Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > SOFTWARE LIVRE

Humberto Medina

22/03/2005 na edição 321

O governo economizou aproximadamente R$ 28,5 milhões em 2004 com a adoção de software livre. O valor, apurado pelo Comitê Técnico de Implantação do Software Livre (CISL), se refere ao que deixou de ser gasto com licenças de softwares proprietários (que exigem pagamento para uso e não permitem modificações e cópias).

A economia representa de 7% a 9,5% do gasto anual do governo federal com pagamento de licenças, que é estimado entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões.

Nos próximos três anos, a expectativa do ITI (Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, ligado à Casa Civil) é que se possa chegar a economizar até 80% do que o governo gasta com licenças, caso haja verba suficiente para treinamento.

O ITI defende que haja um programa específico no PPA (Plano Plurianual) para implantação do programa de software livre. Seriam gastos aproximadamente R$ 200 milhões em três anos.

A Microsoft, principal fornecedora de software do mundo (e do governo brasileiro), foi procurada durante três semanas para comentar a questão, mas preferiu não se pronunciar. O fundador da empresa, Bill Gates, chegou a tentar um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Davos neste ano para debater o tema. O encontro não ocorreu.

A adoção do software livre pelo governo federal foi definida como política pública em 2003, mas poderá virar obrigação neste ano, como a edição de decreto. Atualmente, não há determinação legal que obrigue os órgãos públicos federais a usar software livre.

O decreto, em estudo na Casa Civil, estabelece que o governo federal usará software livre nos seus aplicativos (programas de computador) básicos. A partir daí, todos os órgãos do governo federal terão que usar software livre e não poderão mais comprar licenças para usar software proprietário.

O texto do decreto em estudo estabelece que poderá haver exceção para uso de software proprietário, mas apenas com uma decisão do ministro responsável pelo órgão, caso não haja possibilidade técnica de usar o software livre.

De acordo com Sérgio Amadeu, diretor-presidente do ITI, o objetivo do governo ao adotar software livre é conseguir mais estabilidade e segurança no uso dos programas, além de independência em relação a fornecedores.

Amadeu explicou que, ao comprar um software proprietário (de código fechado), o governo não tem como saber como funciona o programa e que falhas de segurança (‘backdoors’) ele tem. Essas falhas podem permitir que outras pessoas, empresas ou países tenham acesso a informações estratégicas do governo brasileiro.

Segundo o diretor-presidente do ITI, havia praticamente uma situação de reserva de mercado em 2003. ‘As licitações acabavam sendo dirigidas, porque o governo comprava a máquina e já especificava os tipos de software que queria instalados’, disse.

Amadeu avalia que a economia de R$ 28,5 milhões apontada pelo CISL possa ser maior, porque houve órgãos que não responderam à pesquisa. Ele estima que, a cada grupo de dez computadores do governo federal, gastem-se cerca de R$ 11 mil em licenças.

Para ele, no entanto, a economia de dinheiro com pagamento de licença não é o principal, e sim a maneira como o dinheiro é gasto. ‘Quero deixar de pagar em licença e pagar por serviços’, disse.

Ou seja, segundo ele, o mais importante não seria economizar o dinheiro para simplesmente poupá-lo, e sim usá-lo para, por exemplo, treinar e capacitar o quadro técnico do governo para usar software livre.

A pesquisa feita pelo CISL aponta alguns entraves em relação ao uso de software livre no governo federal. Os dois principais problemas para o uso do software livre são: capacitação dos funcionários, que exige tempo e dinheiro em treinamento, e o que se chama tecnicamente de ‘legados’.

Os legados são os programas e arquivos de informações elaborados com base em softwares proprietários e que não podem ser executados nos softwares livres. Para contornar esse problema, é preciso investir para chegar a soluções técnicas alternativas.’



INTERNET
Fernando Badô

‘Google lança versão final de buscador’, copyright Folha de S. Paulo, 16/03/05

‘O Google (www.google.com) pôs no ar, na semana passada, a versão final de sua ferramenta de buscas no disco rígido. A versão de testes estava no ar desde outubro do ano passado.

Os pequenos detalhes inseridos na versão final podem fazer a diferença na guerra pela preferência dos internautas, travada entre o Google e os rivais Yahoo! (www.yahoo.com) e MSN (www.msn.com), que também têm ferramentas de busca pessoal e oferecem recursos exclusivos.

