Terça-feira, 25 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1043
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ENTRE ASPAS >

Foto de Dilma Rousseff na Folha gera polêmica

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 19/05/2009 na edição 538

Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 18 de maio de 2009


 


DILMA
Painel do Leitor


Foto


‘‘Sobre a matéria publicada acerca da doença que acomete a ministra Dilma Rousseff (‘Dilma diz estar ‘muito bem’ após sessão de quimioterapia’, Brasil, 16/5), não podemos conter a nossa repulsa pelo sensacionalismo que a encerra, em nome de notícia. Assunto de foro íntimo, emoldurado por uma foto constrangedora, não pode e não deve ser abordado de forma tão leviana a respeito de quem quer que seja. Lamentável!’


ABDIAS FERREIRA FILHO (São Paulo, SP)


‘A foto da ministra Dilma Rousseff com as duas mãos na cabeça, com expressão apreensiva e, de acordo com a Folha, segurando a peruca, informa? Explica os fatos?


Alguns homens públicos, quando se submetem às sessões de quimioterapia, raspam os cabelos. O governador Mário Covas, ao aparecer em público com os cabelos raspados, nunca teve em destaque esse fato, tampouco sofreu constrangimento no seu processo de doença.


Por razões culturais, para as mulheres, a representação simbólica da perda dos cabelos é diferente. A Folha e os profissionais de imprensa precisam ficar atentos a essas diferenças de gênero. Caso contrário, como acontece com a foto publicada na Folha, vão cometer atos profundamente desrespeitosos.


A mulher e a política Dilma Rousseff, no tratamento do câncer, devem ser tratadas com respeito e solidariedade. A delicadeza é uma dimensão da ética e precisa orientar o exercício do jornalismo.’


JACIRA VIEIRA DE MELO (São Paulo, SP)’


 


 


INTERNET
Editorial


No banco dos réus


‘NUMA ESCALA sem precedentes, a internet abriu à humanidade condições de acesso à informação e ao entretenimento que, sem nenhuma dúvida, só se pode ter interesse em proteger e ampliar. Ao mesmo tempo, a extrema agilidade dos recursos tecnológicos à disposição dos internautas tem criado frequentes ocasiões de conflito, quando entra em jogo outra ordem de interesses, igualmente legítimos: os relativos à proteção da propriedade intelectual.


Veio da França, na semana passada, o exemplo mais extremado de legislação nessa área. A chamada Lei de Criação e Internet, aprovada depois de acalorado debate na última terça-feira, prevê mecanismos severos para impedir que usuários da internet façam downloads ilegais em seus computadores.


Cria-se uma instituição dotada do poder de punir qualquer pessoa flagrada em atos de infração a direitos autorais. Dispondo dos dados da identidade digital do suposto infrator -a serem obrigatoriamente fornecidos pelo provedor de acesso à internet-, as autoridades enviam-lhe uma advertência por e-mail. O reincidente é avisado pelo correio. Mais um download, e seu acesso à internet será cortado.


Críticas de natureza técnica e jurídica se acumulam sobre a nova lei, que ainda depende de ser examinada em sua constitucionalidade, no Judiciário francês, e em sua adequação às normas da Comunidade Europeia.


Estabeleceu-se, na verdade, um mecanismo de sanções ao qual não cabem meios judiciais de contestação adequados. A possibilidade de identidades digitais falsas serem, por sua vez, ‘pirateadas’ é amplamente conhecida. Questiona-se o quanto há, nesse sistema, de invasão à privacidade do usuário.


Disseminou-se a tal ponto a prática do download ilegal -e são tão rápidas e mutantes as técnicas em curso nesse campo- que será difícil fazer cumprir, apenas pela repressão, as proteções legais aos detentores de ‘copyright’ em obras literárias, musicais, cinematográ- ficas e jornalísticas.


É imperioso que os conteúdos intelectuais sejam protegidos contra a pirataria. Garanti-lo é o modo mais eficaz de incentivar o desenvolvimento da produção artística, cultural ou científica.


