Sábado, 24 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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ENTRE ASPAS >

Gilmar, Joaquim e o barraco no STF

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 23/04/2009 na edição 534

Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 23 de abril de 2009


 


BATE BOCA
Eliane Cantanhêde


Lavação de roupa suja


‘BRASÍLIA – A crise do Congresso atravessou a rua ontem e estacionou no Supremo Tribunal Federal, a mais alta Corte do país.


O grande escândalo de Brasília nem foram as 1.885 viagens internacionais financiadas pela cota parlamentar em dois anos, como informou o site ‘Congresso em Foco’, mas o surpreendente -e chocante- bate-boca entre o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, e o ministro Joaquim Barbosa. Ao vivo, para todo o país assistir.


Era uma discussão técnica qualquer, os dois se desentenderam e Barbosa perdeu a compostura, dizendo coisas assim para Gilmar: ‘Vossa Excelência está destruindo a Justiça deste país e não tem condição alguma de me dar lição de moral. Faça como eu, vá às ruas’; ‘Não está nas ruas, não. Está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro’; ‘O sr. não está tratando com seus capangas de Mato Grosso, não!’.


Enquanto Gilmar enfrentava os excessos do delegado Protógenes e se digladiava com o juiz De Sanctis e com o procurador da República de São Paulo Rodrigo De Grandis, era uma coisa. Quando a acusação parte de um colega de toga, tudo muda de patamar -e de figura.


Nós, os leigos, olhamos horrorizados a tudo isso, impotentes e com uma séria desconfiança: que as gravíssimas acusações de Joaquim Barbosa podem estar explodindo uma crise político-partidária no Judiciário. Gilmar, apelidado de ‘líder da oposição’, trabalhou no Planalto com FHC e foi indicado por ele para o STF. Joaquim Barbosa, o primeiro negro do tribunal, foi uma das indicações de Lula.


A um ano e meio da eleição presidencial, os ânimos estão exaltados, e, sem falar na crise econômica, a crise ética do Legislativo se complementa com uma crise interna de bom tamanho no Judiciário. O que empurra tudo junto para o campo do equilíbrio institucional, com uma plateia de quase 200 milhões de aturdidos sem saber, afinal, o que está acontecendo neste país.’


 


 


TRANSPARÊNCIA
Clóvis Rossi


Nossas ‘coisas’, ‘coisas’ deles


‘SÃO PAULO – Do deputado Jovair Arantes (GO), líder do PTB na Câmara, sobre a divulgação de gastos de deputados pela internet: ‘Não quero ser obrigado a colocar minhas coisas na internet’. Suas coisas, uma ova, deputado.


Todas as ‘coisas’ relativas ao seu mandato são de propriedade do público. Você é apenas o representante do eleitor, não o dono das ‘coisas’, dinheiro incluído. Mas é essa mentalidade porca que leva aos privilégios de que gozam os pais da pátria, que já são imorais, e, pior, ao abuso até dos privilégios imorais. Para os nobres parlamentares, não há abuso, posto que as ‘coisas’ são deles, e cada um faz o que quiser de suas ‘coisas’.


Aí vem o deputado ACM Neto (DEM-BA) com a comprovação de que todo mundo, no Congresso, acha que as ‘coisas’ são dos congressistas, tanto que afirma, com a cara-de-pau típica, que ‘a Casa toda fez’, em alusão ao abuso na utilização de passagens aéreas (ele é um dos abusadores, pois viajou com a mulher para Paris).


À cara-de-pau o deputado soma a calhordice de achar que ‘a imprensa quer fechar o Congresso’. Diga-se que a família Magalhães entende de fechamento de Congresso: ele é apenas o mais jovem membro de uma dinastia que apoiou gostosamente a ditadura militar, que, esta sim, quis -e conseguiu- fechar o Congresso mais de uma vez.


À falta de memória do jovem Magalhães soma-se a mentira. Quem quer fechar o Congresso são os próprios congressistas. Primeiro porque se tornaram absolutamente inúteis, na medida em que são meros carimbadores de iniciativas do Executivo. Segundo porque tudo o que produzem, cotidianamente, é essa imoral confusão entre as ‘coisas’ do público e as ‘coisas’ deles, parlamentares.


Só se nota que o Congresso está aberto é pelo noticiário policial que produz.’


 


 


MATA-MOSQUITO
Carlos Heitor Cony


Bandeira amarela


‘RIO DE JANEIRO – Eram muitos, estavam em todas as partes, usavam uma farda meio esculhambada, um quepe maior do que a cabeça, pareciam carteiros fatigados e tristes, levando uma bandeirinha amarela e uma espécie de regador com creolina para desinfetar possíveis focos de mosquitos. Para os editoriais da grande imprensa, eram ‘os valorosos soldados de Oswaldo Cruz’. No dia a dia das ruas e das gentes, eram os mata-mosquitos -com hífen ou sem hífen, dava no mesmo.


Colocavam a bandeirinha amarela na grade da casa que visitavam, tinham direito a vasculhar tudo, depois colavam um certificado, também amarelo, num canto qualquer, atestando a visita mensal da saúde pública.


Não sei por que, tinha medo deles. O pior que podia me acontecer era ser um mata-mosquito quando crescesse -se é que um dia eu cresceria. Por duas ou três vezes, fixei meu pai na cadeira de balanço, imaginando como ele seria se, em vez de jornalista, fosse mata-mosquito. Intrigado, perguntou-me o que estava havendo, se havia alguma coisa de errado com ele. Disfarcei, disse qualquer coisa, mas voltei a pensar naquela sinistra hipótese -e tinha razão para isso.


Por força das circunstâncias, ou por qualquer outra maldição do destino, acabei seguindo a profissão do pai, que era obscuro jornalista de ‘O Paiz’ e, mais tarde, do ‘Jornal do Brasil’, onde mais tarde comecei minha faina profissional


Preguiçoso a ponto de não esperar um futuro decente para mim, tenho a certeza de que, se ele fosse mata-mosquito, eu também o seria, dando sequência a uma dinastia honrada, embora modesta. Volta e meia, ainda acordo no meio da noite, fatigado e triste, levando minha bandeirinha inútil, sem nada ter a fazer com ela, matando os mosquitos da memória e da saudade.’


