Sexta-feira, 19 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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ENTRE ASPAS >

Jornal britânico destaca ‘protesto de bigode’ contra Sarney

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 24/07/2009 na edição 547


Leia abaixo a seleção de sexta-feira para a seção Entre Aspas.


 


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O Estado de S. Paulo


Sexta-feira, 24 de julho de 2009


 


CRISE NO SENADO
Silvia Amorim


Mídia volta a ser alvo de queixas


‘Pouco depois da entrevista à Rádio Globo, Lula queixou-se, ao discursar na abertura da Feira Internacional de Produtos Orgânicos – Bio Brazil Fair, do trabalho da imprensa. ‘Certamente depois de terminar isso aqui (abertura da feira), o Reinhold Stephanes (ministro da Agricultura) ou o Serra (governador) ou o Kassab (prefeito de São Paulo) vão falar com a imprensa. Mas, depois de todos os discursos, não pense que vai ter uma pergunta sobre orgânicos. A pergunta será sobre o Senado’, disse.


Lula pediu que a imprensa seja parceira na divulgação das ações do governo. ‘A nossa presença aqui é para dar uma chance da imprensa dizer ao mundo que nós temos política agrícola para o agronegócio, agricultura familiar e para os produtores orgânicos deste País. É só isso que nós queremos.’’


 


 


Andréia Sadi


‘Guardian’ destaca ‘revolução do bigode’


‘O jornal britânico The Guardian destacou em seu site ontem a ‘revolução de bigode’, protesto contra o ‘mais novo escândalo político brasileiro’. O artigo cita um blog criado por publicitários – ‘Greve de Bigode’ -, que convida os internautas a tirar fotos com a ‘ferramenta de protesto’, natural ou falsa, e enviar ao endereço, ‘até Sarney cair’.


‘Os bigodes são referência a José Sarney, o presidente do Senado brasileiro, atingido recentemente por denúncias de nepotismo e empreguismo e famoso pelo adorno’, diz o texto.


Pelas regras , os homens devem deixar o bigode crescer. As mulheres e crianças podem aderir usando modelos postiços. ‘É uma maneira de mobilizar as pessoas que acham a política chata e normalmente não se envolveriam com a causa’, explicou Ricardo Silveira, de 30 anos, criador da campanha.


O jornal diz ainda que os ‘eleitores indignados’ só vão se desfazer do bigode após o Senado ‘se desfazer do seu presidente’. No entanto, ressalta que analistas ouvidos pela reportagem não acreditam na renúncia do senador, ‘um poderoso aliado da base do governo e ex-presidente da República’.


Além do blog, Sarney é alvo da campanha ‘Fora, Sarney’, também na internet.


A lista de denúncias contra Sarney é extensa: empregar parentes no Senado, uso indevido de auxílio-moradia, supostas remessas ilegais ao exterior, responsabilidade nos atos secretos e omissão de declarar uma casa à Justiça Eleitoral.


Um de seus filhos, administrador dos negócios da família, é alvo de investigação da Polícia Federal. Fernando José Macieira Sarney é suspeito de diversos crimes, incluindo tráfico de influência em órgãos do governo comandados por pessoas indicadas pelo pai.


A Fundação José Sarney, instituto dedicado à preservação de sua memória, é suspeita de ter desviado dinheiro de patrocínio cultural da Petrobrás.


Nesta semana, o Estado divulgou áudios da PF, feitos com autorização judicial, que mostram a prática de nepotismo pela família Sarney no Senado por meio de atos secretos.’


 


 


ITÁLIA
O Estado de S. Paulo


Revista publica novas gravações de premiê


‘A revista italiana L?Espresso publicou ontem novas conversas entre o premiê da Itália, Silvio Berlusconi, e a prostituta Patrizia D?Addario. Há meses, Berlusconi vem sendo acusado de contratar prostitutas e participar de orgias. Na quarta-feira, o premiê negou a autenticidade das gravações, mas declarou que não é ‘santo’.’


 


 


INTERNET
Steve Weizman, AP


Mensagens a Deus agora pelo Twitter


‘Durante séculos os judeus depositaram orações escritas em pedaços de papel nos vãos ancestrais entre as pedras do Muro das Lamentações, na Cidade Velha de Jerusalém. Nos últimos anos, as orações puderam ser enviadas por fax ou e-mail – e, agora, também podem ser mandadas via Twitter.. O Muro das Lamentações acaba de receber seu próprio endereço na rede de microblogs, permitindo que fiéis de todo o mundo deixem suas orações entre as pedras do muro de 2 mil anos sem deixar o conforto de seus lares.


O fundador do serviço, Alon Nil, diz que os solicitantes podem ‘twitar’ suas preces, que serão impressas e levadas ao muro, onde se juntarão às milhares de orações escritas à mão deixadas no local pelos visitantes, que acreditam que seus pedidos encontrarão um atalho até Deus ao ser depositados lá. O economista de 25 anos inaugurou a página no Twitter há três semanas e já recebeu centenas de orações.


‘Tudo começou logo após os protestos no Irã, quando percebi o potencial do site’, diz Nil. ‘Existe um número ilimitado de usos para o Twitter e comecei a pensar o que podia fazer de novo e criativo para beneficiar o povo de Israel.’


Quando o governo do Irã fechou a mídia tradicional, logo após as eleições de junho e os violentos protestos que se seguiram a elas, os iranianos usaram o Twitter para compartilhar informações e fotos com o mundo.


