na praça central de Bolonha no último dia 8 de setembro. O nome do evento: ‘V-Day’ -abreviação da expressão ítalo-inglesa ‘Vaffanculo Day’. Em português, ‘Dia do Vão-se’.

E os políticos, que Grillo pinta como sanguessugas, não são o único alvo de sua verborragia. Seu blog não poupa banqueiros, a mídia e as ‘grandes companhias’, todos ‘mentirosos’.

No dia seguinte ao ato de Bolonha, em resposta a insinuações de que o comediante estaria querendo fundar um partido político, ele afirmou querer é ‘destruir os partidos’ à platéia de um show em Sabaudia, segundo o jornal ‘La Repubblica’. ‘Os partidos são o câncer da democracia; somos nós que devemos nos apropriar da política’, arrematou.

O abaixo-assinado, registrava seu blog na última quinta, já tinha mais de 330 mil assinaturas. São necessárias 500 mil para que uma proposta de referendo vá ao Parlamento.

Enquanto acadêmicos e articulistas debatiam se a mobilização do V-Day foi política ou ‘antipolítica’, se deveria ser levada a sério ou não, os políticos do país reagiram. Não faltaram acusações de demagogia.

Mas também houve manifestações positivas. Em entrevista ao ‘La Repubblica’, Rosy Bindi, ministra da Família, disse que ‘somos considerados privilegiados e praticamente inúteis pela comunidade’. Bindi sugere então uma resposta de sua classe, apoiando a diminuição dos benefícios de que gozam os parlamentares italianos.

O presidente da Câmara, Fausto Bertinotti, também comentou a mobilização. Segundo disse ao ‘Corriere della Sera’, é natural que ‘os vácuos políticos sejam preenchidos, mesmo que com material não tão bom’. Para Bertinotti, o sucesso de Grillo se explica em parte pela ‘incapacidade geral da política de reformar a si mesma’. Mas, acrescenta, não há solução para o problema fora da própria política.’

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Para analistas, humorista é alerta e perigo

‘Para o cientista político italiano Giuseppe Cocco, professor titular da UFRJ, a iniciativa de Beppe Grillo denuncia o esgotamento do sistema de representação político-partidário da Itália. Ela é um retrato, diz Cocco, do fato de o governo Prodi, que ganhou a eleição ‘de forma fraca, principalmente no Senado’, não ter capacidade de mobilização.

Corroboram as palavras do professor da UFRJ episódio recente e emblemático que levou à queda temporária do governo de Prodi: em fevereiro deste ano, o premiê renunciou ao cargo após um racha em sua base ter impedido a aprovação, no Senado, de sua proposta de política externa. Pouco depois, Prodi foi reconduzido ao governo, mas a instabilidade da sua coalizão, a União, naquele momento ficou evidente.

Diferentemente de Cocco, Alfio Mastropaolo, professor do Departamento de Estudos Políticos da Università degli Studi di Torino, em Turim, diz que Beppe Grillo é, no momento, um fenômeno exclusivamente ‘antipolítico’. ‘Não tem um projeto’, afirma o acadêmico, que se dedica a pesquisas sobre democracia e populismo.

Mastropaolo crê que Grillo e suas reivindicações se tornaram populares porque, em parte, os privilégios dos políticos na Itália são mesmo ‘escandalosos’. Mas ele credita sua popularidade também ao fato de o comediante fazer ‘escândalo’. E a mídia, na Itália como em todas as democracias maduras, ‘ama o escândalo’, diz.

Sobre o temor que Grillo despertou nos políticos italianos, o professor de ciência política de Turim avalia que afeta tanto os de direita quanto os de esquerda, porque ‘a antipolítica começa como gozação, mas não se sabe como pode terminar’. No entanto, observa que a propaganda populista que Grillo faz é perigosa principalmente para a esquerda, porque a direita italiana ‘tem vários populistas’.

Sobre a possibilidade de Beppe Grillo estar dando início a algo que se transforme em um movimento mais consistente, parece haver um consenso.

Cocco diz não acreditar que a iniciativa vá se consolidar em um movimento, mas tem esperança de que ela desperte, ‘na parte inteligente da esquerda’, uma movimentação para mudanças políticas.

