Quinta-feira, 24 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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ENTRE ASPAS > TERÇA-FEIRA, 9/9

Globo faz campanha contra exposição na mídia

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 09/09/2008 na edição 502

Leia abaixo a seleção de terça-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 9 de setembro de 2008


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Globo ‘conscientiza’ elenco a evitar mídia


‘A Globo vai fazer uma campanha interna para tentar impedir que seus atores, diretores e autores transmitam informações a jornalistas. Segundo Octávio Florisbal, diretor-geral da emissora, será feito um ‘trabalho de conscientização’ para mostrar aos profissionais que expor a empresa ‘não é bom’.


Florisbal diz que nenhuma empresa brasileira é tão exposta na imprensa quanto a Globo. Revela-se incomodado com o fato de ‘assuntos internos serem discutidos na mídia’.


O executivo não gostou, por exemplo, do vazamento da idéia de gravação do especial de Roberto Carlos no Complexo do Alemão, no Rio. Diz que isso foi apenas uma idéia da área artística, porque a emissora já decidiu, anos atrás, nunca promover eventos em áreas de risco, como o Alemão (local onde foi assassinado o jornalista Tim Lopes). Como a informação vazou, a Globo se desgastou perante a comunidade _que exibiu faixas de protesto contra o ‘cancelamento’ do show.


No mundo ideal de Florisbal, jornalistas seriam os últimos a saber dos acontecimentos, e sempre pela assessoria de imprensa. Para ele, a substituição de Zeca Camargo por Tadeu Schmidt, no ‘Fantástico’, teria de ser antes comunicada às agências de publicidade e ao patrocinador do programa.


A Globo já monitora e-mails corporativos de seus profissionais para evitar que informações vazem por esse meio.


VOADORA 1


A Globo tentou confundir o telespectador, exibindo ontem, na ‘Tela Quente’, o filme ‘Vôo 93’, antes da Record, que programou para esta quinta ‘Vôo United 93’. Ambos são sobre um dos aviões seqüestrados por terroristas em 11 de setembro de 2001, mas o primeiro é um filme obscuro, feito para TV, enquanto o da Record recebeu duas indicações ao Oscar.


VOADORA 2


Só que a própria Globo se confundiu. A foto que exibia em seu site, ontem, junto com a ficha de ‘Vôo 93’, era de ‘Vôo United 93’.


MAJESTADE


Xuxa Meneghel retomou a liderança no Ibope. Sábado, venceu a menina Maysa, também conhecida no SBT como Chuck, por 8,4 a 5,8 pontos.


FANTÁSTICO


O ‘Fantástico’ foi ‘furado’ pelo ‘Tentação’. O programa de Silvio Santos exibiu, horas antes, vídeo de um contorcionista africano que passa seu corpo pelo aro de uma raquete de tênis, idêntico a uma série ‘exclusiva’ do ‘Fantástico’.


PÂNICO


A Record vai pensar duas vezes antes de autorizar o ‘Pânico na TV’ a entrar em um evento seu. O humorístico foi credenciado para um leilão beneficente da emissora, mas, no ar, disse que estava cobrindo festa de aniversário de Kiko, do KLB.


DESCUIDO


O SBT bem que podia investir um pouco em ‘Pantanal’. Assim, evitaria exibir merchandisings do governo Collor e da construtora Encol, ícones de impopularidade dos anos 90.’


 


 