Nil acompanha o Twitter como hobby, mas espera que sua pequena operação seja capaz de aproximar pessoas de todo o mundo. ‘Já recebemos orações de quase todos os países’, disse. ‘Espero que, ao ‘twitarem’ suas orações, as pessoas estejam se ajudando de alguma maneira. Quando você descobre e enuncia aquilo que quer, em 140 caracteres ou menos, pode começar a agir.’


A maioria das orações é enviada ao Twitter em mensagens particulares, mas Nil encoraja seus seguidores a tornar públicas suas ‘twitadas’. Somente alguns decidiram fazê-lo, como o usuário que se identifica apenas como Yonatan.


‘Louvado seja Hashem por tudo que Ele fez por mim, que Ele abençoe minhas empreitadas e me conduza à sabedoria e à verdade’, ‘twitou’ Yonathan na quarta feira, usando um sinônimo hebraico para Deus. O muro é tudo o que resta do complexo que antes abrigava templos bíblicos.’


 


 


O Estado de S. Paulo


Jornais querem cobrar por conteúdo na rede


‘A crise mundial acelerou os impactos da internet sobre os meios tradicionais de comunicação. Esta semana, o editor do jornal britânico Financial Times, afirmou que a maior parte das empresas jornalísticas estarão cobrando por seu conteúdo na internet em menos de um ano, segundo o jornal El País. A afirmação foi feita durante o evento Media Standards Trust, na Academia Britânica.


‘Ainda não dá para saber como esses modelos de pagamento online vão funcionar e quanto de receita eles podem gerar’, disse Barber, segundo o jornal The Guardian. ‘Mas prevejo confiantemente que, nos próximos 12 meses, quase todas as organizações noticiosas estarão cobrando por conteúdo.’


O magnata da mídia Rupert Murdoch pensa de maneira parecida com Barber. Em maio deste ano, Murdoch afirmou que planeja estender o modelo de cobrança do Wall Street Journal para os outros jornais que controla. Ele classificou como um modelo de negócios ‘falho’ os sites gratuitos de jornais..


O FT.com, site do Financial Times, tem mais de 1,3 milhão de usuários registrados, que consultam notícias de graça, e mais 110 mil pagantes. O site deixa os usuários não registrados lerem três notícias por mês de graça. Os registrados têm direito a dez. Para ter acesso ilimitado, é preciso pagar. Segundo Barber, o Financial Times foi pioneiro no conceito de ‘modelo de frequência’, dando acesso a um número limitado de notícias na rede, antes de pedir aos usuários para se tornarem assinantes.


‘Os jornais especializados como o nosso correm com vantagem, já que nossas notícias muitas vezes não se encontram em outros meios. É preciso ser diferente dos demais’, disse Barber, de acordo com o El País. ‘Muita gente acredita que a internet está acabando com o jornalismo, mas eu a vejo como uma oportunidade de fazer as coisas melhor.’


O americano The New York Times planeja começar a cobrar pelo seu conteúdo nas próximas semanas. Depois de fazer uma pesquisa com seus leitores, o jornal chegou à conclusão de que poderia cobrar até US$ 60 por ano. Já houve uma tentativa do New York Times de cobrar pelo acesso ao arquivo e às colunas de opinião, em 2007. O jornal conseguiu cerca de 200 mil assinantes, mas o modelo não compensou e o acesso voltou a ser aberto.


Para Barber, a cobrança por conteúdo é essencial em momentos como este, de queda de publicidade. ‘Estamos conseguindo receitas sustentáveis e crescentes, como resultado de nossa estratégia de cobrar por conteúdo global de nicho e de qualidade – o que é essencial em um momento de publicidade mais fraca’, disse o editor. Ele acrescentou que o novo mundo digital representa ‘uma ameaça, mas também uma oportunidade enorme para organizações noticiosas estabelecidas’.’


 


 


TELEVISÃO
Keila Jimenez


Vai nevar na Fazenda


‘A Fazenda, da Record, promete bater o Big Brother, da Globo, quando o assunto é merchandisings. Pelo menos no número de ações do gênero.


Segundo levantamento da emissora, cerca de 15 marcas diferentes já passaram pelo confinamento na roça da Record, e a ideia é chegar a 20 até o final do reality show, no dia 23 de agosto. O último BBB encerrou sua passagem pelo ar com a marca de 18 contratos de merchandising.


‘A Fazenda já superou nossas expectativas em faturamento, mas também superou as expectativas dos anunciantes quanto a qualidade das ações’, fala o diretor de merchandising da Record, Marcos Vinícius Chisco.


Para a ação da Coca-Cola, em que um caminhão da marca entrou na fazenda para abastecer o local, os participantes foram deixados 15 dias em abstinência de refrigerantes e bebidas. ‘Eles foram avisados que não teria refrigerante lá dentro. Imagine a festa quando o caminhão chegou’, conta Chisco.


Entre as próximas surpresas, a Record promete um merchandising que fará nevar na Fazenda. ‘Será neve fake e fará parte de uma prova. Eles vão se divertir.’’


 


 


 


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Folha de S. Paulo


Sexta-feira, 24 de julho de 2009


 


CÓDIGO DE ÉTICA
Editorial


Letra morta


‘A INICIATIVA do Partido dos Trabalhadores de lançar a público um detalhado código de ética, a entrar em vigor em 1º de agosto, pode ser encarada como resposta institucional -tardia o bastante para não dar na vista- à profunda crise de identidade que se abateu sobre o petismo a partir das primeiras revelações em torno do ‘mensalão’.


Fossem outros os tempos, seria o caso talvez de saudar o extenso documento preparado por uma comissão partidária exclusivamente nomeada para a tarefa. Em 73 artigos, preveem-se punições severas, por exemplo, ao filiado que explorar politicamente ‘aspectos da vida íntima de adversários’, em disputas internas ou em campanhas eleitorais. Antes de assumir qualquer cargo público, o militante deverá apresentar a lista circunstanciada de seus bens, para acompanhamento de sua evolução patrimonial ao longo do tempo.


