Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
Menu

FEITOS & DESFEITAS >

Imprensa desperta para o mundo

Por Alberto Dines em 08/02/2008 na edição 471

O interesse da nossa imprensa pela disputa eleitoral americana tem várias explicações, a primeira delas é óbvia: a sucessão de George W. Bush é, em si, uma das mais disputadas desde a de 1961 – quando pela primeira vez um católico, John Kennedy, entrou no páreo.


Agora, diante da possibilidade efetiva de um uma mulher ou um negro ocupar a Casa Branca, é natural que uma imprensa paroquial como a nossa dedique tanta atenção a um fato internacional.


Mas o que importa nesta alteração é que há pouco mais de dez anos os grandes jornais brasileiros decretaram que o leitor brasileiro não gosta de política internacional. Fizeram pesquisas, chamaram consultores e, de comum acordo, reduziram o espaço da cobertura e diminuíram drasticamente o número de correspondentes internacionais.


Lucro certo


O Brasil ficou de costas para o mundo justamente quando se iniciou o processo de globalização da economia. Agora, mesmo sem fazer pesquisas, nossa imprensa percebeu o auto-engano. A escalada autoritária de Hugo Chávez, o drama dos seqüestrados pelas FARC, a sucessão de Fidel, a erupção de violência no Quênia, sem falar no conflito no Oriente Médio que completa 60 anos consecutivos, estão exigindo mais atenção, mais espaço (ou mais tempo) e melhores coberturas.


Hillary Clinton, Barack Obama e John McCain ficarão nas manchetes até novembro e, com isto, vão ajudar a imprensa brasileira a reencontrar-se com o mundo. Quem vai lucrar é o Brasil.

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem