Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

ENTRE ASPAS > SEGUNDA-FEIRA, 9/6

Globo cresce menos que o mercado em 2008

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 10/06/2008 na edição 489

Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 9 de junho de 2008


TELEVISÃO
Daniel Castro


Em 2008, Globo cresce menos que o mercado


‘O faturamento da Globo no primeiro semestre deste ano cresceu menos do que a média das redes de TV e menos ainda que o mercado de mídia.


O desempenho, segundo analistas, é conseqüência do crescimento dos investimentos publicitários em jornais, em internet e na Record. Ou seja, a Globo estaria perdendo participação de mercado, historicamente em torno de 70% entre as TVs, para sua principal concorrente, em alta no Ibope.


De acordo com relatório oficial da Globo, enviado na semana passada a bancos e credores estrangeiros, a empresa faturou R$ 1,474 bilhão no primeiro trimestre, 11% a mais do que no mesmo período de 2007.


O próprio relatório informa que o mercado nacional de mídia cresceu 15,5% nos três primeiros meses de 2008. Já a TV paga e aberta cresceram 12,7%.


Segundo o Projeto Inter-Meios, que monitora os investimentos publicitários, as TVs aberta e paga perderam participação de mercado, de 62% no primeiro trimestre de 2007 para 60,7%. Já os jornais subiram de 18,3% para 19,4%.


O relatório da Globo expõe sua queda de audiência, mas salienta que continua a ‘entregar índices robustos’ e a manter sua ‘histórica liderança’.


Apesar de crescer menos, a Globo continua líder disparada de mercado. Seu faturamento no primeiro trimestre é maior do que toda a receita de 2007 da Record, segunda rede nacional.


REESTRUTURAÇÃO 1


Na MTV do Brasil há 16 anos, Zico Goes vai deixar no final do mês a direção de programação da emissora, função que desempenha desde 1999. A TV do Grupo Abril está passando por uma reestruturação, mas Goes afirma que sua saída já estava combinada havia algum tempo.


REESTRUTURAÇÃO 2


Em julho, Goes fará um curso em Londres. Na volta, vai virar consultor da MTV, lançar um blog sobre mídia e estudar convites para dar aulas.


GARANTIDO


Depois de uma seqüência de boas atuações, o ator José de Abreu acaba de renovar contrato com a Globo. Contando renovações automáticas previstas em contrato, terá vínculo com a rede até 2014, ou seja, tratamento de estrela.


CANTORIA 1


Em parceria com a Ambev, a Rede TV! vai produzir um reality show que pretende revelar a melhor banda de garagem do país. O ‘Gas Sound’ (‘Gas’ é o nome de um festival patrocinado pelo guaraná Antarctica) irá ao ar de agosto a novembro, aos domingos, às 18h.


CANTORIA 2


Como em ‘Ídolos’, o programa terá eliminatórias regionais, apresentador e quatro jurados, mas a Rede TV! rejeita comparações. ‘O formato é bem diferente’, diz a superintendente Monica Pimentel.


PEGADINHA


‘Brothers’, programa que Supla e João Suplicy apresentarão na Rede TV!, terá câmera escondida, brigas forjadas entre os irmãos e vídeos enviados pela audiência.’



 


Sérgio Rizzo


Roteiro de Mamet é o melhor de ‘Unit’


‘Jonas (Dennis Haysbert) e sua tropa de elite das forças armadas norte-americanas voltam hoje a percorrer diversos países para fazer o serviço pesado (e, às vezes, sujo) do governo, com a estréia da segunda temporada -já disponível em DVD, como a primeira- de ‘The Unit’, no FX.


Criada pelo dramaturgo e cineasta David Mamet (cujo ‘Cinturão Vermelho’, com Alice Braga e Rodrigo Santoro, estréia nos cinemas no próximo dia 20) a partir do livro ‘Força Delta – Por Dentro da Tropa Antiterrorista Americana’, de Eric L. Haney, a série combina as ações de uma equipe secreta com os dramas de suas famílias, na base.


Mamet assina o roteiro do episódio de hoje, ‘Mudança de Estação’, que resume bem o espírito: enquanto um dos integrantes do grupo (Max Martini) cuida dos preparativos para deixar o emprego e ficar com a família, os colegas estão no Paquistão, para evitar que terroristas desencadeiem uma epidemia de varíola.


No segundo episódio, menciona-se um emprego de motorista no Brasil, valorizado porque ‘não é zona de combate’. Não mesmo? O recomendável é acompanhar os episódios escritos por Mamet, bem superiores aos demais. Os próximos serão o 6º (‘Conflitos e Ajuda’), o 11º (‘Estrela de Prata’) e o 18º (‘Duas Moedas’).


THE UNIT


Quando: hoje, às 22h


Onde: no FX’


 


 


MEIO AMBIENTE
Marina Silva


Em legítima defesa


‘INICIO MINHA participação neste espaço com enorme sentido de responsabilidade. Tenho a oportunidade diferenciada de usar um dos bens culturais mais preciosos: a exposição de idéias, base para o diálogo. Gostaria de compartilhá-la com os leitores e de, juntos, pensarmos o Brasil e reunirmos forças para ajudar a transformá-lo.


Para começo de conversa, trato de um entrave para o crescimento do país: a postura ambígua do Estado frente ao nosso incomparável patrimônio natural.