A fim de que essa proteção possa ser efetiva na nova realidade representada pela internet, exige-se, mais do que inovações legislativas, uma reforma importante no modelo tradicional de negócios -processo que, em- bora ainda em bases experimentais, já está em curso.


Forma-se agora um entendimento promissor, embora provisório como tudo nesse ambiente sujeito a mudanças repentinas: produtos que sejam vendidos a preços módicos, na web, poderão compensar, pelo efeito da escala, o faturamento que deixam de obter nos mercados tradicionais. O preço baixo tende a inibir a propensão de muitos usuários de valer-se de ferramentas ilícitas, que configuram apropriação indébita do trabalho alheio.


Fatiar produtos outrora comercializados inteiros -em vez de um disco, uma canção, em vez de toda uma revista, uma informação específica- torna-se uma prática em expansão. São os chamados micropagamentos. A venda virtual, vale lembrar, facilita a diminuição do preço ao consumidor, pois suprime uma série de etapas produtivas que representam custos para as empresas.


Novos modelos de remuneração do produto intelectual são sem dúvida um caminho mais promissor do que iniciativas meramente repressoras, que pretendam colocar milhões de usuários da web no banco dos réus.’


 


 


TELEVISÃO
Painel do Leitor


Crianças na TV


‘‘O artigo de Bia Abramo ‘A menina, o monstro e o medo’ (Ilustrada, ontem) é uma denúncia contra os maus tratos sofridos pela menina Maisa no programa de Silvio Santos. É um problema para o Ministério Público intervir porque está há muito tempo no ar e ninguém toma iniciativa em favor da proteção da criança nos meios de comunicação.


Se fosse em uma creche ou em alguma escola, certamente essas cenas de horror seriam denunciadas ao poder público, e seus autores, processados na Justiça. É o verdadeiro ‘vale tudo por dinheiro’.’


SÉRGIO MORADEI DE GOUVEA (Ubatuba, SP)’


 


 


Daniel Castro –


Globo desenvolve projeto de TV digital rural


‘A Globo está desenvolvendo sigilosamente uma tecnologia de TV digital rural. Batizado de TVDR, o projeto visa substituir as cerca de 15 milhões de parabólicas que existem no país. Sem um novo sistema, os domicílios dessas antenas ficarão sem TV quando acabar a transição da analógica para a digital.


A tecnologia está sendo desenvolvida em parceria com a Thomson. Será testada a partir de outubro no interior do RJ.


O objetivo é levar ao telespectador rural, que hoje recebe sinal analógico gerado no Rio e em São Paulo, via parabólica, o sinal digital produzido pela afiliada da Globo mais perto dele. Por exemplo, o telespectador do interior de Goiás receberá o sinal da Globo de Goiânia (ou da cidade mais próxima), com os comerciais e telejornais locais gerados pela afiliada.


Isso reforça o modelo de negócio da Globo. As 15 milhões de parabólicas são um problema para a rede. Representam uma grande parcela de telespectadores que não podem ser ‘vendidos’ aos anunciantes.


Para conseguir que o telespectador do interior de Goiás receba a Globo de Goiânia, a rede projetou caixas decodificadoras e miniantenas parabólicas semelhantes às da Sky..


Um chip com localizador geográfico fará com que o telespectador receba apenas o sinal digital, disponível em satélite, da afiliada mais próxima dele. Para tanto, a afiliada terá de subir seu sinal para um satélite.


BRASIL CAMPEÃO 1


O desenho animado brasileiro ‘Peixonauta’ foi o programa mais visto por crianças de 4 a 11 anos na TV paga, em seu horário de exibição (das 19h30 às 20h), na semana em que estreou (20 a 24 de abril).


BRASIL CAMPEÃO 2


O resultado surpreendeu o Discovery Kids, que o exibe. Normalmente, novos programas infantis demoram algum tempo para conquistar seu púbico. Em ‘Peixonauta’, um peixe astronauta passa mensagens positivas sobre ecologia, meio ambiente e cidadania.


BOLÃO


Maior audiência entre as novelas das oito dos anos 2000, ‘Senhora do Destino’ também vai muito bem em sua reprise. Quinta passada, atingiu 21 pontos, mais do que ‘Malhação’.