‘Ninguém vai levar as propostas de Grillo a sério’, antes de tudo porque são demagógicas, diz Mastropaolo.’

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Beppe Grillo foi banido da televisão

‘Nascido na cidade de Savignone, na Província de Gênova, Giuseppe Grillo, 59, formou-se contador e começou a trabalhar como comediante, na televisão, no final dos anos 70.

O sucesso apareceu depois que ele apresentou dois programas intitulados ‘Te lo Do Io’ (eu te dou), um gravado nos EUA e outro no Brasil, no início dos anos 80. Neles, Beppe apresentava, com humor, particularidades do cotidiano nos dois países.

Pouco depois, passou a fazer sátira política com mais freqüência, acusando diretamente figuras de peso da política italiana. Mas Grillo não se limitava a gozar apenas dos mandatários italianos. Grandes empresas e até mesmo o Banco da Itália caíram na sua rede.

‘A primeira campanha pública dele foi contra a publicidade’, conta o jornalista italiano Paolo Argentini, da La7 TV.

Suas performances acabaram por lhe tirar o espaço na TV. Argentini diz que ele foi literalmente expulso da grade das redes estatais italianas por ter feito no ar uma crítica forte ao Partido Socialista quando este governava a Itália.

O jornalista refere-se a um programa exibido numa noite de sábado de 1987, na RAI, em que o comediante ridicularizou o então premiê Bettino Craxi -que, no fim, teve sua carreira arruinada por envolvimento em corrupção.

Assim, a partir do início dos anos 90, ele praticamente desapareceu da TV. Argentini diz que mesmo as redes privadas passaram a boicotá-lo por conta de sua verve.

Mas Grillo conseguiu transferir seu sucesso para fora das telas, o que é comprovado pelos shows que faz pelo país, os quais Argentini confirma estarem constantemente cheios, e por seu blog, cujo poder de mobilização em torno do V-Day foi tema de comentário de não poucos políticos e analistas italianos.

Edição da revista ‘Time’ de outubro de 2005 elegeu Beppe Grillo como um dos ‘heróis europeus’ do ano, por conta de seus protestos públicos contra a corrupção em seu país. Em 26 de julho último, ele foi a uma sessão do Parlamento Europeu falar sobre esses assuntos. Nessa ocasião, começou a divulgar o V-Day.

No entanto, Grillo também teve de prestar contas à Justiça. Em 1980, foi condenado por homicídio culposo devido a um acidente de carro quando estava ao volante e no qual morreram três passageiros do veículo.’

CASO MADDIE
Folha de S. Paulo

Mãe será ouvida de novo, afirma jornal

‘A polícia portuguesa deve ouvir, na terça ou na quarta-feira, Kate McCann, mãe da menina desaparecida desde maio.

Segundo o ‘Diário de Notícias’, serão 40 questões -às quais ela não respondeu antes- elaboradas por Portugal, mas feitas pela Inglaterra, já que a família voltou ao país.

McCann não é obrigada a responder às perguntas. Em data ainda indefinida, a polícia inglesa fará seu próprio interrogatório.

Os pais de Madeleine anunciaram ontem que vão lançar uma campanha em toda a Europa para atrair novamente as atenções à busca da menina.’

CHINA
Folha de S. Paulo

Jornalista do NYT é libertado após três anos

‘DA REUTERS – Zhao Yan, jornalista chinês que trabalhava para o ‘New York Times’, foi libertado ontem após passar três anos na prisão. Yan havia sido condenado em agosto de 2006 por fraude. Em 2004, porém, fora preso acusado de vazar segredos de Estado.

A China, segundo a ONG Repórteres sem Fronteiras, mantém presos 35 jornalistas por ‘exercerem seu direito de informar’.’

POLÍTICA CULTURAL
Gilberto Gil

A importância dos direitos autorais

‘O debate sobre direitos autorais ganhou espaço importante de discussão pública. Trata-se de assunto estratégico para a cultura brasileira: a valorização e proteção aos autores e criadores é premissa fundamental de todo o trabalho que vem sendo realizado no Ministério da Cultura -instituição que tem a competência, no Estado brasileiro, de tratar o tema.