 


 


CORONEL
Kenneth Maxwell


Cidades perdidas


‘LEMBRO DE ter ouvido sobre o coronel Fawcett ainda quando menino, na escola. Meu velho professor de história tinha sido colega de Fawcett em um time de críquete. David Grann é jornalista na revista ‘New Yorker’. Seu novo e fascinante livro, ‘The Lost City of Z’, é uma tentativa de deslindar o mistério do pesquisador britânico, que desapareceu na selva amazônica sem deixar rastros em 1925.


O coronel Percy Harrison Fawcett, patrocinado pela Royal Geographic Society, de Londres, havia liderado grandes expedições na região da fronteira entre o Brasil e a Bolívia entre 1906 e 1914. Depois de servir o exército na Primeira Guerra Mundial, ele retornou ao Brasil no começo dos anos 20 com uma missão diferente. Acreditava que antigas civilizações tivessem existido no vale do Amazonas. No entanto, a Royal Geographic Society não forneceu recursos para a nova empreitada.


Fawcett na verdade acreditava que viagens de exploração funcionavam melhor com equipes pequenas. Por isso, partiu acompanhado apenas de seu filho Jack, 21, e de Raleigh Rimell, um amigo deste. Disfarçou seus objetivos e até mesmo a rota que pretendia percorrer.


O motivo para essa cautela era a presença em cena de um forte concorrente, Alexander Hamilton Rice, um bem relacionado médico norte-americano que, como Fawcett, havia treinado na Royal Geographical Society. Em 1907, o doutor Rice percorreu os Andes com Hiram Bingham, o qual, em 1911, viria a descobrir a cidade montanhesa inca de Macchu Picchu. O doutor Rice retornou à América do Sul com uma bem equipada expedição amazônica.


O doutor Rice era casado com a viúva de um magnata de Filadélfia que doou a biblioteca Widener à Universidade Harvard, em memória do filho morto no naufrágio do Titanic.


Fawcett se encontrou no Rio de Janeiro com o presidente Epitácio Pessoa e com o general Cândido Rondon, chefe do Serviço de Proteção ao Índio. Os dois expressaram entusiasmo, mas não ofereceram muito apoio prático. Em Mato Grosso, os últimos relatórios enviados por Fawcett falavam de sua crença continuada de que, em seu relacionamento com os indígenas, ‘nosso pequeno grupo de brancos fará deles amigos’, o que, evidentemente, não se confirmou.


Em sua busca por indícios sobre Fawcett, Grann conversou com Michael Heckenberger, um antropólogo da Universidade da Flórida que contesta a interpretação dominante de que a Amazônia é incapaz de sustentar grandes populações. Em uma aldeia kuikura no Xingu, Grann acredita ter visto traços desse ‘mundo desaparecido, como se estivesse bem diante de mim’.’


 


 


TELEVISÃO
Antônio Achilis, Cláudio Márcio Magalhães, Evelin Maciel e Edivaldo Farias


TV pública: compromissos e regulamentação


‘AS TVS públicas do Brasil totalizam 3.300 emissoras e retransmissoras em todo o país e se preparam para dar o segundo passo em direção à sua definição de conceitos, papéis e responsabilidades. Será no 2º Fórum Nacional das TVs Públicas, em que vamos nos encontrar com nossos débitos e créditos e assinar promissórias com a sociedade.


No encerramento do 1º Fórum Nacional das TVs públicas, em maio de 2007, o presidente Lula recebeu a Carta de Brasília e os fundamentos do que viria a ser a EBC (Empresa Brasil de Comunicação), cuja face mais visível é a TV Brasil.


Estava concluído, assim, o primeiro movimento para a construção do conceito da televisão pública brasileira, depois de intensas e longas discussões entre grupos temáticos, reunindo especialistas e realizadores. A Carta de Brasília enunciou princípios fundadores dessa televisão pertencente à sociedade, a ela subordinada e a ela dedicada. A lei que criou a EBC, embora limitada às emissoras do governo federal, inaugurou tais fundamentos, há muito consagrados entre nós, que fazemos televisão pública neste país nas suas diversas especificidades.


Do ponto de vista formal, foi um salto de 1967 a 2008. É preciso lembrar que o decreto-lei 236, de 1967, determina que as emissoras educativas existam só para transmitir aulas, palestras e debates. Que nem sequer recebam doações, mesmo que o doador permaneça anônimo. E esse decreto ainda está em vigor.


Portanto, temos uma pauta para cumprir para erigir uma televisão pública democrática, plural, dedicada à formação da cidadania neste país. E capaz de cumprir o estabelecido na Constituição Federal, em seus artigos 221 a 223, como não ocorre no segmento privado.


É por isso que, mais uma vez, o campo público de televisão, por meio de suas entidades representativas, se organiza em torno de um grande fórum de debates. Dessa vez, o 2º Fórum Nacional das TVs Públicas, convocado pelas entidades do setor para acontecer em maio, será uma instância oficial da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, que o governo programa para dezembro.


Abepec (Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais), ABTU (Associação Brasileira de Televisão Universitária), Astral (Associação Brasileira de Televisões e Rádios Legislativas) e ABCcom (Associação Brasileira de Canais Comunitários) se unem para um amplo debate das questões urgentes do setor, com o apoio inequívoco e fundamental do Ministério da Cultura e da EBC, a grande beneficiária do primeiro evento, e contando com a presença de entes públicos pertinentes aos temas, especialmente o Ministério das Comunicações e o Poder Legislativo federal.


Ao fim do 2º fórum, vamos nos empenhar para a implantação do que for aprovado e para entrarmos consistentes na prevista Conferência Nacional de Comunicação, outro anseio inarredável da sociedade. Há um alinhamento de fatores que torna especial e imperdível essa oportunidade. Qualquer evolução nesse campo depende da qualidade da democracia em funcionamento que, evidentemente, melhorou muito nos últimos 40 anos.