Folha de S. Paulo


Malu Mader vira diretora por um dia


‘A idéia de ‘Essa História Dava um Filme’, que o Multishow estréia hoje, às 23h15, é transformar um convidado (famoso) em diretor de cinema. Cabe a ele concluir um curta de quatro minutos, cuidando de todas as etapas, do roteiro até a direção das cenas, com um orçamento de R$ 1.500. Para isso, ele conta com uma equipe -que inclui diretor de fotografia, produtor, diretor de arte, entre outros- e duas câmeras, que passeiam pelas mãos dela, registrando todo o processo e os improvisos diante das dificuldades. E são esses bastidores das filmagens que ocupam a maior parte dos 30 minutos do programa, que termina com a exibição do curta. O episódio de estréia convocou Malu Mader como diretora -Pitty, Supla, Fernanda Takai e Gabriel, o Pensador são alguns dos convidados dos 13 episódios que se seguirão, com produção da Conspiração. Malu dirige Thiago Lacerda em uma história vivida por ele. No curta, o ator, que busca um novo apartamento, visita um imóvel em Ipanema, acompanhado por uma corretora. Mas o galã descobre que o prédio está sendo assaltado, e que o porteiro é um dos ladrões. Eles interrompem o assalto para fazer as vezes de fã. Nada como ser famoso.


ESSA HISTÓRIA DAVA UM FILME


Quando: estréia hoje, às 23h15


Onde: no Multishow


Classificação indicativa: não informada’


 


 


VERBA
Fábio Zanini


Governo prevê elevar gasto com publicidade em 2009


‘O governo federal elevou os recursos orçamentários previstos para comunicação e publicidade na proposta de Orçamento de 2009 enviada ao Congresso, na comparação com 2008.


No ano que vem, quando o presidente Lula deve começar a promover um candidato para sucedê-lo, a rubrica que inclui propaganda institucional, de divulgação das ações de governo, aumentará de R$ 139,2 milhões para R$ 184 milhões. O crescimento de 32,18% está bem acima da inflação prevista para 2008, de no máximo 6,5%.


Segundo a Secretaria de Comunicação Social do governo, responsável pela publicidade da Presidência e dos ministérios (as estatais têm verba própria), haverá novas ações de comunicação. O governo planeja gastar R$ 15 milhões na contratação de uma empresa para fazer a assessoria de imprensa do Brasil no exterior, licitação que é contestada na Justiça.


Nos próximos dias, será anunciada uma licitação no valor de R$ 11 milhões para ‘comunicação digital’ do governo, que envolve a reformulação do site da Presidência e do portal ‘Mais Brasil’, de divulgação dos programas sociais. Um portal em inglês, francês e espanhol também será feito. Mais R$ 4 milhões irão para uma série de pesquisas de opinião para avaliar o conhecimento e avaliação da população sobre programas como PAC, Pronasci, Bolsa Família e outros.


Segundo o subchefe-executivo da Secom, Ottoni Fernandes, o Orçamento de 2009 vai recompor o corte sofrido neste ano em razão do fim da CPMF. A secretaria tinha pedido inicialmente R$ 179 milhões, mas ficou com R$ 139,2 milhões.


Para a propaganda de utilidade pública (campanhas de vacinação, por exemplo), os recursos em 2009 serão os mesmos deste ano, R$ 16 milhões.


Fernandes afirma que o governo federal tem a obrigação de prestar contas à sociedade. ‘Publicidade de utilidade pública e publicidade institucional para promover valores são importantes de serem feitas. […] Claro que para nós é bom prestar contas, promover o governo, mas não tem nada adjetivo nas campanhas, não tem nada que promova personalidades’, declara o secretário.


Outros programas relacionados a comunicação também terão aumento. O item que reúne verba para rádio e TV pública (incluindo a nova TV Brasil) terá em 2009 R$ 417 milhões, ou 16,54% a mais do que neste ano.


A presidente da TV Brasil, Tereza Cruvinel, afirmou à Folha, no entanto, que os recursos para a emissora se mantiveram estáveis em R$ 382 milhões e que o aumento se deu em outros itens do programa.


Um terceiro programa, destinado à ‘difusão da cultura e da imagem do Brasil no exterior’ receberá R$ 40 milhões, salto de 63,04% em relação a 2008.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


‘O primeiro passo’


‘No Globo Online, ‘Brasil e Argentina não negociam mais em dólar’. No topo das buscas pelo Google Noticias, em espanhol, ‘renunciam ao dólar’.