O Estado brasileiro criou medidas de proteção ambiental, muitas vezes em situações difíceis. Esse acúmulo alcança hoje limiar estratégico de inserção da variável ambiental no coração do processo de desenvolvimento. A sociedade entende esse momento, apóia, demanda. Diante disso, o Estado não pode se encolher diante do ponto a que ele mesmo chegou.


Movimentos retrógrados, saudosistas do tempo da terra sem lei, fazem pressões e recebem acenos de possíveis flexibilizações. Mas a sociedade bloqueia e restringe esses acordos. A Amazônia é o maior exemplo. A opinião pública mantém o debate, banca o combate ao desmatamento, dá suporte para a manutenção da lei do licenciamento e para a não-flexibilização da legislação ambiental.


O certo é que o Estado, em todos os seus níveis, não consegue utilizar o grande capital político de que dispõe para acompanhar o pique da sociedade. Ela cresceu, passou a perceber seus problemas de maneira mais complexa. O Estado cresceu, mas não amadureceu.


Há agora uma discussão importante que resume tudo: é preciso dinheiro para implementar as medidas e normas criadas, porém a relatoria ambiental do Orçamento que está sendo discutido no Congresso foi entregue à bancada ruralista, cuja oposição às medidas de combate ao desmatamento é conhecida. Talvez tenha havido uma negociação para assegurar aos aliados a relatoria das agendas de aceleração do crescimento. E o meio ambiente parece não ter tido a mesma prioridade.


Boa parte do Estado ainda vê na política ambiental um mal necessário. Fala-se em compatibilizar desenvolvimento e meio ambiente, como se fossem adversários a serem conciliados. O Brasil não tem que compatibilizar, tem que buscar um crescimento econômico cuja concepção já contenha a conservação ambiental. Que não veja as áreas preservadas como partes ‘retiradas da produção’ e, sim, como imprescindíveis à produção equilibrada e com alguma noção de bem público. Isso é possível? Se não for, para um país que ainda tem 60% do seu território com florestas, então é mesmo hora de aumentamos, em legítima defesa, nosso estado de alerta.’



 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Brics e a crise do Ocidente


‘Jim O’Neill falou novamente. Dias atrás, à Folha, deu o Brasil como seu Bric favorito. Ontem, em fórum na Rússia, o criador do acrônimo declarou às agências que a crise financeira ‘definitivamente permite aos Brics se desenvolverem mais rápido’. Afinal, ‘esta é uma crise do Ocidente’, que ele entende apenas por EUA e Europa, ‘e a maior parte dos seis bilhões de pessoas do mundo não será afetada por ela’.


Sobre o clube Bric que Brasil, Rússia, Índia e China lançaram dias atrás, em encontro na mesma Rússia, opinou o economista do Goldman Sachs: ‘Espero que os líderes do Ocidente tenham prestado atenção àquele encontro e comecem a acelerar sua inclusão no G8 e no FMI… Penso que a falta de avanço do G8 e dos líderes ocidentais na mudança é realmente ruim e um dos maiores problemas no mundo, hoje’.


O FUNDO, AFINAL


O ‘Financial Times’ publica hoje e já destacava ontem, no alto da home, entrevista em que Guido Mantega anuncia o fundo soberano do país, a ser enviado ao Congresso. Deve ‘começar pequeno’, mas crescer rapidamente para ‘US$ 200 bilhões ou US$ 300 bilhões em três a cinco anos’ conforme ‘o petróleo começar a entrar’, referência a Tupi e os outros campos.


Sexta, no dia de recorde do petróleo, o Market Watch voltou a se aprofundar na ‘série de descobertas do Brasil’.


ADMIRADORES ETC.


De um lado, o ‘FT’ adiantou ontem e publica hoje uma longa reportagem sobre como ‘o novo status do Brasil’, com o grau de investimento, ‘ganha admiradores’. Entrevista nos EUA uma série de fundos institucionais para retratar tais admiradores e as apostas de aplicação por aqui.


De outro, o site do mesmo ‘FT’ posta nota de outro correspondente, dizendo que ‘um consultor de São Paulo’ não identificado aposta que a valorização da moeda do país já teria atingido seu pico.


AGORA, A ESTRADA


Jornais britânicos ecoaram no fim de semana a multa que o Ibama aplicou em Johan Eliasch, o sueco ‘consultor de Gordon Brown’ e dono de terras na Amazônia. Uma ‘fonte próxima’ sem identificação disse à AFP que as provas do Ibama são ‘falsas, politicamente motivadas’.


Enquanto isso, um artigo ontem no ‘New York Times’ abriu outra frente, apelando às fotos da tribo ‘isolada’ do Acre para questionar ‘uma nova estrada’ no Estado.


UM MÊS DEPOIS


Por qualquer razão, o ‘Jornal Nacional’ deu o caso Alstom na sexta, exatamente um mês depois de sair em manchete no ‘Wall Street Journal’. Citou por fonte ‘a bancada do PT’. E nada de mencionar PSDB ou o governo paulista, só o Metrô, ‘sob suspeita’ por um ‘contrato de 1994’. Não entrou na escalada de manchetes.


Sábado, mais Metrô. Fora da escalada e sem citar governo, o ‘JN’ deu que o IPT culpa ‘sucessão de erros’ pelas mortes na Linha Amarela.


‘YEDA, DO PSDB’


Também o escândalo no Rio Grande do Sul chegou ao ‘JN’, enfim, no sábado. No caso, com escalada e menção a ‘Yeda, do PSDB’ e seu vice ‘do Democratas’. Mas nada do PPS do chefe da Casa Civil, flagrado no áudio falando do financiamento de legendas via estatais gaúchas.


