Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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FEITOS & DESFEITAS > MÍDIA & POLÍTICA

Imprensa burguesa festeja renúncia de Fidel

Por Rogério Marques em 04/03/2008 na edição 475

A mídia burguesa não se conteve ante a renúncia de Fidel e promoveu excessiva parcialidade. Parecia mesmo torcida organizada festejando a vitória do time do coração: o imperialismo anti-Cuba. A Veja foi categórica ao sintetizar na capa da revista todo seu ódio contra o líder cubano. A manchete ‘Já vai tarde’, sobre a imagem assombrada de Fidel, revela a mancha imperialista que reina o projeto editorial da revista.

Assim como a Veja, a tropa de elite da imprensa brasileira tomou partido e deu o veredicto: o capitalismo deve voltar a imperar na ilha ora socialista. A partir da renúncia de Fidel, o futuro do povo cubano passou a ser objeto de especulação dos magnatas da comunicação. Estes que servem tão bem ao senhor dono de tudo, o todo-poderoso imperialismo capital. Abertamente, a megamídia saiu em defesa dos EUA e divulgou a vontade do seu amo: uma ‘transição democrática para o povo cubano’.

Essa interferência sem limites dos meios de comunicação de massa em assuntos de Estado faz parte do jogo do poder, que usa a influência da imprensa para se perpetuar no comando. O debate sobre o processo histórico é deixado de lado para dar vez e voz aos poderosos. Desse modo, a ditadura da mídia representa verdades que são convenientes aos interesses do seu patrimônio. Este tem sido o papel do poderoso império global e seus comparsas da comunicação ao longo dos tempos. Foi para cumprir essa tarefa de montar realidades que no dia 1º de setembro de 1969, em pleno AI-5, a Rede Globo inaugurou o Jornal Nacional.

Olhar crítico

Atualmente, Rede Globo, Folha de S.Paulo, Editora Abril e suas máquinas de fazer alienação controlam a imensa maioria das notícias que chegam aos milhões de (e)leitores/telespectadores no Brasil inteiro.

As notícias sobre a renúncia de Fidel só reforçam a opinião de que não existe neutralidade na imprensa. Todos os veículos de comunicação falam a língua do seu dono. A informação, que deve ser tratada como instrumento de liberdade e de interesse coletivo, tem sido manipulada a toque de caixa. Essa troca de favores entre imprensa e poder termina por manchar o jornalismo.

Diferentemente dos vendedores de notícias e conteúdo, que não têm compromisso algum para com o coletivo social, existem profissionais da comunicação que não se deixam manipular pela elite dominante e não aceitam esse lado podre da mídia.

Precisamos amplificar o nosso coletivo de comunicação independente. Que seja um instrumento utilizado a favor da senzala, contrapondo-se ao poder da Casa Grande. Uma mídia que seja capaz de provocar olhares críticos acerca dos acontecimentos. A intervenção de rádios comunitárias, fanzines, a imprensa livre na internet, além de jornais e revistas independentes, são maneiras de realizar uma comunicação autônoma. Um espaço onde todos possam trocar informação, produzir e interferir nos mais diversos processos de comunicação.

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Jornalista, Natal, RN

Todos os comentários

  1. Comentou em 09/03/2008 Carlos N Mendes

    Fidel é uma espinha de peixe na ganganta da direita. É pedra no sapato, é o molho de tomate na camisa branca, é o espelho na parede mostrando sua idade e egoísmo, é o pernilongo na orelha às 3 da manhã, é a infelicidade do rancoroso, é o ódio do filho do exilado em Miami que não sabe o sangue alheio que seu pai verteu para construir aquele piscinão no quintal. Mas Fidel é humano, e vai morrer. Não importa se isso é a ordem natural das coisas, o rancoroso jamais se perguntará por quê, ao longo dos incontáveis discursos de Fidel que duravam horas, onde centenas de milhares compareciam, perfazendo ao longo de 49 anos um total de dezenas de bilhões de espectadores-hora, NÃO APARECEU UM ÚNICO ASSASSINO para matar Fidel. Mesmo com o velho líder morrendo numa cama de morte natural, ele vai comemorar. E em seguida sua existência perderá o sentido. Vai odiar a quem ? Chavez ? Faz-me rir. Essa gente vai sentir saudade de Fidel, eu garanto.

  2. Comentou em 04/03/2008 Bruno Rebouças

    Texto muito maravilhoso, desse cara que não vacila na frente de nenhum poderoso, de imprensa ou de política. Rogério e eu estamos montando um site alternativo que visa mostrar o que a imprensa não mostra. http://www.foque.com.br

    entra no ar sábado. A mídia brasileira é muito parcional e não mostra a realidade cubana. Só chama Fidel de ditador. Onde estão os dois lados da notícia? Parabens ao site e ao autor do texto.

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