Na manchete on-line do argentino ‘La Nación’, ‘Lula afirma que comércio sem dólares é o primeiro passo para integração monetária’. Na repercussão do jornal, ‘especialistas’ elogiaram a aproximação, um deles dizendo que Lula e o próprio Brasil encabeçam pesquisa sobre a imagem de estrangeiros na Argentina. O ‘Clarín’, que havia entrevistado Lula na edição de domingo, deu em manchete on-line que Cristina levou ao brasileiro a proposta de integração ‘estratégica’, a começar dos aviões da Embraer.


LUGO Y LULA


No ‘ABC Color’, ontem, a oferta do Brasil de pagar mais US$ 140 milhões anuais ‘para não renegociar Itaipu’. Entende o jornal paraguaio que um ‘preço justo’ seria quase dez vezes maior.


Saudando que ‘começamos a conversar’, no paraguaio ‘La Nacion’, o presidente Fernando Lugo vai a Brasília semana que vem.


OUTRA FROTA


Na Agência Bolivariana de Notícias, ‘Hugo Chávez confirma a visita de frota russa para o final do ano’.


E a Reuters despachou de Moscou que a Rússia confirma o envio de ‘um poderoso cruzador movido a energia nuclear para as águas do Caribe, a fim de realizar um exercício naval com a Venezuela, às portas dos EUA’.


‘FECHAR PARA O BRASIL’


O jornal boliviano ‘La Razón’, ligado ao espanhol ‘El País’, e a agência espanhola Efe soaram ontem as trombetas para a ‘tomada de postos de fronteiras’ pelos ‘autonomistas’, como chamam a oposição regional aos projetos do presidente Evo Morales. É para ‘fechar as saídas para o Brasil’.


Na Reuters Brasil, horas depois, ‘Bolívia garante gás para Brasil e Argentina apesar de conflito’ e ‘Petrobras garante que crise não ameaça gás no Brasil’.


MERCADOS CÁ


Nas manchetes do UOL e da estatal Agência Brasil, ‘Safra agrícola brasileira bate recorde histórico’ ou ‘Colheita de grãos da safra 2007/ 2008 é a maior da história’. Mas o anúncio vem no momento em que ‘os mercados estão passando por correção para baixo, o que atinge as commodities de modo geral’.


MERCADOS LÁ


Na manchete on-line do ‘Financial Times’, ‘Mercados desconfiados (wary) depois da operação de salvamento de Fannie e Freddie’. As ações ‘devolveram parte dos ganhos iniciais’.


Não para o ‘Wall Street Journal’, com a manchete ‘Mercados saúdam (hail) resgate de Fan-Fred’.


SETEMBRO CRUEL


O dia começou mal para Barack Obama, com a pesquisa ‘USA Today’/Gallup mostrando John McCain na frente, 50% a 46%. Melhorou aos poucos com ‘New York Times’/CBS apontando 46% a 44% para o republicano; e depois ‘Washington Post’/ABC, com 49% a 47%, noticiada como empate. Por fim, na CNN, 48% a 48%.


Mas não foi o bastante para o Drudge Report mudar a manchete que estampou o dia todo, sobre foto de Obama, ‘Setembro cruel’, com link para o Real Clear Politics, mostrando McCain na frente, na média.


MURDOCH & MCCAIN


O ‘New York Post’ de Rupert Murdoch abriu manchete e editorial para apoiar o republicano para presidente, acabando com a expectativa que cercava a aproximação com Obama. Diz que só McCain para uma ‘América segura e forte’


MSNBC E O PASSO ATRÁS MSNBC


Após seguir o modelo da Fox News e partidarizar a cobertura, com ganho de audiência, o MSNBC confirmou a ‘NYT’ e ‘WP’ que seu âncora eleitoral não será nem Keith Olbermann nem Chris Mathews, ‘liberais’. Após confronto entre o canal e a rede NBC, vai David Gregory. Olbermann, tornado celebridade, vira analista.’