Mais algumas páginas do ‘Código de Ética e Disciplina do Partido dos Trabalhadores’, e um sorriso sem dúvida haverá de despontar no rosto de seu eventual leitor. Espera-se dos petistas eleitos a um cargo no Executivo ou no Legislativo o compromisso de ‘negar e combater o nepotismo, em todas as suas formas’.. E que tampouco venham a incorrer na ‘defesa de privilégios parlamentares ou corporativos imorais ou injustificados’.


Não menos importante, o artigo 42 do documento estabelece que ‘é terminantemente vedada a arrecadação de recursos de qualquer natureza sem a respectiva e obrigatória contabilização do arrecadado’.


A fraseologia rememora, por certo, as inverossímeis explicações prestadas por dirigentes petistas no auge do mensalão. Quanto ao combate ao nepotismo, torna-se difícil conciliar as marmóreas estipulações do novo código com a prática, incomparavelmente mais flexível, adotada pela bancada petista na defesa de seus aliados no Senado. Talvez porque, como observou o presidente Lula recentemente, nem todos devem ser tratados como cidadãos comuns no universo político de Brasília.


Comprometido até a medula com o que há de mais atrasado na política brasileira, envolvido numa rede inextricável de favorecimentos e gestões entre a máquina pública e os interesses privados, o governo Lula e seu partido não mais apresentam condições de dar credibilidade ao código agora lançado com tanta pompa.


Pode-se entendê-lo, na verdade, como uma espécie de satisfação formal àqueles setores da militância ainda remanescentes de um período em que, afastado das realidades do poder, o Partido dos Trabalhadores se dedicava a alardear seu rigor no combate à corrupção e a suposta pureza de seus princípios.


Nada disso se sustenta hoje em dia; e não é excessivamente pessimista o prognóstico de que o código de ética, a que não faltam primores de elaboração, venha a constar como letra morta, já na data de seu lançamento.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Não para de cair


‘Folha Online e outros abriram o dia com o menor desemprego no ano, 8,1%, que seguiu nas manchetes até o ‘Jornal Nacional’, ‘Desemprego cai no Brasil pelo terceiro mês seguido’.


No fim do dia, no topo do noticiário internacional de Brasil, ‘Wall Street Journal’ e Bloomberg davam a queda no desemprego como razão maior para o salto na Bolsa. A agência notou que a taxa veio bem abaixo do que calculavam os ‘economistas’ que pesquisou. Eles previam alta no desemprego.


Segundo o ‘WSJ’, foi todo um carregamento de ‘dados positivos’, ontem. Por exemplo, na home page do UOL, ‘CNI indica que a grande indústria reinicia expansão’. Até a indústria.


‘REVOLUÇÃO’


Depois do ‘Financial Times’, a ‘Economist’ sai em defesa da Petrobras. Em longo perfil de José Sérgio Gabrielli, sublinha que ela ‘tem vastas reservas de petróleo, poder comercial e excelentes vínculos chineses, mas encara incerteza política’.


Abre relatando o engajamento de Gabrielli aos 15 e a prisão pela ditadura, ‘mas desde 2005 ele comanda a mais ambiciosa companhia de petróleo no mundo’, que descreve como ‘parte pública, parte privada’, não estatal. E por aí vai a revista, sobre EUA, China, o pré-sal. Quanto à CPI, avalia que, ‘embora possa trazer algum dano à reputação da Petrobras, ele deve ser desprezível’.


BOOM


E não é só a ‘Economist’. A nova edição da texana ‘Oil & Gas Journal’, que saiu ontem na internet, traz longa entrevista com o presidente da Petrobras feita por dois americanos que estão preparando um livro sobre o ‘boom’ que vive o petróleo brasileiro ‘no contexto mundial’


REVOLUÇÃO SILENCIOSA


Na capa e ao longo de 14 páginas da ‘Economist’, ‘mundo árabe acorda de seu sono’. Para a revista, ‘uma revolução silenciosa já começou’, mas ela ‘só estará completa quando a última ditadura fracassada for votada para fora’. Por ‘fracasso’, a revista cita a própria falta de liberdade.


OBAMA SUPERA OSAMA


Barack Obama está em queda de popularidade nos EUA, mas segundo pesquisa Pew ‘pela primeira vez um presidente americano é mais popular do que Osama bin Laden na Turquia, no Egito, na Indonésia’, proclamou o enunciado do Huffington Post.


O ‘New York Times’ ressaltou, do levantamento, que a ‘visão global sobre os EUA é ajudada por Obama’. Os alemães e os franceses, por exemplo, confiam mais nele do que em seus próprios líderes eleitos. De modo geral, a imagem americana melhorou na Europa, na Ásia, África e América Latina, Brasil inclusive.


GOLPE, NÃO


Ainda ‘Economist’. No segundo editorial, a nova edição volta a defender o retorno de Manuel Zelaya ao poder em Honduras e alerta: ‘Não deve ser permitido manter de pé um golpe em uma região que derrubou o autoritarismo’. Defende usar ‘pressão e persuasão’, mas cobra ‘restaurar a legitimidade’ da democracia.


REVOLUÇÃO DO BIGODE


Deu no Terra, depois no ‘Guardian’ e agora está por toda a cobertura brasileira um blog de dois publicitários, Greve de Bigode.