Em grande medida, suscitamos a discussão quando decidimos retomar a responsabilidade do ministério de atuar neste que é um dos mais importantes temas da cultura. Além de órgão regulador, o Ministério da Cultura tem se tornado um grande financiador de bens artísticos e criativos, aumentando seu orçamento ano a ano, e remunerando, via seleções públicas, milhares de autores de filmes, peças, livros e outros bens culturais que entram em circulação no país.

Na globalização, o Brasil precisa afirmar-se como um grande produtor de conteúdo em língua portuguesa e não apenas um gigante consumidor. Nossa balança comercial em propriedade intelectual (hoje deficitária) deve buscar o equilíbrio, em benefício do Brasil, das empresas e dos autores brasileiros.

O direito autoral voltou hoje a ser premissa e uma das finalidades da política cultural brasileira. A política para o direito autoral é estratégica porque diz respeito à soberania do Brasil e de nossos criadores na emergência da sociedade do conhecimento.

Passados dez anos da última alteração da Lei Autoral brasileira, é hora de a sociedade pensar se é necessária uma atualização. São muitas as insatisfações com o atual modelo, a começar pelos autores, que não se sentem inteiramente protegidos, nem bem remunerados. E acrescentemos o desafio dos novos modelos de negócios em base digital e, também, o aprofundamento da democracia e o desejo dos brasileiros de acessar a cultura, como parte de sua formação humana integral.

Hoje, a lei é anacrônica para atender, de forma equilibrada, tanto autores como consumidores e cidadãos. A simples reprodução de um arquivo musical para um tocador de MP3 contraria nossa legislação autoral, que não diferencia cópia privada de cópia com fins de pirataria. Tanto autores como consumidores concordariam que esta é forma relevante de circular cultura e remunerar artistas.

Tecnologia

O ambiente de desenvolvimento das tecnologias digitais promove, ao mesmo tempo, um desafio e uma oportunidade para o criador de obras literárias e artísticas. Desafio porque, dada a facilidade com que se reproduz ou se comunica ao público, uma obra ultrapassa largamente a capacidade tradicional de controle do autor sobre a sua utilização. Oportunidade, pois o autor nunca teve tanta facilidade em tornar público o seu trabalho, sem depender dos esquemas tradicionais que lhe submetem a um contrato com um investidor cujos termos são, por vezes, onerosos e mesmo leoninos contra os autores. Em algum momento de minha carreira musical, senti na própria pele como os autores nem sempre são os beneficiários.

A lei atual prescreve a utilização das medidas de proteção tecnológica (MPT), que permitem ao dono dos direitos sobrepor algum software ou programa específico sobre a mídia em que eles estão gravados, de maneira que seja impossível, por exemplo, copiar o filme ou a música. Na prática, em todo o mundo, tais medidas têm se revelado ineficientes e incapazes de manter a remuneração dos autores e investidores.

A tecnologia a serviço do cerceamento das liberdades produzidas pela própria tecnologia não é o melhor caminho, quando temos formas mais modernas de controle e novas formas de modelos de negócio, como a contribuição obrigatória sobre a mídia virgem. Essa contribuição, mínima, é revertida automaticamente para os autores como forma de compensá-los por perdas como as causadas pelos downloads. Limitações e exceções à proteção autoral permitem atividades culturais sem fins econômicos, que são perfeitamente legais em países avançados.

Devemos também enfrentar a vulnerabilidade dos criadores frente ao abuso de poder econômico do investidor, que se reflete, por vezes, em certas formas de contrato, de licenciamento ou cessão dos direitos sobre sua obra para que ela seja reproduzida, veiculada, distribuída ou comunicada ao público. O que sobra ao autor após a assinatura desse contrato é, via de regra, ínfimo, face à importância de sua criação para a mídia e para o usuário final da obra protegida.

As distorções da lei atual criam um claro desequilíbrio entre o incentivo à criação versus o acesso à cultura, de um lado, e, de outro, o incentivo ao criador versus a remuneração do investidor. A tecnologia, por certo, interfere nesse processo, nos colocando diante de desafios que serão enfrentados com muito debate social, negociação e inovação. A questão fundamental a ser enfrentada é: como remunerar de maneira condizente o criador nacional, o bem-estar que ele propicia a toda a sociedade?