A implantação da transmissão digital terrestre, em curso, reduzirá os abismos tecnológicos existentes hoje entre as diversas emissoras e, na sequência, provocará revoluções no jeito de fazer e de usar televisão. A interatividade e a convergência de mídias apontam para o surgimento de novas verdades e novos parâmetros -acreditamos que para a construção da cidadania e do fortalecimento da educação libertadora. Por isso vamos demandar regulação, para que não nos faltem reconhecimento jurídico, compromissos democráticos e responsabilidades.


Por isso buscamos clareza na forma de financiamento, o indispensável acesso à multiprogramação e a criação de um instituto que se dedique à evolução da atividade.


Esse 2º fórum haverá de contribuir para que a sociedade se torne protagonista, ultrapasse a condição de meros consumidores e seja maior do que seus tutores em seus processos de reflexão.


ANTÔNIO ACHILIS, 59, jornalista, especialista em gestão estratégica da informação pela Universidade Federal de Minas Gerais, é presidente da Rede Minas e da Abepec.


CLÁUDIO MÁRCIO MAGALHÃES, 44, jornalista e professor, doutor em educação pela UFMG, é presidente da ABTU.


EVELIN MACIEL, 40, jornalista, mestre em ciência política e especialista em regulação de telecomunicações pela UnB (Universidade de Brasília), é presidente da Astral.


EDIVALDO FARIAS, 65, bacharel em direito, juiz aposentado, é presidente da ABCcom.’


 


 


Folha de S. Paulo


Associação recorrerá sobre ponto extra


‘A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) publicou no ‘Diário Oficial’ da União a decisão que impede a cobrança de mensalidade pelo ponto extra para os assinantes de TV paga. Para que a medida tenha efeito prático, é preciso que a agência derrube, na Justiça, liminar obtida em junho pela associação que representa as operadoras. A Justiça Federal, que concedeu a liminar, pediu mais informações à Anatel.. A associação diz que vai recorrer.’


 


 


Daniel Castro


Globo faz metamerchandising inusitado


‘A Globo exibiu anteontem o merchandising mais inusitado de sua história. Durante oito minutos, a trama do humorístico ‘Toma Lá Dá Cá’ girou em torno da maionese Hellmann’s. O produto foi tema do episódio (‘Por Causa da Maionese’).


A ação começou com a personagem de Adriana Esteves apresentando uma salada que preparou para comemorar dez anos de casamento. Em seguida, outros personagens disputaram espaço na propaganda, para também receberem cachê. Uma lésbica foi impedida de pôr a mão na embalagem, para ‘não comprometer o único merchandising do programa’.


Diretora de merchandising da Globo, Márcia Ladeira classificou a ação de ‘metamerchandising’. Diz que a Globo teve ‘total liberdade de texto’.


‘A gente nunca submete texto à aprovação do cliente, porque a tendência é mexerem muito. E o texto é sigiloso, não circula pelo mercado. A gente passou um briefing para o Miguel Falabella [autor] e ele viajou. Depois, a gente explicou para o cliente e ele entendeu. Não é todo cliente que tem essa cabeça’, afirma. A maioria dos anunciantes acha arriscado investir em programas de humor.


Ladeira não revela o valor do anúncio. A ação fez parte de um pacote que incluiu outros programas. Na Globo, especula-se que custou no mínimo R$ 200 mil. Apesar do sucesso, teve gente na emissora que torceu o nariz. Achou excessiva.


FAZENDA


A cantora Dani Carlos está no elenco do reality show ‘The Farm Brasil’, que confinará semi-celebridades em uma fazenda em Itu (SP).. O programa, que estreia no final de maio, imitará ‘Big Brother Brasil’ no nome e até em shows para os participantes. Os participantes receberão R$ 60 mil de cachê. Há uma lista de ‘reservas’.


PAREDÃO


Durante o feriado, o diretor Jorge Furtado confinou o elenco de ‘Decamerão’, seriado que a Globo exibirá no segundo semestre, em um hotel do Rio de Janeiro. Os atores Lázaro Ramos, Deborah Secco, Matheus Nachtergaele, Leandra Leal, Daniel de Oliveira e Drica Moraes fizeram leitura dos episódios em um ambiente decorado com objetos que remetem ao universo da trama.


PRIMAZIA


A TV Brasil, TV pública federal, divulgou que foi a primeira emissora a ter sinal digital em Brasília, desde o dia 21, antes da Globo. Esqueceu que a TV Justiça já está no ar no DF, com sinal digital, há um ano.


LISTA


Saiu a lista das entidades que comporão a comissão organizadora da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, que discutirá o futuro das comunicações. Das 16 cadeiras da sociedade civil, oito ficaram com entidades empresariais (como a Abert), sete com entidades com perfil de esquerda (CUT) e uma com as TVs públicas.


PARAÍSO


A novela das seis da Globo dá sinais de recuperação.. Bateu recorde em SP e cravou 45 pontos em Florianópolis.’


 


 


Pedro Dias Leite


‘Claro que vai ter disco’, diz o ‘dono’ de Susan Boyle


‘Faz menos de duas semanas que a escocesa de 48 anos, cabelos grisalhos desgrenhados e aparência desleixada que escondem uma voz arrasadora, subiu no palco do show de calouros ‘Britain’s Got Talent’ para cantar ‘I Dreamed a Dream’ (sonhei um sonho), mas aquele sábado à noite é passado distante na era da internet. A pergunta agora é: o que será de Susan Boyle?


Antes de emocionar o planeta, ela já havia tentado outras vezes despontar no mundo da música, sem sucesso.


Em 1995, Boyle tentou ser selecionada para um programa, mas sua participação nunca foi ao ar, ‘porque estava muito nervosa’. Depois disso, contratou um professor de canto, Fred O’Neil, e em 2000 gravou uma versão de ‘Cry Me a River’ para um CD com tiragem de apenas mil cópias -é a sua única gravação até hoje, e também já virou sucesso na internet.