TELHADO 1


Subiu no telhado o projeto da Record de ter, já neste ano, três novelas simultaneamente no ar com a estreia de ‘Bela, a Feia’, a versão de ‘Betty, a Feia’.


TELHADO 2


A Record até trabalha com essa possibilidade, mas não mais de forma ininterrupta. O mais provável é que consiga exibir três novelas inéditas ao mesmo tempo apenas a cada período de três meses.


GLOBO FESTEIRA


Em comemoração aos dez anos de seu canal internacional, a Globo realizará neste ano quatro festas Brazilian Day.. Além do tradicional evento de Nova York, promoverá shows de música brasileira em Londres, Barcelona e Toronto. As festas são direcionadas a brasileiros que vivem no exterior.’


 


 


Folha de S. Paulo


Susan Boyle conta sua história a Oprah


A escocesa Susan Boyle, 48, que tomou de assalto a internet com sua voz poderosa e seu jeitinho desengonçado, conversa com a apresentadora americana Oprah Winfrey em programa que vai ao ar hoje pelo GNT. O bate-papo é rápido, via satélite, mas suficiente para tomar pé da mais nova sensação dos reality shows musicais. Ela foi ‘descoberta’ pelo ‘Britain’s Got Talent’ e tem ainda uma longa maratona pela frente..


‘Eu mudei um pouco, mas foi apenas para me agradar, como qualquer outra mulher faria’, diz Boyle sobre sua mudança de visual logo após o sucesso de seu vídeo de caloura cair na internet. Agora perseguida por paparazzi, ela conta que aprendeu a cantar aos 12 anos para ‘tentar aumentar a minha autoconfiança’, já que era meio ‘lenta’ no aprendizado da escola.


Sua mãe foi sua maior incentivadora, mas ela morreu em 2007 e, por isso, ficou um tempo sem cantar, até resolver se inscrever no programa.


Oprah também conversa com Simon Cowell, o jurado chatinho do ‘Britain’s Got Talent’ e do ‘American Idol’. ‘Quando essa senhora subiu ao palco, eu pensei: ‘Isso só vai durar cinco minutos, e eu vou poder tomar uma xícara de chá’, lembra Cowell, que se disse espantado com o talento de Boyle ao cantar ‘I Dreamed a Dream’ no vídeo que rodou o mundo.


THE OPRAH WINFREY SHOW


Quando: hoje, às 20h


Onde: GNT


Classificação: não informada


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Pré-sal lá


‘Sobre a viagem presidencial, no ‘Wall Street Journal’ de hoje, adiantado na home: ‘Brasil se volta à China para reforçar projetos de petróleo’.


Na longa reportagem, um consultor texano alerta que ‘é a nova geopolítica do petróleo, em que os negócios começam por entendimento político, cortando as companhias internacionais de petróleo’. O jornal cita Exxon e Shell.


Na mesma linha, também sobre a turnê presidencial, na escalada do ‘Jornal Nacional’ de anteontem: ‘O presidente Lula desembarca na Arábia Saudita para atrair investidores para o pré-sal’.


Aprovada pela oposição na sexta-feira, a CPI da Petrobras deixou a escalada dos telejornais no sábado e a cobertura em geral no domingo.


RISCO


Na pouca repercussão que a CPI chegou a ter no exterior, no fim de semana, o espanhol ‘El País’ sublinhou, pelo correspondente Juan Arias, que ‘a investigação pública da Petrobras (as sessões são televisionadas) constitui sem dúvida o maior e mais arriscado gesto da oposição’.


MEDO


E no site da revista ‘Veja’ o blog de Reinaldo Azevedo questionou DEM e também o PSDB, ontem, por não se apresentarem ‘muito entusiasmados’, após aprovarem a CPI da Petrobras. Em destaque, perguntou: ‘As oposições estão com medo de se opor ou é só impressão?’.


EM CUBA TAMBÉM


Ontem no ‘Washington Post’, ‘Reservas de petróleo no mar podem ajudar Cuba no degelo do comércio com os EUA’. Afirma que ‘o fim do embargo pode estar nas profundezas, sob camadas de pedra e água’. E conta que ‘as companhias americanas não estão esperando sentadas’ e ‘todas têm planos’ para agir assim que caírem os obstáculos.