Transparência

Devemos reforçar o papel das entidades de gestão coletiva autoral em suas tarefas de controlar a utilização das obras e de arrecadar uma remuneração justa, que seja efetivamente revertida aos autores. São legítimas as críticas constantes ao órgão central de arrecadação da execução pública musical, assim como a situação de falência da entidade mais antiga de gestão coletiva, no caso dos direitos de representação teatral, além da ausência de órgãos de gestão, por exemplo, na área do cinema.

No período recente, o Estado brasileiro praticamente foi desmantelado no seu papel de garantir mais transparência. Hoje, tornou-se necessário fortalecer o papel do Estado na área. O Ministério da Cultura apoiou a criação, no âmbito do Ministério da Justiça, do Conselho Nacional de Combate à Pirataria e Delitos contra a Propriedade Intelectual (CNCP).

O governo tem sido bem-sucedido em coordenar os esforços entre a iniciativa privada e o Estado, com o objetivo de combater a reprodução não-autorizada de obras autorais. Isso tem sido feito, facilitando o trabalho das autoridades policiais e judiciárias na busca, apreensão e destruição do material pirateado.

Porém, temos insistido que não será suficiente somente a repressão pura e simples à pirataria, sem um trabalho de educação e informação para a população da importância do direito autoral e da relação intrínseca entre a pirataria e o crime organizado, mostrando que a compra de material pirata financia a criminalidade. A iniciativa privada também tem um papel importante nessa área, devendo buscar reduzir os preços dos CDs e DVDs comercializados para torná-los mais atrativos para o consumidor de material pirateado. O Estado não pode tudo nessa área: sem um esforço de toda a cadeia de comercialização, as medidas represssivas não serão suficientes.

A consolidação das leis autorais, ainda no século 19, teve sempre um objetivo fundamental: incentivar a criação como forma de aumentar o bem-estar da sociedade. Nossa lei atual está cumprindo esse objetivo? Em minha visão, não é o caso.

Por isso tudo, julgo que devemos rever esses desequilíbrios e induzir à melhor distribuição de benefícios, na qual o criador receba uma contrapartida justa em relação a seu papel na sociedade. Com o meio digital, o desafio é ainda maior. Independentemente de qual sejam esses instrumentos e seu foco de atuação, o Ministério da Cultura já vem trabalhando para dotar seu setor autoral de uma estrutura adequada, para fazer frente aos desafios impostos pelas novas tecnologias e, principalmente, pela grandeza cultural de nosso país.

Nesse sentido, é com satisfação que anuncio que o Ministério da Cultura realizará uma série de encontros, seminários e oficinas integrando um fórum nacional sobre direitos autorais que promoverá um amplo debate com a sociedade e com todos os atores envolvidos na questão autoral com vistas a definir qual a melhor forma de promover os equilíbrios que mencionei, bem como a atuação que o poder público deve ter para dotar o campo autoral de mais transparência e justiça.

GILBERTO GIL, 65, é compositor e atual ministro da Cultura.’

ENTREVISTA / LARRY KING
Margaret Kemp

O rei da CNN

‘O apresentador de TV Larry King, 73, nasceu no Brooklyn, em Nova York. Sem diploma universitário, teve vários empregos, incluindo o de entregador de pacotes, antes de tornar-se mundialmente famoso com seu programa de entrevistas ‘Larry King Live’, que há 22 anos é transmitido pelo canal de informações CNN.

King vive em Beverly Hills com sua mulher, Shawn Southwick, e os dois filhos deles.

Na entrevista abaixo, ele fala da vida dura na infância e da vida como estrela.

PERGUNTA – Descreva sua infância.

LARRY KING – Meu pai era austríaco, minha mãe, imigrante russa. Vivíamos num bairro de classe média, apesar de sermos de classe média baixa. Meu pai morreu quando eu tinha 9 anos e minha mãe precisou da assistência da Previdência Social para nos sustentar, a mim e meu irmão. Foi duro, mas tive uma infância maravilhosa.

PERGUNTA – Foi frustrante ser pobre, não poder cursar a faculdade?

KING – Não foi problema. Minha fantasia, desde os dez anos de idade, era trabalhar no rádio ou na televisão. Estou vivendo meu sonho. Muitas vezes eu me belisco para ter a certeza de que é tudo verdade.