Agora, será diferente. O homem que detém os direitos sobre o futuro musical de Boyle, Simon Cowell (dono do ‘Britain’s Got Talent’ e jurado do programa), já garantiu que, dessa vez, ela atingirá um público bem maior do que há dez anos: ‘É claro que vai haver um disco’, disse Cowell, amparado por mais de 75 milhões de visualizações do vídeo de Boyle no YouTube (que os tabloides ingleses anunciam como mais de 100 milhões).


O fenômeno Boyle atingiu tal proporção que as casas de apostas britânicas já criaram mais de dez categorias em torno dela: a chance de ter uma música no topo das paradas é de 4 para 9, a de aparecer em um episódio dos ‘Simpsons’, de 12 para 1, e a de namorar Mel Gibson fica em 500 para 1.


Rotina pacata


A reviravolta profissional muda irremediavelmente a rotina pessoal de Boyle, que passou boa parte da vida cuidando da mãe doente. Até ser catapultada para o estrelato, ela levava uma vida pacata na cidadezinha de Whitburn, onde dedicava seu tempo a assistir a TV, ler e ser voluntária na igreja local.


De uma família de dez irmãos, dos quais seis estão vivos, Boyle enfrentou dificuldades desde o início. Quando nasceu, uma falta de oxigênio provocou leve dano cerebral, que prejudicou seus estudos e a tornou alvo de chacota na escola. Ela afirmou, no programa, que nunca havia sido beijada, depois voltou atrás, mas sem detalhes: ‘É constrangedor’.


A morte da mãe, aos 91, foi ao mesmo tempo uma enorme tristeza e o impulso que faltava para a última tentativa de perseguir o sonho de cantar.


Sozinha com o gato Peebles, Boyle ficou dois anos sem interpretar, nem mesmo com a escova que servia de microfone, em casa. Mas acabou decidindo que havia chegado o momento de seguir o conselho da mãe e ‘fazer alguma coisa da vida’. Inscreveu-se no show de calouros, e a história até aqui é conhecida, mas não o seu final.


Mesmo com a fama, ela diz que não quer mudar de aparência. ‘Há alguma coisa de errado em parecer Susan Boyle?’, brincou, em entrevista recente. Mas apareceu anteontem com um vestido florido roxo e jaqueta de couro. O próximo capítulo é no dia 30 de maio, quando Boyle volta às telas.’


 


 


Contardo Calligaris


I love Susan Boyle


‘NA TERÇA-FEIRA, eu estava com minha coluna pronta (escrevo entre domingo e segunda) e, ao abrir o jornal, descobri que João Pereira Coutinho, neste mesmo espaço, também tinha-se apaixonado por Susan Boyle.


Tudo bem, não sou ciumento. Mesmo assim, por um momento, pensei escrever, na última hora, outra coluna. Mas, lendo Coutinho, percebi que a gente pode se apaixonar pela mesma pessoa por razões diferentes. Aqui vai.


Em poucos dias, dezenas de milhões de pessoas, pelo mundo afora, assistiram ao vídeo de Susan Boyle cantando ‘I Dreamed a Dream’ (eu sonhei um sonho). Assistiram e choraram lágrimas comovidas.


Acesse a internet e veja uma das versões (por exemplo, www.youtube.com/watch?v=8OcQ9A-5noM). Se quiser mais, assista à entrevista de Susan Boyle à rede americana CBS, durante a qual Boyle canta um trecho da música a capela (watching-tv.ew.com/2009/04/susan-boyle-cbs.html).


Provavelmente, Susan Boyle gravará um CD, e o comprarei. Talvez, um dia, ela venha ao Brasil, e estarei no show, mesmo a preço de cambista. Mas nada disso se comparará com o momento extraordinário registrado no vídeo que está hoje no YouTube. Por quê?


Vamos com calma. Susan Boyle se qualificou nas preliminares para participar de ‘Britain’s Got Talent’ (a Grã-Bretanha tem talento), que é mais uma versão (inglesa) de ‘American Idol’, o programa de televisão que começou nos EUA e foi repetido em vários países -no Brasil, ‘Ídolos’, na TV Record. Trata-se, a cada ano, de premiar um cantor ou uma cantora, descobrindo novos talentos.


Na verdade, a seleção para chegar até à final talvez seja o que mais diverte as plateias, nos teatros de gravação ou em casa: o vexame da maioria dos concorrentes funciona como um bálsamo para todas as covardias que nos impedem de correr atrás de nossos sonhos. Algo assim: ‘Olhe o que aconteceu com quem ousou. Ainda bem que eu não fui!’.


Susan Boyle entrou no palco como uma espécie de anticlímax; ela era tudo o que não se espera de uma aspirante a estrela: quase 48 anos, solteirona, desempregada, vestida (disse um amigo estilista) como a rainha Elizabeth se ela fosse pobre, ‘gordinha’ e ‘feinha’. Os diminutivos indicam que sua aparência não era extraordinária nem negativamente, mas a tornava transparente: aquela figura papel de parede, de quem ninguém se lembra se ela estava na festa ou não. Para completar, respondendo às perguntas de Simon Cowell (que preside o júri), ela pareceu quase tola e um tanto vulgar, balançando os quadris para dar mostra de sua juventude de espírito.


Quando Susan Boyle anunciou que seu sonho era ser cantora como Elaine Page (a inesquecível Grizabella de ‘Cats’, em Londres, em 1981), o júri e a plateia não esconderam seu desdém.


Aí Susan Boyle começou a cantar. A performance foi propriamente incrível; por um instante, pensei que Boyle estivesse apenas mexendo os lábios enquanto tocava uma gravação: uma voz forte, limpa, segura e expressiva, fiel às emoções que se alternam ao longo das letras.


