Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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FEITOS & DESFEITAS > ECONOMIA & POLÍCIA

Juros, negócios e crimes

Por Luciano Martins Costa em 24/07/2008 na edição 495

Os jornais de quinta-feira (24/7) dão repercussão à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de aumentar em 0,75% a taxa básica de juros. A porcentagem surpreendeu os analistas, que previam uma elevação de 0,5%, e, segundo os jornais, indica que o Copom optou por remédio mais forte por tempo mais curto. Isso quer dizer que os juros não devem continuar subindo por muito tempo e que a expectativa do governo é de impedir que a inflação contamine as metas de 2009.


A Folha de S.Paulo observa, na primeira página, que a taxa de juros do Banco Central é apenas uma referência, pois quem precisa de crédito sabe que, na prática, a vida é muito mais dura.


O noticiário sobre a reunião do Copom e os sinais de que o governo não pretende relaxar no combate à inflação reduziram em parte a visibilidade do grande assunto das últimas semanas. Mas o lado obscuro da economia, aquele que mistura negócios com o crime organizado, ainda está presente nos jornais.


O tema central hoje no caso Opportunity é a suposta tentativa do banqueiro Daniel Dantas de cooptar a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef. Os jornais relatam a atividade dos lobistas em torno do governo, indicando que o objetivo principal do grupo era influenciar a ministra para favorecer a fusão entre as operadoras Brasil Telecom, que já foi controlada por Dantas, e a Oi, controlada pela Andrade Gutierrez e pelo grupo LaFonte, da família Jereissati.


Segundo o Globo, a ministra rejeitou todas as tentativas de aproximação da quadrilha supostamente encabeçada por Dantas, que usou os serviços do advogado petista Luiz Eduardo Greenhalgh e até de representantes da oposição.


A Folha faz uma conexão entre Daniel Dantas e outro personagem do mundo dos negócios que seduz os jornalistas de economia – Eike Batista, o dono da mineradora MMX. O jornal revela que a MMX foi constituída a partir de uma empresa que só existia no papel e foi comprada por Eike Batista do Banco Opportunity em 2005. O noticiário apenas resvala num emaranhado de negócios que a própria polícia tem dificuldade para esclarecer.


O que fica cada vez mais claro é que personagens incensados pela imprensa nos cadernos de economia podem a qualquer momento virar personagens de novela policial.


No apagar das luzes


A julgar pelos detalhes que vêm sendo revelados pela imprensa, os negócios do grupo Opportunity no setor de telecomunicações são mais apropriadamente descritos como uma crônica mafiosa do que como empreendimentos. Segundo os jornais, praticamente todos os passos de Daniel Dantas no setor são motivo de investigação.


As iniciativas do banqueiro no setor de logística também já tinham virado tema da crônica policial e a imprensa começa agora a esclarecer suas recentes atuações na região amazônica. Os jornais publicam hoje que as fazendas de Daniel Dantas na Amazônia foram adquiridas de forma irregular.


Quase tudo que se sabe sobre as atividades do banqueiro que se tornou sinônimo de capo mafioso vem das longas investigações da Polícia Federal, que incluem muitas horas de escuta telefônica e monitoramento de e-mails, inclusive entre os suspeitos e seus advogados.


Em meio ao noticiário sobre os resultados da ação policial, chama atenção a revelação de que, quase na surdina, o Congresso aprovou um projeto do deputado Michel Temer que cria uma blindagem em torno dos escritórios de advocacia. Se for transformado em lei, a Justiça só poderá autorizar a escuta telefônica de advogados se eles estiverem sendo oficialmente investigados.


O projeto, que já está no gabinete do presidente da República para ser sancionado, torna invioláveis os escritórios dos advogados, bem como seus computadores, telefones e documentos. A proposta de Temer, que foi aprovada de madrugada, na última votação do Senado antes do recesso, está sendo contestada pelo Ministério Público Federal e a Associação dos Juízes Federais.


***


Menino morde cachorro


Uma velha anedota do jornalismo acaba de se tornar realidade.


Há muito tempo se diz, quando alguém pergunta qual é o critério da imprensa para definir o que é notícia do que não é notícia, que o fato comum de um cachorro morder uma pessoa não é notícia, mas se alguém morder um cachorro, isso deve ir para os jornais.


Pois a anedota acaba de acontecer e está na primeira página do Globo de quinta-feira (24): um menino de 11 anos, da cidade mineira de Sabará, foi atacado por um pitbull. Para se defender, mordeu o pescoço do cão com tanta força que chegou a perder um dente. O menino foi socorrido e o pitbull levado a um centro de controle de zoonoses para ser submetido a exames.


O Brasil é o país onde menino morde cachorro e advogado quer ser considerado acima de qualquer suspeita.

Todos os comentários

  1. Comentou em 25/07/2008 WALTAIR RIBEIRO DOS SANTOS

    Se o Brasil não tomar um posicionamento frente a Corrupção Senhores pagadores de impostos, não vamos agüentar não; é processo sendo suspenço do Banqueiro e mafioso Cacciola, a troco não sei de quê, uns dizem que é a lei que us da direito outros comentam que sim o Corporativismo do Senado, da Câmara que espande aos outros Ministérios e nós sociedade vamos vendo essas falcatruas e não podemos fazer nada, pois sabemos que aqui no Brasil os que tem dinheiro tem advogados bons à defende-los e pasme sociedade os defensores de seus clientes(Advogados), não recusam nem uma causa nem que seja por ética, lisura da profissão ou respeito.A instituição vem com um argumento que a Constituição dá o direito a defender clientes seja criminoso ou não,mas melhor seria se mobilisasse pela sociedade , assim nos orgulhariamos. Se escutas telefônicas fossem divulgadas em que advogados diretamente envolvidos em Corrupçãoes, crimes o que a OAB faria! Então vou dar minha opinião! Já que moramos em um país democrático, todos os Advogados carteirados do Brasil se mobilizariam postavam como vitimas da imprensa do povo! olhá vou repetir; “SE O BRASIL NÃO TOMAR UM POSICIONAMENTO FRENTE A CORRUPÇÃO SENHOHES PAGADORES DE IMPOSTOS; NÃO VAMOS AGUENTAR NÃO.

  2. Comentou em 24/07/2008 Marco Antônio Leite

    A Leitão durante o Fala Brasil dos RICOS disse que o prato típico do povo, a feijoada teve um aumento de preço, causando embaraço para o povão deglutir com freqüência esse cardápio. Vale informar a senhora Leitão, um dos restos que freqüenta uma feijoada, que essa comida não é e nunca foi prato típico do Brasil. Feijoada é oriunda do continente Africano, pois os negros pegavam as sobras dos burgueses e faziam a sua lista de iguarias ou misturavam tudo numa panela, aí saia a tal feijoada. Pelo que sei não é prato do dia do proletariado nacional. Prato do dia do brasileiro é arroz, feijão e ‘zoião (OVO), acompanhado de um copo de tubaína ou água mesmo. Quem anda comendo muita feijoada é a elite da central Globo de boatos e congêneres. Quem aumenta o preço dos produtos é a elite que gosta de muitos lucros no seu caixa.

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