 


 


INTERNET
Folha de S. Paulo


Protógenes responde às críticas publicando poema em blog


‘Após quase um mês sem atualizar seu blog (www.blogdoprotogenes.com.br), o delegado da PF Protógenes Queiroz publicou, como resposta às críticas dos supostos grampos feitos na esteira da Operação Satiagraha, o poema ‘Sinto Vergonha de Mim’, de Cleide Canton. O poema tem passagens como: ‘Sinto vergonha de mim por ter sido educador de parte desse povo, por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade, por primar pela verdade, e por ver este povo já chamado varonil enveredar pelo caminho da desonra’. Ontem, o delegado não foi localizado.’



Folha de S. Paulo


Google quer oferecer web via satélite a 3 bi, diz ‘FT’


‘O Google vai fazer parte de um consórcio que pretende oferecer internet via satélite a 3 bilhões de pessoas em países da África e de outros mercados emergentes, como a América Latina, segundo o ‘Financial Times’, que não diz se o projeto inclui o Brasil.


O público-alvo do projeto, chamado de O3B Networks (os outros 3 bilhões), são pessoas para quem a internet de banda larga é muita cara. A idéia é diminuir o preço do acesso à rede em até 95%. ‘Isso realmente se encaixa na missão do Google no mundo em desenvolvimento’, afirmou Larry Alder, gerente de produtos no grupo de acesso alternativo da empresa de tecnologia. ‘Em alguns lugares da África, o custo da internet rápida é 20 vezes maior do que nos Estados Unidos.’


De acordo com o ‘Financial Times’, o consórcio, formado, entre outros, pelo HSBC e pelo bilionário americano John Malone, do grupo Liberty Media (que tem participação na operadora de TV via satélite Sky), vai anunciar hoje a aquisição de 16 satélites de baixa órbita -com um sinal mais forte que o dos similares comerciais- da empresa francesa Thales Alenia Space. O negócio é considerado o pontapé inicial no projeto de US$ 750 milhões que pretende ligar antenas de telefonia celular a redes de internet de alta velocidade em uma série de países próximos da linha do Equador.


A intenção é que o projeto já esteja em funcionamento no fim de 2010. Ainda segundo o jornal, o HSBC, o Google e o bilionário americano já investiram, cada um, US$ 20 milhões e devem injetar mais de US$ 150 milhões a US$ 180 milhões.


Nos próximos meses, o consórcio, que terá sede na ilha de Jersey (no canal da Mancha), vai negociar acordos com companhias de internet e de telefonia de países emergentes da África, da América Latina, da Ásia e do Oriente Médio.’


 


 


Reuters


Anunciantes protestam contra acordo entre Yahoo! e Google


‘A Associação Nacional dos Anunciantes dos Estados Unidos protestou, em comunicado, contra a parceria entre Google e Yahoo! na área de publicidade.


Segundo a entidade, a parceria ‘provavelmente reduzirá competição, aumentará concentração de poder de mercado, limitará escolhas e elevará preços que os anunciantes pagam pela publicidade em links patrocinados’.


O Yahoo! refutou essas acusações e disse que os preços serão definidos por leilões entre os anunciantes, e não pelas empresas. Já Google defende que ‘muitos anunciantes reconheceram que esse acordo vai ajudá-los a equilibrar seus anúncios e o interesse do público’.’


 


 


Instituto organiza três festivais de arte on-line


‘A internet democratiza a produção de arte e o acesso a ela? Aparentemente, sim, já que ela permite ‘buscar a produção que não está em um lugar consolidado, como o circuito da arte’, como aponta Renata Motta, coordenadora-geral do Prêmio Sergio Motta (PSM), que lançou em seu canal no YouTube (br.youtube.com/premiosergiomotta) o que considera o ‘primeiro festival de vídeo on-line do Brasil’, o ‘HTTPVideo’.


É claro que se pode discutir quão democrático é o acesso à própria internet, para começar, mas uma olhada nos 537 inscritos do festival -participantes sem restrição de idade, nacionalidade ou formação, com obras de videoarte de até cinco minutos- mostra, de fato, um panorama bastante amplo.