Também a música que Susan Boyle escolheu (letras de Alain Boublil) contribuiu para transformar sua performance numa espécie de exemplo moral: fala de um sonho antigo, sonhado quando ‘a esperança falava alto e a vida valia a pena’, na época em que ‘os sonhos são criados, usados e desperdiçados’; mas há ‘tempestades’ que ‘transformam nossos sonhos em vergonha’, e, no fim, em regra, a vida massacra os sonhos que sonhamos. Então, qual é a moral da performance?


Para Coutinho, a moral é que, na vida, não basta se esforçar: é preciso ter sorte. Entendo assim: Susan, até aqui, não teve sorte, a gente se comove porque é tarde demais ou porque, enfim, o destino a encontrou em sua aldeia perdida.


Para mim, a moral é outra. Não sei se Susan teve sorte ou não. Cuidar longamente da mãe doente e cantar com os amigos no karaokê da vila é uma vida que pode valer a pena, talvez mais do que uma vida nas luzes da ribalta. O que me comoveu tem mais a ver com a coragem e a resistência de seu sonho.


Os entrevistadores da CBS perguntaram a Susan Boyle como ela conseguiu se concentrar e cantar, embora percebesse que o júri e a plateia não a levavam a sério e já estavam antecipando a zombaria. Ela respondeu, com simplicidade: ‘É a gente que tem de se levar à sério’.’


 


 


Gustavo Villas Boas


Programa mostra ascensão do Facebook


‘O Facebook pode virar sinônimo de internet. Essa rede social, que vale US$ 10,2 bilhões, acaba de desenvolver, provavelmente, o mais valioso sistema de publicidade, que põe na sua frente anúncios para aquilo que você quer na intimidade. Há controvérsias sobre o modelo de publicidade, mas o norte-americano Mark Zuckerberg, 24, que criou o site quando tinha 19 anos, é realista: são os anúncios que o sustentam.


Em 2007, o cenário era rosa para o portal, tanto que foi corretamente registrado num documentário exibido hoje no GNT, embora com atraso de, pelo menos, um ano.


O sistema revolucionário de publicidade foi tão criticado que acabou modificado em dezembro de 2007, um mês após o lançamento -movimento que o filme não captou.


O Facebook é um dos maiores e mais importantes endereços da internet -tem 200 milhões de perfis. Mas não virou o esperado: uma empresa que mudaria os negócios dentro e fora da internet. Esse epíteto é reservado ao Google. Talvez ao Twitter, se não acontecer o que Andrew Keen, autor do livro ‘O Culto do Amador’, diz ao final do filme: amanhã, vai surgir um novo fenômeno de internet. E basta um clique para as pessoas migrarem para ele.


FACEBOOK: O FENÔMENO DA INTERNET


Quando: hoje, às 21h30


Onde: GNT


Classificação: não informada’


 


 


PUBLICIDADE
Mônica Bergamo


Copo vazio


‘A Brahma alterou, no último domingo, o comercial de TV com o jogador Ronaldo. A criticada cena em que ele levantava um copo de cerveja saiu do ar e o texto ‘Eu sou brahmeiro’ foi substituído por ‘Eu sou guerreiro’. A empresa diz que o novo filme estava pronto desde o início da campanha.’


 


 


INVESTIGAÇÃO
Folha de S. Paulo


Para irmão de Franklin, relatório da PF é ‘dossiê’


‘Investigado pela Polícia Federal em suposto esquema de aumentar o valor de royalties pagos a municípios pela Petrobras, o diretor da ANP (Agência Nacional do Petróleo) Victor de Souza Martins afirmou ontem, na Comissão de Minas e Energia da Câmara, que o relatório da investigação ‘tem toda a aparência’ de um ‘dossiê’ produzido por um ‘araponga’.


Irmão do ministro Franklin Martins (Comunicação Social), Victor negou fraude, disse, sem detalhar, ser alvo de interesses que teria contrariado e que a acusação contra ele é pessoal. ‘Passei a ser Victor Martins, irmão do ministro. Quando fui indicado para diretor da ANP, meu irmão trabalhava na Globo, não era ministro.’


O Tribunal de Contas da União disse que fará auditoria na ANP focando os royalties.


No início do mês, a Folha publicou que relatório de equipe de inteligência da PF coloca Victor no centro do suposto esquema. O caso tinha sido noticiado pela revista ‘Veja’. ‘Estamos tratando de uma coisa que tem toda a aparência de ser documento apócrifo. [De] não ser um relatório da PF, mas um dossiê produzido sei lá por qual araponga’, disse Victor.


O presidente da comissão, Bernardo Ariston (PMDB-RJ), disse que receberá o relatório da PF e o tornará público.


Antes de publicar a reportagem, a Folha remeteu cópia do documento a um delegado da cúpula da PF, que confirmou sua origem como sendo o departamento de inteligência. O delegado disse que o nome de Victor havia sido excluído do inquérito para permitir que as investigações prosseguissem sob sigilo. E que a PF investigaria o vazamento. Oficialmente, a instituição disse que não comenta investigação em curso.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


A China sobe


‘Nas páginas iniciais de ‘Wall Street Journal’ e ‘New York Times’, o secretário do Tesouro declarou que os EUA são responsáveis pela crise, em discurso preparatório para o encontro ministerial do G20, amanhã em Washington. Expressou sua confiança nas ‘ações coletivas’ globais, destacou a China pelo ‘importante papel estabilizador’ e citou ‘sinais’ de estabilização em produção e comércio.


Escrevendo no ‘Financial Times’, Jim O’Neill, do Goldman Sachs, ressaltou que o banco aumentou sua previsão de crescimento da China para 8,3% em 2009 e 10,9% em 2010. E alertou que ‘a história dos Brics está em sua infância’, comandada pelo C de China, que ‘sempre foi o mais importante dos quatro’..


O QUE QUER A CHINA


O estatal ‘China Daily’ publicou artigo de Liu Junhong, do Instituto Chinês de Relações Internacionais, intitulado ‘A mudança certa para o desenvolvimento’, com a ilustração à dir.


