Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Jornais estragam grande julgamento empresarial

13/04/2004 na edição 272

A imprensa atrapalhou e acabou com um dos maiores processos de corrupção empresarial da história americana. Jornais publicaram o nome de uma das juradas do julgamento de dois ex-executivos da Tyco, Dennis Kozlowski e Mark Swartz, acusados de desviarem US$ 600 milhões da companhia. Alguns repórteres interpretaram que a jurada Ruth Jordan, uma ex-professora de 79 anos, teria feito sinal de ‘OK’ para os réus quando entrava no tribunal, mas ela alega que apenas teria levantado o braço para ajeitar o cabelo.

A divulgação de seu nome, a princípio, não alterou o rumo do processo, mas, quando já seria dado o veredicto, Ruth disse ao juiz Michael Obus que havia recebido uma carta e um telefonema ameaçadores. Obus, que havia negado pedido anterior da defesa de encerrar o processo por causa da influência da mídia, teve de ceder, pois não poderia permitir que uma jurada votasse sob essa pressão.

O juiz reclamou da atitude dos jornais, pois não tinham qualquer evidência concreta de que havia alguma combinação entre Ruth e os acusados. E, mesmo se houvesse, o público não se beneficiaria em saber quem é a jurada. O primeiro jornal a identificá-la foi o Wall Street Journal, em matéria publicada em seu sítio de internet, no mesmo dia do suposto ‘OK’, 26/3. No dia seguinte, sábado, o New York Post publicou um desenho do gesto da jurada, junto com seu nome, na primeira página. The New York Times trouxe no dia 29/3 um artigo comentando o procedimento dos concorrentes em que Ruth também era identificada.

O Journal disse que a decisão de publicar o nome foi muito refletida e que a atitude de Ruth no tribunal foi suficiente para que sua identidade se tornasse digna de notícia. O Post também não mudou de posição com relação ao que fez. Críticos de mídia e outros veículos de comunicação condenaram os dois diários. O incidente poderia levar os juizes a aumentar a restrição de acesso da imprensa aos julgamentos. Grandes grupos de mídia americanos, como AP, Washington Post Company e Dow Jones (que publica o Journal), agora brigam para ter acesso aos registros do processo, a fim de entenderem melhor seu encerramento.

Kozlowski e Swartz teriam feito compras extravagantes com o dinheiro desviado. Apartamentos de luxo em Manhattan, uma festa de aniversário na Sardenha e uma cortina de chuveiro de US$ 6.000 foram alguns dos gastos feitos pela dupla. O julgamento, que não deu em nada por causa da imprensa, consumiu US$ 12 milhões em recursos públicos. Um novo processo deve ser aberto em breve. Com informações de Wall Street Journal [5/4/04], USA Today [5/4/04] e Reuters [5/4/04].

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