RS URGENTE


Nada, também, da oferta de ‘uma coisa concreta’ ao vice, feita na mesma gravação. Para tanto, era preciso acompanhar o blog gaúcho RS Urgente, de Marco Aurélio Weissheimer, que dá o escândalo desde seus primeiros passos, ainda no ano passado. Está lá a oferta, em podcast.


APARÊNCIAS


O blog de José Dirceu, dado por todo lado como próximo das duas fontes das denúncias contra Dilma Rousseff, os petistas José Aparecido e Denise Abreu, citou pela primeira vez o caso Varig. Postou que ‘a Casa Civil’ não perdoou a dívida da empresa, como noticiado, pois ‘não havia sucessão das dívidas’. Na aparência, defendeu Dilma.’



 


HQ
Pedro Cirne


‘Quadrinhofilia’ transita entre gêneros


‘Quando você pensa em histórias em quadrinhos, qual gênero vem à sua mente? Humor, ficção, terror, aventura? O curitibano José Aguiar, leitor e autor de HQs de longa data, aproveitou seu conhecimento sobre quadrinhos e transitou por vários gêneros para compor seu novo livro, ‘Quadrinhofilia’.


A antologia reúne 15 histórias criadas entre 1996 e 2007, para veículos diferentes e em fases distintas da carreira de José Aguiar. O resultado é eclético, o que possibilita ao leitor viajar por ritmos e tipos de histórias bem diferentes.


Assim, há, por exemplo, o conto de terror ‘O Gabinete do Dr. Caligari’, adaptação do clássico filme do expressionismo alemão dirigido por Robert Wiene, seguida por ‘Absoluto’, história sem os tradicionais balões de diálogos utilizados nos quadrinhos -as letras e palavras são espalhadas pelos quadros, lembrando as páginas de abertura do clássico ‘The Spirit’, do norte-americano Will Eisner (1917-2005).


Nem todas as histórias foram concebidas só por Aguiar. ‘Genealogia do Mal ou ‘Eu Fui um Bebê Diabo no ABC Paulista!’, por exemplo, é um trabalho em conjunto com Abs Moraes, que trabalhou no roteiro, e Jairo Rodrigues (arte-final). Trata-se de uma ficção baseada em um fato real: um jornal publicou, nos anos 70, a ‘notícia’ de que um ‘menino-demônio’, com direito a chifres, havia nascido e aterrorizado um hospital.


Era mentira, mas a ‘notícia’ fez sucesso, causando curiosidade e uma repercussão que durou dias.


Duas das histórias mais interessantes têm traços autobiográficos. ‘Poréns da Vida Herdada dos Outros’ é contada de maneira experimental. Os personagens não aparecem, apenas as reflexões do narrador. Suas palavras são acompanhadas por ícones que não seguem seqüência entre si, mas ilustram seu raciocínio.


A outra é ‘Quadrinhos em Outras Bandas (Desenhadas)!’, que narra uma viagem de Aguiar pela Alemanha e pela França, pesquisando o mercado local de quadrinhos: feiras, editoras, leitores, autores.


Narrada em primeira pessoa, a história compara o Brasil à Europa quanto às possibilidades para criadores e leitores de quadrinhos. Não traz conclusões, mas impressões e comparações e ainda levanta perguntas que permanecem após o final da história.


Afinal, em um país rico em idéias e estilos, como prova o próprio ‘Quadrinhofilia’, como é que o mercado brasileiro de quadrinhos enfrenta esse tipo de crise?


QUADRINHOFILIA


Autor: José Aguiar


Editora: HQM Editora


Quanto: R$ 29,90 (92 págs.)’



 


ELEIÇÕES NOS EUA
Álvaro Pereira Júnior


Obama e Google têm tudo a ver


‘O QUE O Google, o MySpace, o Facebook e outros sites têm em comum com a candidatura democrata de Barack Obama à presidência dos EUA? Tudo. Obama e a internet são praticamente inseparáveis. Só em fevereiro, a campanha dele arrecadou US$ 55 milhões. Desse total, US$ 45 milhões foram doados por meio da rede! É o que ensina uma reportagem imperdível, ‘The Amazing Money Machine’ (a formidável fábrica de dinheiro), de Joshua Green, na revista ‘The Atlantic’ de junho.


Se você tinha alguma ilusão de que Obama era o candidato pobrezinho e rock and roll, que enfrentava a milionária Hillary Clinton, esqueça. Nunca houve uma campanha tão rica como a de Obama. O que mudou foi a maneira de juntar a fortuna.


Na ‘Atlantic’, Joshua Green foi atrás das origens desses novos métodos de arrecadação. E encontrou Mark Gorenberg, um investidor do Vale do Silício, região ao sul de San Francisco onde ficam as principais empresas de computação e web. Veterano democrata, Gorenberg aplicou à maquina de dinheiro de Obama os conceitos das redes sociais, como MySpace, que bombam no Vale (nos EUA, o Orkut é desconhecido). Em vez buscar grandes doações de poucas empresas e corporações, como os democratas sempre fizeram, ele desenhou um modelo de doações pequenas feitas por muita gente. E usou a web para divulgar isso.


O resultado: o novato Obama derrotou a raposa Hillary. Pela primeira vez no Partido Democrata, a maioria do dinheiro não veio de Los Angeles, sede da indústria do entretenimento, mas do Vale do Silício, sede do universo ponto.com. Irônico lembrar da guerra antimonopólio que o governo de Bill Clinton lançou contra a Microsoft nos anos 90.


