Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > OBSERVAÇÃO DO LEITOR

Greve dos professores

Por David Capistrano da Costa Neto em 24/06/2008 na edição 491

Gostaria de lamentar a ausência de uma cobertura imparcial do movimento grevista dos professores em São Paulo. Estive presente às manifestações ocorridas em 13 e 20 de junho e é óbvio que ali estavam muito mais do que os 5 mil manifestantes divulgados pela imprensa. Além disso, nos telejornais, a manifestação serviu apenas para relatar o ‘caos’ causado ao trânsito durante o seu trajeto. Não foi divulgada uma única foto da manifestação que mostrasse o seu verdadeiro tamanho e, mais grave, não houve nenhuma discussão acerca das causas da manifestação ou sobre a situação da educação pública no estado de São Paulo. Vocês não poderiam verificar esse assunto e realizar uma reportagem, matéria ou pelo menos denunciar essa armação dos grandes veículos de comunicação? Obrigado.

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É lamentável a tentativa de jornais e TVs de esconder a greve dos professores; pior, de tentar manipular os leitores com as informações dadas pela Secretaria da Educação. Ontem, mostramos que existem bem mais de 2% de professores parados. Paramos a Paulista, Consolação e República. Atrapalhamos o trânsito? Mas o trânsito de São Paulo é péssimo todos os dias… É sobre isso que a mídia fala. Quem não gostou. As nossas reivindicações são esquecidas, distorcidas. Por isso, temos que fazer barulho. (Mara Chagas Fernandes da Silva, professora, São Paulo, SP)

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O senhor Gilberto Dimenstein ofendeu profundamente os professores da rede estadual de ensino de São Paulo, em greve desde 13/6/08. Este ‘cidadão de papel’ afirmou que nosso sindicato (Apeoesp) quer transformar as escolas em ‘motel’. Não sou atuante na Apeoesp, mas sou filiado e considero sua maldosa analogia impertinente e ofensiva. Se os professores querem transformar escolas em motel, por analogia as professoras seriam ‘prostitutas’. Os professores e nossos alunos seriam o quê? Se o senhor Dimenstein quer encontrar realmente algum motel de alta rotatividade no ensino público estadual, deve procurá-lo primeiramente nas escolas onde estudou; ou então no Palácio dos Bandeirantes e na Secretaria de Educação de São Paulo.

Este ‘cidadão de papel’ ofende uma categoria profissional que já vem sendo descriminada e injuriada pela grande imprensa paulista há muito tempo. A liberdade de imprensa é uma benção que os brasileiros devem defender a todo custo; mas não para jornalistas que escrevem qualquer asneira em jornais de grande circulação. (Márcio Lima, professor de História, São Paulo, SP)

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Li neste Observatório a matéria sobre o dr. [George] Sanguinetti e devo lhes dizer o verdadeiro motivo da presença dele neste caso. Quem iniciou os contatos com o escritório Levorin fui eu, após ver uma perita paulista saltar da viatura e apressadamente caminhar sobre o local inercial do fato. Fiquei admirada com tamanha falta de profissionalismo. Um perito de local jamais chega assim, pois deve parar e observar o ambiente antes de dar início aos seus movimentos. Senti ali que a perícia seria falha. Busquei exaustivamente contato com dr. [Antonio] Nardoni e os Levorin e, finalmente, fui a São Paulo.

Após ser confirmada como perita responsável pela análise dos laudos oficiais, pedi aos mesmos que ampliassem a equipe com peritos especialistas em suas áreas, e eles me autorizaram a convidar o restante da equipe. Liguei para o dr. Sanguinetti, com quem havia trocado informações no caso PC Farias (cujas perícias foram feitas aqui na Bahia). Enviei-lhe cópias dos laudos periciais, e após oito dias ele me ligou confirmando estar no caso. Comuniquei a São Paulo e, daí em diante, fizemos o nosso trabalho. Ante a impossibilidade de atacarem os nossos pareceres, assacam contra a nossa moral e vida pessoal. É atitude típica de quem não tem argumentos para se defender e acha que, atacando, fará com que esqueçamos as falhas deles. Repetir nove vezes a perícia nunca tinha sido visto em meus 28 anos como perita criminal em local de mortes violentas. (Delma Gama e Narici, advogada, Salvador, BA)

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Prezados amigos do Observatório, apenas uma questão: a morte da menina [Isabella] Nardoni rendeu à midia sedenta de sangue e pseudo-justiça quase um mês e meio ininterruptos de análises, investigações; enfim, notícias das mais variadas naturezas. Agora, fico me perguntando: onde está essa mesma imprensa carniceira que não se posiciona, ou sequer faz uma análise aprofundada, da violência entre os jovens? Tendo como ponto de referência o massacre feito por oito jovens em Sorocaba (interior de São Paulo) contra apenas um jovem na saída de uma boate, filmado pela própria câmera da casa noturna.

Será que a repercussão não ocorreu porque os jovens já estão detidos (e o adolescente menor de 18 anos já está enjaulado na Fundação Casa – antiga Febem)? Será que não houve porque a família é de baixa renda e não tem meios financeiros para pagar uma equipe de advogados? Prezados amigos do OI, peço que reflitam sobre isso, pois sei que este espaço é nobre e possui pessoas de integridade moral. (Carlos Aurélio Sobrinho, professor, Marília, SP)

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Apesar de todos os esforços para obtermos uma posição da direção da TV Brasil sobre o impedimento de o Direito em Debate ir ao ar, nada foi comunicado até o momento. Isto fez com que a OAB-RJ tenha emitido uma nota protestando contra a censura ao programa logo após uma intervenção do senador [Marcelo] Crivella junto à direção da TV Brasil, que protestou sobre o programa em que o nosso presidente da ABI, Maurício Azedo, compareceu – onde discutimos liberdade de imprensa. Onde nós estamos? Onde isso vai dar?