Defende três pontos. O primeiro é ‘reconhecer o princípio do mercado’, evitar ‘dizer não ao mercado’. Outro é rever ‘a função das finanças’, mas ‘não anular’ e sim ‘erguer um sistema em que represente papel benéfico ao desenvolvimento’. O terceiro, sobre as ‘relações com o mercado global’, avalia que os EUA voltarão a liderar o consumo, mas ‘os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), de crescente classe média, estão criando um mercado potencial mamute’.


A SOJA SOBE TAMBÉM


Dias atrás no ‘FT’ e ontem no ‘WSJ’, a China segue comprando soja de Brasil e Argentina, mas também EUA, favorecidos pela seca na América do Sul. Investidores atrás de uma ‘história viável’ já estariam apostando. Por aqui, na Bloomberg no fim do dia, ‘Bovespa sobe por causa da demanda da China e de apostas de corte nos juros’ pelo Banco Central.


Ao fundo, o presidente do BNDES, ‘um dos máximos responsáveis pelo futuro econômico do Brasil’, deu longa entrevista ao espanhol ‘El País’, sob o título ‘Brasil volta a crescer entre 3,5% e 4%’ no ano que vem.


‘GO HOME, FOREVER’


Como antes em jornais de Ásia e Europa, o ‘NYT’ postou na home uma foto de latino-americanos e o enunciado ‘Japão paga estrangeiros para voltar para casa, para sempre’. A reportagem abre com a história de Rita Yamaoka, brasileira que foi demitida em meio à crise e tem que decidir se aceita ‘milhares de dólares’ para ir embora e ‘nunca mais procurar trabalho no Japão’.


VEM DO FUTURO


Com nova home, que remete ao site Politico, o Congresso em Foco marca a cobertura de Brasília com o caso das passagens aéreas. E é saudado pelo ‘furo mais importante’ do ano, em sites de mídia e por profissionais como Milton Coelho da Graça. O ‘furo que vem do futuro’ do jornalismo nasceu com Adriane Galisteu e era coberto ontem por Sabrina Sato, do ‘Pânico’.


youtube.com/watch?v=sIUdUsPM2WA


VIRAL


Em instantes, o bate-boca saiu dos comentários de blogs para vídeos no YouTube. Joaquim Barbosa acusou Gilmar Mendes de estar ‘na mídia, destruindo a credibilidade da Justiça brasileira’. O ‘Jornal Nacional’ interveio depois, dando a entender que o confronto teria começado porque Barbosa faltou a uma sessão’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 23 de abril de 2009


 


BOLÍVIA
O Estado de S. Paulo


Suposto mercenário revelou plano na TV


‘O governo boliviano considerou uma ‘prova contundente’ a declaração veiculada anteontem por uma TV húngara na qual Eduardo Rosza Flores anunciava que iria à Bolívia para compor ‘a resistência armada’ pela independência de Santa Cruz. Ele foi morto pela polícia na quinta-feira, acusado de planejar a morte do presidente Evo Morales.’


 


 


TECNOLOGIA
O Estado de S. Paulo


Lucro da Apple cresce 15% graças ao iPhone


‘A Apple teve aumento de 15% no lucro no seu segundo trimestre fiscal, encerrado em março). O ganho subiu para US$ 1,21 bilhão. Já a receita cresceu 8,7%, para US$ 8,16 bilhões. Os resultados foram melhores do que o esperado. As vendas de iPhones mais do que dobraram no período, atingindo a marca de 3,7 milhões de unidades. Os iPods continuaram em alta: foram 11 milhões vendidos, aumento de 3%. As vendas dos computadores Macintosh, no entanto, caíram no período.’


 


 


PUBLICIDADE
Marili Ribeiro


Schin quer tirar Ronaldo da tela


‘O fenômeno Ronaldo está no foco da eterna guerra das cervejarias pela atenção do consumidor. Protagonista do atual comercial da Brahma, marca da líder do setor, a AmBev, o jogador é alvo de uma denúncia por parte da segunda colocada no mercado, a Cervejaria Schincariol. A denúncia foi encaminhada ao Conselho de Autorregulamentação Publicitária (Conar) e pede a suspensão da anúncio.


A Schincariol entrou com uma representação, por meio de seus advogados, apontando três aspectos que julga irregulares na propaganda em relação ao código de ética adotado pelo Conar para regular a propaganda no segmento de bebidas. A briga das cervejarias no Conar já se tornou fato até corriqueiro, e volta à tona sempre que uma nova campanha entra em cartaz – em especial quando consegue atrair holofotes, como nesse caso.


Após o processo instaurado na última segunda-feira, há um trâmite natural antes do julgamento da denúncia, que pode levar entre 20 a 30 dias até os conselheiros se reunirem e avaliarem se é o caso de acolher o pedido contra a veiculação do anúncio.


A agência África, que criou a peça, já fez ajustes. No comercial que está no ar agora, Ronaldo não aparece mais com o copo de cerveja na mão.Também deixou de dizer que era ‘um brahmeiro’ – a expressão foi trocada por ‘um guerreiro’.


A Schincariol argumenta, na denúncia, que o jogador tem forte influência sobre o público infantil. Por isso, não deveria aparecer em comercial de cerveja. Considera ainda que, por ser um jogador de futebol – um esporte olímpico -, estaria impedido de vincular sua imagem a bebidas, já que o Conar condena esse tipo de associação. E acha também que há, no comercial, um apelo que induz o consumidor a atrelar o êxito de Ronaldo ao fato de ele ser ‘um brahmeiro’.


O comercial faz parte de uma série da qual já participaram o cantor Zeca Pagodinho, o músico Carlinhos Brown e o gari Renato Sorriso, símbolo do carnaval carioca.


Todos os itens arrolados, segundo a interpretação de um profissional do meio que não tem vínculos com qualquer uma das partes, mas prefere o anonimato, contêm aspectos que dependem de pura interpretação, já que não ferem diretamente as normas reconhecidas.