É preocupante pensar no que uma eventual presidência de um candidato tão ligado ao Vale do Silício faria diante dos planos de dominação mundial de uma empresa ainda mais ambiciosa que a Microsoft: o Google.’


 


 



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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 9 de junho de 2008


 


CONTEÚDO NACIONAL
Eugênia Lopes e Gerusa Marques


Cotas na TV paga provocam reação


‘Uma aliança em defesa da manutenção do conteúdo nacional das produções brasileiras de televisão – que reúne parlamentares, representantes do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT)-, deve barrar, nesta semana, a votação na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara do substitutivo do deputado Jorge Bittar (PT-RJ) ao projeto de lei 29.


O projeto abre o mercado de distribuição de conteúdo na TV por assinatura às empresas de telefonia.


A disputa começou quando Bittar, além de relatar a proposta original para regulamentar a participação das teles na TV a cabo, resolveu discutir o conteúdo das programações. Na avaliação de boa parte dos deputados e das emissoras de TV aberta, a começar pela TV Globo, ao propor uma ‘cota de produção nacional’ para as emissoras a cabo Bittar pode, na prática, criar um nicho para confinar produtos sem qualidade, ainda que realizados no País.


‘É ingenuidade imaginar que o capital internacional (das teles) vai investir no País para construir, por exemplo, um Projac’, diz o secretário-geral do FNDC, Celso Schröder, referindo-se ao centro de produção da Rede Globo, no Rio, que emprega milhares de trabalhadores. ‘Os projetos das teles vão chegar prontos ou vai haver um rebaixamento de qualidade. É preciso cuidar para que o capital que chegar não seja predador’, afirma.


Ex-ministro das Comunicações, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) vai votar contra o PL 29. Ele diz que o projeto ficou confuso ao tratar de convergência tecnológica e do conteúdo. ‘Se não separarem os assuntos, vou votar contra.’


Em sua avaliação, o Brasil é hoje ‘um País de ponta em termos de qualidade do conteúdo’ das produções da TV aberta. ‘Acho péssimo se permitir que empresas de telefonia transmitam pay per view (pacotes pré-pagos) e enlatados’, diz. ‘Empresa de telefonia faz telefonia e empresa de comunicação faz comunicação.’


‘O problema do projeto é que permite a entrada das teles no negócio de TV a cabo, mas não cria mecanismos que filtrem isso’, acrescenta Schröder, referindo-se à possibilidade de, por conta do ‘capital predador’, o País assistir a uma invasão de enlatados via TV paga.


A proposta de Bittar mantém o limite de 30% para a participação das teles na produção de conteúdo e cria um sistema de cotas na programação da TV paga. O objetivo, segundo o relator, é incentivar a produção nacional e independente. Para Bittar, a entrada das empresas de telefonia no mercado de TV por assinatura poderá, nos próximos anos, ampliar o número de assinantes dos atuais 5,3 milhões para 30 milhões.


Autor do projeto original, o deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC) diz que a inclusão da discussão sobre conteúdo no projeto é ‘um complicador porque mistura ideologia com profundos interesses comerciais’.


Contrário à instituição de cotas, Bornhausen promete apresentar um destaque para a retirada desse artigo. ‘A instituição de cotas vai criar um setor despreocupado com a qualidade ao longo do tempo. Vai virar uma igreja’, diz. ‘O consumidor vai receber um pacote que não comprou.’


Para o secretário-geral da CUT, Quintino Severo, as cotas até podem ser vistas como forma de proteger o mercado. ‘O Brasil tem boas produtoras, que precisam ser estimuladas.’ Mas a CUT quer mesmo é que o PL 29 não vá para votação e propõe que seja convocada uma ‘conferência nacional’. O centro do debate para a CUT é a manutenção do limite de 49% ao capital estrangeiro no cabo. ‘O projeto deixa tudo nas mãos do capital externo.’


O relator Bittar adverte: ‘Não vou fazer jogo de nenhum grupo privado isoladamente’. Para ele, a maioria dos grupos está a favor do projeto. ‘Não posso legislar para a Globo.’ A emissora tem dito que está apenas defendendo interesses legítimos e que rejeita a competição predatória contra uma produção que criou um padrão de televisão aberta no País.’


 


 




Deputados tentam discutir projeto mais uma vez


‘Numa tentativa de eliminar os obstáculos para a votação do projeto de lei que propõe novas regras para o setor de TV por assinatura, deputados da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara farão uma reunião amanhã, com os coordenadores das bancadas partidárias. O presidente da Comissão garantiu que o projeto será incluído na pauta da Comissão, na quarta-feira. Mas alguns deputados avaliam que não é interessante votar o substitutivo sem um apoio expressivo da maioria dos partidos. A avaliação é que o voto sem consenso poderia fragilizar a proposta quando seguisse para o plenário.’


 


 


LUTO
O Estado de S. Paulo


Aos 85 anos, morre jornalista Meira Filho


‘Morreu ontem o jornalista e radialista Meira Filho, de 85 anos, vítima de um aneurisma cerebral. Ele foi um dos fundadores e o primeiro apresentador de programas de auditório na Rádio Nacional Brasília, na década de 50. Durante 15 anos, Meira Filho apresentou o Programa do Meira e chegou a ser um dos locutores da Voz do Brasil. O jornalista também teve carreira política – foi senador entre 1987 e 1995.’