Há um júri popular (cuja votação vai até o próximo domingo) para escolher o vencedor, com prêmio de R$ 500 para o autor do vídeo que for incluído mais vezes entre os favoritos do YouTube e tiver o maior número de avaliações positivas.


Um júri especializado, com jurados como os apresentadores Marcelo Tas e Cazé Peçanha e a curadora do PSM, Gisel-le Beiguelman, elegerá outros três vencedores, que receberão prêmios de R$ 5.000, R$ 2.000 e R$ 1.000. A premiação acontece na próxima terça (16/9).


No mesmo dia, serão abertas as inscrições para o ‘HTTPTags’, um ‘festival de curadoria on-line em que cada concorrente seleciona até 20 sites para compor uma mostra temática on-line, por meio do site Del.icio.us’ (delicious.com), como define Giselle Beiguelman. Um júri especializado apontará três vencedores.


Haverá ainda um terceiro evento, de música, sediado no MySpace, com inscrições em outubro. Os vencedores se apresentarão ao vivo.’


 


 


ELEIÇÕES NOS EUA
Daniel Bergamasco


Após convenção, McCain surge na frente em pesquisas


‘Beneficiado pelo efeito da Convenção Republicana e pela escolha do nome da conservadora Sarah Palin como vice na sua chapa, o republicano John McCain apareceu ontem em sua melhor posição nas pesquisas eleitorais desde que se lançou candidato à Casa Branca.


Das 7 consultas de intenção de voto realizadas entre a última sexta e o último domingo, logo após a convenção, 2 o projetam como favorito. Outras 5 indicam empate técnico, 3 delas com leve vantagem para ele.


São números que ainda não podem ser vistos como tendência, pois se baseiam, a princípio, na memória recente da celebração em torno de cada candidato. Barack Obama também disparou nas pesquisas após protagonizar o evento democrata, há duas semanas.


Ainda assim, o resultado foi recebido com barulho nos EUA. Foi a primeira vez, desde o fim das prévias partidárias, em junho, que McCain liderou a média de pesquisas tabulada pelo site Real Clear Politics (RCP) -a vantagem era de 2,9 pontos percentuais.


A pesquisa USA Today/Gallup foi a que mais empurrou o resultado para cima, com dianteira de dez pontos (foram ouvidos 1.022 eleitores por telefone, com margem de erro de três pontos em ambas as direções).


Em outra aferição no mesmo período -mas apenas com eleitores registrados e margem de erro de dois pontos-, o Gallup mostra McCain cinco pontos à frente. Na ABC News/Wash Post e na CBS News, a vantagem é de dois pontos -empate técnico, assim como a do instituto Rasmussen, que projeta apenas um ponto a mais. Pesquisas CNN e Hotline/FD Tracking apontam empate.


Mesmo com resultados tão díspares, é possível considerar as pesquisas? ‘Pouco. As pesquisas americanas ouvem pouca gente e apenas por telefone. É um método falho’, disse à Folha o cientista político Richard Parker, da Universidade Harvard.


Para Parker, contudo, o fato de nenhum instituto mostrar Obama à frente ajuda a confirmar a tendência do dia. ‘O período pós-convenção sempre é bom para um candidato, mas isso se dilui nos dias seguintes. Ainda assim, McCain saiu de sua convenção com um trunfo, a escolha de Palin, que energizou de imediato a base conservadora do partido.’


A governadora do Alasca, de fato, continua no centro do noticiário político. Grande alvo da oposição, ela foi criticada ontem por Joe Biden, vice de Obama, e pela senadora Hillary Clinton, ex-pré-candidata.’


 


 


DESVALORIZAÇÃO
Folha de S. Paulo


Notícia ‘reciclada’ derruba papéis da United em 75%


‘As ações da United Airlines, a segunda maior empresa de aviação americana, chegaram a se desvalorizar em 75,35% ontem, com rumores de que a companhia entraria novamente com um pedido de concordata. Segundo a companhia aérea, a culpa do rumor foi a publicação novamente de uma notícia de dezembro de 2002.


