Segunda-feira, 26 de Junho de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº946

FEITOS & DESFEITAS > JULGAMENTO DE LIBBY

Impasse no depoimento do jornalista Tim Russert

09/02/2007 na edição 419

O jornalista da rede NBC Tim Russert depôs na quinta-feira (8/2) no julgamento de I. Lewis Libby, ex-chefe de gabinete do vice-presidente americano, Dick Cheney. O caso visa descobrir quem contou a Libby sobre a identidade secreta da agente da CIA Valerie Plame e para quem ele vazou a informação. Até agora, há a hipótese de o ex-chefe de gabinete ter tomado conhecimento da informação confidencial pelo vice-presidente – o que seria muito grave – ou de ter sabido dela por Russert – repassar um rumor vindo de um jornalista seria menos grave do que uma informação recebida de uma das figuras mais importantes do governo.


Libby alega que soube sobre Valerie Plame, mulher de um ex-embaixador crítico ao governo Bush, por Russert, em um telefonema em julho de 2003. O jornalista, por sua vez, nega que tenha sido o autor da informação pois, segundo ele, não tinha conhecimento dela na ocasião do telefonema. É aí que a história se complica.


Armadilhas


Os advogados de Libby tentaram intimidar o jornalista mostrando a inconsistência de declarações anteriores dele. Formado em Direito, Russert tentou escapar de diversas armadilhas da defesa, mas por vezes demonstrou estar desconfortável com a situação. Theodore Wells, um dos advogados de Libby, tentou mostrar Russert como alguém em quem não se pode acreditar, pois, enquanto publicamente defende a santidade de conversas em off, revela informações contidas nelas para investigadores. O advogado se referia à acusação de que o jornalista teria contado a um agente do FBI sobre o telefonema com Libby em 2003 para depois afirmar, em depoimento, que não testemunharia sobre a conversa, pois era confidencial.


Wells tentou ainda demonstrar que Russert queria ver Libby julgado. Para tanto, exibiu no tribunal uma gravação em vídeo onde o jornalista discute a iminente acusação contra o ex-chefe de gabinete no caso Valerie Plame. No debate, Russert ri e diz que a previsão de que Libby seria julgado é ‘como a noite de Natal’. Questionado, o jornalista afirmou que se comportou daquela maneira porque queria que a história virasse um grande evento jornalístico. ‘Você se diverte com o indiciamento de Libby?’, perguntou o promotor Patrick Fitzgerald, responsável pela investigação. ‘Não, de jeito nenhum. E eu não acho graça em estar aqui’, afirmou Russert.


Contradição


O grande problema entre as versões de Libby e Russert é que o jornalista é categórico ao dizer ser impossível que ele tenha falado sobre Valerie Plame no telefonema de julho de 2003. Russert confirma a existência do telefonema. Libby teria ligado para ele para reclamar da cobertura feita por um colega. Libby alega que, no fim da ligação, Russert disse a ele que ‘todos os repórteres’ sabiam que Valerie Plame trabalhava para a CIA. O jornalista afirma que esta parte da conversa nunca aconteceu. ‘Eu só fui saber quem era esta pessoa vários dias depois’, afirmou. Informações de Matt Apuzzo [AP, 8/2/07].


 

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