Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

FEITOS & DESFEITAS > MÍDIA & POLÍTICA

Jornalista de carne e osso

Por Regiane Muniz em 23/12/2008 na edição 517

O mundo vibra com a sapatada em Bush. Então alguém fala: ‘Um jornalista não poderia ousar tal descompostura. Ele traiu sua credencial.’ Até mesmo um cão quebrou ‘regras’ para tentar salvar outro cão no meio de uma pista (como todos podem conferir em vídeo no YouTube). Por que um jornalista não pode quebrar a regra e comunicar ao mundo o sentimento da sua nação?

É bom saber que ainda existem jornalistas de carne, osso e todos os sentimentos que essa condição de ser humano lhes confere. A revolta com as injustiças deveria ser a primeira característica para quem exerce essa profissão. Escrever e perguntar são a parte fácil; difícil é ter consciência para se tornar um agente transformador dessa sociedade que tanto carece de vozes contra a miséria, a pobreza e o abuso de poder.

Quem dera algum jornalista tivesse tido a coragem de criar um incidente internacional jogando uma tamanca no primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, durante as Olimpíadas de Pequim. Nem era necessário ir tão longe. Poderíamos apenas boicotar a divulgação dos jogos, ou mesmo citar a crueldade que estão fazendo com os tibetanos em cada nota sobre o evento.

Jornalistas humanos só são aceitos no Brasil em livros que falam sobre a ditadura. De lá para cá, somos todos moldados por William Bonner e Fátima Bernardes, em que nosso lado humano fica limitado a uma sobrancelha que se levanta.

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Jornalista, Campinas, SP

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