Postam fotos de pessoas de bigode, inclusive mulheres e bebês, sob o anúncio ‘Só tiro o meu quando o Senado tirar o dele’, abaixo de uma foto do senador José Sarney. No título do texto do correspondente Tom Philips, com humor, trata-se da ‘grande revolução do bigode’, Moustache Revolution.


ESPERANÇA


O ‘NYT’ noticiou que o grupo de que o jornal faz parte ‘apresentou lucro’ no segundo trimestre. Mas destacou que a publicidade segue em queda.


Mais otimista, o ‘FT’ deu na home que o ‘Lucro do ‘NYT’ oferece esperança para o setor’ de jornais. Até o ‘WSJ’ saudou, ‘Lucro do ‘NYT’ salta 84%’.’


 


 


ITÁLIA
Folha de S. Paulo


Revista revela novo diálogo picante atribuído a Berlusconi


‘Apenas um dia após o premiê italiano, Silvio Berlusconi, dizer que não é santo, em referência à suposta relação com Patrizia D’Addario, veio à tona ontem a terceira série de diálogos com a prostituta de luxo atribuídos ao líder.


Nas novas gravações, como das duas outras vezes publicadas na internet pela revista ‘L’Espresso’, D’Addario, 42, elogia a performance sexual do homem identificado como Berlusconi, 72, dizendo não ter passado uma noite como a que passou com ele havia ‘muitos meses’.


A voz atribuída ao premiê responde aconselhando a prostituta a se masturbar ‘com uma certa frequência’.


Na versão de D’Addario, a noite que passou com Berlusconi foi no dia 4 de novembro do ano passado.. Ela diz ter resolvido divulgar as gravações feitas por celular devido ao não cumprimento de uma promessa por ele.


O chanceler italiano, Franco Frattini, acusou a imprensa de ter pago D’Addario para dar declarações contra o premiê e disse que os diálogos são ‘absolutamente’ falsos.’


 


 


TECNOLOGIA
Folha de S. Paulo


Receita anual da Microsoft sofre 1ª queda


‘A Microsoft faturou US$ 58,4 bilhões no seu ano fiscal (período de 12 meses encerrado em 30 de junho), queda de 3,3% em relação ao intervalo imediatamente anterior. Foi o primeiro recuo na receita anual da empresa desde que ela começou a ter suas ações negociadas em Bolsa de Valores, em 1986.


Na comparação entre os mesmos períodos, o lucro teve retração ainda maior: 17,6%, para US$ 14,6 bilhões. De abril a junho, ela ganhou US$ 3 bilhões, 29,1% menos que nos mesmos meses de 2008.’


 


 


JORNAL EM CRISE
Folha de S. Paulo


Dono do ‘New York Times’ corta gasto e ganha US$ 39 mi no 2º tri


‘O grupo proprietário do ‘New York Times’ ganhou US$ 39,1 milhões entre abril e junho, após perder US$ US$ 74 milhões nos três meses anteriores, sinalizando que o pior já pode ter passado para o setor nos EUA.


O resultado do New York Times Company, atribuído especialmente ao corte de custos, já que as receitas com publicidade continuaram a cair (30%), surpreendeu analistas.


Ainda que a recuperação dos grupos jornalísticos dos Estados Unidos não deva ocorrer antes do segundo semestre do ano que vem (quando a economia norte-americana pode apresentar crescimentos mais consistentes e alavancar novamente os gastos com publicidade), analistas já se questionam se a crise já chegou ao fundo do poço.


‘O pior basicamente já passou’, afirmou Ed Atorino, analistas do setor de jornais da Benchmark. ‘Provavelmente.’ Além da empresa dona dos títulos ‘New York Times’ e ‘Boston Globe’, grandes grupos como Gannett (do ‘USA Today’) e McClatchy (que publica o ‘Miami Herald’) também tiveram resultados positivos.


Para a presidente-executiva do Times, Janet Robinson, o cenário para a publicidade continuará ‘desafiador’ nos próximos meses, mas o declínio nas receitas com esse segmento deve ser menor entre julho e setembro do que nos três meses anteriores.


Com o ‘Financial Times’’


 


 


RUMO
Barbara Gancia


Pode descansar em paz, Cronkite


‘ACONTECEU tudo na mesma semana, e se eu fosse daquelas pessoas que encontram um significado oculto nos acontecimentos, já estaria correndo para procurar emprego no Fran’s Café ou na Casa do Pão de Queijo. Explico: no último dia 17, o mitológico âncora da CBS, Walter Cronkite, chamado de ‘o homem mais confiável da América’, partiu desta para melhor, aos 92 anos. E, dois ou três dias depois, eu me dei conta de que estava completamente viciada no tal do Twitter.


Em benefício da minha mãe, dona Lulla, que é leitora desta coluna, sou obrigada a dar explicações básicas sobre o que vem a ser o Twitter. Segure firme, leitor cibernético, e tenha um pouco de respeito pela minha genitora. O Twitter é uma rede que reúne vários microblogs. Você se registra e vai escolhendo quem deseja seguir. Eu selecionei, entre outros, só para dar exemplo, a rainha da Inglaterra, as revistas ‘iD’ e ‘The Economist’, o cantor David Bowie e um amigo meu, o Fernando Zarif.


Toda vez que penso numa bobagem, vou ao Twitter instalado no meu celular e digito, em no máximo 140 caracteres, a idiotice que pensei. Já alguém como a Folha Online coloca lá a chamada para sua reportagem sobre, digamos, a crise econômica, com o mesmo limite de caracteres: ‘Efeito da crise perde força – http://www.folha.uol.com.br’. Vejo as manchetes e tenho à disposição as reportagens completas para ler no celular ou no computador. E toda vez que entro no Twitter, ele me mostra as cem ‘twittadas’ mais recentes do pessoal que eu escolhi seguir. Assim, eu não só fico sabendo o que meus amigos estão fazendo, mas o que está acontecendo no mundo por meio dos jornais e revistas que li a vida inteira. Deu para entender, mamãe?


