Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > QUINTA-FEIRA, 8/1

Leitores criticam cobertura da Folha sobre Gaza

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 08/01/2009 na edição 519

Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 8 de janeiro de 2009


 


GAZA
Painel do Leitor


Israel x palestinos


‘‘Todos estamos vendo e sentindo os horrores da guerra entre israelenses e palestinos, e parece que a Folha contratou o editor do antigo ‘Notícias Populares’ para fazer a Primeira Página.


O jornal poderia poupar-nos de ver o sofrimento, deixando de publicar a foto tão chocante da edição de ontem.


E, para completar, ainda coloca uma imagem de três crianças brasileiras chorando desesperadas. Para que tudo isso?’


CLAUDIR JOSÉ MANDELLI (Tupã, SP)


***


‘Abominável a Primeira Página da Folha de ontem.


Abominável a atitude de Israel, sem dúvida nenhuma. Mas um jornal que entra na casa de seus leitores não precisa apelar para o sentimentalismo, expondo crianças e adultos desse modo.


Eu não gostaria de ver a foto de minha filha morta, por qualquer que fosse o motivo, na capa de um jornal de um país que nem conheço -nem em meu próprio país.


Expor assim o sofrimento alheio resolve o problema de alguém? Em que pensam os editores da Folha?


Em ajudar aquele povo ou em vender mais jornal?’


GILDA POMPÉIA (Cotia, SP)


***


‘Fiquei abismada com a capa da Folha de ontem, que mostrou uma criança achada nos escombros de uma casa em Israel. A escolha foi de extremo mau gosto.


Aliás, nos últimos dias, com o intuito de chocar os brasileiros, o jornal tem explorado bastante as fotos de pessoas que estão sofrendo com essa guerra.


Por quê? Para vender mais? Pelo amor de Deus, o que irão publicar amanhã? Uma imagem de um corpo sem os membros?


Como posso deixar esse jornal em casa? Se nós, adultos, estamos incomodados e nos sentimos invadidos, o que se passa dentro da cabeça de uma criança ao ver essas imagens?’


PATRÍCIA MARA ARANTES (São Paulo, SP)


***


‘Imagino que a Redação da Folha tenha amanhecido ontem sob uma enxurrada de e-mails altamente estarrecidos e contrários à veiculação da foto da menina achada sob escombros em Gaza.


Eu penso que a notícia tem de ser divulgada e, por que não dizer, ‘explorada’ do modo como ela de fato acontece.


É preciso mostrar a realidade e trazer a verdade nua e crua de diversas maneiras, nem que isso desagrade a muitos e a torne uma notícia sensacionalista.


O jornal, na minha concepção, agiu de forma correta ao dar a ênfase e a importância necessárias ao caso. E, principalmente, ao conseguir chamar a atenção da opinião pública para que reflita sobre essa terrível e lamentável situação em Gaza.’


FILIPE LUIZ RIBEIRO SOUSA (São Carlos, SP)


***


‘A fotografia da menininha palestina morta pelos bombardeios israelenses em Gaza, na manchete da Folha de ontem, vale por mil palavras. Causou-me grande emoção, sobretudo de tristeza e de revolta.


O que se poderia dizer sobre tamanha infâmia, covardia e crueldade sem limites cometidas contra civis inocentes?’


RENATO KHAIR (São Paulo, SP)’


 


 


TELEVISÃO
Carlos Heitor Cony


Maysa e os Blochs


‘RIO DE JANEIRO – Não costumo comentar produtos da televisão, muito menos as novelas que estão no ar. Mas a minissérie sobre Maysa obrigou-me a uma reflexão: texto do como sempre excelente Manoel Carlos, ela está sendo dirigida por Jayme Monjardim, filho único da cantora. Quando superintendente da teledramaturgia da Rede Manchete, trabalhei com ele e fui testemunha do impacto provocado por ‘Pantanal’.


Ao dirigir um exercício dramático sobre sua mãe, Monjardim dá um exemplo de seriedade e profissionalismo. Outro qualquer poderia ser acusado de apelação, não ele, que, embora jovem, possui uma bagagem respeitável, um conjunto de obra de primeira qualidade.