 


 


CUBA
Denise Chrispim Marin


‘Cuba nunca alcançou o socialismo’


‘Cuba é uma ‘panela de pressão’ que vai explodir assim que os seus dois líderes, Fidel e Raúl Castro, morrerem. A previsão vem do dissidente Eloy Gutiérrez Menoyo, 73 anos, espanhol naturalizado cubano que lutou contra a ditadura de Fulgêncio Batista na Serra de Escambray, no oeste de Cuba, e que se tornou uma espécie de ícone da resistência ao regime castrista. Em 1961, Menoyo liderou uma tentativa de golpe contra o governo Castro. Derrotado, passou 22 anos na prisão, onde perdeu o olho direito e a audição de um ouvido em sessões de tortura.


Em 2003, depois de ter morado na Espanha e nos EUA, o exilado Menoyo aproveitou uma visita autorizada a Cuba para anunciar que não sairia mais do país. Hoje, vive no apartamento de seu enteado em um prédio em estado precário do bairro de San Agustín, a cerca de 30 quilômetros do centro de Havana. Menoyo não alimenta ilusões sobre a fonte do comando da ilha. ‘Raúl é mais pragmático, mas, enquanto estiver sob a tutela do irmão, vai continuar a fazer o que Fidel mandar’, afirmou o dissidente, nesta entrevista exclusiva ao Estado.


O senhor acredita que está havendo mudanças em Cuba?


Ninguém perde a esperança. Eu também fui um dos eixos da queda do ditador Fulgêncio Batista. Mas os dirigentes que se apossaram do poder envelheceram, não se dão conta de que o país requer uma nova revolução e seriam incapazes de levá-la adiante. É preciso acabar com esse sistema obsoleto e anacrônico. As poucas mudanças que estão ocorrendo só servem para aumentar o ingresso de dólares.


Os investimentos estrangeiros podem forçar a mudança?


O governo diz que não vai renunciar ao socialismo. Mas Cuba nunca alcançou o socialismo. Se o querem, que o façam de verdade e não sabotem a criatividade dos cubanos. Aqui, um sapateiro não pode fazer sapatos, um carpinteiro não pode fabricar móveis. O partido controla tudo. Não quer que os cubanos tenham autonomia econômica porque, dessa forma, não seriam mais dependentes do governo.


O fato de Cuba ter firmado, recentemente, tratados de respeito aos direitos políticos e humanos não seria um sinal de mudança?


Talvez não reste alternativa a não ser permitir alguma organização de oposição no país. Uma ditadura de 50 anos, inevitavelmente, acaba com todos os valores. As novas gerações perderam a iniciativa de protestar.


Uma reviravolta pode acontecer depois da morte de Fidel, que tem 81 anos, e de Raúl, que está com 76? Ou o regime pode continuar? As mudanças virão em seguida. O país é uma panela de pressão. A Central de Trabalhadores de Cuba, por exemplo, é formada por pelegos. Os estudantes não têm autonomia. Há risco de explosão. Melhor seria não precisarmos esperar a morte de ninguém.


Raúl Castro parece ter percebido essa situação.


Mas sabe que as mudanças representarão perda de poder. Fidel reflete sobre tudo, no âmbito internacional. Por que não reflete sobre os problemas daqui? Não busque lógica nesse sistema. É coisa de hospício. Esse é um sistema próprio, no qual a ideologia não conta – o importante é manter-se no poder.


Como o senhor avalia Raúl Castro? É mais pragmático do que Fidel. Mas, enquanto estiver sob a tutela do irmão, vai fazer o que Fidel mandar.’



 


PUBLICIDADE
Marili Ribeiro


Propaganda na TV em momento de transição


‘A sessão feita para eleger os 50 melhores filmes publicitários de 2008, realizada na quinta-feira pela rede de agências Leo Burnett – e que funciona como uma espécie de avant-première do que se verá no Festival Internacional de Publicidade de Cannes – não empolgou os jurados convidados.


Pelo que foi visto na versão brasileira da festa Cannes Predictions – o evento também foi realizado no mesmo dia em outros 84 países -, a categoria de comerciais para televisão e cinema a ser julgada a partir de 14 de junho no festival na costa francesa deve ter menos impacto que nos anos anteriores.


‘A propaganda vive momento de transição e esse fenômeno é mais sentido em uma das principais categorias da atividade, que é a produção de filmes’, avalia Ruy Lindenberg, vice-presidente de criação da Leo Burnett, um dos anfitriões do evento junto com o jornal O Estado de S.Paulo. ‘Todos tentam entender como lidar com as novas mídias, e isso responde em parte por certo marasmo em termos de evolução no que está se criando para os filmes.’


Os filmes comerciais, embora ainda sejam o carro-chefe do negócio da propaganda, vêm perdendo espaço para outras ações de marketing. Este ano, serão julgadas em Cannes 11 categorias – entre elas o design, que faz sua estréia no evento.


O sentimento de que a criação publicitária busca novos caminhos é percebido, na opinião de Anselmo Ramos, vice-presidente de criação da Ogilvy & Mather, pelo excesso de recursos usados nas produções. ‘Não estamos diante de uma boa safra este ano’, diz. ‘A crise é mundial. Não consegui dar um único dez.’


Todos os jurados, cerca de 30, assistem juntos e votam eletronicamente por meio de uma escala com variações de um a dez. A seleção dos 50 filmes é resultado de levantamento dos trabalhos que já disputaram as principais premiações que antecedem o Festival de Cannes.