Executivos da empresa gostam de repetir que usar o programa é ‘como ter uma memória fotográfica dentro do seu computador’. A frase foi dita na semana passada pelo vice-presidente de gerenciamento de produtos, Jonathan Rosemberg. Há seis meses, no lançamento da versão beta, a diretora para produtos de web, Marissa Mayer, disse a mesma coisa.

De fato, o software é útil para quem não é muito organizado na hora de armazenar arquivos.

Disponível para download em desktop.google.com (724 Kbytes), a nova ferramenta do Google é compatível com os navegadores de internet Firefox e Netscape, o que seus concorrentes não são. Isso é uma vantagem, já que os programas, juntamente com o Internet Explorer, são utilizados por quase a totalidade dos internautas do mundo.

O Google Desktop Search 1.0 também inclui novos tipos de arquivos na busca. A versão anterior não localizava arquivos de áudio, vídeo, imagens e PDF. Isso foi corrigido.

O usuário tem a opção de deixar a janela do campo de buscas presa na barra inferior do Windows (opção Deskbar) ou livre para ser movimentada por qualquer parte da tela (opção Floating Deskbar).

Na primeira execução, o programa precisa fazer uma indexação, ou seja, ler o disco rígido. O tempo para essa tarefa varia de acordo com o tamanho do disco rígido e o espaço ocupado, mas pode levar horas.

Depois desse inconveniente -que os rivais também apresentam- qualquer busca realizada, inclusive no próprio site do Google, já aponta resultados de arquivos contidos no disco rígido.

Em testes, ele se mostrou mais eficiente para localizar um e-mail do que a ferramenta de busca do Outlook Express. O resultado do Google Desktop Search é instantâneo. O Outlook leva vários minutos, dependendo da quantidade de e-mails armazenados.

Para refinar a busca por um e-mail basta usar alguns comandos intuitivos. Digite ‘subject:’ mais a palavra-chave para encontrar por título. Se quiser encontrar por remetente, digite ‘from:’ mais o nome em questão.

Ele continua sem a interface agradável da ferramenta do Yahoo! e sem integrar os diferentes serviços do Google como faz a MSN Toolbar Suite, mas é mais leve -portanto, fácil de baixar mesmo com conexão discada.

Personalização

O Google News (news.google.com) também passa a oferecer um novo recurso. Os internautas podem personalizar a página inicial, colocando assuntos que mais os interessam em destaque.’



Mariana Barros

‘Ferramenta do Yahoo! Brasil localiza vídeos’, copyright Folha de S. Paulo, 16/03/05

‘O recurso de busca por vídeos do portal Yahoo!, que desde janeiro está disponível em inglês, ganhou uma versão brasileira (www.yahoo.com.br).

Os resultados trazem reportagens, documentários, filmes publicitários, trailers de cinema e clipes de todo o mundo. O usuário pode especificar a duração e o formato dos arquivos -há vídeos em AVI, MPEG, Quicktime, Windows Media e RealVideo- e ativar um filtro antipornografia.

A pesquisa é feita por palavras-chave e apresenta janelas com imagens congeladas. Basta clicar sobre a escolhida para assistir ao vídeo.

Olhos puxados

A Mozilla Foundation anunciou a criação de uma filial chinesa para desenvolver seus softwares, como o navegador Firefox, no país.

A unidade, que tem apoio da Sun, é a terceira sucursal da fundação, que já chegou à Europa e ao Japão.’



Mario Lima Cavalcanti

‘Google News ainda mais turbinado’, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 15/03/05

‘A ferramenta de busca mais acessada da Web têm conseguido unir o que de melhor sabe fazer (varrer a Internet) a outros tipos de serviço, como notícias, e-mail ou grupos de discussão. Um dos seus mais recentes filhos, o Google News — a, digamos, seção de notícias do Google –, deu mais um bom pulo em termos de customização e interatividade quando começou a permitir aos usuários, desde a semana passada, montar sua própria página inicial, baseando-se não só em editorias padrões como também em novas que podem ser criadas.