Falta de tempo me impede de assistir à minissérie, mas, conhecendo a sensibilidade do diretor, credito-lhe um dos momentos mais importantes da história de nossa televisão: um filho dirigir um produto dramático sobre a vida de sua mãe. Uma experiência que pouquíssimos artistas puderam realizar.


Aliás, temos outro exemplo mais ou menos parecido em nosso mundo editorial. Arnaldo Bloch escreveu a saga de sua família (‘Os Irmãos Karamabloch’), incluindo entre os personagens seu avô e seu pai. Alguns leitores imaginam uma catarse do autor, reduzindo a literatura a simples terapia psicanalítica.


Tanto no caso de Jayme Monjardim como no caso de Arnaldo Bloch, o que importa é a elaboração artística de uma obra que transcende o particular e atinge o universal.


Maysa e os Blochs pertenceram a um tempo que se escoou. A minissérie sobre a cantora e a conturbada história dos gráficos ucranianos que chegaram ao Brasil são intemporais, destacam a ventura e a desventura humana em termos de arte dramática e literária. Merecem o respeito de nossa reflexão e admiração.’


 


 


Caio Jobim


Quatro pré-selecionados do ‘BBB’ 9 ficam em bolha de vidro


‘O ‘Big Brother Brasil’ chega, na nona edição, à terceira idade. O programa terá pela primeira vez concorrentes com mais de 60 anos: o radialista Norberto dos Santos, 63, e a promotora de eventos Naiá Giannocaro, 61. Em entrevista no Projac (Rio), ontem, o diretor, Boninho, disse que buscou pessoas com mais ‘conteúdo’.


‘Isso foi deliberado. Fiquei de saco cheio, a garotada estava claramente com a bunda na parede. Com os selecionados para esta edição, temos a expectativa de que eles coloquem suas opiniões, que estejam na casa para ganhar o prêmio’, disse.


Além dos mais velhos, não há ninguém com menos de 24 anos. Porém, não é certo que eles entrem na casa na próxima terça, quando estreia o ‘BBB’ 9. Pela primeira vez, quatro dos 18 pré-selecionados serão barrados na porta da casa e transferidos para uma ‘bolha’ de vidro construída no shopping Via Parque, na Barra da Tijuca (Rio), onde ficarão confinados sob olhares do público -no local e por meio do site do ‘BBB’- até o dia 20, data do primeiro paredão.


Um dos quatro será escolhido para ir para a casa por meio de votação que será feita em uma tela localizada na própria ‘bolha’ ou via internet.


A mecânica do jogo terá poucas alterações em relação à última edição, embora Boninho diga o contrário. ‘Cada BBB que a gente faz é diferente, apesar de vocês [jornalistas] acharem que não’, disse o diretor.


Na votação que determina os emparedados de cada semana, alguns ‘brothers’ terão que dar a sua sentença diante do grupo, sem a proteção do confessionário. Durante duas semanas, a casa será dividida em dois grupos para acirrar as rivalidades.


Na opinião de Boninho, os participantes não escondem segredos importantes -revelações íntimas, como a de Marcelo Arantes, que contou na edição passada ser homossexual, não devem acontecer. Cenas mais apimentadas entre casais, como as já flagradas na Europa, tampouco. ‘O brasileiro é careta’, disse, ressaltando que o ‘BBB’ é um programa veiculado na TV aberta para atingir todas as classes e idades.


 


 


Fernanda Ezabella


Jean-Claude Brialy estrela seriado


‘O ator Jean-Claude Brialy, um dos rostos marcantes da nouvelle vague, é homenageado pelo canal Eurochannel, que exibe a partir de hoje, às 22h, a minissérie em três partes ‘O Presidente Ferrare’.


Brialy, que morreu em 2007 aos 74 anos, atuou em mais de cem filmes de diretores como Claude Chabrol, François Truffaut, Jean-Luc Godard, Eric Rohmer e Luis Buñuel.


A série, dirigida por Alain Nahum e com roteiro de Mireille Lantéri, traz Brialy como o presidente de uma corte da França. A partir de seu cotidiano no tribunal ou fora dele, o personagem questiona certos valores e atitudes humanas.


Filmada na Bélgica, a série tem como locação o interior do Grande Palácio da Justiça, com suas escadas e corredores intermináveis, além da imensa sala de audiências.


Os outros dois capítulos serão exibidos nas próximas quintas, no mesmo horário.