‘Há muito dinheiro investido em detalhes e abundância de extravagâncias nos comerciais que assisti’, critica Fred Gelli, sócio da Tátil Design, e que será o jurado brasileiro na categoria design. ‘O resultado final, por vezes, é óbvio e previsível.’


Os anunciantes, também convidados a opinarem no Cannes Predictions, julgaram com cautela. ‘Os comerciais não me surpreenderam, mas há coisas interessantes’, diz Jan Telecki, gerente de marketing da Pirelli. ‘Vi boas piadas, mas que nem sempre conseguiam fixar a mensagem da marca’, diz Pedro Martins e Silva, diretor da Procter & Gamble, que há três anos participa do Predictions.


Se a maior parte dos filmes não causou admiração, houve alguns que mereceram aplausos. ‘Um bom exemplo é a série criada para a HBO’, ressalta Adriana Cury, presidente da McCann Erickson. Sua maior queixa, entretanto, recai sobre a maneira de participação nacional. ‘Os dez filmes escolhidos em votação aberta na internet não representam a qualidade do que se faz no Brasil’, diz. ‘Deveriam refazer o formato.’


O júri que votou na Cinemateca, em São Paulo, elegeu três filmes internacionais entre os que terão mais chances para se sagrarem vitoriosos em Cannes, além de também três nacionais – escolhidos a partir dos dez filmes mais votados na lista exposta no site no evento.


Entre os estrangeiros, as apostas do jurados foram o filme criado para a locadora de veículo Thrifty, realizado pela agência JWT da Austrália; o da FedEx , criado pela BBDO de Nova York; e a série para HBO, também da BBDO nova-iorquina. Os filmes brasileiros com chances em Cannes, segundo o júri do Predictions, são o comercial produzido pela DM9DDB para a ONG em defesa do meio-ambiente WWF; a peça criada para o canal PlayTV, feito pela F/Nazca Saatchi & Saatchi; e ainda o filme para o Instituto Akatu, pela Leo Burnett.


Os jurados também escolheram um anúncio impresso a partir dos mais votados no site do evento. O escolhido foi ‘Caminhões customizados’, produzida pela AlmapBBDO para a Volkswagen.


O evento Cannes Predictions foi criado há 21 anos. No Brasil, além do patrocínio do Estado – representante oficial do Festival de Cannes desde 2001 no País -, conta ainda com o apoio da Editora Referência e da agência The Marketing Store.’



 


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Publicidade cresce 9% em 2007


‘O crescimento dos investimentos publicitários no segmento conhecido como ‘não mídia’ – eventos, promoções e outras ações de marketing – não tem conseguido, pelo menos até o momento, diminuir os investimentos na mídia tradicional (jornais, rádio e televisão). Esse é o ponto que merece destaque na análise dos dados consolidados de 2007 do projeto Inter-Meios, na avaliação de João Salles Neto, presidente do Grupo Meio & Mensagem.


‘Apesar das constantes especulações, não está havendo deslocamento do dinheiro aplicado em mídia para a não mídia’, diz. ‘Na verdade, o que os números revelam é o crescimento dos investimentos totais.’


Com movimentação de R$ 26 bilhões em 2007, o mercado publicitário na mídia tradicional cresceu 9% ante o ano anterior.’Entre os dez principais anunciantes, houve expansão de investimentos em propaganda’, diz Salles Neto. As concorrentes Unilever e Colgate Palmolive, por exemplo, gastaram 45% a mais no ano passado em relação ao ano anterior. A primeira, desembolsou R$ 616 milhões em 2007. Já a segunda, R$ 147 milhões. Nesse grupo,apenas duas grandes companhias reduziram investimentos. A AmBev, com 5% menos que em 2006, e a General Motors, com queda de 7%.


O ranking das agências segue a movimentação que já vinha sendo registrada nos anos anteriores. ‘De um lado, há a ascensão de novas agências, com perfil mais aguerrido, como a NeogamaBBH, que cresceu 72% em 2007. De outro, caem de posição grandes ícones da publicidade brasileira, como a DPZ e a Publicis’, diz Salles Neto. A DPZ perdeu 21% da receita em 2007, enquanto a Publicis movimentou 40% menos.


No bloco das dez maiores, em que a Young & Rubicam permanece na primeira posição, o registro mais significativo fica para a queda da McCann Erickson, que caiu da segunda posição para a sexta. ‘Estamos buscando uma estabilização nas questões gerenciais, depois de vivermos um duro processo de ajustes’, diz a presidente da agência, Adriana Cury.’



 


CINEMA
O Estado de S. Paulo


‘Meu Nome Não é Johnny’ vence festival


‘O longa Meu Nome Não é Johnny, de Mauro Lir, foi o vencedor do 12º Festival de Cinema Brasileiro de Miami. Levou o prêmio em seis categorias, incluindo o de Melhor Ator para Selton Mello, protagonista no papel do traficante de drogas João Estrela. Mello ganhou, ainda, outros dois prêmios de curta-metragem. Milena Toscano venceu como melhor atriz, por Sem Controle, de Chris D?Amato.’


 




CAETANO VELOSO
Roberta Pennafort


‘Obama é bacana, chique e bonitinho’


‘Tem feito bem a Caetano Veloso a temporada de Obra em Progresso, que termina na semana que vem e está sendo usada como laboratório para seu próximo CD, a ser gravado em outubro. O palco do Vivo Rio vem lhe servindo de espaço de teste de novas sonoridades e para mostrar canções inéditas, além de – não poderia ser diferente – púlpito para comentários sobre assuntos da ordem do dia.