Está havendo uma confusão enorme por parte da direção da TV pública. Não perceberam que a TV pertence à sociedade e não a uma meia dúzia de ‘çabios’. Há também uma total falta de respeito com os profissionais que trabalhavam no Direito em Debate, pois até o momento nenhuma justificativa foi dada. Lamento profundamente que isto esteja ocorrendo e creio que devemos lutar para que o programa volte ao ar, independentemente da vontade de seus dirigentes, pois a TV pública deve ser maior do que visões míopes sobre o seu papel. É hora de protestarmos. (José Fernandes Junior, jornalista, Rio de Janeiro)

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Estava assistindo ao Fantástico (domingo, 22/6) com um chileno de passagem pelo Brasil quando anunciaram uma matéria sobre um acidente aéreo no sul do Chile, no dia 9 de junho, do qual, entre 10 envolvidos, 9 saíram com vida depois de quatro dias do ocorrido. A matéria trazia declarações até então inéditas para nós, que estávamos em Santiago na semana do acidente e fomos bombardeados pela expectativa midiática em torno do destino dos passageiros. Duas semanas depois, não imaginávamos que um meio brasileiro ainda poderia trazer novidades: as declarações de dois envolvidos, um deles dizendo que tomava sua própria urina para tentar manter-se aquecido, e outro afirmando que chegaram a pensar em comer a carne do único morto, o piloto, para sobreviver.

Logo pensamos na possibilidade de a mídia chilena ter poupado – ou deliberadamente censurado – esse tipo de declarações mais fortes. Mas o ‘furo’ do Fantástico já tinha caído no descrédito nos primeiros segundos da matéria. Primeiro, quando localizaram em um mapa a região de La Junta, que seria o destino do avião, ao norte de Puerto Montt, de onde decolou, quando La Junta está ao sul da cidade. E, depois, com a cobertura da nota com imagens de outro vulcão – que não conseguimos identificar se era o Osorno ou o Villarrica – fazendo menção ao Chaitén, que recentemente entrou em erupção, forçando o esvaziamento da cidade homônima.

Frente a tanto sensacionalismo, fica a pergunta: a cobertura da mídia foi jornalística ou somente mais um pretexto para manter a sensação de vivermos a um passo do limite citado por Frank Marshall e seu filme Alive: The Miracle of the Andes? (Solange Monteiro, jornalista brasileira baseada em Santiago do Chile)

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Caros, mais uma frase incrível que saiu na segunda-feira (23/6) na Folha de S. Paulo sobre satisfação sexual – uma pesquisa a mais… ‘A pesquisa também identificou as principais fontes de educação sexual dos ouvidos’. Saiu com chamada na página principal do UOL. (Pedro Rosa, produtor de cinema e TV, Brasília, DF)

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Em várias edições do Jornal da Band e no Canal Livre do último dia 15/6, a emissora paulista tem insistido na tese de que a adesão do Brasil a um tal ‘tratado das Nações Unidas para os povos indígenas’ traria graves perigos à soberania do país, abrindo precedentes para que as reservas indígenas pudessem vir a se separar do Brasil. Ora, tal estardalhaço em torno desse assunto me parece um despropósito, considerando o que já foi publicado há nove meses (!!!) no UOL Notícias. O que a Band insiste em chamar de tratado é, na verdade, uma declaração, e a diferença entre as denominações não é apenas retórica, mas esvazia completamente as denúncias apregoadas por aquela emissora. Seria interessante o Observatório da Imprensa investigar quais os motivos por trás dessa atitude da Band, pois essa ‘barriga’ me parece muito estranha… (Haroldo Silva, funcionário público, Niterói, RJ)

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Aqui no Distrito Federal vivemos um caso particular. Há, em funcionamento, uma CPI dos cemitérios na Câmara Legislativa do DF. Ocorre que um dos que compõem a CPI é exatamente a dona da empresa que presta serviços nos cemitérios da Capital Federal. A mídia parece desconhecer o fato, visto que, ao notíciar as reportagens, jamais se referem à tal deputada. Porém, diariamente recorrem ao nome dos representantes da empresa. Será que é um mero esquecimento? Ou tratar-se-á de um conchavo local? (Luiz Cláudio de Souza, advogado, Taguatinga, DF)

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Prezada equipe do Observatório da Imprensa, venho manifestar minha mais profunda indignação com o fato de não ter sido aberto sequer um único programa / entrevista / comentário ou algo que o valha no tocante ao ‘estranho’ aumento de salários das Forças Armadas do Brasil logo após (uma semana) a declaração do general do Exército de que a atuação do governo na região amazônica é uma bagunça!!! Achei que haveria alguma repercussão à altura do ‘estranho fato’, mas para meu total espanto não houve ‘nenhuma’ repercussão, apesar de ter sido possível detectar um ‘profundo mal estar que foi abafado em questão de horas’ O que está acontecendo? Basta o Exército bater a mão na mesa que o governo abre os cofres? Estamos mesmo em um estado democrático de direito ou de fachada? Quando este tema será abordado na mídia? (Roberto Pereira, estudante, Belo Horizonte, MG)

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Professor, São Paulo, SP

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