Brialy, filho de um militar, nasceu na Argélia e fez seus estudos na França e Suíça. Atuou em filmes como ‘Uma Mulher É uma Mulher’ (1961), ‘O Joelho de Claire’ (1970), ‘A Noiva Estava de Preto’ (1967) e ‘Os Primos’ (1959).


Em 1971, dirigiu seu primeiro filme, ‘Eglantine’, sobre suas lembranças de infância.


O PRESIDENTE FERRARE – 1º CAPÍTULO


Quando: hoje, às 22h


Onde: no Eurochannel


Classificação: não informada’


 


 


MÚSICA
Irineu Franco Perpetuo


O ano Villa-Lobos


‘A data exata é apenas 17 de novembro, mas as homenagens pelos 50 anos da morte de Heitor Villa-Lobos já estão acontecendo. De Londres a Tóquio, passando pelas principais capitais brasileiras, o que não falta são concertos com obras de nosso maior músico erudito.


No Rio, cidade natal do compositor, o pianista Luis Carlos Moura Castro dá recital amanhã, na série Música nos Museus, que abrirá grande espaço à obra de Villa-Lobos.


Na mesma data, o maestro John Neschling rege a Filarmônica de Varsóvia, na capital polonesa, em um programa iniciado com os ‘Choros nº 6’.


‘Em duas semanas estarei dirigindo a Orquestra Nacional da Grécia, e meu solista será o Antonio Menezes, com o ‘Concerto para Violoncelo’ do Villa.


Portanto, vamos comemorando’, diz Neschling, cuja integral dos ‘Choros’ vem sendo aclamada pela imprensa internacional e que programou uma série de obras do compositor para a Osesp tocar neste ano.


Não será a única orquestra brasileira a fazê-lo. A Filarmônica de BH, a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro (Brasília), a Sinfônica Municipal de Campinas e a OSB (Rio) são outros grupos que incluem peças de Villa-Lobos em sua temporada. Em fevereiro, a soprano Adriane Queiroz canta as ‘Bachianas Brasileiras nº 5’ na Staatsoper de Berlim; em maio, Roberto Tibiriçá faz apresentações comemorativas em Portugal e na Venezuela, enquanto, em agosto, Roberto Minczuk vai ao Japão, para um concerto incluindo cinco das nove ‘Bachianas Brasileiras’. No mesmo mês, o Cuarteto Latinoamericano faz, na Cidade do México, a integral dos quartetos de cordas do compositor.


Ano da França


O maestro e oboísta Alex Klein, que regeu aquele que possivelmente foi o primeiro concerto de Villa-Lobos do ano (no dia 3, em Portugal), pretende cruzar a efeméride, em junho, no festival Oferenda Musical, que acontece em São Paulo, dentro das comemorações do Ano da França no Brasil.


‘Villa-Lobos, apesar de ter chegado ‘já feito’ em Paris, foi ainda muito influenciado pelo movimento musical francês da época, e influenciou a França com seu próprio brasilianismo individual’, afirma.


Nelson Freire começa em Paris, no dia 23, uma série de recitais de piano solo por capitais europeias, incluindo, ao lado de Brahms, Schumann, Chopin e Debussy, obras de Villa-Lobos, como as ‘Cirandas’ e ‘Dança do Índio Branco’.


‘Esta última finalizou muitos recitais meus quando era criança, entre 1956 e 1959. Depois disso, nunca mais toquei. Foi uma redescoberta’, diz.


Cristina Ortiz também vai tocar Villa-Lobos na Europa.


Além de Itália, Suíça e Inglaterra, executa o ‘Momoprecoce’ com a Banda Sinfônica do Estado de SP, em junho; faz apresentações em BH; e fecha o ano na Espanha, ao lado do violoncelista Antonio Meneses. O Museu Villa-Lobos, no Rio, abriga, em março, uma exposição de fotos, filmes, documentos e partituras, e organiza, em novembro, seu tradicional festival de tributo ao compositor.


DVDs e antologia


O ano prevê ainda o lançamento dos DVDs ‘Alma Brasileira’, de Marcelo Bratke, pela Biscoito Fino, em fevereiro, e da Sinfônica do Teatro da Paz (Belém), sob regência de Mateus Araújo, em março, com as ‘Bachianas Brasileiras nº 7’.