Não sou maria vai com as outras. Fujo do Orkut como o diabo da cruz. Não quero fazer amigos. Muito ao contrário, quero me desfazer de boa parte dos que já tenho. Também não faço questão nenhuma de integrar redes sociais da internet como o Facebook, nas quais a garotada passa o dia trocando informações sobre a próxima balada.


Apesar de o Twitter servir aos mesmos propósitos do Orkut e do Facebook, ele é bem mais do que isso. Foi por meio dele que o mundo ficou sabendo que o avião da US Airways caiu dentro do rio Hudson; que os iranianos não estavam contentes com a eleição de Ahmadinejad; e até que o astronauta Michael Massimino, que posta mensagens do espaço sob a alcunha de Astro Mike (sou uma das pessoas que o seguem), conseguiu reparar o telescópio Hubble.


O que tudo isso tem a ver com Walter Cronkite? Bem, em sua autobiografia de 1997, ‘A Reporter’s Life’, Cronkite queixou-se sobre a falta de rumo do jornalismo, a banalidade do noticiário e o ‘jornalista celebridade’. Imagino que não tenha chegado a ver na homepage do Twitter o trabalho de reportagem ser embaralhado aos comentários sobre o que o ator Ashton Kutcher toma no café da manhã.


Não vou ao cúmulo de Paulo Francis, para quem Cronkite não passava de um ‘simples apresentador de notícias’. Mas creio que não há imposição de mercado, nova mídia ou má intenção de governo que possam derrubar a demanda pelo bom jornalismo. Enquanto ela existir, estaremos todos a salvo.’


 


 


INTERNET
Vinícius Queiroz Galvão


Falsários ‘roubam’ nomes de famosos para espalhar boatos em perfis do Twitter


‘A informação de que a apresentadora Sonia Abrão havia deixado a RedeTV! pela Record correu mais do que má notícia. Sem checar, sites de celebridades reproduziram a mentira que estava num perfil falso no Twitter, o blog de mensagens curtas que se tornou um dos sites de relacionamento mais populares da internet.


A situação criou uma saia justa, e tanto RedeTV! quanto apresentadora tiveram de desmentir a negociação.


‘Esse tipo de coisa causa confusão. Estou pensando em sair do Twitter’, diz Sônia Abrão, que afirma ter identificado outros 14 endereços eletrônicos falsos relacionados ao seu nome, um deles com conteúdo erótico.


Após um imbróglio com um falsário, Marcelo Tas, âncora do ‘CQC’, da Band, foi um dos primeiros no Brasil a receber, há 15 dias, o selo de autenticidade do Twitter.


O pretenso Tas usou uma manha gráfica para induzir os internautas a erro: trocou o ‘l’ de Marcelo por um ‘i’ maiúsculo.. ‘Ele começou a oferecer ingressos para o ‘CQC’, emitia opiniões e fazia bagunça com o meu nome. Falei que era crime e dei um prazo de 24 horas para ele terminar com a história. E imediatamente procurei o Twitter’, diz Tas.


O apresentador Luciano Huck também teve um contratempo. Antes dele, um falsário registrou o domínio com seu nome -e agora só lhe resta o twitter.com/huckluciano, na ordem indireta.


‘É a uma sensação de invasão absoluta de privacidade. Vivo do que penso e falo. É uma violência alguém pensando e falando por você.’


Informado por dois amigos sobre o perfil falso no Twitter na segunda, o publicitário Washington Olivetto também diz já estar acostumado a fraudes na internet.


Segundo a advogada Patrícia Peck, especialista em direito digital, os casos mais comuns no Twitter são de uso indevido de marca -o que gera confusão nos consumidores e desvio de clientela- e a venda, mediante extorsão de dinheiro, de domínios registrados por falsários. As duas situações, diz Peck, configuram crime.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Record incorpora ‘Fazenda’ ao novo programa de Gugu


‘A Record vai usar as duas últimas semanas de ‘A Fazenda’ para impulsionar a estreia de Gugu Liberato. Em reunião anteontem, a cúpula da emissora bateu o martelo: o ‘Programa do Gugu’ vai estrear no dia 16 de agosto. Assim, vai incorporar parte da última eliminação (dia 16) e da final do reality show (23). A equipe do apresentador queria entrar no ar somente no dia 23 ou depois.


O ‘Programa do Gugu’ será exibido das 20h às 23h, quando entregará para ‘A Fazenda’. Irá interagir o tempo todo com Britto Jr., apresentador do reality, e com os confinados.


Detalhes dos dois primeiros ‘Programa do Gugu’ voltarão a ser discutidos hoje em uma nova reunião de cúpula.


A estreia de Gugu Liberato na Record movimentará os bastidores de todas as redes comerciais. Na Record, acredita-se que a estratégia de fundir o programa de auditório com a final do reality show superará a casa dos 20 pontos de média e resultará em primeiro lugar no Ibope. Aos domingos, ‘A Fazenda’ tem chegado perto dos 20 pontos, mas ainda não conseguiu derrotar o ‘Fantástico’.


O ‘Programa do Gugu’ será um pouco menor em suas duas primeiras edições. Depois, passará a ter quatro horas de duração. A princípio, será exibido das 20h à 0h, após o ‘Domingo Espetacular’. O ‘Repórter Record’, de Roberto Cabrini, deverá passar para as segundas.