Vale resgatar, para quem não conhece o serviço, que, na época em que foi lançado, no final de 2002, o Google News gerou muita polêmica, por ser um veículo com uma estrutura criada para se auto alimentar e se auto diagramar. As manchetes exibidas na página inicial do Google News são selecionadas inteiramente a partir de um cálculo matemático, que se baseia em como e onde as notícias aparecem na Web. Em outras palavras, não existem editores em carne e osso e serviço organizando manchetes ou decidindo qual história merece mais destaque. Chegaram a pensar até na extinçao dos editores-chefes.

Entretanto, o Google News (ou, como o Washington Post se refere a ele, ‘o entregador de jornais mais ocupado da Internet’, que varre, segundo a assessoria de imprensa do servico, pelo menos 4.500 veículos/fontes pela Web), antes que uma ameaça — e sem tirar a importância da participação de uma pessoa em um processo de seleção de notícias –, deve ser encarado como uma ferramenta de auxílio a usuários envolvidos em pesquisas e a nós profissionais de Comunicação; como mais uma ferramenta que, assim como o RSS, permita um acesso rapido à informações.

Mas deixando um pouco a polêmica de lado e pensando o Google News como um serviço de informação, a partir do novo recurso de customização o internauta pode montar uma página com novas editorias criadas a partir de palavras-chave. Isso mesmo. O usuário pode criar uma ‘editoria’ que, por exemplo, exiba notícias relacionadas somente sobre o presidente Lula, sobre o Sri Lanka, sobre racismo ou sobre aquela banda nova da Inglaterra que está começando a fazer sucesso pelo mundo. E isso com uma interface bem simples e amigável.

Como teste, criei uma seção/editoria chamada ‘Racismo’, baseada nas palavras-chave ‘racism’ e ‘racismo’. Ao clicar na nova seção, as primeiras notícias exibidas — todas batendo 100% com o que eu esperava ler — eram de em média 5 horas atrás. Havia uma notícia que estava a cerca de meia hora no ar. Questões relacionadas a imediatismo à parte, o que mais me atraiu foi a qualidade do resultado da busca, apesar do que não posso garantir que outros resultados sejam tão precisos quanto esse e nem que tragam o que de mais importante aconteceu no setor em questão.

Contudo, repito, como ferramenta de informação e de auxílio em pesquisas; ou para quem trabalha com clippings, o Google News pode ser uma grande ajuda. Até a próxima!’



Robson Pereira

‘TV pirata ganha força na internet’, copyright O Estado de S. Paulo, 16/03/05

‘Depois das gravadoras e do cinema, chegou a vez da televisão enfrentar o fantasma da distribuição não autorizada de conteúdos. Não importa se é a nova temporada da série que acabou de estrear nos Estados Unidos, um episódio dos Simpsons ou um enfadonho VT de um clássico qualquer do futebol inglês. Tudo trafega livre e gratuitamente pela internet uma ou duas horas após a exibição na TV.

Basta uma boa conexão de acesso e meia dúzia de cliques para que o seu programa favorito apareça na tela do seu computador, como num passe de mágica, com imagens e som de altíssima qualidade. É mais fácil achar e baixar pela internet do que se entender com as teclas do velho e bom videocassete para gravar aquilo que não será possível assistir ao vivo.

Os executivos da telinha provavelmente já sabem, mas não custa repetir: a TV pirata chegou e com ela os mesmos problemas vividos pelo cinema e pelas gravadoras com o derrame de músicas e filmes pela web. No ano passado, o download ilegal de programas de TV cresceu 150% em relação ao ano anterior e 2005 vai na mesma direção. A oferta é tanta que ameaça provocar congestionamentos na web.

Para os incansáveis advogados do setor, o inimigo da vez tem nome e sobrenome. Chama-se Bram Cohen (http://bitconjurer.org/), um programador californiano, portador de Síndrome de Asperger (uma variante do autismo) e criador do BitTorrent, uma ferramenta que torna extremamente fácil e eficiente o tráfego de grandes arquivos pela internet.

O programa – na verdade, um simples protocolo – chegou à web no fim de 2001, quando baixar vídeos pela internet ainda era um exercício de paciência e uma ameaça remota a Hollywood. Acontece que muita coisa mudou, desde então. Com a banda larga cada vez mais generosa, os códigos escritos pelo jovem autista, na época com 25 anos, deixaram de ser uma promissora novidade e acabaram por revolucionar o tráfego pesado pela rede. Hoje, o BitTorrent gerencia e orienta um terço do que circula pela web.

