Segunda-feira, 22 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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Jogo Aberto, o centralismo excludente

Por Claudinei Fernandes em 18/05/2010 na edição 590

Quem disse que no esporte também não há enquadramentos tendenciosos, discriminações, exclusões? O programa Jogo Aberto, da Rede Bandeirantes, que vai ao ar de segunda a sexta, às 11h15, é um exemplo do olhar crítico que se deve remeter a esse tipo de programação. As notícias veiculadas são de esportes em geral, mas, o foco deste texto é o futebol.

Este jornal esportivo é de âmbito nacional, transmitido de São Paulo. O programa tem uma apresentadora principal, que é Renata Fan. Ela o conduz e, depois de passar cada notícia, coloca em pauta um assunto para ser discutido pelos demais comentaristas, que agora são três: o ex-jogador Neto, Ulisses Costa e médico Osmar de Oliveira. Logo de cara percebemos uma tendenciosidade em enaltecer as notícias e os clubes oriundos da região Sudeste.

Os discursos produzidos pelos integrantes do programa são claramente tendenciosos em relação ao time do Corinthians, pois se faz de tudo para que uma polêmica seja causada em torno do referido clube, a fim de sempre colocá-lo em evidência. O mais irônico é que dos três comentaristas, dois têm ou tiveram algum tipo de relação com o clube como: Neto que foi ex-jogador e Osmar, que já foi médico do Departamento de Futebol Profissional – ambos do Corinthians –, sobrando apenas Ulisses Costa que não consegue fazer o contrapeso para que não haja essa inclinação.

Canal aberto

Há, portanto, uma grande propensão de se falar sobre o Corinthians. Tirando esse clube, o Jogo Aberto enaltece e discute bastante sobre os times de São Paulo, apesar de ser um programa transmitido em rede nacional. Dessa fatia sobra uma parte para os times do Sudeste e do Sul, e quase nada para os times do Norte e Nordeste, o que configura uma grande discriminação e desrespeito, já que o programa é exibido em rede nacional.

Não são apenas as programações jornalísticas de um modo geral que, numa clara tendência centralista, excluem o Norte e o Nordeste do país. Essa situação também é vivida na grade esportiva. Os amantes de esporte (e do futebol), principalmente os que vivem nessas regiões excluídas, vêem-se restringidos a alguns poucos programas oferecidos nesse horário, na televisão de canal aberto. Está na hora de virar esse jogo, colocando uma maior diversidade na programação.

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Estudante do 1º semestre do curso de Comunicação Social da Faculdade 2 de Julho, Salvador, BA

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