Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > TV GLOBO CONTESTADA

Hélio Fernandes

24/02/2004 na edição 265

‘A TV-Globo, com um aparato de multinacional comete leviandades e irresponsabilidades selvagens. Anteontem noticiou no Jornal Nacional, que um jovem diretor do Banco Central, competente, ínclito e acima de suspeitas, teve a prisão pedida.

Inverdade, não tiveram nem o trabalho de apurar, facílimo. No dia seguinte, pediram desculpas, retificaram, confissão da indignidade. Acontece que na quarta, deram entre os nomes o de um ex-presidente interino do BC, Demostenes Madureira do Pinho neto. No dia seguinte, pediram desculpas pela ‘notícia inverídica’, mas não disseram que o mesmo Demostenes Madureira do Pinho neto, não tivera nenhuma prisão preventiva pedida.

Quem viu e ouviu a nota acusatória e não viu nem ouviu a nota desculpatória, sem nome, não ficou sabendo de nada. Na verdade, o jovem presidente interino do BC, I-N-O-C-E-N-T-Í-S-S-I-M-O, naquela confusão, foi também arrolado e processado. Seu advogado? Evandro Lins e Silva. Um dia, conversando com este repórter, Evandro comentou: ‘Fiquei 9 horas na Vara defendendo Demostenes neto, fui grande amigo do seu avô, não me lembro de um processo tão injusto’.

Na época, noticiei e comentei o fato aqui. Conhecendo a família toda, desde o avô jurista e amicíssimo do repórter, garanti sua inocência.

Ontem, o jovem economista, ex-presidente interino do BC, escreveu carta a Roberto Irineu Marinho, que dirige a TV-Globo. Demostenes Madureira do Pinho neto, fez questão de ser cordialíssimo, que é o seu tom habitual, seu estilo e forma geral de tratamento. Lembra a Roberto Irineu, apenas um fato, que esperava que tivesse r-e-c-i-p-r-o-c-i-d-a-d-e.

Quando era presidente interino do BC, (por pouquíssimo tempo) soube que havia um processo sobre a TV-Globo, e que tramavam injustiça e perseguição contra a Globo. Avocou então o processo, resolveu examiná-lo como presidente, submeteu-o ao conselho de diretores. Não havia a menor sombra de prova, o processo foi mandado arquivar, por UNANIMIDADE.

Agora vejamos a revista Época, da mesma coudelaria, ou seja, da Organização Globo. Sua matéria da semana passada obteve extraordinária repercussão. Surpreendente, porque a revista IstoÉ já havia trazido quase a mesma coisa, em junho de 2003. De novo, agora, só a gravação.

Quinta e sexta, (anteontem e ontem) Brasília e repercutindo no Rio, São Paulo, Minas e outros lugares, estavam dominados pelos boatos: a revista Época que sai hoje com data de amanhã, traria matéria altamente explosiva: José Dirceu e Waldomiro Diniz teriam comprado apartamento juntos. Ninguém sabia a data ou a veracidade do fato. Mas havia ansiedade.

Por enquanto Brasília toda sabe da existência da matéria, só não conhece as provas, ou o que a revista apresentaria como prova. De qualquer maneira, sem OTIMISMO ou PESSIMISMO, todos torcem para que não seja verdade nem haja comprovação.

Se houver, a explosão será ouvida a uma distância bem longe de Brasília. O Chefe da Casa Civil pediu socorro ao governador do Paraná, muito seu amigo. Não sei o que ele poderia estar querendo. Mas Requião, muito amigo de Dirceu, que morou no Paraná, (depois da operação plástica) não disse que sim nem que não.

PS – De qualquer maneira, Dirceu está precisando de operação plástica na imagem. Se a Época de hoje não trouxer matéria incriminatória, dará tempo para essa plástica.

PS 2 – Se a Época vier com provas I-R-R-E-F-U-T-Á-V-E-I-S, nem Duda Mendonça ou Nizam Guanaes darão jeito.’



FSP CONTESTADA
Carlos Brickmann

‘Bombril’, copyright Folha de S. Paulo, 21/02/04

‘‘A reportagem ‘Ex-presidente no país tem prisão decretada’ (Dinheiro, pág. B4, 17/2) referiu-se ao executivo Gianni Grisendi como ‘presidente do Conselho de Administração da Bombril’. Mas Gianni Grisendi nada tem a ver com a Bombril. O presidente do Conselho de Administração da Bombril, desde 27 de julho de 2003, é o senhor Valder Viana de Carvalho. A notícia sobre Gianni Grisendi refere-se a outra empresa, a Bombril Holding, que não tem ligação nenhuma com a Bombril. Antigamente, houve ligação entre as empresas, ligação que foi rompida há quase um ano por decisão da Justiça. A Bombril S/A, tradicional fabricante de produtos de limpeza, é dirigida por um administrador judicial, como empresa totalmente independente, tanto da Bombril Holding como dos antigos controladores italianos de seu capital.