Mas entrariam ‘em disputa já abarrotada de competidores internacionais, inclusive Repsol (Espanha), Petrobras (Brasil) e Statoil (Noruega)’, que ‘estão explorando através de acordos com o governo Castro’.


DAS ARÁBIAS


No topo das buscas de Brasil por Yahoo News e Google News, com despachos das agências, o balanço da viagem presidencial à Arábia Saudita. Na France Presse, ‘Lula saúda nova era nas relações’. Na Reuters, ‘Brasil vai ajudar Arábia Saudita com alimentos’. Na Bloomberg, ‘Brasil e Arábia Saudita vão expandir cooperação em comércio, mineração e petróleo’.


ESTRATÉGICOS


Por aqui, a viagem foi manchete na BBC Brasil, à tarde com ‘Lula amplia acordos estratégicos com Arábia Saudita’ e mais à noite com ‘Lula faz balanço positivo da visita’, com contratos em setores ‘como o petrolífero’.


MENORES


Já a estatal Agência Brasil, com eco em outros sites daqui, inclusive UOL, destacou das declarações presidenciais em Riad que ‘Lula critica senadores que assinaram CPI da Petrobras’ por ‘questões políticas menores’.


DA CHINA


Ontem no novo jornal estatal voltado a estrangeiros, ‘Global Times’, e também no ‘China Daily’, a longa entrevista de Lula à agência Xinhua sobre a viagem a Pequim. No destaque, ‘o presidente disse que a visita tem por objetivo reforçar a parceira estratégica, em três elementos-chave: comércio, cooperação científica e coordenação em assuntos internacionais’.


Para ‘tornar mais sustentável e equilibrado o comércio bilateral’, cobrou a importação de produtos industriais de maior valor agregado.


‘CORRA, LULA, CORRA’


Mais longa e com perfil simpático à sua ‘ascensão meteórica de trabalhador de fábrica com pouca educação formal a vencedor com a maior avalanche de votos na história do Brasil’, a entrevista de Lula à revista independente ‘Caijing’ foi postada no final da semana. Antes, o correspondente Raul Juste Lores já havia informado do texto, impresso sob o título ‘Corra, Lula, corra’.


Com a tradução postada pela ‘respeitada revista’, a AP ecoou destacando a afirmação de que ‘Brasil e China não deviam usar dólar no comércio’. No trecho citado, ‘é maluco que [o dólar] seja a referência e que se dê a um país o poder de imprimir a moeda’.’


 


 


SAÚDE
Donald G. McNeil Jr.


Site na internet pode ajudar a mapear a proliferação da gripe


‘A melhor maneira de rastrear a difusão da gripe A (H1N1) pelos EUA nas próximas semanas talvez seja imaginar que ela cavalga uma nota de dólar.


Os caminhos percorridos por milhões de cédulas de dólares estão ao cerne de um modelo computadorizado criado na Universidade Northwestern, no Illinois, e que está tentando prever o futuro da epidemia, que infectara mais de 7.500 pessoas no mundo até o fim da semana passada.


Nos últimos dez anos, a internet vem permitindo a agências de saúde identificar vírus emergentes em muito menos tempo. Relatórios de saúde pública postados na web, além de notícias de jornais e estações de rádio, são coletados por programas que fazem buscas por palavras-chave.


Agora, em conjunto com isso, supercomputadores estão sendo usados para prever a difusão dos vírus.


Modelos como esses são novos demais para terem um histórico de desempenho, mas, no final de abril, duas equipes diferentes —a da Universidade Northwestern e uma rival amiga na Universidade de Indiana, usando algoritmos diferentes— traçaram previsões quase iguais: que a gripe vinda do México, se nada fosse feito para contê-la, contaminaria entre 2.000 e 2.500 pessoas nos Estados Unidos nas primeiras quatro semanas.


