Domingo, 13 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1058
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ENTRE ASPAS >

Jornalismo, ética e análise de conteúdo

Por Luís Olímpio Ferraz Melo em 08/09/2009 na edição 554

O método da ‘análise de conteúdo’ foi utilizado no século 19 nas universidades de jornalismo dos Estados Unidos, mas foi na Alemanha o seu auge. Para obter informações confiáveis durante o holocausto, usou-se a ‘análise de conteúdo’ que se resume, em apertada síntese, ao seguinte: escolhe-se um texto e conta-se a freqüência de um ou mais dados ou temas e analisa-se a associação entre estes e as suas variâncias, daí extraindo – ou tentando extrair – a noticia com alguma fidedignidade. Em período de guerras, a ética na informação é a primeira baixa e não somente se sente falta das leis – que são suspensas ou revogadas, pois os inimigos usam a manipulação da informação para atacar em pontos estratégicos seu adversário.

Os meios de comunicação têm seus interesses comerciais e políticos e não é somente aqui no Brasil que é assim, pois vários políticos chegaram à presidência de outros países ou a outros cargos por meio da propaganda de seus meios de comunicação e não é à toa que as concessões públicas de televisões e rádios geram tantas disputas políticas no Congresso Nacional. As rádios parecem ser uma das mais importantes ferramentas dos políticos interioranos, pois além do alcance delimitado e devido ao baixo índice de cultura da população, distorcem as notícias ao bel-prazer do político e agora com a sinalização da liberação de meios eletrônicos para campanhas eleitorais, o eleitor deve ficar de olhos bem abertos com as promessas e a vida pregressa de seus candidatos e fazer a análise não somente das noticias, mas também do conteúdo dos candidatos.

Manipulação consciente e reiterada

O intelectual italiano Antonio Gramsci dizia que a classe dominante detinha o poder da informação e as suas idéias eram aceitas pelas classes subalternas não somente pela imposição ou força, mas também por não haver alternativa, ou seja, quem pode o mais engole o menos.

A crítica que se faz ao respeitado público – telespectadores, ouvintes e leitores dos produtos dos meios de comunicação – é a não cobrança de providências por meio de carta, e-mail, telefone e pessoalmente ao responsável pelo veículo de comunicação, pois os consumidores ficam indigestos quando se trata de notícia mal-dita, e além do mais a manipulação, em tese, somente acontece quando o sujeito está aberto a tal objetivo, pois o direito à informação é subjetivo, ou seja, ninguém é obrigado a assistir, ouvir ou ler qualquer coisa.

O meu método não chega a ser uma ‘análise de conteúdo’ e é bem singelo, ou seja, deixo de ler as colunas e os jornais que manipulam as informações consciente e reiteradamente, já que se aplicasse à regra do inconsciente, pouco leria doravante.

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Advogado e psicanalista, Fortaleza, CE

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