Contratado por um salário de R$ 3 milhões mensais (sem contar participações em merchandising), Gugu também terá um programa de entrevistas na Record News. Foi a mais cara contratação fora da Globo.


JUSTIÇA TARDIA 1


Mais de um ano depois da estreia no SBT (em 9 de junho de 2008), o autor Benedito Ruy Barbosa finalmente conseguiu na Justiça impedir a reexibição de ‘Pantanal’, de 1990.


JUSTIÇA TARDIA 2


Anteontem, o desembargador Fábio Quadros, do Tribunal de Justiça de SP, atendeu a pedido do advogado José Carlos Costa Netto e concedeu liminar proibindo a reprise da novela. O SBT nega que pretendia reapresentar ‘Pantanal’.


AMARGO REGRESSO


Em sua terceira edição desde que voltou ao ar, o ‘Show do Milhão’ amargou um quarto lugar no Ibope, anteontem, atrás de Globo (futebol), Record e Band (futebol).


TESTE A Globo gravou pilotos de um novo quadro a ser apresentado por Carla Vilhena no ‘SP TV 1ª Edição’. E, após férias, Chico Pinheiro volta segunda à bancada do telejornal local.


BARRACO ANIMAL 1


A Record de São Paulo viu anteontem um barraco inusitado. Alexandre Rossi, apresentador do ‘Dr. Pet’, discutiu com a ex-mulher por causa de Sofia, a cadela que era mascote do quadro do ‘Domingo Espetacular’.


BARRACO ANIMAL 2


Rossi e a ex-mulher disputam Sofia. Para deixar o ex gravar com Sofia, a mulher exigia que ele assinasse documento que lhe daria a posse da cadela. Sem acordo, Sofia é a mais nova ‘sem programa’ da praça.’


 


 


CINEMA INDEPENDENTE
Walter Salles


O perigoso estado das coisas


‘No filme de Wim Wenders que ganhou o Festival de Veneza em 1982, ‘O Estado das Coisas’, uma equipe de cinema independente para em plena rodagem de uma ficção científica por falta de financiamento.


O que era ficção tornou-se realidade. Em vários países, o cinema independente passa pela maior crise desde que, há 50 anos, a nouvelle vague e realizadores como John Cassavetes deram sentido ao termo. O resultado é, em diversas latitudes, inquietante.


Nos EUA, os estúdios fecharam várias distribuidoras que haviam criado para lançar ou coproduzir filmes independentes. A New Yorker Films, a emblemática distribuidora que levou nomes como Jean-Luc Godard, François Truffaut, Abbas Kiarostami e mais recentemente Jia Zhang-ke às telas norte-americanas, também cerrou as portas.


Mais de 90% dos filmes apresentados no Festival Sundance no início do ano nunca sairão nos cinemas, por falta de distribuição. Com a crise, é paradoxalmente mais provável que filmes de US$ 150 ou US$ 200 milhões sejam produzidos hoje nos EUA do que um pequeno filme independente de baixo orçamento.


A lógica dos estúdios mudou: produzir menos filmes, com conteúdo já testado, lançados no maior número de salas ao redor do mundo, simultaneamente. Nessa equação industrial, o custo não é um problema. O risco, sim. Resultado: o cardápio cinematográfico norte-americano está se tornando cada vez mais restrito, e o conteúdo, mais conservador.


Em grande parte, ‘sequels’, ‘prequels’ ou adaptações de séries de televisão. A safra excepcional de 2007 (‘Onde os Fracos Não Têm Vez’, ‘Sangue Negro’, ‘Não Estou Lá’ e ‘Zodíaco’, entre outros) não deve se repetir tão cedo. E dá-lhe ‘Transformers’ 2, 3, 4…


Na Europa, a política cultural instaurada há décadas em países como a França ou a Espanha defende o cinema independente e o protege de um terremoto como esse que os EUA estão vivenciando. Mas, mesmo por lá, a situação é cada vez mais preocupante. A sólida safra de autores em competição em Cannes 2009 ainda é o reflexo de uma situação pré-crise. Como o ciclo de produção de um filme é, em média, de dois anos, pode-se temer pelas safras de 2010 e, sobretudo, 2011.


Com a falta de crédito, produtores e realizadores europeus estão mais dependentes das TVs. E com a privatização das redes, só os longas que respondem a uma lógica de grande público e podem passar em horário nobre encontram rapidamente financiamento. Os outros penam. Como exercício, pode-se imaginar o tipo de filmes que as três redes de Silvio Berlusconi cofinanciam.


Numa Europa em recessão, até realizadores como Milos Forman tiveram filmes em pré-produção suspensos. Mais uma vez, a equação se repete: menos risco, mais previsibilidade, menos diversidade.


Num encontro recente em Berlim, Wim Wenders dizia que, hoje, é provável que um filme como ‘Asas do Desejo’ (1987) não fosse mais financiado. O filme, assim como ‘Alice nas Cidades’ (1974), não tinha um roteiro escrito. Tinha, ao contrário, uma ideia que nutria o filme, e que era desenvolvida a cada dia durante a filmagem. Em grande parte improvisado, ‘Asas do Desejo’ foi viabilizado em um momento em que o processo decisório em torno do cinema independente era outro.


Poucas fontes


Hoje sobram apenas algumas fontes de financiamento, canais culturais independentes como a Arte na França, o Film Four e a BBC na Inglaterra, que ainda se aventurariam em projetos semelhantes. Porém, a maioria desses canais sofreu cortes importantes de orçamento em 2009.