PERGUNTA – Você olhava para casas grandiosas e dizia a você mesmo: ‘Um dia…’?

KING – Não havia casas grandiosas em Bensonhurst. Quando íamos a Manhattan e caminhávamos pela Park Avenue ou quando íamos a Miami, então sonhávamos sonhos grandiosos, meu irmão e eu, como fazem todos os garotinhos.

PERGUNTA – Você é afetado pelo lugar onde se encontra?

KING – Sabe de uma coisa engraçada? Sempre sou o mesmo. Vou a um ambiente e me adapto a ele. Se estou em um hotel, não sinto saudades de minha casa. Por falta de um termo melhor: sou um sujeito comum.

PERGUNTA – Você se interessa por decoração de interiores ou deixa tudo nas mãos de Shawn?

KING – Não entendo nada de decoração. Shawn tem ótimo gosto. Só quero vir para casa, me sentar numa poltrona confortável e ver cores agradáveis.

PERGUNTA – Qual é o seu cômodo favorito?

KING – São dois: a sala dos troféus, que é elegante e muito descontraída, e a sala de estar principal, que é iluminada e arejada, onde temos todos os televisores Sony mais modernos, de tela plana. A casa tem televisores Sony por toda parte.

PERGUNTA – A casa tem uma sala de mídia ou ‘home cinema’?

KING – Você quer dizer o tipo de lugar onde se pode ter mil filmes e tudo isso? Sim, mas ainda não usei. A gente vai colocá-la para funcionar assim que eu puder chamar alguém para apertar os botões certos. Não sou um sujeito técnico. Tenho horror à tecnologia moderna. Não uso nem mesmo e-mail.

PERGUNTA – Você já entrevistou desde popstars até presidentes. Você recebe pessoas em casa?

KING – [O cantor] Lionel Richie já esteve aqui, e [o ator] Al Pacino. Nancy Reagan é uma boa amiga nossa. A primeira inspeção completa da casa que ela fez levou duas horas.

PERGUNTA – Você cozinha?

KING – Não. Não sei nem se consigo fazer café e sou péssimo com torradas. Preciso que me tragam minha comida pronta.

PERGUNTA – A arte é uma parte essencial de sua toda casa. Você é colecionador?

KING – Sim, temos várias obras de arte. Peter Max, um artista americano de talento que pinta em cores fortes e belíssimas, é bom amigo nosso. Tenho um bico-de-pena de Picasso e prezo muito o desenho que Al Hirschfield fez de mim, uns dez anos atrás, que é incrível. Como disse Katharine Hepburn, ‘o desenho conta a história inteira’. Gosto da sensação de ter arte e escultura pela casa.

PERGUNTA – Você já escreveu 13 livros. Como arruma tempo?

KING – Pode não parecer, mas na realidade trabalho apenas uma hora por dia, então tenho bastante tempo livre. Depois de levar os meninos à escola, eu dito e escrevo. E já estive em 22 filmes. O último é ‘Bee Movie’, a comédia animada de Jerry Seinfeld sobre uma dupla de amigos insetos que estréia em novembro [nos EUA]. Sinto tanto prazer com o que faço -escrever, fazer meu programa, viajar por aí fazendo discursos, contar piadas, brincar com os meninos.

PERGUNTA – Se você não vivesse em Beverly Hills, onde viveria?

KING – Em San Francisco. É minha cidade favorita. Gosto do ar refrescante, das colinas, da sofisticação, dos restaurantes. Não é um centro da mídia, mas eu viveria lá facilmente.

PERGUNTA – Recentemente, você fez uma homenagem a Elvis no ‘Larry King Live’, apresentando o programa a partir de Graceland. Alguma vez você se sente encurralado, como Elvis?

KING – Nem um pouco. Vivemos no circuito das celebridades. As pessoas passam por aqui o tempo todo para tirar fotos da casa. E se elas não se interessassem? Seria deprimente. Vou lhe contar uma coisa: eu estava andando numa rua na África do Sul e um sujeito saiu de um barraco e disse: ‘Larry King Live’. Falei: ‘Você só pode estar brincando’.

PERGUNTA – Se alguém sem diploma universitário viesse procurá-lo, em busca de emprego, você lhe daria uma chance?