À espera do espetáculo que fará com Roberto Carlos, em homenagem a Tom Jobim, e da apresentação do para-sempre-ídolo João Gilberto, ambos marcados para agosto e programados por conta do cinqüentenário da bossa nova, o compositor recebeu o Estado na sexta-feira no escritório de sua produtora, no Rio, e discorreu sobre esses e outros temas.


Lembrou a relação com Tom Jobim, falou sobre Glauber Rocha e a convivência com os jovens músicos da banda Cê: ‘Eu me sinto rejuvenescido.’ E também opinou sobre as eleições americanas e Obama.


Como têm sido os shows?


Melhor do que eu esperava. Não tinha idéia de qual poderia ser a resposta às novas músicas. Pensava que as pessoas não iriam identificar as novas canções como uma coisa marcante. Mas elas tiveram uma repercussão muito nítida.


Já sabe como esse trabalho vai refletir-se no próximo CD?


Tenho uma suposição. Toco Desde Que o Samba É samba desde o (show) Cê, já como embrião desse trabalho. Aqui, usei algumas estilizações de levadas de samba. Talvez isso predomine mesmo no disco.


Li que, hoje, suas músicas seduzem mais pela sonoridade do que pela melodia. Você concorda?


Eu não concordo. Mas fico feliz que se ressalte a sonoridade, porque tenho trabalhado com muito mais responsabilidade por isso. Isso vem do Moreno (seu filho), Pedro Sá (guitarrista da banda Cê), Kassin, Ricardo (Dias Gomes, baixista e tecladista), Marcelo (Callado, baterista) e Daniel Carvalho, que fazem o som comigo.


Vê nessa afirmação algum tipo de crítica ao que você faz atualmente?


Ao contrário. Há uns dez anos, tocando em Nova York, li um artigo de lá elogioso a mim, mas dizendo que havia algo de relativamente arcaizante. Porque, quando toda música popular moderna se baseava em ritmo e textura, num trabalho com timbres e sonoridades, e a idéia de construção harmônica e desenho melódico parecia coisa do passado, eu ainda trabalhava com construção harmônica e desenhos melódicos.


Na estréia você disse que o show teria um caráter jornalístico, por ser semanal, e, na quarta-feira, falou de Barack Obama. O que achou da vitória dele sobre Hillary Clinton nas prévias do Partido Democrata?


Eu gostei, porque (ele) é bacana, é uma figura chique. Acho ele bem bonitinho.


E a frase ‘Prefiro preto a mulher’, que você disse no último show?


A frase é: ‘Gosto muito mais de preto do que de mulher.’ Não sei se é uma frase passível de explicação, é muito absurda. Queria dizer que Barack Obama parece brasileiro – ele próprio sugeriu isso numa entrevista a um jornalista brasileiro, e é saudado como o primeiro presidente negro americano. O interessante é que no Brasil talvez não tenhamos tido um presidente branco.


Que significado tem para você a vitória de Barack Obama?


Simpatizava com ele. Mas nunca senti o que ele deseja e pode fazer como líder político da nação (ainda) mais poderosa do mundo. Mas mesmo McCain seria melhor do que Bush. Aquela frase é um pouco má e cínica. Por um lado, diz que há algo ridículo em você supor que está elegendo alguém porque é preto ou mulher. Há certa ironia violenta contra isso na minha frase. Por outro lado, essa ironia não deixa de reconhecer que são fatores importantes.


E a questão ‘preto x mulher’?


O que digo ali é que gosto mais de preto do que de mulher, o que não quer dizer que não goste de mulher. O que está aparecendo é o tema. A causa do negro me interessa mais do que a da mulher. Evidentemente, (isso foi dito) com uma conotação maliciosa, que fica parecendo que gosto mais de homem preto do que de mulher. Não disse isso, mas sei que eu sou um pouco assim… (risos)


Mudando de assunto, ficou surpreso quando soube que Roberto Carlos fará o show em homenagem à bossa nova com você?


Ele cantando com Tom naquela gravação (‘Lígia’, de Tom) é a coisa mais linda do mundo. Vai ser a jóia da coroa.


Como você vê essa rediscussão da obra de Glauber Rocha, com o lançamento de cópia restaurada de O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro e da caixa de DVDs com este e outros filmes?


Quem não viu Glauber tem que ver. Ele deu uma grande guinada, era muito audacioso.


O que você achou da declaração de Marcelo Madureira – ‘Glauber é uma merda’?


Foi simplório. Glauber criou um cinema brasileiro moderno, com uma cara-de-pau fantástica. A carga de beleza peculiar da personalidade de Glauber está em tudo que ele fez. Você vê Glauber em Scorsese, Coppola, Sergio Leone. Ele impressionou as pessoas mais essenciais do cinema moderno.


Quinta é Dia dos Namorados. Você vai passar a data sozinho?


Não sei… Da última vez que achei que fosse passar sozinho, eu passei. Não sou muito de datas, de dar presente. Não tenho namorada certa.’


 


 


TELEVISÃO
Etienne Jacintho


Produção nacional


‘A Conspiração Filmes está desenvolvendo dois projetos com a Discovery. O grupo ainda faz mistério em relação a um deles, mas o Estado apurou que se trata de uma série com histórias de sobrevivência. Entretanto, a atração não seguirá a linha de programas como o americano Sobrevivi, exibido no Discovery Channel.


