Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

FEITOS & DESFEITAS > LEITURAS DE O POVO

Jornal desmoraliza professores

Por Francisco Djacyr Silva de Souza em 09/02/2010 na edição 576

Não bastasse a vida sufocada que muitos professores levam e um contexto completamente desfavorável para a educação acontecer – traduzido no não cumprimento da Lei do Piso, da falta de um Plano de Cargos e Carreiras, do apoio técnico e moral para o trabalho do professor – a classe dos trabalhadores em educação recebe golpe certeiro veiculado pelo jornal O Povo no estado do Ceará, com reportagens supostamente feitas de forma ingênua e desinteressada (veja reportagens) e que atentam claramente contra os educadores e contra o ensino público e gratuito.

Durante certo período, o referido jornal vem publicando sucessivamente notícias que atentam claramente contra o crescimento do ensino público. Numa primeira reportagem, afirma que a escola pública é violenta e que os alunos das escolas públicas são verdadeiros marginais, deslocando claramente o foco da discussão que seria compreender que a violência está na sociedade, e não na escola. Por que fazem isso com a educação pública? Por que não vêem trabalhos maravilhosos que acontecem na escola pública? Por que não dedicam uma página especial em favor da educação?

Omissão e boicote

Em outro momento, especificamente nesta semana, o referido jornal publica duas reportagens que promovem completo assédio moral à classe de professores. Nas reportagens, as faltas de professores são tratadas como se fossem uma regra na escola pública vendo apenas um lado da questão sem entender ou fingir entender o mecanismo das substituições de professores em licença médica ou analisar o porquê real das faltas e analisar a vida dura dos educadores que, em jornada tripla, acabam por adoecer tanto orgânica quanto psicologicamente. Não se pode aceitar que o jornalismo seja tratado de forma a ouvir apenas uma parte da questão. Por que não mergulham na vida dos educadores que têm que se virar com salários vergonhosos que obrigam a uma jornada excessiva que acaba dando a todos problemas diversos na vida familiar, no cotidiano escolar, no descrédito da profissão e na descaracterização total do papel de educadores?

Não se pode entender o porquê desta campanha massiva do referido jornal contra o ensino público. Temos casos vitoriosos deste modelo de educação que não são levados em conta por este jornal, que despreza as experiências e se esconde atrás dos e-mails de redação para fazer de conta que não sabe que há algo de bom na educação. Por que o jornal não faz uma reportagem sobre o não cumprimento da Lei do Piso com análise econômica, com a cobrança do papel do governo e com jornalismo sério, competente e voltado para a realidade? Vale ressaltar que a forma de trabalho deste jornal está completamente fora do que preconiza o bom jornalismo, ou seja, o respeito ao público, ouvir as duas partes e interagir com os leitores. A chefia de redação que produz estas matérias deixa de responder os comunicados dos leitores e boicota reportagens que mantenham críticas contra os governos de plantão. Isso é jornalismo?

Sem compromisso com o povo

Vale ressaltar também que a atual ouvidoria do jornal foi comunicada sobre a reportagem e desprezou os apelos dos leitores não respondendo ao questionamento feito contra a reportagem em questão. Isso é jornalismo? Defendemos claramente o direito de imprensa e a livre expressão. No entanto, o bom jornalismo preconiza ética, respeito e, sobretudo, interatividade para que a verdadeira expressão da verdade chegue à tona sem distorções. Nesse momento não questionamos a qualidade do jornal, mas vemos que os que fazem o jornal ainda não compreenderam a necessidade plena de igualdade, fraternidade e liberdade para o bem do povo e para um futuro melhor que só será possível com educação para todos sem distinção.

Para efeito de sugestão seria de bom alvitre que o jornal mergulhasse a fundo na situação que os professores passam em função de governos descomprometidos com o povo e inimigos declarados dos educadores que exigem respeito, dignidade na profissão e viabilidade de um processo que está à deriva e acaba destruindo sonhos e desejos de crescimento de nossos jovens, vítimas de um processo proposital de destruição da educação pública por parte dos governos de plantão.

Veja aqui e aqui as reportagens tendenciosas do jornal.

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Vice-presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE

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