KING – Sem dúvida nenhuma. Algum dia esse alguém pode querer comprar minha casa.’

TELEVISÃO
Daniel Castro

Sucesso na internet, ‘Big Brother 8’ terá edição virtual

‘A oitava edição de ‘Big Brother Brasil’ só estreará na Globo em 8 de janeiro, mas já está bombando na internet.

Neste ano, para movimentar a fase de inscrições, a emissora lançou uma comunidade virtual sobre ‘BBB’, uma espécie de Orkut em que os candidatos a uma das 14 vagas do programa montam seus perfis, exibem fotos e vídeos e são classificados em categorias tipo ‘sem noção’, ‘que delícia’ e ‘pra casar’.

A brincadeira pegou. Até quinta-feira, 3,5 milhões de internautas já tinham participado de alguma ação na comunidade, como votar nos candidatos para alguma categoria ou deixar alguma mensagem.

Hoje, o número de inscritos na comunidade virtual deve bater na casa dos 90 mil. Se todos enviarem ficha e vídeo para a TV Globo, o número de inscritos no programa baterá recorde. Nos últimos ‘BBBs’, os inscritos não passaram de 60 mil.

J.B. de Oliveira, o Boninho, diretor-geral do reality show, acredita que as inscrições na comunidade virtual chegarão a 250 mil até 15 de outubro, quando acabam. ‘Se todos esses caras mandarem fitas e se inscreverem de fato, já temos o elenco do ‘BBB’, diz.

Diante do sucesso do ‘Orkut’ do ‘BBB’, a Globo estuda lançar em dezembro uma edição virtual do programa. Os ‘participantes’ terão suas ‘vidas’ manipuladas por roteiristas, e o público votará nos ‘paredões’.

70 mil

Visitas recebeu o perfil no ‘BBB’ de Juliana Almeida, dançarina do É o Tchan

MULHER DE DUAS CARAS

Flávia Alessandra (foto) vai aparecer assim, linda, porém recatada, em ‘Duas Caras’, próxima novela das oito da Globo. Ela dará vida a Alzira, enfermeira casada com Dorgival (Ângelo Antônio) e mãe de duas crianças. Para ajudar no orçamento doméstico, ela esconde da família sua segunda atividade profissional: à noite, Alzira adota um visual sexy e trabalha numa casa de massagens.

A IRMÃ MAIS VELHA DA GRAZI

Mulher de Gabriel, o Pensador, a atriz Aninha Lima (foto), 33, terá seu primeiro personagem em uma novela em ‘Milagre do Amor’, próxima produção das seis da Globo. Ela será Eulália, a irmã mais velha de Grazi Massafera, ambas filhas de Lima Duarte e Nívea Maria. ‘A Grazi é mimada e só pensa em casamento. Já a Eulália é sem vaidade e tímida, mas inteligente’, revela Aninha. Durante nove anos, Aninha foi backing vocal na banda do marido. ‘Não tenho vontade de ser cantora e queria retomar a carreira de atriz, fazer teatro. Este é o meu sonho’, conta.

Pergunta indiscreta

FOLHA – Você é mala mesmo ou apenas faz gênero na televisão?

OTÁVIO MESQUITA (apresentador do ‘A Noite É uma Criança’, na Band) – Não. Um mala não fica no ar durante 24 anos, como é meu caso. O que está no ar é um personagem que se faz de mala. É assim que sei ganhar dinheiro. Na vida real, sou outra pessoa.

MONEY, MONEY

Record e Roberto Justus finalmente chegaram a um acordo financeiro para a realização da quinta edição do reality show ‘O Aprendiz’, em 2008. Para o contrato ser assinado, faltam agora apenas detalhes jurídicos. Na emissora, especula-se que Justus irá receber mais de R$ 2 milhões para a apresentar o programa.

SEMELHANÇA

Co-autor de ‘Paraíso Tropical’, Gilberto Braga dá asas à especulação de que os rivais Daniel (Fábio Assunção) e Olavo (Wagner Moura) seriam irmãos. ‘Não posso dizer que sim nem que não’, responde ao ser indagado sobre o assunto.

