Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > COLUNISMO POLÍTICO

Integral da ‘Coluna do Castello’ na internet

Por Luciana Castello Branco em 03/06/2008 na edição 488

O site Carlos Castello Branco deve-se à dedicação, empenho e persistência que minha mãe, Elvia Lordello Castello Branco, teve em preservar e divulgar, na íntegra, o acervo jornalístico e literário do meu pai.

Por mais de dez anos, minha mãe tentou, sem êxito, conseguir apoio junto a várias instituições do país para publicar as quase oito mil ‘Coluna do Castello’. Para ela, tinha que ser tudo: não queria compilações, nem excluir nada que ele tivesse escrito. Mas, devido à dimensão da obra, era quase impossível publicar todas as colunas em livro: seriam perto de 20 volumes. Foi então que me ocorreu a idéia de organizar um site com este acervo que, além de preservar, possibilita disponibilizar na internet todo este material de grande valor para a história política brasileira.

Obra grandiosa

Minha mãe partiu e comigo ficou a promessa de realizar o seu desejo, que logo virou meu desejo e também a minha missão. É um compromisso não só com ela, mas com todos os historiadores, alunos, políticos e curiosos que, a partir dos textos reunidos no site, poderão entender uma parte da história do Brasil através dos olhos do jornalista Carlos Castello Branco, que tinha a habilidade de interpretar os fatos, driblar a censura e transmitir as informações em mensagem cifrada, numa análise desengajada e ética.

Escrever, para Castello, era um ato praticamente orgânico, uma necessidade vital: acordava, tomava banho, tomava café, lia os jornais e escrevia. Assim, nesta seqüência, dia após dia. Quando um amigo pedia para perguntar ao meu pai o que achava de uma situação política qualquer, ele respondia: ‘Sou pago para achar e só acho por escrito’.

A grandiosidade dele como pessoa eu já conhecia, mas confesso que eu e todos os que trabalharam na confecção deste site fomos surpreendidos com a complexidade, grandeza e perenidade de sua obra.

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[do material de divulgação]

A partir de 1º de junho, data do 15º aniversário da morte do jornalista Carlos Castello Branco, estará disponível integralmente na internet a sua histórica coluna, escrita do início da década de 1960 ao começo dos anos 1990. Referência obrigatória para pesquisadores, jornalistas, estudantes e políticos, a ‘Coluna do Castello’ permitirá ao público o acesso direto a toda a obra do jornalista, além de possibilitar o seu registro e preservação.

Exatamente 7.849 colunas sobre política escritas ao longo da carreira do jornalista no Jornal do Brasil poderão ser acessadas por meio de um sistema de busca avançada, tanto por ordem cronológica quanto por palavra-chave. Lançado em caráter experimental em novembro passado, o site, agora em sua versão completa, contém ainda a biografia e a foto-biografia de Castelinho, como era carinhosamente chamado por políticos e colegas.

O website oferece também uma seleta de sua vida literária, contendo crônicas e contos, além de cartas, como as trocadas com Nascimento Brito, que comandava o Jornal do Brasil no auge da ditadura militar, discursos principais; e material audiovisual, como filmes nos quais participou, a exemplo do Idade da Terra, de Glauber Rocha. São transcritas ainda extensas e esclarecedoras entrevistas dadas a Adriana Zarvos sobre temas políticos e históricos, com revelações de bastidores muito úteis aos pesquisadores.

Tesouro interativo

O site publica ainda textos e depoimentos pessoais sobre Castello, que vão de Roberto Marinho a Luiz Inácio Lula da Silva. Na seção ‘Recados’, o internauta poderá deixar uma mensagem sobre o assunto que desejar e trocar idéias com os demais interessados na obra de Castello. A interatividade também está presente na seção ‘Monte sua Coletânea’, na qual o pesquisador poderá selecionar as colunas que mais aprecia e deixá-las armazenadas no próprio site para que ele e seus amigos possam consultá-las quando quiserem (cada coletânea tem capacidade de 25 textos). Em ‘Novidades’, serão publicadas as notícias mais recentes sobre a obra do jornalista. Como disse Elio Gaspari, em sua coluna no jornal O Globo, o ‘baú do Castelinho é um tesouro’.

Publicada entre 1962 e 1993, ano da morte do jornalista, a ‘Coluna do Castello’ influenciou a política nacional durante todo esse período e é uma fonte privilegiada para se entender a história do Brasil: dos anos tumultuados que antecederam ao golpe militar de 1964 até a desilusão que marcou o processo de redemocratização com a eleição e o impeachment de Fernando Collor. A coluna cobre praticamente todos os eventos de destaque no cenário nacional da segunda metade do século 20.

Veiculada na tradicional página 2 do Jornal do Brasil, a coluna era escrita com ‘estilo de mestre’, impessoal na exposição de idéias e econômica no uso de adjetivos. Para o jornalista Villas-Bôas Corrêa, Castello ‘falava por frases curtas, mas tinha a prodigiosa capacidade de se informar, de fazer relações, de inspirar confiança às fontes. Ele foi um articulador das jogadas políticas, que colocava as coisas em textos de alta qualidade literária’.

Filtrada pelo olhar agudo do jornalista, a coluna também é pontuada pelo humor. Segundo o jornalista Alberto Dines, que convidou Castello para escrever no JB, o colunista ‘tinha um senso de humor arrasador, sarcástico. Não era o humor hilariante; falava pouco e, quando falava, destruía’.

Sobre o website

O site de Carlos Castello Branco foi organizado pela Buriti Editora e Produtora, de Luciana Castello Branco, filha do jornalista, e desenvolvido pela Refazenda Produções, de Flora Gil e André Vallias, o último responsável também pela criação. As colunas foram cedidas à editora pelo Jornal do Brasil.

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