Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

FEITOS & DESFEITAS > OBSERVAÇÃO DO LEITOR

Jornalismo abaixo da crítica

Por Mário Adolfo em 17/06/2008 na edição 490

A grande imprensa só se preocupa com o que lhe interessa, quando estão por trás seus interesses. Por exemplo: criar um clima de instabilidade e atrapalhar o governo Lula. São tucanos e não admitem que um nordestino que não estudou na Sorbonne está dando um jeito no Brasil, e que a aceitação de seu governo cresce à medida que eles batem.

Deixei de comprar a Veja quando ela colocou a foto do presidente com a marca de um pontapé no traseiro. Isso é falta de respeito com quem foi eleito pelo voto direto num país democrata. O presidente da República é uma instituição, e como tal deve ser respeitado.

Veja foi mais cretina ainda ao publicar a manchete de capa ‘Já vai tarde’, sobre o quase fim de Fidel. Eles gostando ou não, Fidel cumpriu seu papel na história. Pegou uma ilha que era um quintal dos ricos americanos e transformou num país decente, com analfabetismo zero, um grande centro cultural, sem dentes estragados, com um grande centro de saúde e com uma fábrica de campeões olímpicos. Cometeu erros? Claro que sim, mas quem governa um país com um bloqueio econômico de 40 anos? Só um homem como Fidel, que a história deverá absolver. Então, ‘Já vai tarde’ é manchete discriminatória, de quem não tem compromisso com a verdade e com a história. A imprensa não tem importância nenhuma para quem transformou um veículo de comunicação importante num ‘negócio’.

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É comum a função de assessor de imprensa em empresas e prefeituras de cidades do interior, é comum também muitos jornalistas prestarem serviços para jornais e revistas com reportagens que tratem de administrações municipais. Mas em muitos casos há os ‘jornais vendidos’, que são aqueles que funcionam como verdadeiros assessores de imprensa longe dos gabinetes. Trazem reportagens que interessam apenas aos administradores, muitas vezes faltando com a verdade ou maquiando situações.

Encontramos em jornais do interior, que vivem do dinheiro dos políticos, páginas inteiras que descrevem as conquistas realizadas pelos prefeitos para seus municípios, mas, quanto aos problemas nas administrações, muitos os tratam com receio e muitas vezes omitem processos de investigação sofridos por políticos.

A política está dentro dos jornais: quem paga bem tem seu nome exaltado pelos veículos de comunicação deste país. Isso acontece não apenas em jornais e revistas, mas também em emissoras de rádio e TV. O jornalismo não é mais o mesmo, a vontade de construir um Brasil melhor para os brasileiros não está na pauta da maioria dos jornalistas deste país, que tem graves problemas sociais mas que aos olhos de muitos está tudo bem.

O jornalismo há muito tempo virou comércio. É grande o número de jornais, revistas, emissoras de rádio e TV mantidas por políticos que se interessam pela comunicação a cada dois anos. Cobram tanta ética, prezam tanto a liberdade de imprensa, mas esquecem que esta mesma imprensa está nas mãos dos poderosos que ditam regras a serem cumpridas. Os veículos de informação do interior não são mais os mesmos desde que o dinheiro se tornou mais importante que as grandes reportagens. (Vanderson Freizer, jornalista precário, Santo Antonio do Aracanguá, SP)

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Aqui está o resultado de uma pesquisa que eu fiz, usando os nomes ‘Temporão’ + ‘css’. Só que, quando você clica no link que levaria à matéria falando que ele é contra a CSS (eu li essa matéria na semana passada), é redirecionado para uma em que ele se mostra a favor do tributo. Eu mandei um e-mail para a Folha perguntando o que aconteceu e, mais do que rapidamente, recebi uma resposta falando que eles haviam se enganado, que ele não deu essa declaração. Eu respondi, perguntando de onde então eles tiraram uma idéia completamente oposta à verdadeira, com detalhes e tudo (ele não achava primordial o novo imposto, mas defendia maiores impostos sobre cigarro e bebidas). Desta vez, no entanto, não obtive nenhuma resposta. (Martha Pereira, funcionária pública, São Paulo, SP)

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Como avaliar a omissão dos jornais sobre os 200 anos da imprensa brasileira? Descaso, falta de espaço, ignorância. Desculpem, mas acho que esta votação está equivocada. Faltou algumas opções para o voto. Afinal, nossa imprensa abandonou alguns princípios, entre eles a liberdade de imprensa. No mundo mercado, com fome de lucro, a imensa maioria esquece dos princípios da liberdade de imprensa. Portanto, o que festejar? (Francisco Surian, professor, Santos, SP)

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Creio que o motivo da ausência de cobertura do assunto 200 anos da imprensa brasileira pela grande mídia não esteja presente nas alternativas propostas [pela pergunta da urna do OI]. Sinto por parte dos jornalistas um misto de vergonha da profissão e tristeza. O jornalista ainda é bem visto pelo público, mas as ‘barrigadas’ dos jornais, escancaradas por veículos de análise midiática, geram certo desconforto nos profissionais.

O jornalismo perdeu seu status dentro do sistema. Os jornalistas se sentem impotentes muitas vezes de cumprir seu papel de prestador de serviços pela intimidação do governo (ainda existe censura) e pela linha editorial imposta pelos veículos em que atuam. A liberdade de imprensa não é exercida com seriedade. Parece simples fachada muitas vezes. Cabe a nós, jornalistas, recuperar isso. Mas como? (Tatiana Serebrinsky, jornalista)

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Para o Globo Esporte, Jornal Nacional e Jornal da Globo, a Eurocopa, torneio de seleções da Europa, não está acontecendo. Imagino que seja porque a Rede Record comprou os direitos de transmissão da referida competição. É correto que interesses de mercado sejam sobrepostos ao acesso à informação? (André Jamaica, músico, Rio de Janeiro, RJ)

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Sugestão para economizar no slogan ‘Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito’: suprimir as três últimas palavras, que é o que eu faço atualmente… (Luiz Carlos Gondim, aposentado, Nova Friburgo, RJ)

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O noticiário da Band da noite de terça-feira (10/6) me levou além da revolta e do mau humor aos quais tive que me acostumar para ter acesso a alguma espécie de (má) informação diária. A matéria sobre a ameaça que os índios supostamente oferecem à soberania nacional, na qual ninguém de nenhuma organização que representa os interesses indígenas foi entrevistado, foi simplesmente repugnante. Por que diabos o cinismo se transformou em norma no tratamento, por parte da imprensa, de questões tão delicadas como a (relativa) autonomia indígena – que, afinal, consiste em uma retratação mínima por séculos de violência praticada e/ou tolerada pelo Estado brasileiro – ou a preservação da Amazônia – que, paradoxalmente, é a garantia de um regime de chuvas fundamental à existência da ‘menina-dos-olhos’ da grande imprensa, o agronegócio latifundiário do Sudeste e do Centro Oeste? (Miguel Duarte, estudante de História, Belo Horizonte, MG)

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Jornalista, Manaus, AM

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