Nem tudo que traz a extensão .torrent é ilegal e não há o menor indício de que tenha sido criado para isso. Várias empresas e programadores usam o protocolo para enviar ou receber arquivos gigantescos de uma forma prática, segura e extremamente veloz. Mas não dá para ignorar a importância e a influência do BitTorrent na distribuição de conteúdos não autorizados. A estimativa é de que 70% do dowload ilegal de programas de TV na web são gerenciados e efetivados a partir do programa criado por Cohen.

A indústria cinematográfica já começou a agir, seguindo o mesmo roteiro de anos atrás, quando o Napster era o grande inimigo do setor. Como não podem banir o BitTorrent – um programa legal e de utilidade inquestionável -, partiram direto para o que consideram o ninho da pirataria. De uma só tacada, conseguiram na Justiça autorização para fechar uma dúzia de sites considerados verdadeiros paraísos de distribuição de conteúdos piratas.

Nomes como Suprnova, LokiTorrent, Torrentz, TorrentBits, Demonoid, TorrentBox e Muff Torrent, entre outros, deixaram de existir nas últimas semanas, mas foram logo substituídos por dezenas de outros onde o download de filmes e programas de TV corre solto.

Na madrugada de sábado, no Torrentbits.org, por exemplo, 123 mil usuários participavam de uma animadíssima sessão de compartilhamento de centenas de programas dos mais variados tipos e propósitos. No TVtorrents, especializado nos últimos episódios de séries atualmente exibidas pela TV americana, anotei 58.555 pessoas trocando arquivos de forma simultânea, incluindo 134 fãs de The Apprentice, com Donald Trump no papel principal. No Tv-Swarm, as séries Lost, The OC, Stargate e Smallville eram disputadas por quase 60 mil usuários. No Torrent Spy, as estatísticas indicavam a presença de 58.465 arquivos compartilhados por 360.029 usuários.

Toneladas de arquivos também estavam expostas e disponíveis no The Pirate Bay, um site que faz juz ao nome: tem de tudo ali, desde o mais recente lançamento da indústria de videogames, até a entrevista do filósofo da vez exibida poucas horas antes pela TV francesa. Foi ali, na Baía Pirata, que decidi arriscar e baixar 380 MB do VT de Lazio e Internazionale pela 28.ª rodada do campeonato italiano, disputada à tarde no Estádio Olímpico de Roma. Perda de tempo, é claro, para mim e três outros usuários anônimos que tiveram a mesma idéia. Mas não é disso que estamos falando, certo?’

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PRIMEIRAS EDIçõES > IMPRENSA & GOVERNO

Humberto Medina

Por lgarcia em 02/04/2003 na edição 218

GOVERNO LULA

“Documento interno faz avaliação do desempenho do governo na mídia”, copyright Folha de S. Paulo, 30/03/03

“O governo avalia que venceu a ?queda de braço? com a mídia para emplacar o programa Fome Zero. É o que se depreende de avaliação da Secom (Secretaria de Comunicação de Governo), órgão da Presidência da República comandado por Luiz Gushiken.

A análise foi inserida, na última quinta, no documento ?Leitura da Mídia?. Feito em segredo, é distribuído pela rede interna de computadores do governo. Destina-se às assessorias de imprensa dos demais órgãos do Executivo.

É a primeira vez que o conteúdo do documento vem a público, para contrariedade do Planalto.

O ?Leitura da Mídia? propõe-se a analisar diariamente o conteúdo dos jornais. É de responsabilidade do jornalista Bernardo Kucinski, funcionário da Secom. Trata o noticiário com aspereza.

O texto de quinta diz que ?argumentos cáusticos [contra o Fome Zero] começaram a envelhecer, e a oferta de novos ?deslizes? caiu substancialmente? nas páginas dos jornais. Avalia que ?o tom anti-Fome Zero se desgastou?.

Segundo o documento, ?aos poucos, o governo impõe sua agenda sobre o noticiário, o que se traduz em mais centímetros de coluna para aspectos substantivos? do Fome Zero.

A análise da Secom alfineta a gestão de Fernando Henrique Cardoso: ?Enfim, a fome, a insegurança alimentar e a pobreza -trágica herança deixada pelo tucanato- emergem pautadas pelo Fome Zero?.

