Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1041
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Jornal se renova em plena crise

Por Leneide Duarte-Plon, de Paris em 03/02/2009

O jornal Le Monde inaugurou nova diagramação na segunda-feira (26/01), num contexto de crise geral da imprensa francesa, com a maioria dos diários no vermelho e lutando desesperadamente contra um futuro cada vez mais incerto.

A ‘nova cara’ do Monde se traduz por um uso mais generoso de fotos (em tamanho e quantidade) e por textos mais curtos. Para anunciar a reforma, dois dias antes de chegar às bancas, o diretor Eric Fottorino explicou que o jornal fez a escolha entre a ‘hierarquia da informação’ e a ‘confusão da exaustividade’, na busca de particularizar a informação por meio de tratamentos originais, na forma e no fundo.

Realmente, os textos mais concisos e o uso de pequenas fotos tornaram o jornal mais leve, se é isso o que os leitores do jornal esperavam. Será? A realidade é que o jornal de referência da França se parece cada vez menos com o jornal que ele foi até alguns anos atrás – e cada vez mais com um grande jornal europeu. Talvez seja esse o caminho do sucesso. O que os leitores vão pensar do novo Monde que apareceu nas bancas com data de terça-feira, 27 de janeiro, com 28 páginas mais um suplemento de economia de 12 páginas? Isso se saberá quando as reações começarem a chegar à redação.

Redução de impostos

O debate sobre o futuro da imprensa francesa ocupou grandes espaços da mídia nos últimos meses e se desenvolveu num contexto de crise global da sociedade e do mundo.

Na sexta-feira (23/1), o presidente Nicolas Sarkozy apresentou um diagnóstico do mal da imprensa francesa, feito a partir de recomendações do chamado Livro Verde, resultado do trabalho de várias comissões encarregadas de apontar soluções para a crise que os recentes Estados Gerais da Imprensa, reunidos durante dez semanas em Paris, não se cansaram de debater [ver, neste OI, ‘Sarkozy quer salvar a mídia impressa‘]. Os Estados Gerais foram divididos em quatro pólos: ‘Funções do jornalismo’, ‘Processo industrial’, ‘Imprensa e internet’ e ‘Imprensa e sociedade’.

‘Se a imprensa não toma a direção da internet, ela não terá resposta alguma a dar às gerações nascidas na era digital, nem solução diante das novas formas de consumo da mídia’, disse Sarkozy em seu esperado discurso diante de jornalistas e patrões. Ele defendeu o papel do Estado na defesa da inovação e da neutralidade jurídica, fiscal e econômica entre todos os suportes tecnológicos.

Para viabilizar os sites de informação, o presidente Sarkozy propôs um reforço de investimentos públicos e a utilização do mecenato. Para ajudar a imprensa em geral, ele defendeu a redução de impostos de até 66% para doações de particulares.

Rádio, o mais confiável

No sentido de capitalizar a imprensa francesa, Sarkozy propôs a mudança da lei para permitir um investimento de até 20% de capital aos investidores externos à comunidade européia. Nessa mesma direção, o diretor do World Editors Forum, Bertrand Pecquerie, ouvido pelo diário Libération, afirma que somente os grandes grupos estarão armados no futuro para produzir uma informação de qualidade. Para Pecquerie, em matéria de imprensa diária os grupos franceses fracassaram. ‘El País, na Espanha, e La Repubblica, na Itália, conseguiram se transformar em mastodontes. É preciso europeizar a imprensa francesa, abrindo-a a parceiros estrangeiros’, defende.

Para aumentar o número de leitores dos diários, Sarkozy propôs o direito a uma assinatura de um jornal de sua escolha a todo jovem que completa 18 anos.

Quanto aos jornalistas, eles estão preocupados com a ameaça que pesa sobre o uso de seus textos. Para defender a integridade do trabalho e do direito autoral, caso a empresa venha a utilizar de forma dupla o conteúdo do trabalho do jornalista, os profissionais reunidos nos Estados Gerais reafirmaram o duplo status da profissão, que torna o jornalista um assalariado e um autor.

Uma pesquisa anual feita em janeiro pelo instituto TNS-Sofres/Logica para o jornal La Croix aponta que 61% dos entrevistados pensam que os jornalistas não são independentes e 59% acham que eles são sensíveis às pressões dos partidos políticos e do poder, bem como às pressões econômicas.

Em matéria de credibilidade, os franceses continuam fiéis ao rádio, considerado a mídia mais confiável. Em seguida vêm a imprensa escrita, a televisão e a internet.

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