ESCALAÇÃO

O diretor Dennis Carvalho já tem trabalho previsto após o final de ‘Paraíso Tropical’. Está escalado para dirigir a novela das sete que sucederá, no segundo semestre de 2008, a ‘Beleza Pura’, que por sua vez entrará no lugar de ‘Sete Pecados’. Antonio Calmon escreverá a história.’

Lucas Neves

Emmy de matar

‘Maior premiação da TV norte-americana, o Emmy anuncia os vencedores de sua 59ª edição hoje. Se os prognósticos da mídia ianque se confirmarem, o clã de mafiosos de ‘Família Soprano’ -que disse adeus em junho passado- deve deixar o Shrine Auditorium, em Los Angeles, com a coleção de estatuetas reforçada-são 18 até agora.

Na seara da comédia, a sátira corporativa ‘The Office’ é forte candidata ao bicampeonato. Mas a blague metalingüística ‘30 Rock’ e o conto de fadas pop ‘Ugly Betty’ (adaptação da novela colombiana ‘Betty, a Feia’) podem surpreender.

Entre favoritos e possíveis ‘zebras’, quem certamente não ouvirá seu nome/título ao fim da frase ‘e o Emmy vai para…’ são os atores e séries listados na enquete ‘Emmy de matar’, promovida pela Ilustrada.

A partir de uma pré-seleção feita pela equipe do caderno, oito jornalistas apontaram os piores nas categorias série veterana, comédia, drama, estréia, ator, atriz, casal (ou dupla) e reality.

Apurados os votos, ‘ER’ (Warner), que se arrasta rumo ao 14ª ano, sagrou-se campeã entre as veteranas. Para Leandro Fortino, repórter do Folhateen, ‘é hora de desligar os aparelhos’ da série médica.

Entre as novidades, a bomba teen canadense ‘Falcon Beach’ (Sony) amealhou cinco dos oito votos. O colunista do iG e colaborador da Folha Lúcio Ribeiro descreve o programa (já cancelado) como ‘papo furado’. ‘Quem ainda agüenta dramas adolescentes com elenco sem charme e histórias já vistas mil vezes?’, emenda o crítico da Folha Cássio Starling Carlos.

Você não riu com ‘Complete Savages’ (Warner), sitcom de 2004 só agora desovada aqui? Nem o júri da Ilustrada. ‘Família idiota que faz humor idiota. Só podia ter vida curta, idiotas!’, dispara o editor-chefe da Folha Online, Ricardo Feltrin.

A julgar pela quantidade de votos recebidos, vida curta merecia ter ‘Ghost Whisperer’ (Sony), com os troféus de pior drama e atriz (Jennifer Love Hewitt). ‘Com execução banal, desperdiça uma idéia que parecia boa’, comenta o editor do site TeleSéries, Paulo Antunes.

Outro Paulo, o de Rodrigo Santoro em ‘Lost’ (AXN), também aparece na enquete, no topo da categoria pior casal ou dupla. Ao lado de Nikki (Kiele Sanchez), ‘só serviu para atravancar a série’, diz Fortino.

Entre os atores, Tom Welling, o Clark Kent de ‘Smallville’ (Warner), e Sendhil Ramamurthy (Universal), o professor de genética de ‘Heroes’, dividem as honrarias. Por fim, as lobotomizadas Paris Hilton e Nicole Richie certamente agradecerão pelo troféu de pior reality para ‘Simple Life’ (FOX).’

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SONY TRANSMITE PREMIAÇÃO A PARTIR DAS 21H

‘A partir das 21h, o canal Sony exibe a cerimônia de entrega do Emmy. Às 20h, vai ao ar o ‘pré-show’, leia-se, passagem dos indicados pelo tapete vermelho e sabatinas de praxe sobre o figurino. Já o E! dedica, a partir das 20h, seis horas (não consecutivas) à premiação, mas não terá imagens do salão do Shrine Auditorium, onde as estatuetas serão entregues.’

Laura Mattos

Antônias, agora famosas, fazem peregrinação pela TV

‘O cineasta Fernando Meirelles, produtor de ‘Antônia’, bem que queria, mas as cantoras não toparam formar na vida real o grupo da televisão. Tata Amaral, criadora e diretora, bem que torcia, mas a versão do seriado para o cinema não foi um sucesso de bilheteria.