Sem dar nomes, insinua que colunistas estariam a serviço do tucanato. Analisa assim notícias sobre o suposto enfraquecimento do ministro José Graziano, responsável pelo Fome Zero: ?Há dez dias o colunismo tucano faz leasing de seu espaço para anunciar a substituição de Graziano?.

Ao tratar das razões do suposto arrefecimento das críticas, o texto diz que a própria Secom ?ajudou o início da publicidade gratuita [sobre o Fome Zero] veiculada nas TVs?. Sobre Lula, o texto diz: ?o que reverteu o foco e a ênfase da mídia foi a intervenção política? do presidente da República.

A assessoria de imprensa da Secom informou que o texto não representa uma opinião da secretaria. Alegação que não condiz com o cabeçalho do documento. Ali, está escrito: ?Um serviço da Secom, para uso interno dos comunicadores do governo?.

O jornalista Bernardo Kucinski, assessor direto de Luiz Gushiken, disse que a análise ?expressa uma visão pessoal?. Seu objetivo é ?refletir sobre a mídia, sobre como a mídia funciona, decodificar e mostrar os mecanismos?. Argumenta que a circulação do documento entre os assessores de imprensa do governo seria um ?trabalho basicamente pedagógico?.

Há cerca de um mês, o jornalista Antonio Matiello foi demitido da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Alegou-se que, num documento que também se propunha a analisar o noticiário, Matiello criticara o modo como o governo vinha tratando as agências reguladoras na imprensa.”

“Gil propõe ?parceria cultural? com a Globo”, copyright Folha de S. Paulo, 26/03/03

“Em visita anteontem ao Projac, complexo de estúdios da TV Globo no Rio de Janeiro, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, propôs à emissora uma ?parceria cultural?.

Gil almoçou com João Roberto Marinho e José Roberto Marinho, vice-presidentes da Organizações Globo, e se reuniu com Guel Arraes (diretor de núcleo), Regina Casé (atriz) e Hermano Vianna (consultor da Globo e assessor informal do Ministério da Cultura), que lhes apresentaram projeto da emissora de produção regional.

Segundo a assessoria do ministro, Gil ficou ?encantado? com o projeto, que coincide com sua plataforma de regionalização cultural. Gil então sugeriu uma ?parceria cultural?, que caberá agora aos técnicos do ministério e profissionais da Globo viabilizar.

Uma forma de colaboração, de acordo com a assessoria de Gil, poderia ser o uso de casas de cultura a serem implantadas no projeto Refavela, do ministério, como portas de entrada de futuros talentos artísticos regionais e/ou periféricos para o projeto da Globo. No mínimo, Gil irá ?dar sentido político? à iniciativa da emissora.

Intitulado ?Brasil Total?, o plano da Globo prevê a descoberta de talentos e o treinamento de técnicos de afiliadas da Globo para a produção de material regional para exibição em rede nacional. Oficialmente, começa em abril com reportagens para programas como o ?Fantástico?. Mas pode vir a tornar-se um programa semanal.”

 


"Imprensa contra Comunicação do DF", copyright Comunique-se
(www.comunique-se.com.br)
, 31/03/03

"Está quase impossível cobrir o novo governo. Esta tem sido uma afirmação recorrente, repetida quase diariamente, por jornalistas que cobrem o governo federal em Brasília. A situação chegou a uma situação tal que a diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal- SJPDF recebeu um manifesto pela liberdade de informar, assinado por 71 profissionais. Esses jornalistas pedem para não divulgar seus nomes porque temem represálias.

Segundo o SJPDF, no documento, os jornalistas reclamam de ?sérios entraves que estão sendo impostos por setores do Governo Federal às atividades jornalísticas? e solicitam que o Sindicato, de maneira formal e institucional, ?expresse o inconformismo da categoria com esses fatos e reafirme a defesa da transparência e do direito à informação, pelos quais nossa sociedade lutou com tanto custo?.

Entrave

As agendas de trabalho dos ministros de Estado têm causado dores de cabeça e atrapalhado a cobertura dos jornalistas por, segundo o documento, não serem divulgadas pelos titulares de cada pasta, ?como se fossem executivos de empresas privadas, ou determinando a divulgação de agenda incompletas e descaracterizadas?.