O segundo projeto é o Zootropolis, vencedor do primeiro pitching que a Discovery realizou no Brasil. A Conspiração terá US$ 20 mil para produzir, em parceria com a Discovery, a série de seis documentários, que vai mostrar a biodiversidade nas metrópoles e megalópoles – o que inclui animais como urubus, ratos, pombos, micos, baratas, mosquitos, entre outros bichos.


A idéia da Discovery é, além de receber projetos independentes em seu site, promover cada vez mais pitchings no Brasil. ‘Queremos abrir diálogo com as produtoras’, fala Michela Giorelli, diretora de Produção e Desenvolvimento da Discovery Latin America. Ela dá a dica: ‘A Discovery procura projetos originais que se encaixem no perfil do canal, tenham temática local, mas com uma idéia que possa viajar para fora do País.’’



 


***


Ciranda tem avaliação positiva


‘A Globo realizou, na semana passada, grupos de discussão para medir a aceitação da novela das 6, Ciranda de Pedra, de Alcides Nogueira. Segundo o autor, os resultados foram positivos, apesar de a audiência estar na casa dos 20 pontos de média. ‘Não há rejeição’, fala Alcides. ‘Fica comprovado, mais uma vez, que o problema da menor audiência hoje está ligada à questão de novos hábitos, como a internet. Não há migração para outras emissoras, no horário’, diz. ‘Já há grande identificação das espectadoras com as personagens.’’



 


NEW YORKER
Matthew Shirts


O fim das minorias


‘Uma das idéias boas que o professor Antônio Pedro Tota teve este ano foi a de compartilhar uma assinatura da revista New Yorker comigo. Antes eu ficava na banca da Fnac, em Pinheiros, namorando cada edição importada até decidir se valia ou não o investimento de R$ 30. A assinatura é mais barata. Serve, ainda, como desculpa para ir a pé até a casa do professor, pegar as edições novas e comentar os textos das antigas. Gostaria de fazer o mesmo com outras revistas e outros amigos meus.


A única desvantagem é que a New Yorker chega sem periodicidade definida, em lotes, não sei se pelo navio. De modo que acompanho o debate nova-iorquino com um pequeno atraso. Li, na semana passada, por exemplo, uma análise da trajetória de Barack Obama, escrita no calor da batalha com Hillary Clinton, sabendo que era ele o candidato do partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos. O texto, de George Packer, discutia a relação do Obama com seu radical e, em alguns momentos, rancoroso, ex-pastor, o reverendo Jeremiah A. Wright Jr. Sim, aquele do YouTube. O debate entre os dois líderes negros é antigo: a divisão principal nos Estados Unidos se dá entre raças ou classes sociais? Obama, de acordo com o artigo, sempre defendeu a segunda opção, mas cedia aos argumentos do pastor, em deferência à idade, ‘às memórias de humilhação, dúvida e medo… a raiva e rancor daqueles anos’.


Percebi, ali, naquele texto da New Yorker que a década de 1960 finalmente acabou nos Estados Unidos. Pode parecer que a vitória de Obama, o candidato negro, represente um retorno aos embates dos anos de chumbo, mas é o contrário disso. A cor da sua pele permite deixar para trás divisões antigas entre os grupos que disputavam a primazia da discriminação: negros, gays, feministas e hispânicos, entre outros. O Partido Democrata mudou de assunto, ao que tudo indica. Já estava mais do que na hora. Curiosamente, a vitória do candidato negro esvaziou a política das minorias. A era de ‘identity politics’ se foi.


Com os candidatos definidos, desconfio que a eleição à Presidência dos Estados Unidos se dê em torno do papel daquele país no mundo, através de três temas: a economia, a Guerra no Iraque e a energia. Todos muito ligados entre si. O fracasso da administração Bush e o avanço dos países emergentes mudaram o momento mundial. Como bem colocou o jornalista do New York Times, Roger Cohen, escrevendo do Rio de Janeiro: ‘Durante um tempo o mundo era plano. Agora está de cabeça para baixo.’


Ele nota que a outrora periferia está avançado sobre o centro. Empresas latinas e asiáticas competem para comprar firmas americanas. O Brasil está se tornando uma grande potência nas áreas-chave de agricultura e energia. A globalização está se virando contra os globalizadores. Fala-se no século da China.


Como os Estados Unidos vão reagir a isso talvez seja a grande questão dos próximos anos. Os americanos estão receosos – e ainda ressabiados pelos ataques terroristas. Mesmo os menos inclinados a debater o cenário internacional percebem a mudança no preço da gasolina.


O processo é inexorável, mas há um complicador. Os Estados Unidos ainda detêm boa parte do poderio militar e a responsabilidade pela segurança global, como lembra Cohen. Barack Obama coloca-se como o candidato da diplomacia e do entendimento, dispondo-se a negociar com todos os líderes do planeta. John McCain, seu adversário republicano, se aproxima mais da política agressiva do Bush, baseada, internamente, no medo. Diz que Obama é inexperiente e ingênuo.


Nesse cenário, não cabe a tradicional pergunta, feita a cada eleição norte-americana: ‘Quem é melhor para o nosso país?’ A globalização da economia transformou a geopolítica. Diria eu que vale, sim, aquela antiga frase, de Juracy Magalhães, hoje folclórica: o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil.


Num mundo de ponta cabeça, aliás, não surpreenderia se o presidente dos EUA fosse negro.’


 


 


 


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