Embora o número de casos pareça estar aumentando mais rapidamente do que o previsto pelos dois modelos, a projeção da Northwestern não foi muito díspare, disse Dirk Brockmann, chefe da equipe do Instituto Northwestern de Sistemas Complexos, que está fazendo o modelo da epidemia. O modelo projetou entre 150 e 170 casos até o último dia 3, contra os 226 confirmados pelo Centro de Controle de Doenças (CDC) dos EUA. ‘Se fosse uma ordem de magnitude de, por exemplo, mil casos em lugar de 10 mil, eu estaria preocupado’, disse Brockmann.


Até o final da última semana, os EUA tinham quase 4.300 infectados.


Dois conjuntos enormes de dados estão ao cerne de sua simulação: os dados de tráfego aéreo e tráfego urbano diário de todos os EUA, por um lado, e, por outro, o fruto do trabalho de um site incomum chamado ‘Where’s George?’.


O ‘Where’s George?’ foi criado há mais de dez anos pelo programador Hank Eskin, que marcou cada cédula de dólar que recebeu com um bilhete pedindo a seu dono seguinte que registrasse seu número de série e um código postal no site, apenas para ver que distâncias as cédulas percorreriam e a que velocidade. Em 2006, o site já continha os históricos de 100 milhões de cédulas.


Brockmann ouviu falar do site e percebeu que era exatamente isso o que ele precisava: um mapa de transações de pessoa a pessoa, exatamente o tipo de interação que difunde a influenza.


Brockmann é capaz de produzir uma simulação em dois dias, já que cada atualização precisa de até dez horas de tempo de computação depois de os dados serem atualizados. O modelo do Indiana precisa de mais ou menos o mesmo tempo em seu supercomputador, o Big Red, disse o líder dessa equipe, o professor de informática Alessandro Vespignani.


Seu modelo cobre o planeta e é baseado em registros de viagens aéreas e terrestres em quase todo o mundo. ‘As previsões para a África são menos precisas, mas lá temos tráfego de caminhões’, disse ele.


Como o de Brockmann, o modelo doméstico de Vespignani identifica Nova York, Califórnia e Texas como os lugares em que o vírus tem se manifestado com mais força, seguidos por Illinois e Flórida.


‘Ficamos espantados pelo fato de nossos mapas serem muito, muito semelhantes’, disse Vespignani. ‘Isso é encorajador —indica a robustez de nossos métodos.’


Brockmann e Vespignani partem de algumas premissas semelhantes. Por exemplo, a gripe típica possui um número reprodutivo que varia de 1,7 a 2,8 —ou seja, é esse o número de pessoas infectadas por cada vítima. Os dois escolheram números reprodutivos baixos, coerentes com as primeiras informações vindas do México. Ambos geraram cenários de pior hipótese, cientes de que não são realistas.


‘Minha mulher foi à aula de ginástica com nossa filha, e as pessoas estavam apavoradas porque uma criança estava tossindo’, comentou Brockmann. De acordo com ele, o medo disseminado ‘molda os dados’ porque retarda a transmissão da gripe, como também o fazem intervenções propositais como o fechamento de escolas e o tratamento com o medicamento antiviral Tamiflu.


No último dia 2, o Departamento de Saúde da Cidade de Nova York divulgou os resultados de uma pesquisa computadorizada feita com 1.996 alunos e 210 funcionários da Escola Preparatória St. Francis, em Queens. A pesquisa indicou um aumento grande dos casos da gripe entre 19 de abril, o dia em que seis alunos voltaram do México sentindo-se doentes, e 23 de abril, quando 250 alunos e funcionários relataram sintomas da gripe.


Analisando os resultados, Brockmann se animou. ‘Isso parece uma curva epidêmica’, disse. ‘Isso é algo que posso usar.’


Ele concordou que o aumento grande pode incluir estudantes que apenas entraram em pânico. Mas também pode indicar que num ambiente fechado, como uma escola, a nova gripe pode ser transmitida com rapidez surpreendente..


‘Médias não dizem muita coisa’, explicou, falando de números reprodutivos. ‘Podemos ter um estudante que transmite o vírus para 15 outros, enquanto a média em Queens é de 0,1. Seria como colocar Bill Gates na Etiópia e então dizer que o país tem uma renda média per capita bem alta.’