O sindicato alega que, ?pelo que dizem os jornalistas prejudicados, está havendo bloqueio a informações sobre encontros, reuniões, debates e processos cobertos rotineiramente nos ministérios e palácios, os quais passaram a ter tratamento de reuniões sigilosas, com a exceção tornando-se regra. E pior: a categoria denuncia que fotógrafos e cinegrafistas estão cada vez mais proibidos de registrar atividades oficiais, sendo substituídos pela imagem única da divulgação oficial. ?A situação agrava-se com a Lei do Silêncio, que está sendo preparada para os funcionários do Palácio do Planalto?, defende.

Bonito no papel

Os jornalistas que elaboraram o manifesto também afirmam que o governo federal tem descumprido o decálogo elaborado pelo jornalista Bernardo Kucinski e endossado pelo Secretário de Imprensa do Planalto, Ricardo Kotscho, e pedem que o SJP-DF cobre do Governo Federal o cumprimento integral do decálogo e não apenas o cumprimento dos itens de interesse oficial. Leia abaixo o decálogo:

1 – A informação é um bem público. Não é propriedade do governo;

2 – A informação é um direito, e não um favor;

3 – A informação é um requisito básico para o exercício de outros direitos, como o de escolher; de julgar; de optar e de participar;

4 – A informação deve ser clara, pronta e precisa;

5 – É proibido mentir ou tergiversar;

6 – Responda no mérito e de modo objetivo às críticas da mídia;

7 – Corrija de modo cortês os equívocos de informações da imprensa;

8 – Se detectar calúnia, injuria ou difamação, atue com firmeza;

9 – Não faça patrulhamento ideológico;

10 – Trate com igualdade todos os jornalistas e todos os veículos;

O sindicato finaliza alegando que ?a Diretoria do SJPDF subscreve o decálogo do jornalista Kucinski e solicita, publicamente, que o governo Luís Inácio Lula da Silva receba os representantes dos jornalistas discriminados e prejudicados para discutir normas de convivência democráticas, transparentes e solidárias para o livre exercício da profissão no país. É inadmissível que a

Radiobrás seja a única empresa de comunicação a ter acesso às fontes de informação do Governo, independentemente da justificativa utilizada pelos detentores do Poder. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF coloca-se à disposição para buscar entendimentos capazes de tornar o exercício profissional, na Capital Federal, livre de regras excessivas e restritivas. Os jornalistas esperam respeito à liberdade de informar!?, protestam.

Assessores de outros estados

Comunique-se conversou com vários jornalistas e constatou que a origem do problema pode ser, como já publicado aqui anteriormente, do rodízio de cargos, com o advento do Governo Lula, causando a substituição de jornalistas da era FHC pelos que trabalharam na campanha do novo presidente.

E nesse entra-e-sai de profissionais, devido à reforma estrutural levada a cabo pelo governo do Partido dos Trabalhadores, o valor dos salários foi sensivelmente reduzido. Foram publicados anúncios nos jornais locais para vagas nos ministérios e em outros órgãos do governo federal.

Tais anúncios só foram possíveis quando da não concordância de vários jornalistas da cidade em trabalhar aceitando os baixos salários propostos. Com isso, as assessorias acabaram recebendo profissionais de outros estados que vieram para Brasília, muitos com família (esposa, filhos), iludidos com a promessa de uma boa remuneração (cerca de R$ 2.500 em outros estados é um excelente salário, mas para Brasília, ainda mais para quem tem filhos, não é).

A chegada desses novos profissionais às assessorias trouxe, primeiro, certa frustração ao descobrir que não ganhariam tão bem assim, e depois a dificuldade de assessorar um órgão cujas informações aqueles profissionais não estariam familiarizados. Para poder fazer um trabalho eficiente haveria que se trabalhar dobrado, assessorando e aprendendo a conhecer a estrutura do novo trabalho, tudo com pouquíssimo tempo. Isso sem contar com o próprio desconhecimento dos profissionais encarregados da cobertura, ou seja, ambos, assessores e jornalistas não se conhecem e, conseqüentemente, teriam que otimizar o processo, pois afinal não há tempo disponível para ser gasto no processo.

Enfim, a chegada dos novos assessores aliada a um suposto desentendimento de
André Singer com Ricardo Kotscho (também segundo fontes que não
podem ser identificadas) podem estar comprometendo o trabalho dos profissionais
que cobrem o governo federal brasileiro na capital do país.

