Domingo, 19 de Abril de 2015
ISSN 1519-7670 - Ano 18 - nº 846

FEITOS & DESFEITAS > MEIO AMBIENTE

Imprensa pouco contribui para conscientização socioambiental

Por Jefferson Pereira em 18/01/2011 na edição 625

A imprensa de Juazeiro do Norte, do Crato, Barbalha e de todas as outras seis cidades da Região Metropolitana do Cariri, noticia diariamente quem morreu, em que bairro, quem matou, com que arma e até com quantas perfurações. Entretanto essa imprensa, composta por profissionais formados em jornalismo e grande parte sem nenhuma formação, não tem o mínimo compromisso para tratar de assuntos mais importantes e de interesse coletivo, como por exemplo, as questões socioambientais.

Nosso convívio social está anormal. Temos muitos veículos para poucas ruas, pouca calçada para muita gente, pouca árvore para a tão desejada sombra. Temos até uma área pública em Juazeiro, conhecida como Parque das Timbaúbas, que poderia ser usado para o lazer da população. Vejam a ironia. No ‘parque ecológico’, funciona a diretoria de Meio Ambiente do município e a sede da Política Ambiental, mas o local não oferece segurança e infraestrutura para quem pretende passear com a família. O descaso chegou a esse ponto, talvez porque nos esquecemos de debater e repercutir assuntos importantes como esse, ou mesmo enterrar os que não nos levam a nada.

A vontade de evoluir culturalmente

A causa talvez seja a acomodação profissional da imprensa regional, que geralmente deixa a sociedade sem informações satisfatórias. Historicamente, na Região do Cariri, os veículos de comunicação e seus profissionais são muito influenciados pelas oligarquias econômicas e políticas locais, que em geral ou são donas das empresas jornalísticas ou têm sobre elas enorme influência. Isso significa que os comunicadores estão sempre falando para os mesmos grupos e os mesmos formadores de opinião, que se conhecem bem e que são seus pares. Por isso, não há grandes preocupações com o que se vai dizer porque nesses casos continuará sendo sempre e necessariamente o que os grupos no poder definem.

Será que nossa sociedade está condenada a viver em um ambiente ‘democrático’ sem a oportunidade de expressar suas insatisfações? Sem uma imprensa criativa e independente? Sem gestores públicos comprometidos com o desenvolvimento ambiental? Mas deixemos de lado esses problemas. As universidades públicas e privadas estão aí para despertar na sociedade a vontade de evoluir culturalmente.

Será?

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Jornalista, Caruaru, PE

Todos os comentários

  1. Comentou em 20/01/2011 Marconi Silva

    O problema se assemelha aos demais lugares do Brasil que pouco ou nada contribuem para a conscientização socioambiental. Entretanto, acredito que o debate maior que sempre é deixado de lado é sobre qual desenvolvimento queremos de fato empreender em nossas comunidades. Um desenvlvimento que exclui e que ignora seus efeitos nocivos de degradação do meio ambiente e do meio social, ou um desenvolvimento que inclui e preserva com recionalidade a vida, inclusive da natureza?

    Parabéns pela iniciativa de trazer ao debate tal tema, Jefferson.

  2. Comentou em 20/01/2011 Marconi Silva

    O problema se assemelha aos demais lugares do Brasil que pouco ou nada contribuem para a conscientização socioambiental. Entretanto, acredito que o debate maior que sempre é deixado de lado é sobre qual desenvolvimento queremos de fato empreender em nossas comunidades. Um desenvlvimento que exclui e que ignora seus efeitos nocivos de degradação do meio ambiente e do meio social, ou um desenvolvimento que inclui e preserva com recionalidade a vida, inclusive da natureza?

    Parabéns pela iniciativa de trazer ao debate tal tema, Jefferson.

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