Entre os 180 conselheiros que integram os julgamentos do Conar, está o próprio diretor de criação da África responsável pela peça da Brahma, Eduardo Martins. Ele, no caso específico, poderá ser afastado, por ser parte interessada.


O comercial, apesar da polêmica, faz sucesso e recebe apoio do público, segundo o diretor de marketing da AmBev, Carlos Lisboa. ‘Nas pesquisas internas de avaliação do efeito desse filme, ele foi muito bem, porque gera uma empatia com o público, que aprecia os que lutam para superar dificuldades. É essa a mensagem que queremos colar ao apelo de ser um ?brahmeiro?’.’


 


 


EFEITO YOUTUBE
Lauro Lisboa Garcia


A escalada surreal da esquisitona


‘A mulher mais falada no mundo há uma semana não é nenhuma beldade, não provocou nenhum escândalo sexual, não é uma jovenzinha filha de pais famosos, não apresentou nenhum plano para salvar o planeta da crise, mas vem dando uma lição ao mundo de como respeitar certos valores humanos. Já reconhecida por apelidos pouco lisonjeiros como ‘anjo cabeludo’, ela é uma interiorana de 47 anos, solteirona, desempregada, de aparência fora dos padrões de beleza e vinda da zona rural de Blackburn, na Escócia.


Com quase nada a seu favor, Susan Boyle virou celebridade instantânea, numa escalada surreal, a partir de uma única aparição num programa de calouros da tevê britânica. Até Larry King a entrevistou e ela foi convidada para ir ao Oprah Winfrey Show. O vídeo de sua vitoriosa apresentação no Britain?s Got Talent, interpretando I Dreamed a Dream, do musical Os Miseráveis (http://www.youtube.com/watch?v=j15caPf1FRk, com legendas em português), virou fenômeno na web, digno de figurar no Guinness.


O número de acessos ao vídeo pulou de cerca de 2,5 milhões nas primeiras 72 horas para mais de 100 milhões, mas até este jornal chegar às bancas pode ter duplicado. Proporcionalmente, crescem as revelações, os questionamentos e as piadas de mau gosto (dizem até que ela recebeu proposta para fazer um filme pornô).


O jornal britânico Daily Report foi investigar sua história e descobriu que Susan já tinha gravado, em 1999, o clássico americano Cry me a River, para um disco coletivo, The Millennium Celebration, reunindo só cantores amadores, em Whitburn, na Escócia. O link para sua interpretação (http://www.youtube.com/watch?v=jI2Dxkrgpg) também virou febre na web desde o fim de semana.


Há quem duvide da casualidade com que Susan ‘surpreendeu’ a todos. Passado o flagrante de deslumbramento do público, ela está sendo apontada como mais uma invenção do temido Simon Cowell, um dos criadores do American Idol e também jurado do Britain?s Got Talent. Ele também é famoso por fabricar ídolos, como as Spice Girls e Leona Lewis. Pouco importa, que Susan Boyle tem um vozeirão, não há dúvida. E a maneira como cativou o público, demolindo com altivez os mais reles preconceitos, conta muito.’


 


 


***


Procura-se Susan desesperadamente


‘Tanya Gold, do jornal The Guardian, se perguntou: ‘Susan Boyle é feia? Ou somos nós?’ Lisa Schwarzbaum, do Entertainment Weekly afirmou: ‘Ela redimensionou o conceito de beleza. E eu não fazia ideia, até as lágrimas caírem, de quão desesperadamente eu precisava de um corretivo.’ Sem querer ofender, mas como diria a funkeira Tati Quebra Barraco, Susan é feia, mas está na moda. Hit absoluto na web, seu caso de fama repentina se torna mais interessante por causa de sua condição de perdedora, outsider, como a borralheira do conto de fadas.


A mais jovem de nove filhos, Susan nunca teve namorado e seus amigos íntimos a descrevem como tímida e esquisita, cheia de manias. Nunca conseguiu se manter num emprego e sofre de dificuldade de aprendizado decorrente da falta de oxigênio ao nascer. Em entrevistas, ela mencionou que os garotos de sua aldeia sempre zombavam dela, a mulher solitária que vive com seu gato, Pebbles. Para ela, isso tudo que vem acontecendo é surreal.


O vídeo visto por dezenas de milhões de internautas no mundo todo está aí como prova. Quando Susan pisa no palco do Britain?s Got Talent com aquele seu jeito meio rude, e diz que tem intenção de virar cantora profissional como Elaine Paige, ecoa da plateia uma sonora gargalhada. Nos bastidores, dois caras da produção reforçam a gozação. Quando ela revela sua idade, 47 anos, mais chacotas.


Porém, aos primeiros acordes de I Dreamed a Dream (composta pelo francês Claude-Michel Schöenberg para a personagem Fantine, do musical Os Miseráveis), quem riu chora, perplexo. É tudo um tanto piegas, como o tema da canção, mas Susan foi certeira na escolha, cai bem na sua voz melodiosa, potente. E é claro que a letra, que fala de realização de um sonho, cairia perfeitamente para ilustrar os anseios da própria cantora. Os jurados, que seguraram um pouco a onda de zombaria, se rendem. Ela é aprovada pelos três. Simon Cowell diz cinicamente que já sabia que ela seria algo extraordinário, o que nem Susan, exultante e aparentemente ingênua, acredita.


Não se pode culpá-los, nem ao público. Quem assistiu às aberturas das temporadas do American Idol conhece bem o hilariante show de horrores que são os testes dos calouros. Muitos levam a sério a ideia de se tornar um ídolo da música, mas o que não falta é gente bizarra que vai lá só para aparecer na televisão, não importa o tamanho da exposição ao ridículo. Susan foi confundida com esses tipos, que seguramente contribuem para alavancar a audiência do programa.


Nem poderia imaginar aonde ‘o sonho’ a levaria. Elaine Paige, lendária estrela dos musicais de Londres, citada por ela como seu ídolo, contou à BBC que provavelmente ambas vão gravar um dueto. Elaine descreveu Susan ‘como um modelo para todos que têm um sonho’. Fotógrafos plantados do lado de fora da casa de Susan oferecem até US$ 3 mil por uma única imagem antiga de família da nova estrela. Estilistas se prontificam a dar um trato em seu guarda-roupa, provavelmente querendo pegar carona na fama.