 

"Kotscho explica a Comunicação de Lula, em MG", copyright Comunique-se (www.comunique-se.com.br), 1/04/03

"O secretário de Imprensa e Divulgação do governo federal, Ricardo Kotscho, informou, em palestra para editores de jornais e emissoras de rádio e TV de Belo Horizonte, promovida pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial, que, a partir da próxima semana, o presidente Luís Inácio Lula da Silva terá um programa semanal de rádio, mas sob um formato diferente: as perguntas serão feitas diretamente pelos ouvintes dispensando a figura de um intermediador.

?O grande comunicador do governo é o próprio Lula?, acrescentou, ressaltando ainda que o presidente ?pode ser considerado uma figura pop?. Explicou que seu trabalho ao lado do presidente destina-se a garantir que todos os veículos de Comunicação tenham um acesso igualitário à informação oficial da Presidência da República, negando ainda que tenham ocorrido problemas de entrosamento entre a secretaria e jornalistas, no início do mandato.

Kotscho disse que, durante muitos anos, os jornalistas que cobriam Brasília ?se acostumaram a determinados privilégios e estamos acabando com isto, procurando atender a todos da mesma maneira?. O jornalista informou ainda que, durante o mandato do presidente, os gastos com publicidade terão orientação diferenciada. Ele disse que 50% das verbas dos ministérios serão dirigidos para divulgar informações de utilidade pública.

O jornalista Eduardo Costa, da Rádio Itatiaia, sugeriu a Kotscho que solicitasse ao presidente da República que também desse entrevistas coletivas para profissionais que não estejam ligados apenas à área da política. ?Seria, para o presidente, uma oportunidade para falar sobre temas mais abertos e que interessam de perto ao povo, como questões de segurança e aumento do custo de vida?, opinou Eduardo Costa. Ricardo Kotscho disse que considera a idéia ?muito boa? e que vai propô-la a Lula, ?que certamente a aprovará?.

Kotscho declarou ainda que goza de um ?grande peso político? junto ao presidente Lula, com quem se reúne todas as manhãs, quando também entra em contato com as diversas outras assessorias dos ministérios, em um vínculo que só tende a ?produzir resultados cada vez mais compensadores?.

Jornalistas que trabalham em assessorias em Belo Horizonte, presentes ao encontro, elogiaram a postura do assessor presidencial e lamentaram que, na capital, ?não haja entrosamento entre a equipe da assessoria de Comunicação da Prefeitura e outros órgãos regionais da municipalidade. Parece que aqui não somos assessores do Poder Público, mas apenas dos órgãos onde atuamos?, lamentaram. Os jornalistas queixam-se da excessiva centralização e lamentam que a política de Comunicação Social da PBH ?seja direcionada apenas ao prefeito e não ao governo, sem valorização dos profissionais?.

Em uma promoção fechada – não associados da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial tiveram que pagar R$ 80 para terem acesso à palestra – estiveram presentes o diretor de Redação do Estado de Minas, Josemar Resende, do Hoje em Dia, Carlos Lindenberg e o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, (SJPMG), Aloísio Lopes, além de empresários e publicitários."

 

IMPRENSA & GOVERNO

“Uma morta muito louca”, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 23/03/03

“Você lembra de ?Um morto muito louco? (?Weekend at Bernie?s?)? É um filme de 1989 sobre dois manés que tiveram seu chefe assassinado, mas tentam mostrar ao mundo que ele continua vivo, criando situações hilárias. Pois bem. Lembrei desta comédia ao ler a matéria de Fernando Canzian e o artigo de Luís Nassif, ambos publicados na Folha no dia 20 de março.

Para quem não é assinante do Folha e/ou do UOL (quem for, pode lê-la aqui), dou uma resumida na matéria do Canzian. Ela conta como o governo dos Estados Unidos montou toda uma estratégia para evitar que os veículos de comunicação de lá caíssem numa pindaíba generalizada – eles que já não vão lá muito bem das pernas há uns dois anos – em razão daquele massacre que está sendo perpetrado pra lá de Teerã. É que na Guerra do Golfo, as três maiores redes de TV dos EUA – ABC, NBC e CNN (hoje tem mais uma, a militarista Fox, de Rupert Murdoch) – tiveram um prejuízo de mais ou menos US$ 25 milhões, devido a cancelamento de anúncios, algo que se repetiu com jornais e revistas.