Mas uma coisa ainda é verdade: ‘As pessoas têm uma percepção muito estranha de números grandes’, disse ele. ‘Se vamos ter alguns milhares de casos de gripe num país de 300 milhões de habitantes, a maioria das pessoas acha que vai ser uma dessas milhares, não uma das outras 299.990.000.’’


 


 


LITERATURA
Charles McGrath


Escritores longevos apostam em novo foco —ou no mal-humor


‘O escritor que continua ativo quando chega à terceira idade é um fenômeno novo. Sempre houve exceções, é claro —escritores longevos que desafiavam a regra. Thomas Hardy, por exemplo, escreveu (poesia, não romances) até ter bem mais de 80 anos e certa vez confidenciou modestamente que continuava sexualmente ativo, mesmo octogenário.


De maneira geral, porém, a profissão do escritor costumava ser uma cujos praticantes, especialmente os maiores, morriam relativamente jovens. Jane Austen e Charlotte Brontë morreram na casa dos 40 anos. Balzac, Proust e Dickens morreram ao redor dos 50 —exauridos, mesmo que não completamente—, e o mesmo aconteceu com Shakespeare.


Nos EUA, o histórico era igualmente ruim. Fitzgerald morreu com apenas 44 anos. Hemingway e Faulkner conseguiram chegar aos 60, mas seu trabalho melhor já ficara no passado. Antigamente, era praticamente um paradigma que a grande carreira de romancista no país florescia cedo na vida e então caía no declínio precoce, em muitos casos autodestrutivo.


O que mudou, obviamente, foram os avanços na medicina. Eventualmente, também, fumar e beber deixaram de fazer parte da rotina obrigatória do escritor. Assim, recentemente temos visto uma sucessão de escritores que floresce muito além da idade em que seus predecessores normalmente já estariam enfraquecidos.


A.S. Byatt tem 72 anos e um novo romance que vai sair em julho. Ela está envolvida há anos numa rivalidade com sua irmã, Margaret Drabble, 69, que no início de abril anunciou aposentadoria. Esse fato sem dúvida animará Byatt a continuar produzindo por mais tempo.


Gabriel García Márquez, 82, tem feito questão de repudiar rumores sobre sua aposentadoria próxima. Saul Bellow publicou seu último livro apenas quatro anos antes de morrer, aos 89. Com 81 anos, John Ashbery ainda escreve poemas tão provocantes quanto os que publicava quando tinha 20 e poucos anos. John Updike, autor de ‘As Bruxas de Eastwick’, ainda estava a pleno vapor quando morreu recentemente, aos 76, e seu contemporâneo Philip Roth parece estar ganhando força renovada à medida que envelhece.


A questão interessante é se os escritos mudam à medida que seus autores envelhecem. É fato que às vezes parece haver um conservar e focalizar da energia, até mesmo uma simplificação estilística. Os últimos três romances de Roth —’Homem Comum’, ‘Fantasma Sai de Cena’ e ‘Indignation’— foram mais enxutos, concisos e focados que seus antecessores. De uma maneira ou outra, cada um deles tratou da morte e da mortalidade.


O último —e inacabado— livro do teórico literário Edward Said, foi publicado postumamente. Trata-se de uma coletânea de ensaios, ‘On Late Style: Music and Literature Against the Grain’, que examinava os trabalhos de escritores e compositores na segunda metade de suas vidas. A conclusão de Said é que o estilo dessa fase da vida, longe de ser o produto sereno de sabedoria acumulada, às vezes é ranzinza e mal-humorado e manifesta ‘intransigência, dificuldade e contradições não resolvidas’.


Os trabalhos de uma fase avançada da vida tendem a ser repletos de ardor. O último livro de García Márquez, ‘Memórias de Minhas Putas Tristes’, trata do romance entre um homem de 90 e uma prostituta pré-púbere. No último romance de Updike, ‘The Widows of Eastwick’, as bruxas, agora viúvas e na menopausa, perderam parte de seu poder, e o livro traça uma conexão implícita e melancólica entre a magia do eros e a magia da feitiçaria.


