Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

FEITOS & DESFEITAS > COBERTURA DA COPA

Há mesmo um vilão no fracasso brasileiro?

Por Levi Guimarães, de Porto Elizabeth em 06/07/2010 na edição 597

Apontar culpados em derrotas esportivas, mesmo em modalidades coletivas, é absolutamente comum. Não poderia ser diferente após a eliminação brasileira na Copa do Mundo de 2010. E o vilão da vez, em um primeiro momento, foi o volante Felipe Melo. Mas será que a seleção do técnico Dunga teve mesmo um único grande responsável pelo fracasso?

Ao longo das décadas, a lista de jogadores e técnicos eternizados como ‘vilões’ é grande. Em 1950, no Maracanazo, as críticas mais pesadas sobraram para o goleiro Barbosa, que teria falhado no gol do uruguaio Ghiggia. Em 1990, foi o técnico Sebastião Lazaroni. E em 2006, o lateral-esquerdo Roberto Carlos, que ajeitava o meião quando Thierry Henry marcou o gol da vitória francesa nas quartas de final.

Na África do Sul, não faltam ‘candidatos’ ao posto de vilão. Entre os jogadores, Felipe Melo chamou a atenção para si por conta do desvio de cabeça no primeiro gol holandês e pela expulsão consequente de um pisão na perna do atacante Robben. Mas a lista ainda inclui o técnico Dunga, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira e, porque não, a imprensa.

Em enquete realizada pelo iG, os internautas definiram como maior culpado pela derrota, disparado, o técnico Dunga, com 48% dos votos. Felipe Melo veio em segundo com 19%, seguido por Ricardo Teixeira com 17%. A imprensa ficou no penúltimo lugar, com 10%, e a dupla Kaká e Robinho foi ‘absolvida’, com apenas 5% dos votos.

Confira as razões para cada um desses personagens ser considerado um possível responsável pelo fracasso do Brasil na busca ao hexacampeonato mundial:

Dunga

O capitão do tetra em 1994 assumiu a seleção brasileira após a Copa de 2006 com a missão de acabar com os estrelismos e levar a equipe de volta às vitórias. Conseguiu em parte, com os títulos da Copa América, Copa das Confederações e o primeiro lugar nas eliminatórias sul-americanas. Mas, no momento principal, não teve a mesma sorte.

Em diversas entrevistas, Dunga disse que o sucesso de seu trabalho ao longo dos últimos quatro anos dependia justamente do resultado na Copa. Com a eliminação, assumiu sua parcela de culpa. ‘Como comandante, levo a maior parte (da culpa). Mas todas as decisões que tomei foram em prol da seleção’.

Uma das grandes críticas ao treinador nos próximos dias deve ser em relação à sua convocação. ‘Fechado’ com o grupo de jogadores com os quais vinha trabalhando, Dunga deixou fora da Copa nomes consagrados, como Ronaldinho Gaúcho, e jovens revelações como Paulo Henrique Ganso e Neymar. Não são poucos os que acreditam que a criatividade de um desses três jogadores poderia ter sido decisiva contra a Holanda.

Felipe Melo

Apontado como o ‘Dunga do Dunga’, o volante da Juventus mostrava muita consciência às vésperas da estreia brasileira na Copa do Mundo. Depois de más atuações nos amistosos de preparação contra Zimbábue e Tanzânia, ele reconheceu os erros e praticamente prometeu não atrapalhar o Brasil levando um cartão vermelho.

‘Eu sei que em algumas jogadas tenho passado do limite. Mas foram amistosos, completamente diferente da Copa do Mundo. Sei quando fazer falta, quando devo entrar mais forte ou não. E ao contrário do que muitos pensam, que eu vou ser expulso, que eu vou deixar a seleção com um a menos, eu estou preparado’, afirmou o jogador.

Na partida contra a Holanda, o que aconteceu foi exatamente o contrário. Nervoso ao ver a seleção atrás no placar, o jogador não se contentou em fazer falta sobre o atacante Robben e ainda deu um pisão na perna do adversário. Expulso, deixou o Brasil com um jogador a menos justamente no momento mais complicado do torneio.

Ricardo Teixeira

O presidente da CBF foi quem apostou em Dunga para apagar a má impressão deixada em 2006, com a preparação festiva na cidade suíça de Weggis e um regime de muita liberdade para os jogadores. Ele, contudo, talvez não esperasse o sucesso a médio prazo do estilo ‘quartel-general’ imposto pelo treinador.

Na Copa de 2010 a entidade deve ter arrecadação recorde, especialmente por conta das várias cotas de patrocínio vendidas. Mas o sucesso comercial não se reflete dentro de campo. Já preocupado com o Mundial de 2014 no Brasil, Teixeira não acompanhou de perto a passagem da seleção pela África do Sul.

Imprensa

Dunga chegou a afirmar que 300 jornalistas na sala de imprensa do Randpark Golf Club (local onde a seleção estava concentrada em Joanesburgo) torciam contra a seleção brasileira. Exageros à parte, é fato que a relação entre técnico e mídia foi responsável por gerar algumas polêmicas ao longo da Copa.

Jogadores como Júlio César, Gilberto Silva e Kaká, por exemplo, apareceram no noticiário sendo citados como atletas com problemas físicos que poderiam impedi-los de participar de ao menos um jogo da competição. Em relação à contusão de Elano, divulgada pela própria comissão técnica, existiram especulações até de que um erro de diagnóstico teria causado desentendimento entre o médico e o fisioterapeuta brasileiros.

Além disso, a pressão em muitos dos atletas convocados, por conta da falta de concordância em relação à lista de Dunga, sempre foi muito grande. Júlio Baptista, principalmente, sempre foi questionado como opção para substituir Kaká caso necessário. Quando isso aconteceu, o meia da Roma teve atuação apagada contra Portugal.

Kaká e Robinho

Os dois principais astros de uma equipe sem astros. Kaká se apresentou à seleção reconhecidamente longe da forma física ideal. Demorou para evoluir, ainda foi expulso diante da Costa do Marfim e deixou a Copa sem marcar sequer um gol. Se destacou apenas como ‘garçom’, fazendo três assistências para gols em cinco jogos.

Robinho, deixado de lado no futebol europeu, voltou ao Santos no começo do ano para garantir que jogasse com frequencia e mantivesse o ritmo de jogo. Teve atuações destacadas nos amistosos contra Zimbábue e Tanzânia. No Mundial, fez boa estreia contra a Coreia do Norte, mas só foi desencantar na quarta partida, contra o Chile nas oitavas de final. Contra a Holanda, marcou o gol brasileiro, mas no segundo tempo caiu de produção como todo o time.

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