As negociações das ações foram suspensas na Bolsa de Nova York por cerca de uma hora e meia (foram retomados por volta de 12h30) e terminaram as operações com queda de 11,22%.


Em nota, a United Airlines disse que o rumor de que pedirá concordata é ‘completamente falso’ e que ‘foi causado pela publicação irresponsável, pelo jornal ‘Florida Sun-Sentinel’, de um artigo de seis anos atrás do ‘Chicago Tribune’ com a data alterada’. A empresa pediu concordata em 2002 e saiu do regime quatro anos depois.


O ‘Florida Sun-Sentinel’ afirmou, em seu site, que a reportagem foi retirada dos arquivos do seu site por uma firma de investimento e publicada na página dela.’


 


 


CHOQUE CULTURAL
Daniela Mercier


Cerca de 30 pichadores invadem galeria de arte e danificam obras expostas


‘Um grupo de pichadores invadiu, no último sábado, a Galeria Choque Cultural, no bairro de Pinheiros (zona oeste de São Paulo), e danificou 20 obras de arte expostas no local.


A galeria é voltada à divulgação e à venda de trabalhos de arte underground, como grafite e design gráfico.


A ação foi organizada pelo artista Rafael Guedes Augustaitiz, o Rafael Pixobomb, que foi expulso do Centro Universitário Belas Artes em julho deste ano, por organizar uma pichação no prédio da faculdade.


Os pichadores fazem parte do movimento intitulado ‘PiXação: Arte Ataque Protesto’, que tem como meta protestar contra a comercialização da arte de rua.


De acordo com o grupo, a galeria não representa a cultura urbana, e seus criadores não fazem parte do movimento de rua.


Entre as obras danificadas estão quadros de Gerald Laing, referência inglesa da pop art, e do artista de rua brasileiro Daniel Melim.


Invasão


A galeria estava em funcionamento quando o grupo de cerca de 30 pessoas, segundo informações do boletim de ocorrência, invadiu o local e pichou paredes, quadros e outros objetos em exposição. A ação durou aproximadamente cinco minutos.


O grupo foi chamado a fazer a pichação por meio de um ‘convite’ enviado por e-mail, que dizia o seguinte: ‘Evadiremos com nossa arte protesto uma ‘bosta’ de galeria de arte segundo sua ideologia abriga artista do movimento underground. Então é tudo nosso [sic]’.


Procurado pela Folha, Augustaitiz não quis comentar a pichação e disse que ‘a ação falava por si mesma’.


Baixo Ribeiro, um dos proprietários da Choque Cultural, afirmou que o evento teve ‘pouca importância’ e não quis falar mais sobre a invasão ocorrida.


Na tarde de ontem, um boletim de ocorrência foi registrado no 14º Distrito Policial de São Paulo.


Segundo o DP, o proprietário já foi notificado para fazer representação contra o grupo, condição para abertura de inquérito no caso de um crime de natureza privada. O caso foi classificado como dano ao patrimônio.


Belas Artes


Na época em que Augustaitiz organizou a pichação no prédio da Belas Artes, ele alegou que a ação fazia parte do seu TCC (trabalho de conclusão de curso) em artes visuais. Augustaitiz não chegou a se formar.


Participaram da ação, ocorrida em 11 de junho, 40 jovens portando sprays. Eles chegaram à faculdade juntos, a pé, muitos deles mascarados, por volta das 21h, com latas escondidas sob as roupas. Cobriram a fachada, a recepção, as escadas e as salas de aula com letras pontudas que caracterizam a pichação paulista.


A Polícia Militar deteve sete jovens -incluindo o formando Augustaitiz.’


 


 


Fabio Cypriano


Autores de ação não conhecem contexto da arte


‘Protestar contra a comercialização da arte por parte de galerias de arte é desconhecer o papel que esses espaços exerceram e exercem como local de experimentação e não apenas pelo valor mercantil que imprimem ao circuito.


Foram em galerias comerciais que algumas das mais radicais ações na história da arte aconteceram, como a performance de Vito Acconci, na Sonnabend Gallery, em Nova York, em 1972, quando o artista se masturbava sob um tablado por seis horas.