Na área editorial, a Academia Brasileira de Música e a Funarte preveem para o mês de fevereiro o lançamento de uma edição revista, em quatro volumes, do ‘Guia Prático’ -uma antologia de cantos folclóricos, hinos, temas ameríndios e peças do repertório universal recolhidos, selecionados e arranjados por Villa-Lobos, para uso educacional.


E, no segundo semestre, a Publifolha deve lançar ‘Folha Explica Villa-Lobos’, do violonista Fabio Zanon. ‘O universo sonoro de Villa-Lobos é uma coisa arrasadora, que esmaga qualquer questiúncula sobre seu alinhamento com a questão de nacionalidade ou com os cânones formais’, afirma. ‘Nossa ideia de Brasil seria muito mais pobre sem a leitura efetuada por Villa-Lobos de nosso patrimônio musical.’


LUIS CARLOS MOURA CASTRO (PIANO)


Quando: amanhã, às 15h


Onde: Centro Cultural da Justiça Federal (av. Rio Branco, 241, Rio, tel. 0/xx/ 21/3261-2550)


Quanto: grátis


Classificação: livre’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 8 de janeiro de 2009


 


JORNAL EM CRISE
O Estado de S. Paulo


Jornal do Brasil reduz sua versão impressa


‘A Companhia Brasileira de Mídia (CBM), empresa controlada pelo empresário Nelson Tanure e que administra o Jornal do Brasil, anunciou o fim da impressão dos cadernos Brasília, Barra e Niterói, que circulavam com o jornal. Essas edições passaram a ter apenas uma versão digital, no site do jornal, desde o começo do ano. A empresa alega redução de custos, com corte de papel e distribuição.’


 


 


MÉXICO
O Estado de S. Paulo


Emissora de TV vira alvo do narcotráfico


‘A emissora de TV mexicana Televisa foi alvo de um atentado de narcotraficantes, que jogaram uma granada e atiraram contra a sede da emissora, em Monterrey, na noite de terça-feira. O ataque foi realizado por homens encapuzados, que deixaram uma mensagem de um carro: ‘Parem de nos transmitir. Transmitam também os narcopresidentes.’’


 


 


LUTO
O Estado de S. Paulo


Morre nos EUA editor que disse não à censura


‘Morreu na terça-feira, em Nova York, aos 82 anos, de insuficiência cardíaca, o editor Richard Seaver, que desafiou a censura norte-americana ao publicar obras literárias com O Amante de Lady Chatterly, de D.H. Lawrence, e autores como Henry Miller e William Burroughs. Durante 20 anos, Seaver e sua mulher Jenniffer mantiveram a Arcade Publishing, editora independente que deu voz a autores então desconhecidos nos EUA, entre eles o irlandês Beckett, que a Grove depois publicou por conta de um ensaio sobre o dramaturgo escrito pelo editor. Seaver foi admitido na casa editorial em 1959. Ele deixou a Grove em 1971.’


 


 


TELEVISÃO
Gustavo Miller


BBB9 tenta inovar


‘Quitinete de vidro em shopping, participantes da terceira idade… Quem disse que o Big Brother Brasil não tem mais o que inventar? A nona edição do reality, que estreia na próxima terça-feira na Globo, promete novidades.


Dividindo câmeras com saradas e bombados da vez estão a promotora de eventos Naiá, de 61 anos, e o radialista Norberto, de 63, os primeiros participantes da terceira idade no programa. Detalhe: tanto Naiá como Norberto são hipertensos.


Dos 18 candidatos pré-selecionados – entre 170 mil inscritos – quatro terão de disputar seu passaporte para a casa em uma bolha de vidro montada no meio do shopping Via Parque, no Rio. O público que por lá passar poderá votar em seu participante preferido. Ao final de uma semana, quem tiver mais votos trocará a quitinete de vidro pela casa do BBB.


Novidade politicamente correta: não haverá fumantes na casa. Já a entrada dos participantes, dessa vez, será transmitida ao vivo.


Além da edição diária na Globo, o BBB9 também ganhará mais espaço no Multishow: o tempo da espiadinha ‘ao vivo’ da atração pulará de 20 para 40 minutos.’


 


 


 


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