Pedimos que essa confusão seja evitada também nos títulos, nas quais muitas vezes, por questão de espaço, a Bombril Holding é citada apenas como Bombril. Para o leitor, pode ficar a impressão de que os problemas ocorrem com a empresa mais conhecida, a Bombril S/A.’ (assessoria de imprensa da Bombril S/A (São Paulo, SP)’



Carlos Henrique Schroder

‘Televisão’, copyright Folha de S. Paulo, 20/02/04

‘‘Quem trabalha em TV não está imune a críticas. Nem deve estar, porque elas nos ajudam a melhorar. O que não se pode aceitar é a leviandade. E é isso o que vem fazendo Nelson de Sá. A tal ponto que suas colunas deixaram, há anos, de merecer reflexão. Mas há vezes em que o colunista se excede de tal modo, descambando para um ataque tão grosseiro quanto sem fundamento, que não é possível deixar que os insultos virem jornal velho. Exemplo disso é a coluna ‘Passando a limpo’ (Brasil, 17/2), em que ele tentou acusar a Globo de proteger o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, no primeiro dia da cobertura do escândalo que envolveu um assessor do Planalto. O que Sá escreveu foi uma mistura de fatos distorcidos, omissões e a simples falta com a verdade. Ele começou denunciando nenhuma palavra ter sido dita sobre o escândalo no ‘Bom Dia Brasil’, que vai ao ar às 7h15, mas ele omitiu que a revista ‘época’, autora das denúncias, só circulou muitas horas depois, o que tornava impossível qualquer menção ao fato. Depois, Sá denunciou o fato de o ‘Jornal Hoje’ também ter silenciado sobre o escândalo, o que é uma inverdade. O telejornal deu a notícia da demissão de Waldomiro Diniz, pivô dos acontecimentos, fez um relato da denúncia e disse, com todas as letras, que ele tinha sido assessor do ministro José Dirceu. Mais adiante, em relação ao ‘Jornal Nacional’, Sá disse: ‘De repente, ouve-se: ‘O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, não quis se pronunciar’. O telespectador se intrigou: por que ele deveria se pronunciar se nada até então o vinculava à denúncia?’. Outra falsidade, porque o repórter disse logo na abertura que Waldomiro era assessor da Secretaria da Articulação Política, mas que, até janeiro, trabalhava na Casa Civil. Foi por ter dito isso que o repórter afirmou adiante que Dirceu não quis se pronunciar. Sá insinuou ainda que as manchetes do ‘JN’ foram escritas também para esconder a posição de Waldomiro, uma interpretação desvairada. O que buscamos foi exatidão. Não poderíamos dar a entender que a notícia era sobre um crime cometido por Waldomiro na condição de assessor do governo. Isso seria leviano, porque a denúncia se referia a dois anos antes, quando o denunciado ocupava outras funções, em outro governo. A notícia foi anunciada com exatidão, ressaltando que um assessor de prestígio era denunciado por seu passado. Eis as manchetes: ‘Um bicheiro diz que pagou propina ao chefe das loterias do Estado do Rio no governo de Benedita da Silva. E parte do dinheiro era para campanhas eleitorais. O crime, em 2002, foi registrado em vídeo. E, depois da revelação das fitas, o ex-chefe das loterias é demitido do emprego atual: subchefe de Assuntos Parlamentares da Secretaria de Coordenação Política, com sede no Palácio do Planalto’. Está tudo aí, com exatidão e detalhe. Talvez seja o caso de perguntar: nas manchetes, qual foi a mais exata, a da Globo ou a da Folha? Vejamos a Folha: ‘Subsecretário é acusado de negociar propina e concorrência com bicheiro. Vídeo mostra corrupção e derruba assessor de Dirceu’. Tal título pode induzir os leitores a imaginar que o subsecretário, na condição de assessor de Dirceu, negociou propina com bicheiro. E não foi isso o que aconteceu. A Globo cobrirá os desdobramentos do caso, tentando antecipá-los, dando furos, mas sem jamais se precipitar em insinuações. No dia seguinte, o ‘JN’ continuou dando prioridade ao assunto, como reconheceu Sá, mas a Folha restringiu o tema a uma pequena chamada na Primeira Página. Seria legítimo supor que a Folha tentou proteger o governo? O que Sá não percebe é que, quando um colunista lido por milhares de pessoas distorce a verdade sobre um telejornal visto por milhões, acaba produzindo apenas uma denúncia contra si próprio.’ (diretor da Central Globo de Jornalismo (Rio de Janeiro, RJ)’



Robson Barenho

‘Sombra no Planalto’, copyright Folha de S. Paulo, 18/02/04

‘‘É falsa a afirmação publicada na seção ‘Multimídia’ de ontem (Brasil, pág. A6) segundo a qual o jornal ‘The New York Times’ lembra as ‘ligações do ministro das Cidades, Olívio Dutra, com o jogo do bicho quando era governador do Rio Grande do Sul’. Diferentemente disso, o ‘NYT’ limita-se a lembrar o ‘inquérito parlamentar’ em que um ‘ex-funcionário do Partido dos Trabalhadores testemunhou que banqueiros de bicho locais doaram US$ 500 mil para a compra da nova sede do partido’ e que o ponto-chave da investigação foi a apresentação de um grampo telefônico em que um ‘suposto tesoureiro do partido pedia à chefia de polícia para que aliviasse as investidas contra os banqueiros de bicho’.’ (assessor de Comunicação Social do Ministério das Cidades (Brasília, DF)

Nota da Redação – O ‘NYT’ cita as investigações do suposto esquema do jogo do bicho no Rio Grande do Sul. O jornal menciona as acusações contra membros do governo estadual e lembra que o então governador do RS e outros três integrantes daquela gestão hoje estão no governo federal. A Folha apenas elucidou ao leitor que o governador era Olívio Dutra.’

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