Wenders também se inquietava com a crise da cinefilia: mesmo que um filme como ‘Asas do Desejo’ ainda pudesse ser feito, haveria público para assisti-lo? Lançado com poucas cópias, o filme de autor depende de tempo de permanência nas salas. Em sentido contrário, a rotatividade dos filmes nos cinemas acelera-se a cada ano. Na Europa como no Brasil, o perfil das salas de exibição tem mudado rapidamente, de salas independentes de rua para multiplexes em shoppings. Nesses novos espaços, o mesmo filme ocupa frequentemente várias salas de exibição.


Mudança de hábito, mudança de público. Foi-se o tempo em que um filme como ‘Sem Destino’ (1968), de Dennis Hopper, ficava 20 anos em cartaz em Paris. A sala onde isso aconteceu, o Cinoche em St. Germain, fechou em 2008. Deu lugar a uma rede de fast-food. Em alguns países, filmes têm saído diretamente dos festivais para as telas das cinematecas, sem passar pelo mercado exibidor tradicional.


É o caso de Kiarostami e Nuri Ceylan na Inglaterra. Seus últimos filmes só chegaram ao público inglês graças ao National Film Theatre -salas de exibição mantidas pelo British Film Institute.


Godard e Truffaut


Voltando ao ponto de partida, a nouvelle vague: Godard e Truffaut instauraram a ideia de que o cinema era uma arte total, o ponto de encontro entre a literatura, o teatro, a pintura, a fotografia, a arquitetura, a filosofia. Desde então, gerações se formaram tendo o cinema como instrumento de compreensão e desvendamento do mundo. Como seria viver em um mundo em que esses filmes que vão além do simples entretenimento não mais existiriam?


O teatro foi dado muitas vezes como morto – e não parou de renascer desde então. O mesmo foi dito do cinema quando a TV se tornou dominante. A sentença repete-se agora com a internet. Quando o cinema foi inventado, as primeiras exibições de filmes aconteceram em circos. ‘O cinema é primo da roda-gigante’, disse uma vez Walter Lima Jr. A roda-gigante também foi dada como morta, e nunca morreu. Talvez porque ela nos ofereça uma visão única, panorâmica, do mundo -e a possibilidade do encantamento.


WALTER SALLES, 53, é cineasta, diretor de ‘Central do Brasil’ e ‘Diários de Motocicleta’, entre outros’


 


 


Sérgio Rizzo


Produtoras encolhem com a crise financeira


‘Wall Street fica longe de Hollywood, mas o impacto da crise no mercado financeiro dos EUA foi sentido pela indústria cinematográfica como se o mesmo abalo sísmico tivesse atingido Nova York e Los Angeles, com efeitos devastadores no cenário independente e reverberações significativas nos grandes estúdios.


No início de 2008, havia 38 produtoras independentes de médio porte atuando em Hollywood; hoje, restaram 12. A Warner, maior estúdio do mercado, encerrou nesse período as atividades de duas divisões autônomas (Warner Independent Pictures e Picturehouse), e assumiu o controle da terceira, New Line.


Responsável pela trilogia ‘O Senhor dos Anéis’, a New Line tinha 600 empregados e produzia de 12 a 15 longas por ano. Agora, tem 50 funcionários e produz de seis a oito filmes. A Warner reduziu de 30 para 20 o volume anual de longas.


A concentração de mercado -com espaço para um número menor de títulos, que são dirigidos ao público jovem e ocupam cada vez mais salas- foi aprofundada pela escassez de crédito, mas está relacionada também a um modelo de negócio que, inicialmente configurado nos anos 70, favorece a circulação de superproduções juvenis.


Personagens importantes na consolidação do cinema independente norte-americano a partir dos anos 90 protagonizam episódios ilustrativos dos novos tempos. ‘Che’, de Steven Soderbergh, que obteve simbólica Palma de Ouro em Cannes com ‘Sexo, Mentiras e Videotape’ (1989), quase não encontrou distribuidor nos EUA.


Lançada discretamente com uma verba de promoção de US$ 1 milhão (contra a média atual de US$ 37 milhões para um filme de estúdio), a cinebiografia de Ernesto Guevara arrecadou apenas US$ 1,7 milhão. O novo projeto de Soderbergh, ‘Moneyball’, foi suspenso três dias antes do início das filmagens.


Nesse caso, os dados são ainda mais alarmantes: era um filme de grande estúdio (Sony) e estrelado por um astro (Brad Pitt), mas foi considerado de alto risco porque envolvia o uso de um estilo semidocumental que não seria ‘vendável’. Descontente com o desempenho de seus dramas adultos recentes, a Universal suspendeu as atividades do departamento responsável por esses projetos.


Os irmãos Bob e Harvey Weinstein -que tornaram a produtora e distribuidora Miramax, hoje incorporada ao grupo Disney, um ícone da onda independente nos anos 90- tentam agora erguer a Weinstein Company, que se reestrutura, com a ajuda do escritório que cuidou da falência da Enron, para renegociar dívida de US$ 500 milhões.


‘É um período de desafios para todos os que não fazem filmes para crianças ou para adultos que se comportam como crianças’, afirma Rebecca Yeldham, diretora do Festival de Los Angeles, cuja última edição, realizada em junho, reuniu profissionais da indústria em painel chamado ‘O mundo como o conhecemos: acabou?’.


‘Era inevitável que os anos de ouro do cinema independente terminariam. Como ocorreu de forma geral na economia dos EUA, a operação se tornou cheia de gorduras – muitos filmes sendo jogados no circuito, muitos filmes ruins ‘queimando’ o espectador desavisado, custos crescentes.’