Na mente do autor, essa magia não é muito diferente da magia da própria prosa. Vemos que os escritores que continuam a produzir com sucesso na velhice podem ser aqueles que mais prezam seus poderes, mesmo quando receiam perdê-los.’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 18 de maio de 2009


 


ARGENTINA
Ariel Palacios


Justiça quer proibir sátira de Cristina na TV


‘O Ministro da Justiça da Argentina, Aníbal Fernández, pediu que o personagem de Cristina Kirchner seja removido do programa de TV ‘Gran Cuñado’ (Grande Cunhado). O programa, uma paródia do reality show ‘Gran Hermano’ (Grande Irmão, versão argentina do ‘Big Brother’), reúne imitações dos 19 políticos argentinos atuais mais conhecidos em uma casa onde os protagonistas convivem durante semanas, como no ‘Big Brother’.


Transmitido pelo Canal 13, com audiência de até 41%, o programa mostra Cristina como uma mulher vaidosa e autoritária. O governo receia efeitos negativos na população, 40 dias antes das eleições parlamentares na Argentina.


‘Acho que estão ocorrendo excessos. Isso deveria ser regulado, pois se trata da presidente’, disse Fernández, antes de sugerir sutilmente uma ameaça: ‘ninguém está pensando em um decreto (sobre a remoção do personagem), mas…’’


 


 


PESQUISA
Marili Ribeiro


Leitores preferem jornal a internet


‘Quando se tira a variável preço, igualando os jornais impressos ao acesso livre de noticiário na internet, a preferência pela leitura recai no formato papel. E isso vale até mesmo para as faixas etárias mais jovens. Seria como se, em uma situação hipotética, numa sala de espera houvesse disponível jornais e uma tela de computador com noticiário. Cerca de 60% das pessoas entre 16 e 29 anos escolheriam se informar pelo jornal. Já no caso dos que têm entre 50 e 64 anos, esse índice pularia para 73% do universo pesquisado.


Ao detectar esses vínculos com o noticiário editado no papel, o estudo feito pela consultoria PricewaterhouseCoopers em parceria com a Associação Mundial de Jornais (WAN, na sigla em inglês) indica que os jornais impressos têm futuro a longo prazo. ‘A pesquisa é positiva especialmente no momento em que tanto se fala da forte retração de vendas e queda de receita publicitária no mercado americano e, por tabela, do enfraquecimento do negócio dos jornais’, avalia Ricardo Pedreira, diretor executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ). ‘Não é bem isso, porque a realidade é mais complexa como a pesquisa prova.’


Realizada em sete países com população de alto poder aquisitivo e consumidores de jornais em escala, diferentemente dos países emergentes que detém outra realidade em relação ao consumo de jornais onde, inclusive o mercado cresce, o levantamento entrevistou 4.900 pessoas. Foram entrevistados leitores, editores, anunciantes e também profissionais de comunicação dos EUA, Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Holanda e Suíça.


‘O jornal continua sendo um veículo de grande credibilidade, tanto que o estudo indica disposição de os consumidores pagarem pelo conteúdo online, porque reconhecem que a informação qualificada tem um custo’, diz o diretor da ANJ. ‘Sabemos que o modelo de negócio vai mudar. Não há fórmula sugerida no trabalho encomendado pela WAN, mas há uma luz ao indicar o valor que se dá ao meio jornal e depois, como já percebem algumas empresas, prevê-se que o modelo de negócio rentável vai combinar jornais impressos , que não desaparecerão, com versões online.’


Entre as conclusões relacionadas está que, embora haja um enorme potencial de crescimento online para as empresas jornalísticas, a impressão ainda é a maior fonte de renda e continuará a ser por um longo período. ‘O papel vai sobreviver ao lado de outras plataformas, não nos formatos e volumes que têm hoje, haverá cortes de pessoal e também o desaparecimento de títulos líderes.’


A perda de nome tradicionais da imprensa mundial acontecerá, particularmente, nas empresas que não perceberem que os consumidores veem as notícias online como commodities. Logo, estão dispostos a pagar por conteúdo específico e cada vez mais aprofundado e opinativo.. Em março, por exemplo, o jornal Seattle Post, de 146 anos, decidiu encerrar sua publicação impressa e se converteu no primeiro diário digital dos Estados Unidos.