Assim, diz o repórter da Folha, a estratégia montada para salvar a mídia vai por dois caminhos:

1. Nos jornais, separar a cobertura da guerra num caderno especial, para não afetar a publicidade (um caminho que está sendo seguido por periódicos daqui também);

2. Levar os coleguinhas para trabalhar no front sob a vigilância do Pentágono.

Esta segunda atitude foi tomada porque, com o passar do tempo, os que acompanharam a cobertura da Guerra do Golfo chegaram à conclusão de que foram enganados. Aos poucos foram surgindo fatos que desmentiram o conceito de ?guerra cirúrgica? tão em moda naquela época, lembra? Houve muitos civis iraquianos assassinados por conta de erros do comando aliado, que atirou nos alvos errados, ou simplesmente assassinados, ponto. Ou seja, aquela ?guerra de videogame?, da qual você deve se lembrar se tem mais de 20 anos, era completamente falsa. Para dar um realismo maior, desta vez o Pentágono levou cerca de 600 coleguinhas para trabalhar no Iraque.

É justamente esta atuação conjunta entre o governo americano e a mídia do país que me fez lembrar de ?Um morto muito louco?. O que o governo dos EUA e as empresas de comunicação estão fazendo é tentar convencer o mundo de que a idéia de independência de ação da grande imprensa ainda está viva, da mesma maneira que os dois manés do filme queriam convencer todos em volta que Bernie ainda estava cheio de disposição, apesar de um tanto morto.

Mas esta situação não se restringe aos EUA, é lógico. Aqui nós também temos sinais evidentes de que a simbiose entre governo e mídia vai muito além do que seria recomendável para uma instituição que se mostra sempre tão ciosa de sua independência. Prova recente esta naquele emeio no qual Paulo Moreira Leite tenta justificar o passaralho ocorrido na Época há algumas semanas. Lá pelas tantas, PML escreve o seguinte: ?Se no início de 2003 tivemos uma queda brutal na receita de anúncios oficiais, o que é natural numa troca de governo com a dimensão daquela que estamos assistindo, tivemos um pequeno acréscimo na venda de anúncios do setor privado – o que só demonstra um acréscimo em nossa credibilidade.?

Ou seja, os anúncios do setor privado não são capazes de fazer com que a segunda revista do país, pertencente ao maior conglomerado de mídia do Brasil, consiga equilíbrio financeiro, apesar de – como se lê no mesmo emeio -, as vendas tenham aumentado. Os anúncios governamentais são pedra angular mesmo para um veículo que pode ser considerado poderoso para os nossos padrões. E que tipo de independência podem defender empresas que dependem tanto assim de um governo? Continuar afirmando esta tese é sair por aí agitando o cadáver de Bernie-Independência-da-Imprensa, num colossal e patético mico.

Não que o conceito de independência da imprensa estivesse vendendo saúde desde que, no fim do Século XIX, descobriu-se que a publicidade poderia bancar publicações a custos muito baixos. Afinal, se a publicidade bancava o veículo, ele não poderia se chocar com os anunciantes, positivo? A resposta de que ampliando o número de anunciantes se minora a dependência de cada um deles individualmente põe panos quentes, mas não resolve a questão conceitual, correto? E hoje vê-se que nem isso funciona bem, mesmo na sede do Império Mundial: com a concentração em todos os setores (inclusive o de mídia) você acaba sendo dependente de poucos anunciantes de qualquer forma. Ainda assim, a idéia ainda comportava defesa, mesmo que um tanto cínica. Hoje, depois dos cuidados do Governo Bush II com a mídia, ao meu ver, nem isso.

Esta situação é bem diagnosticada no melancólico escrito de Nassif que convido você a ler aqui (para quem não é assinante da Folha, como é um artigo meio longo, vou enviar aos assinantes da CPM, ok)? É um artigo triste, mas, me contraponto e dando uma de Poliana, de repente esta queda da máscara seja boa: pelo menos agora a gente sabe ?oficialmente? que não dá para acreditar totalmente na imprensa e por isso é bom procurarmos nós mesmos garimpar nossas informações e pensarmos com a nossa cabeça. É mais trabalhoso, concordo, mas também mais responsável e mais adulto, acredito.”

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