O orçamento médio de um longa independente saltou de US$ 5 milhões ‘para duas ou três vezes mais’, de acordo com Rebecca, e seus custos de lançamento subiram para ‘entre US$ 2 milhões e US$ 5 milhões’, segundo o produtor Mark Gill, em virtude da necessidade de lutar pelo público contra superproduções e alternativas de lazer doméstico.


Ex-presidente da Miramax e atual diretor da produtora Film Department, Gill foi apelidado por colegas em Hollywood como ‘príncipe das trevas’ por um diagnóstico sombrio do cenário independente feito em um simpósio do Festival de Los Angeles de 2008.


Na ocasião, Gill considerou que ‘o céu estava caindo’ sobre a produção independente. ‘Quando fiz aquele discurso, fui acusado de ser muito negativo’, lembra. ‘O tempo mostrou que eu fui otimista. As coisas ficaram um pouco piores do que eu havia imaginado.’’


 


 


CELEBRIDADE
Janaina Lage


‘Fama foi como bola de demolição’, diz Boyle


‘A cantora escocesa Susan Boyle, que se tornou um fenômeno de audiência na internet, comparou a fama repentina com o impacto de ‘uma bola de demolição’, mas disse que não quer que ela acabe.


As declarações foram feitas em entrevista exclusiva à rede de televisão NBC, durante o programa ‘America’s Got Talent’, anteontem à noite. Dividida em duas partes, já caiu no YouTube, apesar de a emissora não ter autorizado.


Boyle, 48, ficou famosa ao cantar ‘I Dreamed a Dream’, do musical ‘Os Miseráveis’, na versão britânica do programa, mas, depois de amargar o segundo lugar na competição, faltou a shows e chegou a ser internada em uma clínica em Londres por cinco dias para se tratar de ‘cansaço e esgotamento emocional’.


Pierce Morgan, um dos jurados do programa, disse que é impossível se colocar no lugar dela, pois ‘ninguém saiu do completo anonimato para se tornar uma estrela global em tão pouco tempo’. A primeira apresentação foi há três meses.


A entrevista foi apresentada ao final do programa e, por causa dela, o presidente dos EUA, Barack Obama, chegou a alterar o horário da entrevista coletiva que concedeu para falar da reforma do sistema de saúde -com o objetivo de garantir a transmissão na TV.


Repaginada


De cabelo cortado, maquiada e de terninho roxo, o visual da nova Susan Boyle tem poucas semelhanças com a de sua primeira aparição na TV. Boyle está gravando um disco que deve ser lançado até o fim do ano, mas evitou dar detalhes.


Durante a entrevista, feita no estúdio em Londres, foi apresentada à sua maior referência musical, a primeira-dama do teatro britânico, Elaine Page, que disse ter conhecido a voz de Boyle pelo YouTube.


‘Tem sido inacreditável, indescritível. Ser tirada da obscuridade… Não quero que isso acabe’, afirmou, ao comentar como sua vida mudou após o programa. Ela disse ter esperado pela oportunidade por 23 anos e que a maior incentivadora da carreira foi a mãe dela.


Boyle, que costumava cantar na igreja e em pequenos bares da cidade, havia desistido da carreira após a morte da mãe. Mas disse que precisava dar uma chance a si mesma. ‘Foi um período triste, mas eu tinha de me levantar e mostrar a todo mundo que eu podia fazer. Minha mãe assistiu ao show e teria ficado orgulhosa do que fiz.’


Questionada pela entrevistadora Meredith Vieiras sobre qual seria o conselho que a mãe daria a ela hoje, replicou: ‘Continue fazendo, você está indo muito bem’.’


 


 


***


‘Cansaço’ levou Boyle para clínica


‘Os milhões de acessos na internet para verem sua performance em ‘Britain’s Got Talent’ transformaram Susan Boyle em celebridade instantânea. Mas, com isso, vieram os paparazzi e a cobertura dos tabloides sobre sua vida. Após a derrota no programa, ela não aguentou a pressão e foi internada numa clínica. Os jornais populares ficaram à porta esperando sua saída, que relataram como ‘relaxada e feliz’.’


 


 


SARNEY
Mônica Bergamo


Bunker


‘Entrincheirado no Maranhão, José Sarney (PMDB-AP) está criando um ‘gabinete de crise’, formado por publicitários, agências de comunicação, jornalistas, advogados e empresários com quem mantém relações muito próximas, para estudar ‘medidas bombásticas’ na tentativa de reverter o desgaste cada vez maior de sua imagem. Entre elas estão a demissão de mais de mil funcionários não concursados do Parlamento, o corte de benefícios de senadores e o envio, para mais de 3.000 pessoas, de um memorando de dez páginas com um resumo da biografia do senador.


DÚVIDA CRUEL


Sarney ainda não aprovou as medidas. Ele quer antes ter certeza de que são viáveis juridicamente.


SINAL TROCADO


‘São os conselhos certos para a pessoa errada’, acredita um profissional que trabalhou com Sarney em momentos tão críticos quanto os atuais. ‘Elas vão contra a natureza dele, que sempre usou a caneta para nomear, jamais para demitir. Caminham em uma direção que não é a de Sarney, que sempre se manteve num trilho suave.’


MUY AMIGOS


Nas conversas que manteve com interlocutores muito íntimos, Sarney manifestou dúvidas quanto à fidelidade do senador alagoano Renan Calheiros (PMDB-AL), que já pulou de barcos que afundavam, como o do ex-presidente Fernando Collor de Mello, e se bandeou do grupo de apoio aos tucanos para o do governo de Lula. Até agora, no entanto, Renan se mantém firme e forte ao lado do senador maranhense.’


 


 


 


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