‘Na verdade, tendo como centro a edição da notícia, a plataforma escolhida fica secundária à marca’, diz o estudo. Para os profissionais que trabalham em empresas jornalísticas, o levantamento aconselha maior integração com as novas tecnologias e não soluções voltadas para o corte de custos. A sugestão é de busca de vantagens competitivas na adoção de, por exemplo, envio de noticiário via celulares ou outros aparelhos portáteis, assim como criação de nichos para informações especializadas empacotadas para canais de acesso específicos.


O estudo pode ser visto no endereço eletrônico em versões em inglês, espanhol e francês: http://www.wan-press.org/article18128.html.’


 


 


FUSÕES E AQUISIÇÕES
Richard Pérez-Peña e Michael Cieply, The New York Times


David Geffen, bilionário da mídia, quer comprar o ‘New York Times’


‘Apesar de ter falhado em duas tentativas recentes de assumir um papel importante na empresa The New York Times Company, o bilionário David Geffen ainda está seriamente interessado em comprar uma fatia grande da companhia ou de assumir completamente o controle dela, segundo pessoas que conhecem bem o que ele pensa. Mesmo assim, ele está cauteloso para não tomar atitudes que antagonizem a família Sulzberger, que controla o jornal. O plano de Geffen é aguardar preparado, no lugar de apresentar uma nova oferta, por pensar que a família pode eventualmente procurar um comprador se a situação da empresa se deteriorar ainda mais, de acordo com essas pessoas.


Geffen e Arthur Sulzberger Jr., presidente do conselho da companhia e publisher do jornal The New York Times, se recusaram a discutir o assunto publicamente. Mas Sulzberger insistiu repetidamente que a família não irá vender a empresa.


Há alguns meses, Geffen ofereceu um empréstimo de US$ 250 milhões à New York Times Company, segundo pessoas próximas, mas a empresa preferiu fechar um acordo parecido com o investidor americano Carlos Slim Helú. Pessoas próximas de Geffen sugeriram que Sulzberger preferiu negociar com Slim porque Slim, ao contrário de Geffen, garantiu não ter interesse em assumir o controle da empresa.


Semanas atrás, Geffen contatou intermediários sobre a compra de quase 20% da empresa, que pertencem ao fundo de hedge Harbinger Capital Partners. Ele contatou Sulzberger dizendo que não faria a oferta se a família fosse contra ou a visse como uma ameaça, e Sulzberger não se opôs. Geffen fez uma oferta a preço de mercado, de mais de US$ 150 milhões, comparada aos US$ 500 milhões que o Harbinger pagou no começo de 2008. Os intermediários exigiram um ágio, que Geffen se recusou a pagar.’


 


 


TELEVISÃO
Keila Jimenez


Cocoricó na Record


‘A fazenda em Itu, no interior de São Paulo, foi alugada, mas se o reality show A Fazenda der certo, a Record quer comprar o local. Lá, cerca de 200 profissionais, entre produção e equipe técnica, vão se revezar em cinco turnos durante 11 semanas, tempo de duração do programa, ainda sem data de estreia.


As dezenas de câmeras espalhadas pela locação ficarão atrás de espelhos e dentro da casa. Haverá profissionais gravando lá dentro, mas eles não poderão conversar com nenhum dos 14 participantes. ‘Dos 60 nomes que saíram na imprensa, apenas 8 estão certos’, fala do diretor do programa, Rodrigo Carelli (ex-Casa dos Artistas, SBT). Sem revelar nomes, ele garante que a graça da atração é levar celebridades urbanas para o mundo rural. Ah, os animais do confinamento também já foram contratados. Cavalos, ovelhas, galinhas e vacas fazem parte do cast do reality.


Britto Jr. comandará o programa, que terá duas edições maiores por semana – uma de eliminação – e pílulas diárias. ‘Britto terá um set dentro da fazenda, onde vai interagir pessoalmente com os participantes. Não será pela TV, como o Pedro Bial no BBB’, fala Carelli.’


 


 


 


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