A ação foi considerada tão importante que foi reencenada, há dois anos, por Marina Abramovic no Guggenheim de Nova York. Sem galerias ‘comerciais’ a história da performance, modalidade que pode ser considerada tão alternativa quanto o grafite, seria diferente.


A Choque Cultural é hoje um local já estabelecido que faz esse tipo de intermediação, isso é, incorpora uma ação artística mais radical, como o grafite, que tem na rua sua origem, ao espaço mais convencional da arte, o chamado cubo branco, que sempre precisa de renovação.


Uma ação de ‘pixação’ tem um caráter muito mais oportunista. Trata-se de uma ação vazia, de quem não conhece o contexto da arte, mas está é em busca de 15 minutos de fama, como dizia Andy Warhol, outro artista que sabia usar o espaço comercial para repensá-lo.’


 


 


FOTOGRAFIA
Silas Martí


Feira traz destaques do fotojornalismo


‘Thomas Hoepker passou semanas na cola do boxeador Muhammad Ali para fazer um retrato célebre de seu punho estendido em direção à câmera. Elliott Erwitt sentou mais de seis vezes diante de Marilyn Monroe para conseguir caras e bocas impecáveis. ‘Naquela época, quando a gente encontrava alguém interessante ou famoso, grudava nele’, lembra Hoepker em entrevista à Folha. Já Erwitt tem saudade dos velhos tempos. ‘Isso que a gente fazia nos anos 60 não existe mais. Hoje sou como motorista de táxi, só faço o que mandam’, reclama. Pela falta de tempo e também por causa da morte das grandes revistas fotográficas, como a americana ‘Life’ ou a alemã ‘Stern’, esses fotógrafos trocaram a imprensa pelo mundo da arte e expõem suas fotos em São Paulo, na segunda edição da feira de fotografia ‘I-Contemporâneo’, que é aberta na quarta para convidados. A mostra acontece no nono andar do shopping Iguatemi, que, apesar da falta de vocação para museu, traz a chance de ver instantes marcantes clicados por grandes fotógrafos. São cerca de cem trabalhos, com preços de R$ 3.000 a R$ 9.000. Hoepker, alemão, e Erwitt, francês, ambos radicados em Nova York, já estiveram à frente da agência Magnum, aquela fundada por Henri Cartier-Bresson e amigos e que definiu o que era fotojornalismo -ser registro visual de uma época. É bem isso que Hoepker exibe aqui em uma de suas fotos mais conhecidas. Um grupo de jovens conversa à luz do sol num dia quente no Brooklyn, enquanto ao fundo surge a fumaça preta das Torres Gêmeas, alvejadas momentos antes por dois aviões. Hoepker conta que tentou chegar ao epicentro do ataque, mas ficou preso no trânsito. Foi então na direção oposta e, do outro lado do rio, flagrou um clima nada terrorista. Em respeito às vítimas, disse que esperou três anos para publicar a imagem -estampada na capa de um livro seu-, mas foi acusado de banalizar a violência. ‘As pessoas são condicionadas pela mídia a enxergar realidades terríveis’, diz Hoepker. ‘Mas depois desligam a TV, e a vida continua. A realidade às vezes pode enganar.’ Outro exemplo do que parece, mas não é: Andy Warhol, quando posou para Hoepker, não tinha nada da força pop de sua obra. ‘Ele estava muito nervoso’, lembra o fotógrafo. ‘Parecia um zumbi, muito distante, absolutamente frio.’ No caso de Erwitt, a missão impossível que pode parecer fotografar Fidel Castro e Che Guevara resultou bem fácil. Ele conta que chegou a Cuba, conheceu uma equipe que fazia um documentário sobre o regime e se misturou ao grupo. ‘Ficamos lá fumando charutos o tempo todo, eu, Fidel, Che’, conta. ‘Eu fotografei o que podia entre um charuto e outro.’