O lançamento de um disco agora pode superar a performance de Paul Potts (leia abaixo), vencedor da primeira edição do Britain?s Got Talent. Susan já recebeu propostas para assinar contratos com gravadoras e de produtoras de cinema. É provável que um concerto dessa mulher hoje lote estádios.


Os fenômenos musicais da internet costumam despertar desconfiança. Certas pretendentes a estrelas não têm nem a ferramenta básica da afinação. No caso de Susan, goste-se ou não de seu estilo, ela simplesmente demonstrou, em sua breve aparição de menos de 5 minutos, que tem voz privilegiada e sabe fazer bom uso dela. Seu histórico de origem humilde fez o resto. Ela disse que decidiu se profissionalizar como cantora para mostrar à mãe, já morta, que poderia ser alguém. Não precisou ser mais uma tediosa imitação de Mariah Carey para convencer o mundo de seu potencial. COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS


HITS DA WEB


LILY ALLEN: Não foi à toa que a cantora britânica disponibilizou seu segundo álbum, It?s Not Me, It?s You, para audição no MySpace, antes de lançá-lo em CD. Foi a partir da criação de seu espaço na internet que ela se tornou estrela mundial. Em 2006, faixas de seu álbum de estreia, Alright, Still, viraram campeãs de download. Isso não atrapalhou a performance do CD, que vendeu mais de 2,6 milhões de cópias no mundo.


GNARLS BARKLEY: A dupla, formada pelo cantor Cee-Lo e pelo produtor Danger Mouse, entrou para a história com um feito inédito: foram os primeiros artistas a atingir o topo da parada britânica, posição mantida por nove semanas, com venda exclusiva pela internet, em 2006. A canção, que passou de 1 milhão de downloads, era a sensacional Crazy, carro-chefe de seu álbum de estreia, St. Elsewhere. Foram desbancados por Sandi Thom..


MALLU MAGALHÃES: Espécie de resposta brazuca a Lily Allen, no quesito web, a cantora folk paulistana também se tornou conhecida via MySpace, aos 15 anos, antes de lançar o primeiro CD, em 2008. Foi encampada pela mídia adulta com velocidade e ingenuidade espantosas. Há quem aponte seu caso como resultado de uma nova forma de jabá. Talvez seja outro fenômeno adolescente efêmero.’


 


 


TELEVISÃO
Luiz Carlos Merten


É tudo verdade nesses sobreviventes


‘Basta olhar para a filmografia da psicanalista e cineasta Miriam Chnaiderman. Artesãos da Morte, De Arma na Mão. Miriam gosta de refletir sobre a cultura da violência. Seu novo documentário passa hoje, às 22h10, na TV Cultura. Foi realizado em parceria com Reynaldo Pinheiro. Chama-se Sobreviventes e conta histórias de pessoas que viveram situações-limite, das quais retornaram para contar como foi. Morte, tortura, acidentes de carro, doença, discriminação.


Um professor chora lembrando-se da humilhação que sofreu, ou sentiu, na escola por ser negro, como se a cor da pele fosse uma condenação e ele nunca pudesse ter espaço para revelar suas habilidades. Uma mãe que não se conformava com a morte dos filhos num deslizamento aprendeu a nomear a dor e a conviver com ela, desfrutando o que ganhou depois. Um soropositivo, o crítico, escritor e cineasta Jean-Claude Bernardet, reflete sobre a doença nos olhos que está reduzindo sua capacidade de visão.


São histórias de vida. Humanas, comoventes – e é tudo verdade. Os planos, em geral, são simples – os mesmos. Uma cadeira, uma parede de tijolos. As pessoas sentadas dão seus depoimentos. Existem pequenas variações na distância da câmera. Poucos recursos para colocar algo mais do que isso na tela. Trens que passam (o tempo?), planos da parede (o limite?) O rosto humano é um território inesgotável. A voz ora é destituída de expressão ou então tem tanta expressividade que você pode fechar os olhos e viajar nas palavras.


Os depoimentos que abrem e fecham o filme são de ex-criminosos. Um sobrevivente do Carandiru que se reconstruiu e só espera que os filhos não sigam seu caminho. Outro ?bandido? que foi salvo pela literatura e cuja maior emoção foi ver o filho dizer que tem o maior orgulho do paizão escritor e quer ser como ele. A psicanálise ensina que só se supera um trauma dando-lhe um (res)significado. O documentário de Miriam e Pinheiro é sobre isso. Experiências de vida, de linguagem. Vale a pena viajar nessas histórias.’


 


 


Patrícia Villalba


Record edita sexo


‘Meses antes de estrear Poder Paralelo, o autor Lauro Cesar Muniz explicou, em entrevista ao Estado: ‘É uma novela de adultos, para depois das 22 horas.’ Mas agora, novela no ar, a direção da Record tem ordenado cortes em algumas cenas. E o alvo da chefia não são as explosões da máfia, muito menos as mordidas que Tony Castellamari (Gabriel Braga Nunes) dá na própria mão: são as cenas de sexo.


A censura interna não chegou ao texto, apenas a imagens consideradas ‘fortes’. Mas a ameaça paira no ar. O autor até já teria pedido à direção da emissora que qualquer mudança seja discutida previamente com ele.


Na Record, a posição oficial é que o procedimento faz parte do controle de qualidade da casa e que é rotineiro para todas as novelas da casa.


Há duas semanas no ar sem intervalos comerciais, Poder Paralelo tem registrado boa média no ibope para o horário (22h30), de 14 pontos. Na próxima terça-feira, com o fim de Chamas da Vida, o novelão passa para as 22 horas e finalmente exibirá uma abertura, embalada pela música Belíssima, na voz da italiana Laura Pausini.’


 


 


 


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