Apesar dos pesares, ‘Antônia’, a exemplo de suas batalhadoras protagonistas, segue firme e forte em uma segunda temporada na Globo, a partir da próxima sexta-feira. A base para a decisão de continuar apostando na história das cantoras da Vila Brasilândia (periferia de São Paulo) está no sucesso de audiência e repercussão da primeira safra de episódios, exibida no final de 2006.

Naqueles tempos, as protagonistas davam um duro danado para sobreviver com shows do grupo de rap Antônia. Na vida real, isso é possível, já há algum tempo, para as cantoras-atrizes Negra Li (a Preta da série), Quelynah (Maiah), Cindy Mendes (Lena) e Leilah Moreno (Barbarah). A carreira, especialmente a de Li, vai indo bem, obrigada, e por isso elas não chegaram a um consenso sobre uma formação real de Antônia.

Essa era a proposta da O2, produtora de Fernando Mei- relles (‘Cidade de Deus’), e da Globo, que realizaram o projeto ‘Antônia’, de Tata Amaral.

Pois na ficção o grupo musical vai ‘bombar’ na segunda temporada, com cinco episódios semanais (exibição após o ‘Globo Repórter’). Semi-famosas, elas encaram uma peregrinação por programas populares da televisão e se apresentam em cidades do interior.

Seguem na história duas boas surpresas da primeira temporada: o rapper Thaíde, como o empresário Marcelo Diamante, e a pequena Nathalye Cris, que interpreta a filha de Preta.

Em entrevista para o lançamento da série, na semana passada, na sede paulistana da Globo, Negra Li tocou no ponto central de ‘Antônia’: ‘Somos as primeiras ‘pretagonistas’.

Ainda que ‘Antônia’ não tenha força para mais uma temporada em 2008, a série já marcou a história da televisão por criar heroínas negras e pobres e mostrar com boa dose de realismo a periferia paulistana.’

Cássio Starling Carlos

Aproximação do extraordinário com o cotidiano garante sucesso de série

‘O que faz o sucesso de uma série hoje? Uma boa história? Sem dúvida! Personagens cativantes? Essencial! Algumas produções, no entanto, conseguem mais que isso, e ‘Heroes’, em sua primeira temporada, tornou-se um paradigma.

O fator mais importante de seu sucesso quando exibida pelo Universal Channel mantém-se agora que a série é lançada em DVD. Trata-se de seu potencial aditivo. A produção lança mão do mesmo expediente narrativo ‘ressuscitado’ com ‘24 Horas’ e depois utilizado com maestria em ‘Lost’, a saber, uma estrutura de ganchos ao final de cada episódio.

Ao manter o espectador em suspenso sobre o que acontecerá, a série atingiu picos de liderança de audiência. Outro fator, não menos importante, é o marketing viral. Num dos extras que acompanham o DVD, seu criador, Tim Kring, explica como funciona: ‘São os fãs que mantêm o programa no ar, que criam o falatório e um tipo de qualidade viral de promoção do programa que não se compraria de outra forma’.

Nada disso funcionaria não fosse a qualidade dos personagens de ‘Heroes’. Numa manobra de reflexividade da indústria em torno de seus mecanismos, o ponto de partida de ‘Heroes’ é o mesmo que garantiu uma vida tão longa aos super-heróis de HQ surgidos do início dos anos 1940 em diante.

Como os super de antes, os heróis de Tim Kring são pessoas comuns que um dia descobrem que estão dotadas de poderes extraordinários. É nesta aproximação do comum que a série garantiu seu potencial de culto. Outra de suas qualidades está em aproximar o público por meio de problemas banais, com ênfase nos que ocorrem no âmbito das famílias. Todos os personagens da saga têm pais, mães, filhos e mulheres e é por meio destes vínculos que a dramaturgia de ‘Heroes’ avança sem precisar se basear apenas no elemento aventura.

Até mesmo o sinistro Sylar enfrenta esta questão e não é à toa que um dos mais belos momentos desta primeira temporada acontece quando o vilão reencontra a própria mãe.

HEROES – 1ª TEMPORADA

Criador: Tim Kring

Distribuidora: Universal (R$ 140, a caixa, com seis discos)

Avaliação: bom’

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Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

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