Imagens fora do roteiro


Do outro lado do mundo, o brasileiro Miguel Rio Branco, hoje correspondente da Magnum e com exposição individual na mostra, fotografou cenas de Tóquio para um livro sobre os bastidores do filme ‘Babel’, de Alejandro Iñárritu. Dos 20 dias que passou na cidade, registrou uma série que vai muito além do filme -cujos trechos em Tóquio contam os dramas de uma adolescente surda. Rio Branco, abusando das cores fortes que o consagraram, lança um outro olhar sobre a metrópole: deslumbrante e vazia.


I-CONTEMPORÂNEO


Quando: de quinta a domingo (14/ 9), das 14h às 21h


Onde: shopping Iguatemi – 9º andar (av. Brig. Faria Lima, 2.232, tel. 0/ xx/ 11/8584-1747; livre)


Quanto: entrada franca’


 


 


Cristina Luckner


Fotógrafo leva ‘atitude de NY’ a Paraty


‘‘Sou conhecido por fazer fotos muito de perto. E, quanto mais velho fico, mais perto chego. Tento dizer mais mostrando menos’, diz o americano Bruce Gilden, há dez anos na Magnum Photos.


Gilden, 61, é um ‘street photographer’ (fotógrafo de ruas) e trabalha com fotografia há 40 anos. Seu estilo se baseia em captar imagens como são, sem pose ou manipulação do objeto.


A fascinação pelas ruas e seus personagens começou quando era criança e observava, da janela do segundo andar do apartamento onde morava no Brooklyn, em Nova York, o fluxo lá embaixo. ‘Fui fisgado.’


Estudou sociologia, mas, ao assistir a ‘Depois Daquele Beijo’ (1966), filme de Michelangelo Antonioni sobre um fotógrafo e a discussão sobre a percepção da realidade, resolveu se dedicar à fotografia.


Ele mira a grande angular naqueles que chamam a sua atenção nas ruas, seja em Nova York, na Índia, na Irlanda, no Haiti ou no Brasil, onde estará pela primeira vez nesta quinta, dia 11, para ministrar o workshop ‘Street Smart: Fotografia de Rua’, no Festival Internacional de Fotografia Paraty em Foco, que acontece de amanhã a domingo, em Paraty.


‘Sempre quis vir ao Brasil’, diz o fotógrafo, ‘para poder concluir meu próximo projeto, um livro com retratos dos ‘caras malvados’, que venho amadurecendo há algum tempo’.


Durante a palestra, ele deve mostrar algumas de suas séries de retratos, como os do livro ‘After the Off’ (1999) -uma colaboração com o escritor Dermot Healy que retrata a vida dos freqüentadores de corridas de cavalos na Irlanda.


Bruce Gilden foi premiado na Europa, no Japão e nos Estados Unidos. Tem oito livros publicados com personagens haitianos, japoneses, irlandeses, ciganos, fashionistas e, claro, nova-iorquinos. ‘Nasci em Nova York e tenho a atitude nova-iorquina que levo para os países em que fotografo, que inspira meu olhar. Sou um fotógrafo provocador por isso.’


Lado oeste


Gilden considera NY seu projeto de vida. Lá, caminha com o ‘radar’ ligado -sempre do lado oeste da rua, algo que não sabe explicar-, à procura do próximo retrato.


Para Gilden, fazer uma foto é um processo físico e dinâmico. ‘Me movimento, ajusto meu corpo para conseguir o melhor ângulo, algo que a idade agora dificulta’, diz, com bom humor.


O uso do flash em seu trabalho tem a função de isolar o objeto em primeiro plano. A luz o ajuda a visualizar e definir os sentimentos que tem pela cidade. ‘A energia, a ansiedade. Minhas imagens falam da condição da sociedade.’


O fotógrafo gosta da elegância que a ausência de cor empresta a suas fotos. ‘Enxergo em preto-e-branco’, brinca, ‘e isso me faz responder a outros estímulos que não a cor. Estou mais ligado a formas, detalhes de uma situação’.’


 


 


 


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